{"id":17545,"date":"2020-07-28T12:08:57","date_gmt":"2020-07-28T15:08:57","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=17545"},"modified":"2020-08-31T18:41:33","modified_gmt":"2020-08-31T21:41:33","slug":"aperitivopalavraii-17","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivopalavraii-17\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Necrocidade e poesia brasileira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><em>Por Gabriel Morais Medeiros<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_17546\" aria-describedby=\"caption-attachment-17546\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/O-ovo-primordial-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17546 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/O-ovo-primordial-1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/O-ovo-primordial-1.jpg 450w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/O-ovo-primordial-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/O-ovo-primordial-1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-17546\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;O ovo primordial&#8221;: Claudio Parreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>I<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho tentado refletir sobre a cidade enquanto n\u00e3o-lugar, enquanto deserto gentrificado e militarizado, em poetas do Brasil contempor\u00e2neo. E, necessariamente, sobre os discursos de resist\u00eancia que esse estado de cerco engendra, dialeticamente, em algumas vozes do tempo de agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">F\u00e1bio Weintraub \u00e9 autor de um verso que resume bem a contra-urbanidade que nos atravessa: a de um \u201cpa\u00eds sem ruas\u201d [<em>Treme ainda<\/em>, 34, 2015].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rampas antimendigo, sistemas de sirene, a telepatia sibilante das cercas el\u00e9tricas, drones de vigil\u00e2ncia sobrevoando a churrasqueira e as cascatinhas pornogr\u00e1ficas; guaritas e catracas cravejadas em canteiros que j\u00e1 foram p\u00fablicos, num sonambulismo quase necromante; cart\u00f5es magn\u00e9ticos para carros blindados, que emergem de vidros el\u00e9tricos brilhantes como r\u00edmel, nas portarias biom\u00e9tricas, \u00e0 ponta de <em>unhas sedosas<\/em> (verso de Eug\u00eanio Gianetti), sob a carranca de seguran\u00e7as impass\u00edveis como totens, agentes secretos ou psicopompos. Bols\u00f5es residenciais cujo acesso \u00e9 bloqueado por ton\u00e9is gigantes de concreto; rondas noturnas, esparsas ou constantes, camufl\u00e1veis. Cidade de t\u00faneis, simb\u00f3licos ou cimentados, corcundas: numa palavra, necrocidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou-se h\u00e1 muito ao est\u00e1gio da arquitetura do medo como espet\u00e1culo de si mesma. Nas periferias-condom\u00ednios fechados, as cl\u00ednicas de criogenia guardam em seus bancos de tutano as ra\u00edzes de uns dentes-de-leite, em prol da des-utopia de futuro gen\u00e9tico de alguns rebentos. \u201cVoc\u00ea comeria um hamb\u00farguer de c\u00e9lulas-tronco?\u201d [<em>Tudo pronto para o fim do mundo<\/em>, 34, 2019], pergunta Bruno Brum, num verso que podia constar na tabuleta de cada mallzinho \u00e0 entrada de um residencial de luxo, como a reposi\u00e7\u00e3o do velho emblema diante da Cidade Dolente. S\u00f3 que ao contr\u00e1rio: <em>reconquistem toda a esperan\u00e7a, voc\u00eas que acessam este lugar<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos arredores dos recantos de seguran\u00e7a, minimiamis, vias de tr\u00e2nsito r\u00e1pido, viadutos, aus\u00eancias de linhas de \u00f4nibus e passarelas espa\u00e7adas, de longe a longe, como as pernas longil\u00edneas dos elefantes de Dal\u00ed: um territ\u00f3rio, basicamente, onde \u00e9 imposs\u00edvel andar a p\u00e9, por nele haver muitos campos-de-for\u00e7a que repelem quaisquer alteridades, mendic\u00e2ncias, la\u00e7os de fraternidade e\/ou presen\u00e7as <em>alien\u00edgenas<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do outro lado das autopistas, refletindo as gated communities, opondo-se aos macrocamarotes, est\u00e3o periferias-quebradas, com corpos \u00e0 mira de remotos helic\u00f3pteros, que pipocam com sua \u201ch\u00e9lices de carne\u201d, nas palavras de Bola\u00f1o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_17547\" aria-describedby=\"caption-attachment-17547\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Hitch-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17547 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Hitch-2.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Hitch-2.jpg 450w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Hitch-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Hitch-2-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-17547\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Hitch&#8221;: Claudio Parreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>II<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos bel\u00edssimos versos de Mar Becker [<em>A mulher submersa<\/em>, Urutau, 2020] pode-se ver, por outro lado, o que <em>ter\u00e1 ocorrido<\/em> com a necrocidade. Seu tempo \u00e9 o da rememora\u00e7\u00e3o e, justamente por isso, o da composi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica. Em Becker, a necrocidade \u00e9 eixo quase abstrato, evanescente, que aguarda a desapari\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a autora, o meio urbano \u00e9 o sussurro de uma fal\u00eancia, de uma hecatombe anunciada. \u201cVem, precisamos fugir da cidade\/para muito longe\u201d, dizia Lichtenstein, num poema chamado <em>O passeio<\/em> [<em>Der Ausflug<\/em>, 1913].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Becker tamb\u00e9m estoura esse tipo de aclimata\u00e7\u00e3o urbana. O mundo vai acabar. E este mundo, no entanto, o atravessamos! Por isso, <em>A mulher submersa<\/em> cintila como uma barra de transfer\u00eancia fluorescente, bruxuleando no leito de uma cratera oce\u00e2nica, num enigm\u00e1tico c\u00f3digo-morse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a linguagem dos mortos, e sobretudo das mortas, dirige-se a n\u00f3s atrav\u00e9s desse livro, por meio de uma cartografia dom\u00e9stico-mar\u00edtima, e enquanto mar\u00edtima, <em>imape\u00e1vel<\/em>, desolada e insubordin\u00e1vel:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201ca mulher da regi\u00e3o da serra sem fim lava a calcinha sempre no<br \/>\nbanheiro, sob esse outro paradigma n\u00e1utico \u2013 quando no vapor<br \/>\no espa\u00e7o-tempo resgata o mar como desola\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[<em>serra sem fim<\/em>]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente ao tempo diluvial, <em>A mulher submersa<\/em> reergue uma cidade de baldios e assombra\u00e7\u00f5es, que nos prometem meandros e ressignifica\u00e7\u00f5es, transmitidas sempre do pa\u00eds desconhecido. Este \u00e9 um dos motivos que talvez insira a poeta numa categoria de vocaliza\u00e7\u00e3o da transcend\u00eancia. Na poesia de Becker, as ru\u00ednas reemergem das lagunas, e os mortos apontam as sa\u00eddas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cna casa fabula-se outra casa. em ru\u00ednas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[<em>serra sem fim<\/em>]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necrocidade, para Becker, \u00e9 fase-em-devir, e n\u00e3o categoria estanque. \u00c9 algo que se vasculha no passado, redim\u00edvel ap\u00f3s a cat\u00e1strofe que a poeta profetiza. As ruas e os dias se apagar\u00e3o nos azimutais congelados sob o granizo das calotas polares. <em>Cada \u00e9poca sonha a pr\u00f3xima<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz-se necess\u00e1ria, por fim, uma palavra sobre a forma de seus textos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela bem reflete essa condi\u00e7\u00e3o de transitoriedade dilu\u00edvel. De vias-vasculariza\u00e7\u00f5es diferentes: as ruas de um inferno que pouco a pouco resfolega, inundado, encharcado, rompidas as barragens de Guarapiranga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque os fluxos verbais e compassos da poeta s\u00e3o longas frases r\u00edtmicas, aqu\u00e1ticas, cadenciadas, como uma lagoa de neve sombria sob o manto de Desd\u00eamona, lua de Urano; os versos de Mar Becker demoram, aparentam e segredam melancolia e agouro. S\u00e3o um Grande Oceano da Espera, uma paisagem lunar; um golfo de metais pesados, muito tempo ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o do Antropoceno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que, pensando em seus dizeres, ser\u00e1 que neles n\u00e3o germina, da mesma maneira, uma intensa felicidade? A que nos promete um outro mundo poss\u00edvel, num reino que n\u00e3o \u00e9 deste mundo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o nos injetaria a poesia de Becker, na supera\u00e7\u00e3o da necrocidade, uma dose cavalar de alegria?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_17548\" aria-describedby=\"caption-attachment-17548\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sempre-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17548 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sempre-3.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sempre-3.jpg 450w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sempre-3-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sempre-3-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-17548\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Sempre!&#8221;: Claudio Parreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>III<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande poeta Reuben, com seus falares estranhos e enigm\u00e1ticos, tamb\u00e9m atravessa a necrocidade, mas de forma diversa. A temporalidade de seus mundos \u00e9 mais a do presente, a do ac\u00famulo, a dos lix\u00f5es, e a do empanturramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo-lixo, em Reuben, \u00e9 zigurate colossal; em Becker, j\u00e1 foi varrido do mapa h\u00e1 400 milh\u00f5es de anos, numa inunda\u00e7\u00e3o m\u00edtica. A coordenada de Reuben \u00e9 a de hoje; a de Becker, o que <em>ter\u00e1 sido<\/em> hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cercadas por um labirinto em decomposi\u00e7\u00e3o, as vozes de Reuben abrem caminho, cavam trincheiras, comungam desejos, mas tamb\u00e9m enxergam transcend\u00eancias: <em>emiss\u00f5es p\u00e9lvicas de luz<\/em>, <em>amoras gl\u00f3rias da terra<\/em>, <em>reggaes das bacantes<\/em>, <em>peixes boi de boa<\/em>: v\u00ea-se que a natureza \u00e9 que lhe assobia com fulgor, com fins em eternos-retornos. E tamb\u00e9m as vis\u00f5es espaciais, dimensionais, com ele se comunicam. <em>Estive aqui muitas vezes\/ainda acho bonito<\/em> \u00e9 um texto que bem o demonstra, com seus lindos heptass\u00edlabos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o mencionado amontoamento de monturos, entroncamento da necrocidade, e umas ca\u00e7ambas abarrotadas, mas cercadas pela transcend\u00eancia (a natureza e o espa\u00e7o sideral), por sua vez, os vemos em:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cd vz em qd a areia me visita<br \/>\nurubus reviram o meio da ilha<br \/>\nboto fogo no corpo a p\u00e9 na ponte a<br \/>\nastronauta a p\u00e9 no gargalo do dia<br \/>\nlonges lobos guar\u00e1s assoviam\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[<em>Estrelas brilham, mastigam lixo<\/em>, Jabuticaba, 2019].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De maneira an\u00e1loga, o sujeito em Reuben \u00e9 o das corporalidades m\u00faltiplas, que nunca se esvaziam ou desvanecem; amea\u00e7adas, no entanto presentes num territ\u00f3rio n\u00e3o abandonado, e ainda n\u00e3o varrido pelos pared\u00f5es aqu\u00e1ticos da hecatombe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amea\u00e7ados, est\u00e3o \u00e0 mira: os caiap\u00f3s, os kano\u00e9s, os ka\u2019apor e os mendigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os drones os ca\u00e7am \u2013 porque toda necrocidade estende-se aos c\u00e9us, e se fundamenta no dom\u00ednio dos c\u00e9us, a fundo. Suas ra\u00edzes s\u00e3o as nuvens, os limites do globo. <em>Teoria do drone<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\/ temporada de ca\u00e7a \/ ao \u00edndio ka\u2019apor \/ drones tele guiam \/ kano\u00e9s \/ caiap\u00f3s \/ varis vivos \/ encobrem a cova rasa urubus farejam \/ temporada de ca\u00e7a \/ \/ a navalha \/ some \/ na m\u00e3o do mendigo \/ noite revirada \/ corpos d ca\u00eddos estrelas brilham \/ mastigam lixo \/ incorporo a navalha da pros\u00f3dia dos mendigos \/ cada narciso \/ come da \/ pr\u00f3pria sede \/ a cabe\u00e7a do justo \/ \/ esmagada na parede\/ senten\u00e7as \/ vendidas por \/ ju\u00edzes \/ \/ senten\u00e7as vendidas \/por ju\u00edzes \/ \/ fazendas maiores que pa\u00edses \/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[<em>Escaldante<\/em>, Livros-fantasma, 2017].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estrelas brilham\/mastigam lixo: os olhos carecas das c\u00e2meras dos drones abatedores, por um lado, e a corporeidade dos ca\u00e7ados, por outro. A garra dr\u00f4nica da necrocidade, abstrata e letal como o capital, versus a fuga entocada do catador, t\u00e9rrea e teimosa como a vida. A morte que pode vir do c\u00e9u ou da canetada jur\u00eddica, et\u00e9rea e abstrata em ambos os casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Noutras palavras, agress\u00e3o versus resist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e0 toa, o poema, ao denunciar a ca\u00e7ada humana, bate de frente com o latif\u00fandio, o hectare produtor de covas: o latif\u00fandio, met\u00e1fora \u00faltima da necrocidade e de sua contra-utopia, projeto necropol\u00edtico de um <em>pa\u00eds sem ruas<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Gabriel Morais Medeiros<\/em><\/strong><em> (Campinas-SP, 1988) \u00e9 autor de &#8216;Pornografia em extin\u00e7\u00e3o&#8217; (2019) e de &#8216;Andr\u00f4maca, quarenta semestres&#8217; (2016), livros de poesia publicados pela Patu\u00e1. Tem trabalhado como professor de literatura no ensino m\u00e9dio, desde 2007, em diversas cidades do interior paulista. \u00c9 respons\u00e1vel pela Of\u00edcios Terrestres Edi\u00e7\u00f5es, micro-editora voltada a humanidades e literatura, criada em 2019.\u00a0<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gabriel Morais escreve sobre a necrocidade na poesia brasileira contempor\u00e2nea<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17549,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3821,2533],"tags":[11,914,3833,3834,3835],"class_list":["post-17545","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-137a-leva","category-aperitivo-da-palavra","tag-aperitivo-da-palavra","tag-ensaio","tag-gabriel-morais-medeiros","tag-necrocidade","tag-poesia-brasileira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17545","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17545"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17545\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17682,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17545\/revisions\/17682"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17549"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}