{"id":16623,"date":"2019-10-29T17:29:30","date_gmt":"2019-10-29T20:29:30","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=16623"},"modified":"2019-11-01T17:43:17","modified_gmt":"2019-11-01T20:43:17","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-65","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-65\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o calar a voz diante da vida, seus des\u00edgnios, chamados, imperativos e desafios. N\u00e3o se curvar a toda sorte de vatic\u00ednios propalados pelo pensamento autorit\u00e1rio e totalizante. N\u00e3o deixar de ser parte nos processos que compreendem o entendimento de nossas humanas idades. Tomadas assim, em doses cont\u00ednuas de arremessos, tais negativas resumem em si o gesto mobilizador de uma exist\u00eancia que n\u00e3o se furta a travar inalien\u00e1veis combates com o Tempo. Ah, o Tempo, este senhor de dom\u00ednios difusos, majestoso disseminador dos mist\u00e9rios nos trajetos que cada ser experimenta. Se saber e sabor caminham juntos, o ato performativo de viver parece se perder na amplid\u00e3o do mundo, arranca deste a marca po\u00e9tica do sopro vital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todo o acima dito, o agregar de tenacidade, vivacidade, paix\u00e3o e intensidade serve bem para apresentar uma pessoa como <strong>Rita Santana<\/strong>, Mulher, Poeta, Professora, Atriz e Artista. Todos esses atributos, assinalados aqui em iniciais mai\u00fasculas, s\u00e3o mera tentativa de enfatizar atua\u00e7\u00f5es de relev\u00e2ncia diante da constata\u00e7\u00e3o de que os pap\u00e9is desempenhados pela artista em quest\u00e3o s\u00e3o feitos com a viv\u00eancia apaixonada da verdade. Mas o exerc\u00edcio da verdade aqui \u00e9, dentro dos mergulhos pessoais, a no\u00e7\u00e3o de que uma pessoa como Rita pensa para al\u00e9m dos seus dom\u00ednios, engendrando em seu of\u00edcio de escritora a manifesta\u00e7\u00e3o ativa da preocupa\u00e7\u00e3o com o coletivo, com o Outro. S\u00e3o percursos reflexivos que denunciam viol\u00eancias e tiranias, mas que tamb\u00e9m sabem ofertar, sobretudo em versos e opini\u00f5es, proposi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias de delicadeza e sensibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autora de obras impactantes como \u201cTratado das Veias\u201d (Letras da Bahia, 2006) e \u201cAlforrias\u201d (Editus, 2015), dentre outras, Rita Santana compartilha agora conosco toda a pung\u00eancia l\u00edrica que habita seu mais novo livro de poemas, o emblem\u00e1tico \u201cCortesanias\u201d (Caramur\u00ea, 2019), cujos versos desnudam significativas tens\u00f5es e encantamentos da condi\u00e7\u00e3o humana. Na conversa que agora segue, Rita acolhe a Diversos Afins para manifestar n\u00e3o somente confiss\u00f5es em torno do impacto de seu novo rebento, mas principalmente para falar de si, dos processos individuais que desaguam na sua cria\u00e7\u00e3o de modo determinante. Perseguidora da Beleza, estamos diante de uma artista profundamente marcada pelos desatinos que testemunhamos no presente. S\u00e3o reflex\u00f5es que fazem com que cada recanto desta entrevista contenha em si demonstra\u00e7\u00f5es de lucidez e entrega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_16625\" aria-describedby=\"caption-attachment-16625\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20190328_172343378.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-16625 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20190328_172343378.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20190328_172343378.jpg 450w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/IMG_20190328_172343378-300x246.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-16625\" class=\"wp-caption-text\">Rita Santana \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Seu mais novo livro, \u201cCortesanias\u201d, mostra uma Rita Santana no apogeu de sua maturidade po\u00e9tica. E dizer isso n\u00e3o significa que todos os aprendizados estejam postos e encerrados em si mesmos, mas refletem uma consci\u00eancia de mundo bastante expandida. Como voc\u00ea percebe esse momento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RITA SANTANA &#8211; <\/strong>\u00c9 um momento de muita liberdade, mais ousadia, menos freios.\u00a0 O Tempo tem sido generoso comigo, pois ando mais\u00a0feliz, mais disposta aos erros, aos desafios, \u00e0s alegrias.\u00a0Busca! Sou uma mulher de buscas!\u00a0Hoje, quero alegrias, curto alegrias, vivo as alegrias. Menos preocupada com aquela felicidade idealizada de outrora. Vivo uma Solid\u00e3o prazeros\u00edssima! Quando tenho tempo livre, estou sempre assistindo coisas, lendo, ouvindo m\u00fasica. Sinto falta do Mar.\u00a0Sinto uma falta tremenda do Mar! Vivo a minha maturidade, ainda povoada de pequenos equ\u00edvocos, mas com uma consci\u00eancia maior sobre tudo que me atinge, tudo que atinge o outro.\u00a0Dou um foda-se muito mais intenso a qualquer um que tente atropelar minhas op\u00e7\u00f5es, meu caminho, meu estilo, meu jeito, minha obra, minha vida. O mundo exterior, as opini\u00f5es importam cada vez menos. Gosto de mim pra caralho e de tudo que constru\u00ed, o meu universo. Assim,\u00a0 chega <em>Cortesanias<\/em>, em plena maturidade!\u00a0A proximidade da velhice me permite ser com uma fluidez deliciosa. Ser com mais verdade. Ando mais disposta \u00e0 vida, enquanto envelhe\u00e7o. Completei 50 anos!\u00a0N\u00e3o sei se o livro revela ou n\u00e3o uma maturidade po\u00e9tica, mas revela certamente a minha disposi\u00e7\u00e3o para ousar, para ser fiel ao meu desejo de express\u00e3o. Tudo convergia para uma situa\u00e7\u00e3o de plenitude e de felicidade.\u00a0 Arrisquei assumir minhas paix\u00f5es que fervilhavam naquele momento: a pintura, as artes pl\u00e1sticas, a M\u00fasica &#8211; de maneira sub-rept\u00edcia, pois n\u00e3o entendo tecnicamente nada de m\u00fasica, sofro com uma desafina\u00e7\u00e3o cong\u00eanita e constrangedora, mas amo a M\u00fasica! N\u00e3o vivo sem Ela. \u00c9 ela quem busco quando escrevo prosa ou verso. <em>Cortesanias<\/em> reflete esse momento de assun\u00e7\u00e3o dos desejos. Sou uma escritora comprometida com o meu Tempo e tento acompanhar suas demandas, mesmo que de uma forma \u00e0s vezes anacr\u00f4nica, com a minha linguagem arcaica, modos arcaicos, estilo distante desse Tempo que eu persigo. Ideologicamente, abordo no livro quest\u00f5es que me afetam profundamente e que sacolejam meu equil\u00edbrio no mundo. Vivemos tempos de desmoronamento absoluto de todas as certezas. O que voc\u00ea chama de expans\u00e3o talvez seja um momento de muita contempla\u00e7\u00e3o que vivi de forma intensa naquele per\u00edodo que antecedeu e encontrou a feitura do livro. Me sentia drogada, como se estivesse alterada o tempo inteiro. Uma sensa\u00e7\u00e3o sinest\u00e9sica que me atravessava &#8211; e ainda atravessa de outra forma &#8211; a minha vida, o meu olhar.\u00a0 Calhou de receber minha licen\u00e7a-pr\u00eamio e ter tempo para viver com mais intensidade aquele momento. H\u00e1 algo muito especial que influencia o livro: o plantio e a espera da germina\u00e7\u00e3o das sementes. Compro sementes e aguardo a surpresa das flores, acompanho o processo e essa atividade me d\u00e1 um prazer terr\u00edvel! O livro \u00e9 fruto dessa paix\u00e3o pela beleza! Persigo a Beleza! Durmo com as cortinas abertas e observo o movimento dos astros! Fotografo os amanheceres e os versos expressam essas experi\u00eancias. Sou louca! Eclipses, planetas, o Cosmos, tudo isso me atinge em cheio e o livro \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o dessas paix\u00f5es, obsess\u00f5es. Talvez da\u00ed essa sua afirma\u00e7\u00e3o de expans\u00e3o, pois <em>Cortesanias<\/em> \u00e9 fruto desse processo de observa\u00e7\u00e3o, descoberta, pesquisas. <em>Cortesanias<\/em> \u00e9 o meu olhar e a minha oferenda \u00e0 Beleza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; &#8220;Cortesanias&#8221; abarca tamb\u00e9m um sentimento de partilha social, do envolvimento com as quest\u00f5es vividas coletivamente. Isso, por exemplo, aparece com for\u00e7a num poema como &#8220;As Comedoras de Batatas&#8221;, o qual tamb\u00e9m exorta uma comunh\u00e3o do feminino, tra\u00e7o forte de sua caminhada enquanto poeta. Que tipo de reflex\u00f5es essa atmosfera movimenta em voc\u00ea? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RITA SANTANA &#8211; <\/strong>Eu sou uma artista de esquerda e sempre convivi com petistas e comunistas. Tenho um sentimento de que precisamos tornar o Brasil menos excludente, mais justo, melhor.\u00a0 A tela de Van Gogh toca essa sensibilidade, pois estamos diante da mis\u00e9ria, da pobreza e da explora\u00e7\u00e3o, no entanto, h\u00e1 uma mesa em torno da qual se compartilha o alimento, comem batatas. Van Gogh fez-se um deles, viveu como eles para experimentar a alteridade com mais verdade. Isso trouxe para mim, diante da tela, a consci\u00eancia de que, mesmo na Literatura, travamos embates de g\u00eanero, de classe, racismo, intoler\u00e2ncia, pensamentos excludentes. Vivenciei um conflito coletivo com mulheres no qual essas quest\u00f5es explodiram de forma danosa para o coletivo ou os coletivos envolvidos, forjaram rupturas irremedi\u00e1veis dentro de mim, mas, principalmente, possibilitaram um olhar ainda mais arguto para uma multiplicidade de interesses, omiss\u00f5es, posicionamentos e posturas nesse meio liter\u00e1rio especificamente &#8211; \u00e9ramos mulheres e escritoras! Da\u00ed, convoco as mulheres escritoras que comem batatas comigo, que compartilham o p\u00e3o &#8211; como companheiras, camaradas. Mas tamb\u00e9m resolvo a querela real, atrav\u00e9s do recado simb\u00f3lico que deixo ali, tamb\u00e9m para mim que sofri reformula\u00e7\u00f5es e aprendizagens. Fa\u00e7o uma analogia com o MST, o lado em que estou e o outro lado, o lado de mulheres que s\u00e3o donas de vastas terras improdutivas e n\u00e3o est\u00e3o dispostas \u00e0 empatia! Apesar do discurso pomposo de coletividade, de igualdade, permanecem alheias ao outro, \u00e0s outras e suas idiossincrasias, sua realidade de exclus\u00e3o, invisibilidade. Na hora H o que preponderar\u00e1 ser\u00e1 o pensamento das brancas, classe m\u00e9dia, legitimadas como escritoras. O momento \u00e9 de deslocamento. Saio desse embate mais forte, mais combativa e mais corajosa. Com perdas, muitas perdas.\u00a0 \u00c0s vezes, tamb\u00e9m sofro de prepot\u00eancia e julgo o meu discurso perfeito, corret\u00edssimo, sem observar o lugar de fala; sem atentar que h\u00e1 um discurso muito mais pertinente que o meu, o discurso de quem sofre na pele a dor. Estou muito disposta a aprender e essa disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel para a transforma\u00e7\u00e3o que almejamos.\u00a0Hoje, sofremos a morte de \u00c1gatha Vit\u00f3ria Sales F\u00e9lix, fuzilada no Rio de Janeiro, hoje foi o seu sepultamento. O poema me conecta com uma coletividade de mulheres negras que perdem seus filhos, filhas; com uma gente que teme o retrocesso pol\u00edtico que vivemos com censuras impensadas na arte, na cultura, atrav\u00e9s de discursos absolutamente deplor\u00e1veis que foram legitimados pelo povo brasileiro nas urnas. Os coletivos s\u00e3o dif\u00edceis! A minha forma de atuar no coletivo \u00e9 atrav\u00e9s da minha atitude pedag\u00f3gica como professora, promovendo sonhos, reflex\u00f5es e transforma\u00e7\u00f5es sociais e como escritora denunciando injusti\u00e7as, criando imagens e del\u00edrios, fazendo arte. Sou cada vez mais combativa! Estou entre todos, todas e todes que sonham um mundo melhor. Aprendendo com Malala, Greta. O di\u00e1logo com Van Gogh \u00e9 um sonho porque como artista tamb\u00e9m sou vulner\u00e1vel, confusa, desejosa, d\u00e9bil, o oposto do que acredito, contradit\u00f3ria, insana e sonhadora. Uma feminista aprendiz cheia de conflitos com a velha Rita. Mas tenho 50 anos e estou mais disposta aos enfrentamentos comigo mesma e com esse mundo escroto que temos que enfrentar diariamente.\u00a0 Um mundo velho demais para tantos desejos lindos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Estamos vivendo um processo de desumaniza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do qual tamb\u00e9m perdemos esperan\u00e7as, seja aqui ou em outras partes do mundo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RITA SANTANA &#8211; <\/strong>Desumaniza\u00e7\u00e3o plena! As m\u00e1scaras ca\u00edram. Falar em direitos humanos hoje virou uma piada, \u00e9 preciso ter coragem, inclusive na escola, espa\u00e7o que sempre foi de respeito aos direitos humanos, \u00e0 Democracia. \u00c9 preciso exercer uma verdade muito plena interna para se dispor a Ser e exercer a liberdade de c\u00e1tedra, expondo e revelando a sua forma\u00e7\u00e3o humanista, humanit\u00e1ria, respeitosa \u00e0s leis. O discurso das armas venceu as elei\u00e7\u00f5es no Brasil, no Rio de Janeiro. Vivemos um p\u00f3s-golpe, onde uma mulher foi destitu\u00edda do poder por cr\u00e1pulas, alguns presos, com discursos absolutamente rid\u00edculos, violentos, desumanos. A sociedade se mostra violenta, homof\u00f3bica, racista. A elite brasileira se sentiu amea\u00e7ada com a nossa ascens\u00e3o em universidades, em minist\u00e9rios, em espa\u00e7os de poder: mulheres, negros, gays, l\u00e9sbicas, ind\u00edgenas. As elites n\u00e3o suportaram! Aqui, vivemos ainda uma sociedade colonial, com pensamento escravocrata, excludente. No entanto, tenho esperan\u00e7as! Sempre terei esperan\u00e7as! Ainda temos leis que respaldam a sociedade e temos a nossa voz. H\u00e1 artistas! Ainda temos muitos professores e professoras decentes em nosso Pa\u00eds. Retomaremos o nosso Pa\u00eds! Retomaremos o caminho da busca por uma justi\u00e7a social, sim. Sou das Utopias! Cresci ouvindo os tropicalistas e nasci em 1969, um ano de transforma\u00e7\u00f5es e sonhos. Convivo com muitos alunos e alunas que sonham e que mant\u00eam um olhar cr\u00edtico e sens\u00edvel, portanto, h\u00e1 Esperan\u00e7a! Aqui e acol\u00e1 temos decis\u00f5es judiciais que retomam a Democracia. O Intercept revelou o que j\u00e1\u00a0sup\u00fanhamos e transformou o olhar de muita gente sobre\u00a0 Moro e sua turma.\u00a0\u00c9 \u00f3bvio que meu cora\u00e7\u00e3o anda suscept\u00edvel e a tristeza diante desse quadro pol\u00edtico \u00e9 perturbadora. \u00d3bvio que tudo \u00e9 desalentador diante do retrocesso que vivemos. Estamos adoecendo! Mas h\u00e1 a Poesia, a Arte e jovens atentos. H\u00e1 Glenn e suas den\u00fancias! H\u00e1 rea\u00e7\u00f5es contundentes contra os fascistas. Somos muitos! O mundo est\u00e1 conosco contra o discurso mis\u00f3gino de Bolsonaro e sua fam\u00edlia! H\u00e1 Resist\u00eancia! H\u00e1 a Literatura e ela humaniza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Avan\u00e7amos um pouco no que se refere \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos segmentos minorit\u00e1rios na literatura brasileira?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RITA SANTANA &#8211; <\/strong>O Brasil \u00e9 racista! A Literatura n\u00e3o \u00e9 uma ilha alheia ao Pa\u00eds. Nossas vozes hoje s\u00e3o mais ouvidas, indubitavelmente. Entretanto, \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos em compartimentos espec\u00edficos, em gavetas que s\u00e3o abertas em horas apropriadas para raz\u00f5es espec\u00edficas, interesses. Durante os eventos, sinto que nos apartam das escritoras e dos escritores consagrados, como se um abismo nos separasse dessa camada ol\u00edmpica. Quando h\u00e1 mesas de escritores, geralmente s\u00e3o os mesmos nomes de sempre. Nossas mesas s\u00e3o dedicadas \u00e0s mulheres, \u00e0s mulheres negras, \u00e0s vozes divergentes. Acho \u00f3timo participar e estar entre os meus, entre as minhas, mas constato tamb\u00e9m que o confronto de vozes e experi\u00eancias t\u00e3o absolutamente diversas seria ainda muito mais rico para os eventos, para os poss\u00edveis e futuros leitores. Sempre que posso, denuncio e registro esse inc\u00f4modo. Durante uma edi\u00e7\u00e3o da Flica, Aidil Ara\u00fajo Lima esteve numa mesa com Juli\u00e1n Fuks, sou apaixonada pela escrita de ambos e s\u00f3 perdi aquele encontro porque a minha m\u00e3e adoeceu. Essa possibilidade de di\u00e1logo me interessa muito. Fiz o pref\u00e1cio do livro de Aidil , &#8220;Mulheres Sagradas&#8221;, e li \u201cA Resist\u00eancia\u201d de Fuks. Imagino como deve ter sido lindo o instante em que ambas as delicadezas se tocaram. N\u00e3o importa a disparidade midi\u00e1tica que corta e separa seus nomes e suas viv\u00eancias. Espero que esse seja o novo momento: o momento dos encontros improv\u00e1veis, dentro da velha perspectiva can\u00f4nica. Assim, os abismos culturais s\u00e3o atenuados. Ou n\u00e3o?! H\u00e1 um movimento de Leitoras de mulheres, Leitoras de mulheres negras que mobiliza muita gente por todo o pa\u00eds e, principalmente, leitoras qualificadas, envolvidas, politizadas. Al\u00e9m disso, as universidades se abrem &#8211; mesmo que com alguma resist\u00eancia &#8211; \u00e0s vozes que destoam\/diferem\/ou n\u00e3o s\u00e3o can\u00f4nicas\/ do can\u00f4nico, para eventos importantes, tradicionais, com reconhecimento hist\u00f3rico; h\u00e1 uma divulga\u00e7\u00e3o das nossas po\u00e9ticas nas gradua\u00e7\u00f5es e se torna cada vez mais frequente o estudo de nossas obras na academia, o que considero uma das maiores riquezas que o Universo nos proporciona, pois, simbolicamente, \u00e9 preciosa demais a dedica\u00e7\u00e3o em torno de nossa escrita, o registro permanente nas faculdades, ou seja, a inser\u00e7\u00e3o de nossos nomes em um dos mecanismos canonizadores mais vigorosos da sociedade. Legitimidade! Apesar dos avan\u00e7os, percebo que s\u00e3o poucos e poucas os eleitos negros para que se destaquem no mundo liter\u00e1rio e as raz\u00f5es me parecem quase sempre extraliter\u00e1rias! N\u00e3o sei! As pesquisas revelam e observo uma preponder\u00e2ncia branca, classe m\u00e9dia, masculina entre os escolhidos. Mulheres e homens do eixo Rio\/S\u00e3o Paulo, quase sempre. O resto do Brasil parece resistir em reconhecer os nomes que temos, como se n\u00e3o houvesse talento ou vida liter\u00e1ria no Nordeste e no Norte! S\u00e3o minhas impress\u00f5es, minhas inquieta\u00e7\u00f5es, observa\u00e7\u00f5es.\u00a0 Elegem alguns escritores negros e algumas escritoras negras para que o abismo n\u00e3o se torne um vexame ainda mais expl\u00edcito. O desconhecimento, a falta de circula\u00e7\u00e3o de nossas obras n\u00e3o significa que n\u00e3o tenhamos tesouros preciosos em nosso territ\u00f3rio. Portanto, vivemos uma segrega\u00e7\u00e3o! Nossos textos ainda s\u00e3o medidos com refer\u00eancias pautadas nos preconceitos arraigados numa sociedade com padr\u00f5es euroc\u00eantricos, com referenciais projetados por processos midi\u00e1ticos, e raz\u00f5es que nem sempre passam apenas por crit\u00e9rios liter\u00e1rios. S\u00e3o muitos os dados que movimentam o universo liter\u00e1rio, o mercado. \u00c9 um campo que reflete tantas de nossas exclus\u00f5es. As minorias sociais ainda precisamos de muita luta, resist\u00eancia e insist\u00eancia para que um dia a Hist\u00f3ria seja outra e tenha muitas faces, reflita a nossa diversidade em g\u00eanero, etnias, classes, origens&#8230; A inser\u00e7\u00e3o dessas minorias nas universidades brasileiras certamente ser\u00e1 e \u00e9 um agente de profundas transforma\u00e7\u00f5es em todos os campos e esse movimento \u00e9 irrevers\u00edvel e pungente. H\u00e1 revolu\u00e7\u00f5es no cinema negro, no cinema de mulheres negras e tudo isso \u00e9 fruto de um projeto pol\u00edtico de inser\u00e7\u00e3o social que tomou conta do Pa\u00eds e transtornou a elite brasileira. A revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso e \u00e9 poderosa!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Voc\u00ea \u00e9 bastante ativa nas m\u00eddias sociais, sobretudo no que se refere a divulgar sua obra e aspectos de seu processo criativo. Vivemos na contemporaneidade uma tend\u00eancia de que o autor cuide de sua produ\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a fa\u00e7a circular, esp\u00e9cie de curadoria de si mesmo. Como equilibrar as a\u00e7\u00f5es num tempo em que a superexposi\u00e7\u00e3o da vida privada, nalguns casos, parece adquirir mais relev\u00e2ncia do que a obra?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RITA SANTANA &#8211; <\/strong>As redes sociais s\u00e3o utilizadas por mim primeiramente porque, como professora, preciso me atualizar e fiz alguns cursos pelo estado em que aprend\u00edamos a utilizar algumas ferramentas. Uma necessidade de acompanhar o meu tempo e, desde sempre, divulgo a minha escrita, a escrita de outras escritoras. O pr\u00f3prio blog surge assim, ap\u00f3s aprender o b\u00e1sico, criei Barca\u00e7as com o\u00a0 prop\u00f3sito de divulgar meus interesses, de forma tosca, amadora, e acabei gerando uma rede de conhecimentos e trocas que se tornaram importantes para a escritora. O blog est\u00e1 desativado por algumas raz\u00f5es: escassez de tempo para alimentar suas p\u00e1ginas e completa incompet\u00eancia para resolver problemas t\u00e9cnicos. Nunca paguei a um profissional para alimentar minhas p\u00e1ginas, infelizmente. O Facebook promove uma s\u00e9rie de prazeres e satisfaz algumas necessidades. Al\u00e9m das trocas intensas entre escritoras e escritores, leitura de textos e oportunidade de conhecer muita coisa e autores bons que circulam na rede,\u00a0 muitas vezes facilita contatos profissionais importantes que seriam abortados, caso eu n\u00e3o estivesse l\u00e1, exposta. H\u00e1 o aspecto pol\u00edtico, fundamental, da informa\u00e7\u00e3o que circula por l\u00e1. \u00c9 uma ferramenta de milit\u00e2ncia pol\u00edtica, onde explicito opini\u00f5es e posicionamentos, e fa\u00e7o camaradagem virtual com intelectuais de esquerda. H\u00e1 diverg\u00eancias e converg\u00eancias importantes para resistir aos tempos atuais. \u00c9 fortalecedor saber que h\u00e1 muitos de n\u00f3s no mundo dispostos ao Belo e \u00e0 Justi\u00e7a. H\u00e1 uma teia de not\u00edcias que circulam na rede e que t\u00eam uma qualidade que n\u00e3o constatamos em velhas estruturas midi\u00e1ticas. H\u00e1 embates, perdas. Serve tamb\u00e9m como uma peneira ideol\u00f3gica que me guia sobre confian\u00e7a, admira\u00e7\u00e3o e respeito. Exercito generosidades e aprendo com as generosidades alheias. Fa\u00e7o alguns filtros para n\u00e3o adoecer com tanta gente violenta e perversa. N\u00e3o exponho minhas dores ou pelo menos n\u00e3o o fa\u00e7o de forma escancarada. N\u00e3o sinto necessidade de que a rede se torne um confession\u00e1rio, tento apenas dividir beleza, quando poss\u00edvel, literatura ou impress\u00f5es pol\u00edticas. N\u00e3o estou no mercado e n\u00e3o sou uma criatura midi\u00e1tica; sempre me assusto quando algu\u00e9m me diz: estou te seguindo! Sou velha demais para certa sem\u00e2ntica. A\u00a0 entrada no instagram se deu primordialmente por causa de <em>Cortesanias<\/em>, do seu lan\u00e7amento. Sempre tenho uma responsabilidade com os meus livros, principalmente no per\u00edodo de lan\u00e7amento e, como\u00a0 sou tosca, muito ilhada no meu universo pessoal, torno-me uma senhora que busca se atualizar para acompanhar tantas mudan\u00e7as e n\u00e3o me sentir &#8211; como me sinto &#8211; t\u00e3o incapaz de vivenciar tantas experi\u00eancias, linguagens e ferramentas que se tornam obsoletas a cada segundo. Fa\u00e7o reflex\u00f5es sobre a exposi\u00e7\u00e3o excessiva e ainda n\u00e3o cheguei a um termo, mas sinto necessidade de um certo afastamento, \u00e0s vezes, sem fazer alarde, sem proclamar a minha aus\u00eancia futura, enfim! Quando preciso de f\u00e9rias, eu busco f\u00e9rias. H\u00e1 tamb\u00e9m o aspecto l\u00fadico! As redes s\u00e3o um jogo interativo, de trocas, perdas, duelos, guerras, m\u00e1scaras, egos, ilhas paradis\u00edacas onde encontramos conhecimento e beleza, aprendizagem. A sua revista \u00e9 uma prova disso e h\u00e1 outras tantas possibilidades de experi\u00eancias profundas assim. N\u00e3o sou uma celebridade, por isso\u00a0 me sinto tranquila no que exponho; n\u00famero de seguidores \u00ednfimos e completamente incompetente e indiferente \u00e0s disputas. O que realmente me faz feliz \u00e9 tocar sensibilidades com o que escrevo. \u00c9 o sentido maior. Resisti ao instagram, mas estou gostando da coisa: moda, arquitetura, designers, not\u00edcias de artistas que gosto, imagens. Quando me sentir adoecida com tudo isso, procurarei &#8211; e talvez j\u00e1 seja a hora &#8211; a cura, o afastamento ou um equil\u00edbrio maior.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/45241109_10213207882779944_2613374276903895040_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16628\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/45241109_10213207882779944_2613374276903895040_n.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/45241109_10213207882779944_2613374276903895040_n.jpg 450w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/45241109_10213207882779944_2613374276903895040_n-300x295.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; E a por\u00e7\u00e3o atriz de Rita Santana? Algum retorno pensado ou em curso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RITA SANTANA &#8211; <\/strong>A atriz \u00e9 cada vez mais um retrato na parede. Hoje, estou cheia de vontade mesmo \u00e9 de me aposentar e ter mais tempo vago para mim e meus projetos, prazeres. Estou afastada do universo do teatro e isso \u00e9 muito s\u00e9rio, quase irrevog\u00e1vel. \u00c0s vezes, penso que, ap\u00f3s a aposentadoria, farei oficinas de voz, dan\u00e7a, dramaturgia e assim me aproximarei da atriz. Mas n\u00e3o sei. Quero Tempo para o sossego, a paz. Pretendo evitar o tr\u00e2nsito, pois ele \u00e9 infernal e me adoece. Quero ler os livros que me esperam, retomar velhos projetos de escrita e criar novos. Quero ver o mar mais vezes, ir muito \u00e0 praia. Tudo, hoje, requer muita coragem. At\u00e9 ir \u00e0 praia requer coragem. Cheguei aos 50 anos e sou muito fiel ao que eu sinto. N\u00e3o sei o que sentirei nesse processo de constru\u00e7\u00e3o de novas identidades, novos desejos, novos lugares, deslocamentos.\u00a0 Recentemente, vivi uma trag\u00e9dia familiar e isso tamb\u00e9m macula os projetos futuros, macula um pouco o brilho dos desejos. As perdas profanam os desejos, os sonhos. A vida \u00e9 muito s\u00e9ria, assustadora. Quero ir mais ao cinema, frequentar exposi\u00e7\u00f5es. Tudo isso \u00e9 t\u00e3o caro e me d\u00e1 tanto prazer, que talvez a atriz deva ir mais ao teatro, simplesmente. Ler mais dramaturgia, escrever talvez, pe\u00e7as de teatro. O estado sombrio do pa\u00eds tamb\u00e9m causa um p\u00e2nico interior, um medo, um estado de inseguran\u00e7a. Todo o cotidiano est\u00e1 muito feroz, selvagem. Os projetos pessoais perdem a import\u00e2ncia diante do risco que corre toda uma coletividade. Sem exageros! O pa\u00eds me afeta! O pa\u00eds me afeta muito. Sou essencialmente pol\u00edtica. Enfim, h\u00e1 uma melancolia pairando no ar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A Literatura tem algum compromisso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RITA SANTANA &#8211; <\/strong>O professor Ant\u00f4nio C\u00e2ndido escreveu &#8220;Direito \u00e0 Literatura&#8221;, onde ele explora o car\u00e1ter imprescind\u00edvel da Literatura para o ser humano. Ele diz: incompress\u00edvel! Outro dia, li que um pa\u00eds inseriu o livro entre os direitos b\u00e1sicos do cidad\u00e3o, como mais um dos itens de uma lista que envolve alimento, moradia, \u00e1gua, educa\u00e7\u00e3o. E \u00e9 isso! A Literatura \u00e9 essencial para o processo de humaniza\u00e7\u00e3o, de sensibiliza\u00e7\u00e3o. A Arte \u00e9 libertadora! Quem faz Literatura deve ter um compromisso com a sua Arte, com a sua express\u00e3o, a express\u00e3o dos seus sentimentos, das suas inquieta\u00e7\u00f5es, do que deseja revelar ao mundo ou decifrar com o mundo, compartilhar. A partir desse compromisso com sua pr\u00f3pria verdade interna, outros compromissos se firmam com as pessoas, com a sociedade, com a transforma\u00e7\u00e3o do outro. Se o artista tem compromisso social, responsabilidades pol\u00edticas com a sociedade, ele vive esse compromisso sempre, portanto, sua literatura ter\u00e1 esse teor de engajamento, sendo ou n\u00e3o panflet\u00e1rio. Caso n\u00e3o tenha um compromisso pol\u00edtico ou social, a sua obra cumprir\u00e1 o seu papel de reflex\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o, provavelmente, porque o tecido da obra \u00e9 sempre o humano, a humanidade. Como somos seres pol\u00edticos, aprecio obras cr\u00edticas, perturbadoras, que me inquietam. A Beleza \u00e9 transformadora! A Arte provoca &#8211; mesmo sem que haja uma milit\u00e2ncia pol\u00edtica da sua autora, do seu autor &#8211; transforma\u00e7\u00f5es: ela modela a alma, lapida a nossa rudeza, nosso lado animalesco, nossa selvageria aniquiladora. Em Cortesanias, dedico muitas p\u00e1ginas \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o da Arte, mas sinto a necessidade de olhar para o mundo de hoje, suas conturba\u00e7\u00f5es sociais, as injusti\u00e7as, movimentos migrat\u00f3rios, a onda obscurantista que vivemos hoje. N\u00e3o poderia deixar de olhar para o Brasil sombrio dos tempos atuais. Censura, persegui\u00e7\u00f5es, ex\u00edlios, pris\u00f5es pol\u00edticas e arbitr\u00e1rias, cortes, persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s pesquisas, tudo \u00e9 muito terr\u00edvel para que eu permane\u00e7a contemplando apenas &#8211; e isso j\u00e1 \u00e9 grandioso! &#8211; a beleza das telas, da m\u00fasica. As grandes autoras que li e os grandes autores s\u00e3o artistas que me provocaram emancipa\u00e7\u00f5es, portanto, o compromisso social, pol\u00edtico, cr\u00edtico \u00e9 necess\u00e1rio para mexer com as estruturas dos homens, das mulheres, dos jovens. \u00c0s vezes, n\u00e3o h\u00e1 esse engajamento, mas a beleza provoca uma sensibiliza\u00e7\u00e3o, um olhar mais delicado para o mundo, e isso tamb\u00e9m \u00e9 libertador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Que tipo de rela\u00e7\u00e3o voc\u00ea estabelece com o sil\u00eancio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RITA SANTANA &#8211; <\/strong>Outro dia, ouvi um cara dizendo que o sil\u00eancio n\u00e3o existe! \u00c9 f\u00edsica ac\u00fastica! (risos) Eu tenho uma rela\u00e7\u00e3o muito \u00edntima com o sil\u00eancio, mas sempre um sil\u00eancio que tem som. Antigamente eu tinha um sonho &#8211; um sonho primordial &#8211; que se repetia: umas esferas que levitavam, gigantes, e o ru\u00eddo eu sempre associei ao barulho do \u00fatero. Nunca mais tive esse sonho, mas ele me acompanha na mem\u00f3ria. Moro sozinha! Passo muito tempo s\u00f3 e isso me liga \u00e0 possibilidade de ficar muito livre comigo mesma, num solil\u00f3quio profundo e divertido. Sim, eu me divirto muito comigo e com minhas loucuras! Ou\u00e7o muito m\u00fasica cl\u00e1ssica, e fico muito tempo envolta no sil\u00eancio da m\u00fasica, no sil\u00eancio da Casa, em meu sil\u00eancio interior. Sofro com o barulho dos ventiladores em todas as salas em que leciono; acho perturbador; acho que parte do cansa\u00e7o e stress do cotidiano vem da\u00ed; os alunos ficam excitados demais, enfim. Professores gritam na hora do intervalo, enquanto conversam, e isso me perturba profundamente. N\u00f3s, professoras, falamos muito alto! Ent\u00e3o, estar em sil\u00eancio, em Casa, \u00e9 como estar num santu\u00e1rio, num monast\u00e9rio ou recolhida num terreiro de Candombl\u00e9, que tamb\u00e9m deve ser assim, imagino, com muitos momentos de sil\u00eancio, sil\u00eancio interior.\u00a0 Os livros s\u00e3o fonte de sil\u00eancio! Ler \u00e9 mergulhar em sil\u00eancios; escrever \u00e9 imergir em sil\u00eancio! O meu sil\u00eancio conversa muito com o sil\u00eancio das minhas plantas, com o sil\u00eancio das minhas paredes, o sil\u00eancio dos meus bot\u00f5es. Isso, esse contato com os sil\u00eancios, aprofunda a consci\u00eancia e a cr\u00edtica, a exig\u00eancia sobre mim mesma. Mas isso n\u00e3o me torna uma pessoa melhor! Ali\u00e1s, isso aprofunda a cr\u00edtica sobre mim mesma e minhas a\u00e7\u00f5es! Hoje, por exemplo, descobri que n\u00e3o sou uma hero\u00edna! N\u00e3o sou uma mulher de atitudes diante das injusti\u00e7as que tanto proclamo detestar! Vivo o tempo inteiro num jogo de acusa\u00e7\u00f5es, investiga\u00e7\u00f5es e perd\u00f5es comigo mesma! N\u00e3o tenho paci\u00eancia com quem perturba a minha Paz e o meu Sil\u00eancio! Busco equil\u00edbrio! H\u00e1 pessoas muito perversas, barulhentas e desequilibradas que podem desestruturar toda a constru\u00e7\u00e3o perene em que vivo para n\u00e3o enlouquecer. \u00c9 poss\u00edvel enlouquecer, diante desse ru\u00eddo pol\u00edtico, diante da masculinidade t\u00f3xica agressiva que nos cerca, diante da falta de car\u00e1ter das pessoas. A busca pelo sil\u00eancio \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de permanecer com uma sanidade m\u00ednima para se manter viva, em conv\u00edvio social. A loucura anda \u00e0 espreita! Eu rezo! Rezar \u00e9 tamb\u00e9m se conectar com o Sil\u00eancio! Dormir e sonhar me ajudam muito a resolver os eloquentes dramas da exist\u00eancia! Apesar de tudo ser t\u00e3o dram\u00e1tico, eu rio muito e sou muito leve &#8211; acho! (gargalhadas)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Enquanto mulher e escritora, que tipo de reflex\u00f5es a passagem do tempo apresenta para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RITA SANTANA &#8211; <\/strong>Cheguei aos 50 anos! Como escritora, permane\u00e7o em processo de aprendizagem e leitura, carecendo de organiza\u00e7\u00e3o para ter tempo de escrita, mas sem exaspera\u00e7\u00f5es. Respeito muito o meu Tempo. A leitora anda mais sequiosa de Tempo: quero ler os livros que me aguardam, minhas preciosidades, meus tesouros. Sinto algumas inquieta\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a minha escrita, mas essa situa\u00e7\u00e3o ag\u00f4nica sempre me acompanhou e talvez esteja sempre comigo. Inquieta\u00e7\u00e3o que me faz crescer, promove deslocamentos. Peso muito a minha realidade, minhas circunst\u00e2ncias quando pondero acerca da minha escrita no mundo. Trabalho 40\u00a0 horas como professora, assim sobrevivo e n\u00e3o gosto de sacrif\u00edcios ainda maiores, n\u00e3o gosto de sofreguid\u00e3o e esgotamentos, al\u00e9m dos que j\u00e1 tenho. Gosto de respirar, ter tempo para o nada, descansar. Espero que a aposentadoria seja produtiva para a escrita, para a leitura. Espero tamb\u00e9m fazer bastante sexo durante a aposentadoria e, quem sabe amar com mais leveza; encontrar parceiros mais leves e resolvidos, enfim, mais maduros. Exercitar orgasmos. Quem sabe encontrar parceiros mais amorosos&#8230; e continuar, principalmente isso, no meu caminho muito particular de paz, de serenidade, de equil\u00edbrio. Nada nem ningu\u00e9m poder\u00e1 desequilibrar essa minha busca, minha conquista! Sou muito feliz sozinha! A mulher de 50 me encontra mais disposta a dar um foda-se para os impertinentes, os t\u00f3xicos! N\u00e3o temo as perdas porque j\u00e1 vivi grandes perdas e estou preparada para continuar vivenciando essas situa\u00e7\u00f5es, onde a minha sobreviv\u00eancia deve falar mais alto; a minha dignidade e a minha paz interior. A minha verdade sobrep\u00f5e-se a qualquer tirania! A escritora pretende retomar velhos projetos, mas se sabe cada vez mais fiel a si mesma, quase indiferente ao anonimato, ao silenciamento. Fico feliz em ter pesquisadoras lendo e aprofundando a minha obra; fico feliz com as mesas especiais em que dialogo com meus pares, minhas companheiras de escrita. Estou muito mais tranquila como Mulher e como Escritora. Sou uma pessoa muito mais livre, mais corajosa para ser, para assumir minhas vontades. Observo, experimento, vivencio e &#8211; ap\u00f3s pesar &#8211; decido por aquilo que n\u00e3o me fira, n\u00e3o me atinja. Sou nobre demais, deusa demais para aceitar situa\u00e7\u00f5es indignas, ultrajantes, mesquinhas. Sou inteireza e s\u00f3 posso viver inteirezas, em todos os planos. Gosto muito da constru\u00e7\u00e3o que fiz de mim mesma; gosto muito de conviver com uma Rita que eu admiro muito. Estou em processo, em crescimento. Pela escritora e pela mulher, pretendo viajar, conhecer lugares e situa\u00e7\u00f5es, namorar homens que me fa\u00e7am rir bastante, adoro rir bastante. Ver exposi\u00e7\u00f5es, ouvir orquestras, ver o Grupo Corpo mais vezes, o Bal\u00e9 do TCA, ver o Bal\u00e9 Folcl\u00f3rico da Bahia, ir \u00e0s feiras liter\u00e1rias como escritora e como leitora, turista. Quero reler e ler livros fascinantes, participar de festivais gastron\u00f4micos, visitar museus. Pretendo ter disciplina para aprender idiomas, coisa que nunca tive. Pretendo continuar conhecendo poetas\u00a0latino-americanos, pa\u00edses da nossa Am\u00e9rica, enfim! Conhecer pessoas da minha tribo, que amem esse universo que eu amo. Estou muito disposta \u00e0 Vida! Cinema! Ir mais ao Cinema! Dan\u00e7ar! Quero dan\u00e7ar mais! Quero continuar aprendendo, conhecendo! Triste demais com o derramamento do \u00f3leo nos mares do Nordeste! Quero passar muitas tardes e manh\u00e3s vendo o mar e andando nas praias. A escrita vem desse movimento! Quero ter disciplina para caminhar. A Mulher e a Escritora est\u00e3o de m\u00e3os dadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Qual o sentido da vida para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RITA SANTANA &#8211; <\/strong>N\u00e3o sei! N\u00e3o tenho uma religi\u00e3o, mas acredito na f\u00e9, acredito em deuses e deusas. Acredito que a Ci\u00eancia se cruza e dialoga com os mist\u00e9rios espirituais, cada vez mais. Acredito nos mist\u00e9rios. H\u00e1 metaf\u00edsica bastante em n\u00e3o pensar em nada! \u201cO Guardador de Rebanhos\u201d toca ou desperta a minha necessidade de ver, tocar, observar, contemplar o mundo. Aprendi muito cedo a perceber a divindade que h\u00e1 nas \u00e1rvores, nas flores. Os poetas e as Poetas s\u00e3o far\u00f3is que nos guiam no caminho.\u00a0Os grandes artistas s\u00e3o guias! &#8220;O mist\u00e9rio das coisas? Sei l\u00e1 o que \u00e9 mist\u00e9rio!&#8221; Busco um sentido para a minha vida! J\u00e1 que estamos aqui e expostos ao mundo, precisamos construir sentidos; eu preciso construir sentidos. Fico tentando me modelar, me aprimorar. Vivemos num per\u00edodo de recrudescimento das liberdades, um tempo perigoso, tempo de homens partidos! Sinto a responsabilidade que tenho com o agora. Sinto que posso interferir. Isso \u00e9 constru\u00e7\u00e3o de sentido: ter responsabilidade com seus alunos, seus amores, com os meninos da S\u00edria, com todo o processo migrat\u00f3rio que est\u00e1 matando a nossa gente da \u00c1frica. Tamb\u00e9m vivemos &#8211; paradoxalmente &#8211; um per\u00edodo de pensamentos e a\u00e7\u00f5es coletivas em torno de um bem comum: a prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, a busca por medidas que reduzam o aquecimento global, um presidente amea\u00e7ado por retalia\u00e7\u00f5es internacionais devido ao seu discurso e suas a\u00e7\u00f5es retr\u00f3gradas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s liberdades e ao meio ambiente, aos nossos povos originais, \u00e0 Amaz\u00f4nia. Temos Malala, Greta e o Nobel da Paz\u00a0 &#8211; Abiy Ahmed &#8211; que luta por di\u00e1logos em territ\u00f3rios inimigos na \u00c1frica, pois tenta solucionar conflitos na Eti\u00f3pia, o pr\u00f3prio Papa se posiciona como um dos nossos, em muitos momentos. Vivemos um per\u00edodo bonito de assun\u00e7\u00e3o da diversidade dos g\u00eaneros,\u00a0 onde o feminino, t\u00e3o fortemente atacado, \u00e9 assumido por corpos e vozes que o desejam, o sentem e o assumem. &#8220;E quem ir\u00e1 dizer que n\u00e3o existe raz\u00e3o nas coisas feitas pelo cora\u00e7\u00e3o?!&#8221; O sentido da vida \u00e9 ser melhor! Amar mais e expandir os horizontes, pois a vida pede amplid\u00f5es. As certezas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o. Estar sintonizada com a dignidade humana e com valores nobres, humanistas. Estar sempre ao lado de uma evolu\u00e7\u00e3o do pensamento, do sentimento. O que n\u00e3o descarta o ser absolutamente humana e explosiva, arrogante, e ter sentimentos vis. Estou em processo! Aprender sobre Solidariedade. Assisti o \u201cCoringa\u201d! Completamente apaixonada pela interpreta\u00e7\u00e3o de Joaquim Phoenix. A Arte \u00e9 esse lugar da reflex\u00e3o, da emancipa\u00e7\u00e3o! \u00c9 parte desse capital simb\u00f3lico que temos e precisamos para refletir e aprender. O \u201cCoringa\u201d nos p\u00f5e diante de uma sociedade midi\u00e1tica que exp\u00f5e o sem voz, o sem poder e a audi\u00eancia aplaude a ridiculariza\u00e7\u00e3o de si mesmo, do pobre, do desprovido de voz e de lugar. O \u201cCoringa\u201d exp\u00f5e o qu\u00e3o a nossa sociedade \u00e9 perversa, abusiva, violenta e indiferente \u00e0s dores alheias. Estarei sempre, como educadora e como artista, atenta para minhas atitudes e para o outro, que tamb\u00e9m sou eu.\u00a0 Tenho refletido muito sobre alteridades. A nossa televis\u00e3o \u00e9 t\u00e3o podre quanto aquela exposta na tela. A exposi\u00e7\u00e3o de homens e mulheres e crian\u00e7as e jovens negros pela TV brasileira \u00e9 acintosa; \u00e9 como se viv\u00eassemos num pa\u00eds sem lei, viv\u00eassemos na barb\u00e1rie. Tenho responsabilidade com tudo isso. Somos grosseiros demais! Professores arrastam cadeiras como os alunos e n\u00e3o se sentem deseducados por isso. Arrastamos um ign\u00f3bil \u00e0 presid\u00eancia e um homem tentou mat\u00e1-lo. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ter sa\u00fade mental num mundo t\u00e3o dantesco.\u00a0 Os Coringas existem. O presidente acaba de vetar psic\u00f3logos nas escolas p\u00fablicas, o que permitiria assist\u00eancia a in\u00fameros jovens deprimidos que est\u00e3o cometendo mutila\u00e7\u00f5es, cortes, suic\u00eddios.\u00a0 O presidente diz que n\u00e3o assinar\u00e1 o diploma do nosso pr\u00eamio Cam\u00f5es &#8211; Chico Buarque &#8211; e isso \u00e9 aviltante num pa\u00eds de homens e mulheres que primam pelo respeito, pelos acordos, pela palavra, afinal, viver em sociedade requer atitudes assim. Num pa\u00eds que possui Chico Buarque n\u00e3o se pode admitir a\u00e7\u00f5es t\u00e3o indignas dos nossos representantes. Viver pra mim \u00e9 continuar a busca interior para ser melhor, ser menos arrogante, menos distante das pessoas, menos eg\u00f3latra, menos radical talvez! Ao mesmo tempo em que me sei humana e odeio me atropelar, por isso, assumo rudezas, desintelig\u00eancias, deseleg\u00e2ncias \u00e0s vezes. Busco errar menos! Sou muito intuitiva, muito observadora por causa da professora, da atriz, da escritora. Mas isso me leva a certezas absurdas que preciso evitar. Sentido: ser feliz com minhas conquistas, meu universo. Contribuir com a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade melhor. Continuar na luta! Eu me sinto muito rica, muito privilegiada no lugar onde estou. N\u00e3o busco grana! Ao contr\u00e1rio! Quando a grana significa sacrif\u00edcio do meu tempo, sacrif\u00edcio da minha paz, abdico facilmente! Odeio burocracias burras! N\u00e3o preciso de muito para viver e acho isso s\u00e1bio. M\u00fasica, livros, sil\u00eancio. N\u00e3o perturbar os vizinhos, tentar ouvir m\u00fasica e cantar mais baixo por respeito \u00e0s paredes alheias.\u00a0 O sentido final \u00e9 cuidar das pessoas, da vida em sociedade, dos direitos humanos e da Democracia. Nesse dif\u00edcil di\u00e1logo com o mundo, ouvir m\u00fasica boa, ler livros, escrever, cuidar de plantas, organizar a casa e o universo pessoal, evitar o contato ou a perman\u00eancia do contato com pessoas abusivas, t\u00f3xicas. Ler mulheres, ler mulheres negras, ler feministas, ler bons autores. Buscar equil\u00edbrio. Ler colabora com o encontro de sentido, a vida fica mais plena. Ser uma artista \u00e9 a busca de sentido da vida. \u00c9 o desejo de transcend\u00eancia, de deixar marcas da sua Exist\u00eancia.\u00a0 Mas, principalmente, \u00e9 buscar sentidos para a vida que \u00e9 t\u00e3o sumariamente cotidianizada, vulgarizada em regras, rituais, exig\u00eancias que n\u00e3o acreditamos. Da\u00ed, questionar atrav\u00e9s da Arte. Ser artista \u00e9 ser uma esp\u00e9cie\u00a0 que desvia, que contraria e tem afinidade com os estranhos aos olhos da normalidade porque tamb\u00e9m se sabe e se reconhece estranho. Por isso, ficamos t\u00e3o felizes quando estamos entre os nossos, os da nossa tribo. A busca por uma vida mais \u00e9tica! Talvez resida a\u00ed todo o sentido. Mirar-se sempre ao espelho para perceber os desvios e buscar novamente o caminho da dignidade. Conversar com voc\u00ea e ler a sua revista, constru\u00edda com Leila Andrade, \u00e9 construir sentido para a Exist\u00eancia. O sentido da vida seria ent\u00e3o encontrar sentidos. Sair do cinema e trazer o \u201cCoringa\u201d pra casa para dialogar com voc\u00ea porque voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel por tantos coringas sociais. Sair do cinema e saber-se Coringa. Quem busca sentido para a vida nunca est\u00e1 em paz, pois \u00e9 respons\u00e1vel pelo mundo e isso \u00e9 terr\u00edvel e imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Fabr\u00edcio Brand\u00e3o <\/em><\/strong><em>\u00e9 ca\u00f3tico, sonhador e aprendiz de gente. Se disfar\u00e7a no mundo como editor, poeta, baterista e mestre em Letras.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na entrevista com a escritora Rita Santana, a intensidade das reflex\u00f5es que mesclam vida e obra<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16624,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3693,16,2539],"tags":[63,137,489,1086],"class_list":["post-16623","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-132a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-entrevista","tag-fabricio-brandao","tag-pequena-sabatina","tag-rita-santana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16623"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16623\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16739,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16623\/revisions\/16739"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16624"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}