{"id":16672,"date":"2019-10-31T18:21:05","date_gmt":"2019-10-31T21:21:05","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=16672"},"modified":"2019-12-19T10:22:11","modified_gmt":"2019-12-19T13:22:11","slug":"dropsdasetimaarte-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/dropsdasetimaarte-6\/","title":{"rendered":"Drops da S\u00e9tima Arte"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Guilherme Preger<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>No Cora\u00e7\u00e3o do Mundo. Brasil. 2019.<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/No-Cora\u00e7\u00e3o-do-Mundo-cartaz.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16674\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/No-Cora\u00e7\u00e3o-do-Mundo-cartaz.jpg\" alt=\"\" width=\"303\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/No-Cora\u00e7\u00e3o-do-Mundo-cartaz.jpg 303w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/No-Cora\u00e7\u00e3o-do-Mundo-cartaz-202x300.jpg 202w\" sizes=\"auto, (max-width: 303px) 100vw, 303px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No cora\u00e7\u00e3o do mundo<\/em>, de Gabriel Martins e Maur\u00edlio Martins (2019) \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de um acontecimento de grande magnitude: no cinema e na cultura brasileira. Este acontecimento \u00e9 o cinema de Contagem. Este filme se junta a <em>Temporada<\/em>, de Andr\u00e9 Novais de Oliveira (2019), e <em>Ar\u00e1bia<\/em>, de Affonso Uchoa e Jo\u00e3o Dumans (2018), como algumas das melhores produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas nacionais dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cr\u00edtico Ismail Xavier j\u00e1 observou que por mais revolucion\u00e1rio o movimento, o Cinema Novo ainda era a classe m\u00e9dia (em geral branca e masculina) filmando o <em>Brasil profundo<\/em>. Pode ser o Brasil sertanejo ou o Brasil favela, mas em todos esses filmes o cinema foi a busca pela imagem do outro. O \u201coutro\u201d \u00e9 o subalterno, mas caberia perguntar, como fez a te\u00f3rica Gayatri Spivak, <em>pode o subalterno falar<\/em>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 a tend\u00eancia ainda de um filme \u201chumanista\u201d, por\u00e9m branco e idealista, como <em>Central do Brasil (1998)<\/em>. E permanece assim quando as objetivas mudam o foco para as periferias urbanas, num filme emblem\u00e1tico como <em>Cidade de Deus (2002)<\/em>, com sua montagem pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas em Contagem, cidade de Minas Gerais, na grande \u00e1rea metropolitana de Belo Horizonte, sobretudo com as cria\u00e7\u00f5es da produtora Filmes de Pl\u00e1stico, o que temos s\u00e3o filmes da periferia filmando e deixando falar a periferia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 nisso mesmo um conte\u00fado estrat\u00e9gico: <em>No cora\u00e7\u00e3o do mundo<\/em> abre com a can\u00e7\u00e3o <em>BH \u00e9 o Texas<\/em> do MC Papo, um rap mostrando os moradores da cidade, alguns deles encenando diretamente para a c\u00e2mera. A can\u00e7\u00e3o diz que Contagem \u00e9 o \u201c<em>mother fucking Texas<\/em>\u201d.\u00a0 A rela\u00e7\u00e3o com o Estado norte-americano \u00e9 casual e n\u00e3o \u00e9. Seu autor, DJ local de sucesso, diz que o uso dos chap\u00e9us entre os habitantes da cidade lhe lembrou o Texas, mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica: o filme <em>Minas-Texas<\/em>, de Carlos Alberto Prates Correia (1989).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_16673\" aria-describedby=\"caption-attachment-16673\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-1-divulga\u00e7\u00e3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-16673 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-1-divulga\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-1-divulga\u00e7\u00e3o.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-1-divulga\u00e7\u00e3o-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-16673\" class=\"wp-caption-text\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No cora\u00e7\u00e3o do mundo<\/em> \u00e9 com certeza um filme de contexto. A inten\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de seus diretores foi realmente filmar a vida, o cotidiano, a fala, os problemas e as esperan\u00e7as dos moradores de Contagem. H\u00e1 uma mistura entre atores profissionais, como as consagradas Grace Pass\u00f4, Kelly Criffer, Karine Teles e Barbara Colen, com n\u00e3o profissionais moradores do local, tais como Leo Pyrata, que faz Marcos, um dos protagonistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme abre com uma cena a princ\u00edpio rom\u00e2ntica: numa pra\u00e7a da cidade, a locutora de um programa de r\u00e1dio local (vivida por Karine Teles) oferece um presente de anivers\u00e1rio ao rapaz Marcos, dado por sua namorada Ana (Kelly Crifer). Os dois se beijam com m\u00fasica rom\u00e2ntica ao fundo, mas o id\u00edlio amoroso \u00e9 subitamente cortado pelo barulho de um tiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tiro \u00e9 a ponta de um fio narrativo que conduz a hist\u00f3ria e liga v\u00e1rios personagens. <em>No Cora\u00e7\u00e3o<\/em>&#8230; \u00e9 um filme de g\u00eanero, mais precisamente um \u201cfilme de assalto\u201d. A personagem Selma, vivida por Grace Pass\u00f4, n\u00e3o \u00e9 uma pessoa do lugar, mas se estabeleceu em Contagem de passagem, esperando sempre por uma oportunidade de melhorar de vida em qualquer lugar. Personagem n\u00f4made, ela circula por v\u00e1rias classes sociais na cidade e lidera a trama que re\u00fane personagens diferentes, entre eles Marcos. Este, ao contr\u00e1rio de Selma, \u00e9 um personagem totalmente enraizado em seu local, jovem malandro que n\u00e3o estuda nem trabalha, vivendo de bicos, e a princ\u00edpio parece n\u00e3o visualizar nenhum futuro, embora isso n\u00e3o lhe gere nenhum tipo especial de ang\u00fastia (que, na verdade, sente o espectador), apenas uma rela\u00e7\u00e3o tensa com sua m\u00e3e que, mesmo idosa, percorre a p\u00e9 a cidade vendendo ess\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_16675\" aria-describedby=\"caption-attachment-16675\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-2-divulga\u00e7\u00e3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-16675 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-2-divulga\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-2-divulga\u00e7\u00e3o.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-2-divulga\u00e7\u00e3o-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-16675\" class=\"wp-caption-text\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 do contraste entre esses dois personagens principais que o filme \u00e9 conduzido, ou seja, na oposi\u00e7\u00e3o entre partir e ficar. Na cena mais emblem\u00e1tica do filme, Selma, que faz o trabalho de fot\u00f3grafa de escolas, fala para a objetiva de Marcos (e dos diretores), emoldurada por um painel com uma paisagem id\u00edlica, e diz que o cora\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9 qualquer lugar que ela possa estar sem preocupa\u00e7\u00f5es. O cora\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9 algo como uma utopia, ou mesmo uma atopia: n\u00e3o \u00e9 nenhum lugar espec\u00edfico, mas um lugar de fuga, onde o bem estar (n\u00e3o provido pelo Estado) pode ser encontrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro par de personagens que dialoga \u00e9 composto por Ana (Kelly Crifer), namorada de Marcos, e Rose (B\u00e1rbara Colen). A primeira \u00e9 trocadora de \u00f4nibus e cuida de um pai senil; a segunda j\u00e1 foi trocadora, agora \u00e9 manicure de um sal\u00e3o, mas sonha mesmo em comprar um carro para trabalhar de Uber durante a noite. Ana est\u00e1 presa \u00e0 cidade como \u00e0 sua cadeira de trocadora, enquanto o sonho de Rose \u00e9 ganhar mais dinheiro, mas sem sair necessariamente da cidade. Em torno desse quarteto giram os demais personagens, como o marido de Rose (vivido por Robert Frank). Ele trabalha numa loja de roupa e briga com o irm\u00e3o que escolheu o caminho do crime e pelo qual pagar\u00e1 um pre\u00e7o. Al\u00e9m desses atores, h\u00e1 as participa\u00e7\u00f5es especiais de MC Papo, num papel coadjuvante e da funkeira MC Carol. Esta faz o papel de uma ex-presidi\u00e1ria metida no pequeno tr\u00e1fico que, no entanto, termina o filme com um emprego de cuidadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O interessante \u00e9 que Marcos, Ana e Rose, com seus mesmos respectivos atores, j\u00e1 figuravam no curta-metragem <em>Contagem<\/em>, realizado em 2010 pelos mesmos diretores, na mesma produtora. Esse curta \u00e9 a semente do longa-metragem atual. O motivo principal do roteiro do curta \u00e9 apenas intu\u00eddo no longa, como se fosse uma vida paralela (na verdade, para se chegar a essa conclus\u00e3o \u00e9 preciso ver o filme anterior, de 18 minutos, dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.filmesdeplastico.com.br\/contagem\/\"><strong>aqui<\/strong><\/a>). Os atores esperaram nove anos para reviverem seus mesmos personagens. No entanto, al\u00e9m dos atores e do ambiente, h\u00e1 algo de comum que une os dois filmes: a cena do casal curtindo romanticamente o sol na laje de casa, numa esp\u00e9cie de praia de concreto urbana, onde \u00e9 poss\u00edvel viver a tranquilidade ef\u00eamera apesar da precariedade do espa\u00e7o. Como indica o t\u00edtulo do curta-metragem, o principal personagem do enredo \u00e9 a pr\u00f3pria cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_16676\" aria-describedby=\"caption-attachment-16676\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-3-divulga\u00e7\u00e3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-16676 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-3-divulga\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-3-divulga\u00e7\u00e3o.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-3-divulga\u00e7\u00e3o-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-16676\" class=\"wp-caption-text\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal virtude dos filmes de Contagem \u00e9 realizar a radiografia audiovisual do chamado \u201cprecariado\u201d brasileiro na fronteira entre trabalhos extremamente prec\u00e1rios (e explorados) e o crime. A\u00ed a distin\u00e7\u00e3o entre fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o parece ser totalmente ultrapassada, assim como a distin\u00e7\u00e3o entre lei e crime, ou entre trabalho e n\u00e3o trabalho. Os personagens vivem no distrito de Laguna, que pertence \u00e0 Contagem, e representa ent\u00e3o a periferia da periferia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso pensar ent\u00e3o como se d\u00e1 tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o entre esse registro audiovisual hiperrealista e a pr\u00f3pria ideia pol\u00edtica do cinema. O g\u00eanero do filme de assalto tem algo da inevitabilidade tr\u00e1gica e violenta dos filmes de Tarantino. Talvez o tema da antropofagia modernista, que durante tanto tempo marcou a rela\u00e7\u00e3o entre o filme da col\u00f4nia com a da metr\u00f3pole, seja excessivo para caracterizar esse filme. O registro est\u00e9tico produzido pela pr\u00f3pria periferia recusa todo idealismo e aposta numa rela\u00e7\u00e3o mais horizontal e co-criativa. A pr\u00f3pria can\u00e7\u00e3o do MC Papo que abre o filme parece ser uma afirma\u00e7\u00e3o altiva dessa situa\u00e7\u00e3o de interdepend\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_16677\" aria-describedby=\"caption-attachment-16677\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-4-divulga\u00e7\u00e3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-16677 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-4-divulga\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-4-divulga\u00e7\u00e3o.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Imagem-4-divulga\u00e7\u00e3o-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-16677\" class=\"wp-caption-text\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme desafia a invisibilidade abissal dessa periferia. A decis\u00e3o por filmar filmando-se \u00e9 um gesto pol\u00edtico. A visibilidade produzida \u00e9 autorreferencial. O mote do filme de assalto, ao ser um pretexto para a hist\u00f3ria, um verdadeiro <em>mcguffin, <\/em>agrega e organiza a rela\u00e7\u00e3o entre os personagens e o ambiente perif\u00e9rico. H\u00e1, sem d\u00favida, uma devora\u00e7\u00e3o do mote do filme de a\u00e7\u00e3o, mas longe de ser uma linguagem do outro, o assalto, com sua l\u00f3gica de viol\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m uma linguagem do lugar. O filme celebra um internacionalismo perif\u00e9rico e n\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o metr\u00f3pole-col\u00f4nia, recusada porque hier\u00e1rquica e insignificante para os jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As dist\u00e2ncias j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais aquelas que cruzam os oceanos. A autorrefer\u00eancia da imagem aponta o fato de que Contagem \u00e9 o Texas e \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do mundo. O Texas, o mundo, o sofrimento, o amor, a viol\u00eancia, o abandono, a vida, a periferia, o trabalho prec\u00e1rio e explorado, \u00e9 tudo Contagem. H\u00e1 uma urg\u00eancia no filme de Gabriel Martins e Maur\u00edlio Martins que nos conta imageticamente que o cinema est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do mundo, aqui e agora. Esta \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de acontecimento, aquilo que n\u00e3o tem tempo nem lugar que n\u00e3o seja o seu pr\u00f3prio, o espa\u00e7o-tempo que a obra mesma inventa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZobMnVjmJuY\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Guilherme Preger<\/strong> \u00e9 natural do Rio de Janeiro, engenheiro e escritor. Autor de Capoeiragem (7Letras\/2003) e Extrema L\u00edrica (Oito e Meio\/2014). \u00c9 organizador do Clube da Leitura, principal coletivo de prosa liter\u00e1ria do Rio de Janeiro e foi organizador de suas quatro colet\u00e2neas de contos. Atualmente \u00e9 doutorando de Teoria Liter\u00e1ria pela UERJ com a tese F\u00e1bulas da Ci\u00eancia. \u00c9 colaborador do site de produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica Caneta Lente e Pincel (canetalentepincel.art.blog). Escreveu sobre cinema para o site Ambrosia.com.br.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O longa \u201cNo cora\u00e7\u00e3o do mundo\u201d na resenha de Guilherme Preger<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16673,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3693,2535],"tags":[115,3700,13,1204,3699],"class_list":["post-16672","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-132a-leva","category-drops-da-setima-arte","tag-cinema","tag-contagem","tag-drops-da-setima-arte","tag-guilherme-preger","tag-no-coracao-do-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16672","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16672"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16672\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16735,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16672\/revisions\/16735"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16673"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16672"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16672"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16672"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}