{"id":17030,"date":"2020-02-16T12:00:19","date_gmt":"2020-02-16T15:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=17030"},"modified":"2020-02-19T15:39:40","modified_gmt":"2020-02-19T18:39:40","slug":"dedos-de-prosa-i-69","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/dedos-de-prosa-i-69\/","title":{"rendered":"Dedos de Prosa I"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Giovana Damaceno<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_17034\" aria-describedby=\"caption-attachment-17034\" style=\"width: 325px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/INTERNA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17034\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/INTERNA.jpg\" alt=\"\" width=\"325\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/INTERNA.jpg 325w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/INTERNA-195x300.jpg 195w\" sizes=\"auto, (max-width: 325px) 100vw, 325px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-17034\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Hermes Polycarpo<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cama e mesa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rep\u00f3rter se ajeitou no banquinho de madeira rente ao ch\u00e3o, enquanto Dalmira tentava controlar o choro para continuar seu relato. Levava ao rosto o len\u00e7o gasto e parava o olhar, perdido, a mirar o passado. Na face cansada e velha, apesar dos quarenta e poucos anos, escorriam as l\u00e1grimas expressivas dos sentimentos de uma exist\u00eancia. Firmino Neves morrera h\u00e1 nove meses; Dalmira agora j\u00e1 n\u00e3o frequentava o casar\u00e3o do dono \u201cdaquelas terra tudo\u201d, inclusive do pequeno povoado de Encruzilhada do Cip\u00f3. Mudara-se em definitivo para sua casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou menina-mo\u00e7a na fazenda para trabalhar e, ainda que sem corpo de mulher pronta, deixava rastros de suspiros por onde transitava. Diziam que era feita de caf\u00e9 com leite e a\u00e7\u00facar queimadinho, devido ao tom da pele, e provocava lambidas de bei\u00e7os na homarada, sem dar confian\u00e7a para ningu\u00e9m. Por\u00e9m, o patr\u00e3o Firmino Neves foi o \u00fanico a provar o sabor de caf\u00e9 com leite t\u00e3o cobi\u00e7ado em Encruzilhada do Cip\u00f3. N\u00e3o apenas a tez morena, mas o balan\u00e7ar dos quadris e a voz de crian\u00e7a faceira que cantarolava pelos corredores nas tarefas di\u00e1rias faziam o poderoso fazendeiro tremer de vontades. Firmino Neves se considerava dono dos empregados e logo determinou para si que Dalmira era sua perten\u00e7a, sem se importar em quando lhe colocaria as m\u00e3os; seria apenas quest\u00e3o de tempo. Aguardou a potra arisca se acalmar sem pressa, para aprimorar a doma na cama; logo ficaria doce e f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, Dalmira se tornou mais uma entre as mancebas de Firmino Neves. Ganhou uma casa sua e passou a receber cinquenta dinheiros por dia para servir a seu senhor em meio aos len\u00e7\u00f3is e nos afazeres dom\u00e9sticos. Fora comprada e \u201cbem-paga\u201d, do mesmo modo que as outras, mantidas em cada sede. Dalmira cuidava pessoalmente da comida, das roupas, das botas, do quarto, dos banhos. Era presenteada com vestidos, brincos, pulseiras, colares, fitas de cabelo, teve a casa mobiliada e at\u00e9 um aparelho de som, no qual colocava suas m\u00fasicas preferidas para tocar e rodopiava pela sala, quando Firmino Neves n\u00e3o estava ou n\u00e3o a chamava. N\u00e3o levantava os olhos, respondia \u00e0s ordens com a\u00e7\u00f5es, quase n\u00e3o falava. Como a ninfa Eco, condenada \u00e0 maldi\u00e7\u00e3o de apenas repetir a voz de Narciso, objeto de sua cupidez, alienava-se e enfurnava seus pr\u00f3prios desejos. Estava sempre pronta, arrumada e perfumada, pois Firmino Neves cismava de querer seus pr\u00e9stimos a qualquer hora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o teve crian\u00e7a; fora obrigada a entregar menino nascido ou a botar fora a cria, logo que lhe atrasavam as regras. Nunca saiu da fazenda, n\u00e3o conheceu parente. Nasceu criada, encarou a lida em troca de morar e comer, tornou-se amante de Firmino Neves e nada soube de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Conhe\u00e7o ningu\u00e9m, n\u00e3o, senhora, a n\u00e3o ser os daqui. Fico sozinha neste fim de mundo at\u00e9 morrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem pressa e em detalhes, Dalmira discorria acerca de seus dias ao lado de Firmino Neves a uma jornalista l\u00edvida. A mat\u00e9ria, pensada minuciosamente, contaria as experi\u00eancias de mulheres do interior do pa\u00eds, que atravessaram a vida sob o jugo de seus coron\u00e9is, servindo-lhes a pr\u00f3pria carne. A exemplo das amasiadas de Firmino Neves, muitas poderiam existir pelos cant\u00f5es do pa\u00eds, e a revista seguia atr\u00e1s dessas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A personagem escolhida para a primeira reportagem da s\u00e9rie \u201cCama e Mesa\u201d envelhecia r\u00e1pido e prematuramente, contudo se conservava jovem no gosto de se mostrar enfeitada, de sombra nos olhos, vestido florido de saia rodada. A rep\u00f3rter acreditava que a trajet\u00f3ria de Dalmira seria perfeita para sua pauta \u2013 saturada de dor e tormento, coagida pela domina\u00e7\u00e3o, pelo poder, pelo dinheiro, pelo descaso de uma sociedade conivente com a submiss\u00e3o e subservi\u00eancia femininas. Alheou-se \u00e0 entrevista, imaginando Dalmira infeliz, dias e noites em claro, o anseio por ir embora, sumir dali, abandonar Firmino Neves para ser livre, ao lado de algu\u00e9m que a honrasse e constru\u00edsse com ela uma fam\u00edlia em uma rela\u00e7\u00e3o de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Saudade? \u2013 a rep\u00f3rter se deu conta de que escapulira em devaneios \u2013 o que disse?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Que sinto saudades de Firmino Neves, sinto falta do meu homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 E o seu sofrimento nesse tempo todo? \u2013 perguntou a rep\u00f3rter, confusa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Que sofrimento? A vida n\u00e3o me deu nada, n\u00e3o, dona; Firmino Neves foi quem me deu tudo. Amei quieta, servi com gosto, recebi em troca mais do que esperei. Felicidade era ter Firmino Neves. Agora que foi embora, resta esperar minha vez e ir no encal\u00e7o dele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P\u00e9 de n\u00e3o sei qu\u00ea<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o maldito p\u00e9 de n\u00e3o sei qu\u00ea enfim pendeu de vez, mortinho. Arqueou o tronco fino lentamente, perdendo sua for\u00e7a; tentou apoiar no muro, mas minha vontade que virasse um molho de folhas secas pareceu vencer o que lhe restava de vi\u00e7o. E ali est\u00e1: acabado, sem chance de voltar a assombrar minhas lembran\u00e7as e a se manter como guardi\u00e3o do jardim do amor eterno, como se agora me amea\u00e7asse com sua presen\u00e7a muda. E feia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele caiu. E com ele se foram as \u00faltimas l\u00e1grimas. As \u00faltimas que choraria de raiva, de humilha\u00e7\u00e3o. Agora o choro \u00e9 de foda-se! Desabou o \u00faltimo representante de uma fase sombria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dez anos durou aquele arbusto. O mesmo tempo em que dividimos o teto, a cama, a comida, o ch\u00e3o. O mesmo tempo em que nos enganamos ou que eu me enganei. Era pra ser o s\u00edmbolo da nossa uni\u00e3o e da nossa felicidade. Foi o primeiro ser vivo a fazer parte do que seria um lar, em dia especialmente escolhido, com direito a ritual a dois. Recebeu o apelido de p\u00e9 de n\u00e3o sei qu\u00ea, pois n\u00e3o sab\u00edamos nada sobre plantas, muito menos que nome teria a arvorezinha que levamos para a casa em obra. R\u00edamos disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que nunca prevemos \u00e9 que o mundo \u00e9 real, com problemas reais e suas consequ\u00eancias. Com as mudan\u00e7as, m\u00e1goas e rancores. Com a maldade pura e fria. Foi uma d\u00e9cada de olhos baixos, sorrisos pela metade, concord\u00e2ncias falsas, cess\u00f5es por simples favor. E, ao final, o transbordamento de tanto desgaste pela via mais torpe: a viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encaro o p\u00e9 de n\u00e3o sei qu\u00ea com \u00f3dio. O peso de significados que carregava o levou \u00e0 queda. Eu n\u00e3o resisti, ele tamb\u00e9m n\u00e3o. Aguentei o que pude, levei a s\u00e9rio o que aprendi com o padre e com meus pais: segurar o casamento, pelo bem dos filhos. Balela. Tornamo-nos todos infelizes &#8211; eu, ele e eles &#8211; por n\u00e3o sermos capazes de dizer n\u00e3o. Eu n\u00e3o fui capaz de dizer n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confesso que dei uma ajudazinha: deixei que se virasse. Se chovesse, teria \u00e1gua; caso contr\u00e1rio, ah, que pena. Era fr\u00e1gil, o p\u00e9 de n\u00e3o sei qu\u00ea. Bem parecido comigo l\u00e1 no in\u00edcio da hist\u00f3ria. Passei pela manipula\u00e7\u00e3o, pela press\u00e3o, pelo descaso, pelo abuso. Ele s\u00f3 teve sede e absorveu minhas vibra\u00e7\u00f5es negativas para que definhasse sozinho. Finalmente, parou de exalar seu perfume nauseante no fim da tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que n\u00e3o o derrubei? Afinal, seria mais r\u00e1pido me livrar da representa\u00e7\u00e3o t\u00e3o marcante dos meus dias de infort\u00fanio. Porque preferi ser cruel. Queria v\u00ea-lo se dobrar diante dos meus olhos, vergar o que era altivo e vultoso, beijar o ch\u00e3o. Entregar -se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em pouco tempo o caule enrugou, as folhas amarelaram e come\u00e7aram a cair. Mais uns dias e estava encurvado, at\u00e9 tombar de vez. Morte assistida e comemorada com o que de pior tenho em mim. Imagino que me olha com desprezo, enquanto o encaro com sarcasmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era o que eu queria ter feito, meses atr\u00e1s, mas n\u00e3o tive tempo, nem jeito. O \u00f3dio me faria a arrancar-lhe unha a unha, at\u00e9 ajoelhar e pedir perd\u00e3o. O \u00f3dio que o surpreenderia na madrugada com o quarto em chamas, at\u00e9 sucumbir sufocado. O \u00f3dio a mim, por ter me submetido e suportado sem resposta. O \u00f3dio por tudo em que se transformou essa exist\u00eancia fracassada. O \u00f3dio que me moveu a faz\u00ea-lo pagar com a vida, sem sentir nada do que me fez penar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desenlace de Fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele rosto me era estranho. N\u00e3o porque jazesse inerte, dentro do caix\u00e3o. N\u00e3o porque, coberto de flores, n\u00e3o pudesse reconhecer-lhe o f\u00edsico. N\u00e3o porque cheirasse mal. A tez morena, avermelhada, feito \u00edndio; os cabelos brancos encaracolados; os l\u00e1bios finos, sem curvatura, como se tra\u00e7ados num \u00fanico risco de dois l\u00e1pis. Aquele rosto me inspirava desprezo, somente. N\u00e3o me interessava recordar dele vivo, pois \u00e0 mem\u00f3ria retornaria a express\u00e3o de f\u00faria nas lides di\u00e1rias ou descendo o cacete nas filhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora a carca\u00e7a do brutamontes estava cercada pelo choro das mulheres que subjugou. N\u00e3o atinava como pessoas t\u00e3o judiadas fossem capazes de lamentar a morte de seu carrasco. Olhei ao redor e n\u00e3o encontrei a ca\u00e7ula, a \u00fanica das filhas que conversava comigo, a mais doce e cordata. Havia algo que nos unia, um la\u00e7o entre almas. N\u00e3o reagia \u00e0s corretivas do pai, ao contr\u00e1rio, demonstrava afeto por ele, n\u00e3o manifestava revolta pelo tratamento opressivo, n\u00e3o chorava e nem reclamava pelos cantos. Apesar de castig\u00e1-la como \u00e0s outras, Rejane era a \u00fanica filha que contava com um m\u00ednimo de carinho e certo excesso de aten\u00e7\u00e3o do \u201ctio\u201d Cad\u00f4. As irm\u00e3s se ressentiam, enquanto a m\u00e3e notava a diferen\u00e7a, mas deduzia como prefer\u00eancia natural &#8211; quem n\u00e3o tem seu filho dileto? Compreenderia se qualquer das filhas faltasse ao vel\u00f3rio, no entanto foi Rejane que n\u00e3o velou o pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu? O que estava fazendo naquela sala escura com cheiro de flor e vela, suor e caf\u00e9? Fora arrastada pelo meu irm\u00e3o, Lucas, sem explica\u00e7\u00f5es; disse \u201cmorreu\u201d e me tirou de uma festa para o vel\u00f3rio. N\u00e3o tivesse apenas treze anos e igualmente criada abaixo de porrada, teria questionado \u201cE eu com isso?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria a minha primeira vez na quermesse, sem a m\u00e3e; a primeira vez de olhos sombreados e batom; a primeira noite com amigas. Combin\u00e1ramos de andar na festa de bra\u00e7os dados, pedir m\u00fasica e mandar mensagens aos rapazes pelo autofalante. N\u00e3o poderia passar das dez horas, sob a amea\u00e7a da varinha de marmelo de papai, que me aguardaria na varanda, a contar os primeiros segundos de atraso. Como \u201ctio\u201d Cad\u00f4 fazia com Rejane, papai me cobria de mimos exagerados, contudo n\u00e3o me poupava das sovas quando lhe convinha ou se me rebelasse contra seus afagos melosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quis me afastar do caix\u00e3o, por\u00e9m meu irm\u00e3o me segurava, e se mantinha contrito diante do corpo do homem que admirara. Temente a Deus, frequentava a igreja aos domingos, pai exemplar, bom provedor, trabalhador, honesto, corrigia esposa e filhas com precis\u00e3o, educava com rigor, rude, tosco, grosso, mau, violento, cruel. Na verdade, n\u00e3o era parente nosso; amigo chegado de papai, fora escolhido para apadrinhar Lucas. Embora as duas fam\u00edlias tenham se constitu\u00eddo praticamente juntas, at\u00e9 ent\u00e3o, mam\u00e3e tolerava essa amizade em sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o assisti ao enterro. Acompanhei o caix\u00e3o sair no carro funer\u00e1rio, entrei em casa, do outro lado da rua, e emburrei. Sobre a causa da morte, passei muitos anos sem saber. No vel\u00f3rio escutara rumores sobre um tombo da marquise e min\u00facias que n\u00e3o se arranjaram de modo l\u00f3gico no meu racioc\u00ednio. Este m\u00eas faz dez anos que \u201ctio\u201d Cad\u00f4 se foi. Tamb\u00e9m s\u00e3o dez anos sem ver Rejane, a filha que pagou na cadeia pelo assassinato do pai, com a paulada que o derrubou do beiral da janela, onde emendava um fio. Deve estar prestes a sair da pris\u00e3o. Agora, se quiser, poder\u00e1 viver. Eu escolhi fugir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.giovanadamaceno.com\"><strong><em>Giovana Damaceno<\/em><\/strong><\/a><em> \u00e9 jornalista e escritora. Autora dos livros: &#8220;Mania de escrever&#8221; (2010), &#8220;Depois da chuva, o recome\u00e7o&#8221; (2012) e &#8220;Do lado esquerdo do peito&#8221; (2013). Membro da Academia Volta-redondense de Letras e integrante do Coletivo Feminista Liter\u00e1rio Mulherio das Letras.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tra\u00e7ado marcante da vida nos contos de Giovana Damaceno<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17032,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3740,2534,16],"tags":[419,41,3750,149],"class_list":["post-17030","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-134a-leva","category-dedos-de-prosa","category-destaques","tag-contos","tag-dedos-de-prosa","tag-giovana-damaceno","tag-prosa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17030","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17030"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17030\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17036,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17030\/revisions\/17036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17032"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17030"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17030"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17030"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}