{"id":17508,"date":"2020-07-27T12:21:22","date_gmt":"2020-07-27T15:21:22","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=17508"},"modified":"2020-07-31T13:01:29","modified_gmt":"2020-07-31T16:01:29","slug":"olhares-72","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/olhares-72\/","title":{"rendered":"Olhares"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rupturas no sil\u00eancio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_17667\" aria-describedby=\"caption-attachment-17667\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sem-cara.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17667 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sem-cara.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sem-cara.jpg 450w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sem-cara-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sem-cara-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-17667\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Sem cara&#8221;: Claudio Parreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem de n\u00f3s \u00e9 capaz de juntar os cacos do tal velho mundo? Essa pergunta ecoa h\u00e1 alguns bons anos em minha cabe\u00e7a desde que escutei pela primeira vez \u201cPra come\u00e7ar\u201d, can\u00e7\u00e3o composta por Marina Lima e seu emblem\u00e1tico parceiro e irm\u00e3o, o poeta Antonio Cicero. \u00c0 \u00e9poca, j\u00e1 sab\u00edamos sobre qual contexto aquela m\u00fasica fincava suas bases de inspira\u00e7\u00e3o, principalmente a ideia de se pensar o mundo como algo pass\u00edvel de reinven\u00e7\u00e3o a nosso modo. E a energia ali presente apontava para a c\u00edclica din\u00e2mica de um ir e vir, ou seja, desconstruir para reconstruir, respeitadas as devidas maneiras de compreens\u00e3o pessoal das coisas, repert\u00f3rios da individualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passadas algumas d\u00e9cadas, o hoje cada vez mais nos desafia a prestarmos aten\u00e7\u00e3o ao fluxo constante de transforma\u00e7\u00f5es as quais estamos submetidos at\u00e9 mesmo inconscientemente. A pr\u00f3pria ideia de n\u00e3o sermos produto acabado p\u00f5e em xeque a tentativa de se cristalizar convic\u00e7\u00f5es. E estar em processo, num incessante devir, pode n\u00e3o ser quest\u00e3o de escolha, mas sim de como a torrente dos fen\u00f4menos que nos cercam demonstra nos afetar. Haveria, ent\u00e3o, uma linha t\u00eanue entre desejar algo e mudar a rota pessoal pela interfer\u00eancia dos fatores externos a n\u00f3s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De toda forma, nosso mundo \u00e9 um imenso mosaico de sentimentos e ru\u00eddos. E h\u00e1 de se desconfiar de quem apregoa linearidade absoluta em seu trajeto pela vida. Perpassada por idas e vindas, nossa exist\u00eancia dentro de uma complexa teia social cada vez mais n\u00e3o nos parece permitir uma passagem despretensiosa ou desavisada pelos fatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro da l\u00f3gica que reinventa as paisagens da nossa tenra humanidade, testemunhamos a express\u00e3o art\u00edstica de um algu\u00e9m como <strong>Claudio Parreira<\/strong>. Ao observarmos as colagens digitais feitas pelo artista, n\u00e3o h\u00e1 como o impacto n\u00e3o ser imediato se considerarmos muito do que foi abordado nos trajetos iniciais deste texto. Ora, vejamos: Parreira faz saltar diante de nossos olhos o rearranjo desse fragmentado mundo em que vivemos. E o faz com a habilidade de nos comunicar que os tais cacos de nossas experi\u00eancias podem ser ajuntados sob outras formas de ser e sentir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_17668\" aria-describedby=\"caption-attachment-17668\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Casal.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17668 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Casal.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Casal.jpg 450w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Casal-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Casal-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-17668\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Casal&#8221;: Claudio Parreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Volta e meia, o pensamento de que n\u00e3o h\u00e1 nada de novo debaixo do sol insiste em nos rondar. No entanto, falar disso n\u00e3o simplifica e nem reduz as experi\u00eancias tidas em mat\u00e9ria de cria\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, virtude maior \u00e9 ressignificar os sintomas mais pungentes da vida. E \u00e9 isso que Claudio Parreira faz com seu trabalho quando nos apresenta sua pr\u00f3pria maneira de configurar as paisagens humanas e seus enleios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As colagens de Parreira n\u00e3o s\u00e3o uma mera reconfigura\u00e7\u00e3o de formas e contornos. Elas nos mostram o rico vocabul\u00e1rio que adv\u00e9m de outros modos de se pensar a experi\u00eancia dos mortais no planeta cada vez mais esqu\u00e1lido em que vivemos. \u00c9 patente a verborragia que se abriga na arte dele, sobretudo por trazer \u00e0 tona o poderoso efeito discursivo de suas imagens. E assim vamos sendo guiados por um imenso cen\u00e1rio no qual as inquieta\u00e7\u00f5es afloram. Num mix que agrega provoca\u00e7\u00e3o, cr\u00edtica, mem\u00f3ria, espanto, ironia e indigna\u00e7\u00e3o, dentre outros atributos tamb\u00e9m poss\u00edveis, a express\u00e3o do artista em quest\u00e3o parece em muitos momentos representar um clamor. Diante de tamanhos \u00edmpetos, caberia indagar ao que ou a quem tal demanda estaria direcionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na confiss\u00e3o do pr\u00f3prio Parreira, qui\u00e7\u00e1 uma revela\u00e7\u00e3o ou resposta: \u201cgritos ao sil\u00eancio que querem nos impor\u201d. Suas colagens digitais flertam com a ideia de manusear o absurdo e o incomum, ele ainda sustenta. Muitos conhecem o Claudio Parreira autor de contos e romances, contribui\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias que j\u00e1 assinalaram alguns caminhos de reconhecimento pela palavra. Mas o que se agiganta agora, com a perspectiva visual, \u00e9 saber que outras narrativas assumem seu protagonismo na trajet\u00f3ria do criador, aquelas engendradas a partir do gesto imag\u00e9tico que ousa desafiar apagamentos. A recusa ao sil\u00eancio \u00e9, em grande medida, um ato de rebeldia diante do avan\u00e7o obscurantista que insiste em turvar o pensamento e as a\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas no quesito s\u00f3cio-pol\u00edtico, para n\u00e3o dizer em outros mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na profus\u00e3o de cores, caracteres e tipos, Parreira lan\u00e7a m\u00e3o do di\u00e1logo entre o velho e o novo, da harmoniza\u00e7\u00e3o do cl\u00e1ssico com o moderno, da coexist\u00eancia entre seriedade e irrever\u00eancia. E seu \u00eaxito maior \u00e9 nos ofertar outros modos de abordar as nossas humanidades, deixando entrever a pulsa\u00e7\u00e3o permanente da lucidez, esp\u00edrito incomodado e atento, mas que n\u00e3o deixa perdidas pelo caminho fatias necess\u00e1rias de bom humor, leveza e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_17669\" aria-describedby=\"caption-attachment-17669\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Contabilidade.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17669 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Contabilidade.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Contabilidade.jpg 450w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Contabilidade-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Contabilidade-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-17669\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Contabilidade&#8221;: Claudio Parreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>* As colagens digitais de Claudio Parreira s\u00e3o parte integrante da galeria e dos textos da 137\u00aa Leva<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/strong><em> \u00e9 ca\u00f3tico, sonhador e aprendiz de gente. Se disfar\u00e7a no mundo como editor, poeta, baterista amador, mestre e, atualmente, doutorando em Letras.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os atravessamentos inquietantes das colagens digitais de Claudio Parreira<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17665,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3821,16,2538],"tags":[2087,3854,914,137,6],"class_list":["post-17508","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-137a-leva","category-destaques","category-olhares","tag-claudio-parreira","tag-colagens-digitais","tag-ensaio","tag-fabricio-brandao","tag-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17508"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17508\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17672,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17508\/revisions\/17672"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17665"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}