{"id":17166,"date":"2020-05-01T11:55:27","date_gmt":"2020-05-01T14:55:27","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=17166"},"modified":"2020-05-03T17:50:55","modified_gmt":"2020-05-03T20:50:55","slug":"jogo-de-cena-29","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/jogo-de-cena-29\/","title":{"rendered":"Jogo de Cena"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O espet\u00e1culo \u2018P\u00e1 de Cal\u2019 e a inveross\u00edmil terceiriza\u00e7\u00e3o do luto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><em>Por Vivian Pizzinga<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_17168\" aria-describedby=\"caption-attachment-17168\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/interna-01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17168 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/interna-01.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/interna-01.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/interna-01-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-17168\" class=\"wp-caption-text\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que devemos fazer quando n\u00e3o amamos, ou quando acontece de n\u00e3o termos \u00eaxito em nossa tentativa de amar pessoas que, supostamente, dever\u00edamos amar? O que devemos fazer quando n\u00e3o conseguimos ter o devido afeto por familiares, seja pelo motivo que for? Como lidar com a culpa quando, enfim, nos escutamos e a percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o amamos nosso filho, nossa m\u00e3e, nosso irm\u00e3o \u00e9 suficientemente aud\u00edvel (e talvez fa\u00e7a um barulho danado)? Podemos nos perguntar at\u00e9: o que devemos fazer quando nossa tentativa fracassada gera repercuss\u00e3o, quando isso tem efeitos, quando o nosso desamor \u2013 mais ou menos exposto, mais ou menos vis\u00edvel \u2013 \u00e9 notado? Indo al\u00e9m: e se acreditamos que a responsabilidade \u00e9 nossa de amar o outro \u2013 mais do que do outro de nos amar ou de fazer de si um objeto digno de amor -, como lidar com a culpa diante da constata\u00e7\u00e3o? As indaga\u00e7\u00f5es que dizem respeito a essa tem\u00e1tica (junto a outras, como a pr\u00f3pria morte e o suic\u00eddio) s\u00e3o tangenciadas pela pe\u00e7a <em>P\u00e1 de Cal<\/em>, do dramaturgo J\u00f4 Bilac e com dire\u00e7\u00e3o de Paulo Verlings, que entrou em cartaz no Teatro II do CCBB-RJ e s\u00f3 p\u00f4de fazer duas apresenta\u00e7\u00f5es devido \u00e0s medidas contra a pandemia (a promessa seria voltar em 15 dias, mas talvez demore um pouco mais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O espet\u00e1culo gira em torno de uma morte. Mais especificamente, um suic\u00eddio. Ele come\u00e7a com reflex\u00f5es diante de um espelho, aquele encontro \u00edntimo conosco, atrav\u00e9s de nossa imagem, que muitas vezes evitamos. \u00c9 ali e em contexto de trag\u00e9dia pessoal que as mais urgentes quest\u00f5es existenciais s\u00e3o colocadas. \u00c9 ali que repensamos e reavaliamos nossas escolhas, nossas limita\u00e7\u00f5es e os caminhos que fomos levados a tomar na vida. No caso de <em>P\u00e1 de Cal<\/em>, o pai do morto est\u00e1 diante de si mesmo no espelho, hesita em rela\u00e7\u00e3o ao que fazer de si e ao que fazer da barba, ensaia um gesto e volta atr\u00e1s, ensaia outro e interrompe, sente com a m\u00e3o a textura do maxilar, um vaiv\u00e9m existencial \u00ednfimo traduzida em diminutos movimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o vel\u00f3rio que est\u00e1 acontecendo. N\u00e3o se trata apenas de uma despedida e do ponto zero de um processo de luto, o que j\u00e1 seria muito, mas de uma disputa judicial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 propriedade onde a hist\u00f3ria se desenrola. Nesse vel\u00f3rio-disputa, de todos os familiares mais pr\u00f3ximos, apenas o pai do personagem morto est\u00e1 presente, que o excelente Isaac Bernart encarna com grande sensibilidade, esse que havia titubeado diante do espelho na cena inicial. Outros familiares n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1, mas s\u00e3o representados por advogado, marido e etc. H\u00e1 tamb\u00e9m uma ex-mulher, francesa, um pouco deslocada pela barreira da l\u00edngua e da cultura. Na pele desses personagens est\u00e3o Carolina Pismel, Orlando Caldeira, Pedro Henrique Fran\u00e7a e Ruth Mariana, al\u00e9m de Isaac.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte em quest\u00e3o evoca segredos familiares e hist\u00f3rias mal contadas, trazendo \u00e0 tona sil\u00eancios alimentados h\u00e1 muito tempo, jogando luz em um mal-estar familiar que poder\u00e1 ou n\u00e3o ser resolvido atrav\u00e9s de uma t\u00e9cnica terap\u00eautica muito em voga na atualidade, a constela\u00e7\u00e3o familiar, conduzida por um dos personagens, representado por Orlando Caldeira, \u00f3timo quando assume o papel de terapeuta (ou constelador).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio, assinado por Mina Quental, \u00e9 complexo e tem quatro planos diferentes, representando c\u00f4modos da casa onde o vel\u00f3rio tem lugar e onde se d\u00e3o as negocia\u00e7\u00f5es, os reencontros, os desencontros, as revela\u00e7\u00f5es. Esses planos correspondem a uma varanda, um banheiro, uma esp\u00e9cie de cozinha ou copa e a sala de estar. Esses diferentes planos representando os diferentes c\u00f4modos da propriedade permitem que possamos acompanhar as conversas e os acontecimentos, e h\u00e1 encontros e desencontros em todos eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, al\u00e9m de um cen\u00e1rio complexo, trabalhoso, a pe\u00e7a tem bons momentos em di\u00e1logos bem montados e cheios de humor, mas h\u00e1 algo de estranho na trama. Ou melhor, algo que n\u00e3o encaixa t\u00e3o bem. O primeiro ponto de estranhamento diz respeito a um vel\u00f3rio onde m\u00e3e e irm\u00e3s n\u00e3o est\u00e3o presentes, em que as pessoas mais pr\u00f3ximas (exceto o pai) n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1. A morte resultante de um suic\u00eddio \u00e9 velada por representantes. No entanto, ainda que haja bons motivos pra isso (no caso da irm\u00e3 gr\u00e1vida, a imin\u00eancia de um trabalho de parto), essa terceiriza\u00e7\u00e3o do luto \u00e9 algo realmente digno de estranhamento. Ali\u00e1s, se h\u00e1 mesmo um trabalho de parto em curso, por que o marido n\u00e3o est\u00e1 ao seu lado, em vez de marcar presen\u00e7a no vel\u00f3rio? Que sentido faz ele estar presente ali, sendo um cunhado meio distante que tem at\u00e9 momentos de conversas agrad\u00e1veis, atravessadas por risadaria, durante a tarde (ou seja, n\u00e3o parece muito condo\u00eddo)? Os motivos para as aus\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o convincentes, na medida em que a morte e o suic\u00eddio seriam muito maiores do que qualquer fato ou afeto passado que ocasionasse a dist\u00e2ncia. Traduzindo: ainda que se coloque, no enredo, motivos que justifiquem que o vel\u00f3rio de um suicida aconte\u00e7a daquele jeito, com aqueles personagens e n\u00e3o outros, \u00e9 uma quantidade grande de ausentes significativos e presentes irrelevantes velando as cinzas do morto. E uma tend\u00eancia ao realismo da pe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 suficiente para justificar um poss\u00edvel pragmatismo que essas aus\u00eancias e suas respectivas representa\u00e7\u00f5es evidenciam, caso tenha sido esse o objetivo. E at\u00e9 a carta que passa a circular \u00e0 certa altura \u2013 uma carta com pedidos e poss\u00edveis revela\u00e7\u00f5es, deixada pelo suicida \u2013 parece surgir do nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, os personagens t\u00eam liga\u00e7\u00f5es t\u00e3o enviesadas com os ausentes que representam, isto \u00e9, a mulher que representa uma das filhas, o advogado que representa a m\u00e3e, a m\u00e3e que \u00e9 um elemento estranho e malquisto apenas referido, enfim, tudo isso faz com que nada seja muito simples de se compreender no sentido de quem \u00e9 quem na trama. \u00c9 preciso um exerc\u00edcio mental para ver as liga\u00e7\u00f5es, os la\u00e7os afetivos entre os presentes, e fica tudo meio sem sentido, f\u00e1cil de esquecer a toda hora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_17169\" aria-describedby=\"caption-attachment-17169\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/foto-2-divulga\u00e7\u00e3o-interna.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17169 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/foto-2-divulga\u00e7\u00e3o-interna.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/foto-2-divulga\u00e7\u00e3o-interna.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/foto-2-divulga\u00e7\u00e3o-interna-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-17169\" class=\"wp-caption-text\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pe\u00e7a tem mais um elemento de complica\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m n\u00e3o me pareceu ter tanto sentido na trama: uma das personagens \u00e9 francesa e n\u00e3o fala portugu\u00eas. Tirando uma breve cena que se d\u00e1 na varanda do cen\u00e1rio, de grande humor, n\u00e3o parece ter havido muito motivo para que ela fosse francesa, para que a escolha fosse essa. A cena a que fiz refer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 suficiente para compensar todas as outras, que geraram necessidade de ler uma legenda sempre que essa personagem falava. N\u00e3o h\u00e1 problema com legendas, a n\u00e3o ser que sua presen\u00e7a fa\u00e7a um m\u00ednimo de sentido, e que n\u00e3o seja mais um elemento complicador na trama. Os di\u00e1logos ao telefone dessa personagem n\u00e3o foram t\u00e3o bem amarrados, n\u00e3o eram naturais, ao menos n\u00e3o tanto quanto os di\u00e1logos que se d\u00e3o ao vivo e a cores, entre os personagens que est\u00e3o no palco. E ainda por cima, a legenda!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por causa dos motivos acima apresentados, ainda que o esmero da montagem seja evidente, acaba por se perder uma boa oportunidade de discutir as tem\u00e1ticas que a pe\u00e7a evoca: a morte, o tempo, o suic\u00eddio, as escolhas, as rela\u00e7\u00f5es familiares e seus percal\u00e7os, a obriga\u00e7\u00e3o de amar, os sil\u00eancios e os segredos, para dizer o m\u00ednimo. Sim, porque <em>P\u00e1 de Cal<\/em> tangencia tudo isso, mas sem aproveitar tanto quanto poderia. A quest\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de amar daria um \u00f3timo caldo, tanto que foi a tem\u00e1tica escolhida para abrir este texto. Mas tamb\u00e9m as outras: o que fazer quando uma morte acontece e voc\u00ea est\u00e1 h\u00e1 anos sem falar com algu\u00e9m cujo la\u00e7o de sangue e familiar \u00e9 forte, incontorn\u00e1vel? Voc\u00ea quebra esse sil\u00eancio, voc\u00ea n\u00e3o quebra, como voc\u00ea se comporta? E o que fazemos de certos arrependimentos? O que fazer do perd\u00e3o? De fato, a morte \u00e9 um momento \u00edmpar, que, para al\u00e9m de todo o sofrimento da perda e de toda a saudade, pode suscitar grande complexidade na hora de resolver quest\u00f5es, de tomar decis\u00f5es, de se aproximar ou n\u00e3o de algu\u00e9m, de rever a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, a sensa\u00e7\u00e3o que fica \u00e9 que a pe\u00e7a, de qualidade em v\u00e1rios sentidos, tem sua trama comprometida, assim como as quest\u00f5es interessantes que tenta cercar, por uma s\u00e9rie de elementos que complicam o enredo. Faltou simplicidade, porque o assunto e seus desdobramentos j\u00e1 seriam ricos o suficiente. \u00a0\u00c9 como se a pe\u00e7a n\u00e3o estivesse \u00e0 altura do que se prop\u00f4s e precisasse amadurecer um pouco mais, precisasse de tempo para que se traduzisse em um enredo sens\u00edvel e com um pouco mais de verossimilhan\u00e7a. \u00c9 como se a pe\u00e7a n\u00e3o estivesse, ainda, \u00e0 altura de si mesma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Vivian Pizzinga<\/em><\/strong><em> lan\u00e7ou os livros de contos Dias Roucos e Vontades Absurdas (Oito e meio, 2013) e A primavera entra pelos p\u00e9s (Oito e meio, 2015), al\u00e9m de ter participado de algumas colet\u00e2neas, sendo as mais recentes, Cada um por si e Deus contra todos (Tinta Negra, 2016) e Escriptonita (Patu\u00e1, 2016). Trabalha tamb\u00e9m com psican\u00e1lise e Sa\u00fade do Trabalhador.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pe\u00e7a \u201cP\u00e1 de Cal\u201d nas impress\u00f5es de Vivian Pizzinga <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17167,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3764,16,2537],"tags":[12,3767,381,3765,3334,96,3766],"class_list":["post-17166","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-135o-leva","category-destaques","category-jogo-de-cena","tag-jogo-de-cena","tag-luto","tag-morte","tag-pa-de-cal","tag-peca","tag-teatro","tag-vivian-pizzzinga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17166","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17166"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17166\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17171,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17166\/revisions\/17171"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17167"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17166"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}