{"id":17950,"date":"2020-10-25T11:23:03","date_gmt":"2020-10-25T14:23:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=17950"},"modified":"2020-12-06T15:08:07","modified_gmt":"2020-12-06T18:08:07","slug":"aperitivopalavraii-18","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivopalavraii-18\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como escrever bem sob uma rajada de tiros<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Gustavo Rios<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bartolomeu-capa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17952\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bartolomeu-capa.jpg\" alt=\"\" width=\"334\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bartolomeu-capa.jpg 334w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Bartolomeu-capa-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 334px) 100vw, 334px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao falar sobre quadrinhos, m\u00fasica <em>pop<\/em>, televis\u00e3o e outros expedientes que, em tese, existem fora dos limites da arte mais elevada, por assim dizer, seria legal de minha parte citar aqui um fragmento de uma entrevista que Umberto Eco deu ao jornalista Ben Naparstek. Quando instigado a falar sobre cultura <em>pop<\/em>, Eco, que possu\u00eda na \u00e9poca 34 doutorados honor\u00e1rios, disse: <em>\u201cmuitos acad\u00eamicos liam hist\u00f3rias de detetives e quadrinhos \u00e0 noite, mas n\u00e3o falavam nisso porque era considerado uma masturba\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que eu n\u00e3o conhe\u00e7a nenhum dos acad\u00eamicos citados pelo Umberto, e ainda que eu saiba que o <em>Pornhub <\/em>salvou muito escritor amigo meu em momentos dif\u00edceis, ao esconder a influ\u00eancia dos quadrinhos, da m\u00fasica chamada <em>pop<\/em> e da TV em nossa arte, negamos a outros conhecerem a fonte e a ess\u00eancia de uma boa fatia de nosso trabalho: a beleza do que produzimos como resultado de uma louca, inventiva e ca\u00f3tica jun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coisa n\u00e3o se resume a essa trinca, evidentemente. Quando se trata de livros, a literatura conhecida como <em>Pulp <\/em>tamb\u00e9m deu a muita gente boa lastro e f\u00f4lego pra seguir em frente \u2013 ou mesmo pra se despedir em grande estilo, vide Nick Belane e o seu criador, o nosso querido Charles Bukowski.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso dos livros <em>Pulp,<\/em> talvez uma das caracter\u00edsticas mais legais seja o desprendimento de seus autores na cria\u00e7\u00e3o de universos \u2013 coisa sem rela\u00e7\u00e3o alguma com descuido, friso. Nesses livrinhos, dogmas travando os limites da fantasia parecem n\u00e3o existir. Tampouco o desejo de entrar na marra para a hist\u00f3ria da literatura atrav\u00e9s de hermetismos e outras traquinagens. Do pouco que li e gostei desse divertido quinh\u00e3o liter\u00e1rio, as quest\u00f5es psicol\u00f3gicas eram facilmente resolvidas e a pancadaria comia solta. Naquelas p\u00e1ginas a linguagem era simples e eficaz, no final das contas. E at\u00e9 hoje tento imaginar o que seria do Paul Auster e do Thomas Pynchon sem as hist\u00f3rias de detetive.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruno Ribeiro, autor do romance <em>Bartolomeu<\/em>, me parece o tipo do cara que curte um livrinho <em>Pulp<\/em>. Nas 122 p\u00e1ginas de sua <em>\u201cs\u00e1tira burocr\u00e1tica e violenta\u201d<\/em> envolvendo <em>\u201cassassinatos encomendados\u201d,<\/em> nas palavras de Mateus Rodrigues no que parece ser um posf\u00e1cio, o uso das estrat\u00e9gias comuns aos famosos livros de papel barato (<em>pulp paper<\/em>) abunda. Ou mesmo sobeja, se quisermos usar um termo \u00e0 maneira do linguista e semi\u00f3logo italiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um enredo eficaz e interessante, mesmo para os que nunca curtiram a literatura \u201cbarata\u201d, <em>Bartolomeu<\/em> salta aos olhos. Dono de uma linguagem r\u00e1pida e multifacetada, que evolui de maneira alucinante, Bruno Ribeiro constr\u00f3i a trama sem abrir m\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es.\u00a0 E de alguns riscos. A forma que Ribeiro escolheu para seguir com seu livro foi muito feliz. E tal escolha deixou o trabalho acima da m\u00e9dia de outros <em>Pulps<\/em> que conheci \u2013 se fizermos uma rela\u00e7\u00e3o direta entre as op\u00e7\u00f5es e considerando meu conhecimento no tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bartolomeu, o protagonista, \u00e9 um assassino dos bons; um artista em seu of\u00edcio. Al\u00e9m de ser o eixo de todo o livro, esse anti-her\u00f3i negro trabalha para uma empresa chamada Ind\u00fastria. A Ind\u00fastria \u00e9 uma corpora\u00e7\u00e3o regida por normas parecidas com as de qualquer grande firma \u2013 ou quase isso, j\u00e1 que ela d\u00e1 a seus funcion\u00e1rios <em>\u201c(&#8230;) desconto em motel, cesta b\u00e1sica, restaurante, f\u00e9rias, d\u00e9cimo terceiro recheado, desconto em lojas de departamentos, roupas estilosas e a puta que pariu\u201d<\/em>. Afora ser uma corpora\u00e7\u00e3o que tem \u201ca puta que pariu\u201d como benef\u00edcio trabalhista, outro detalhe que a distingue das demais \u00e9 o seu, digamos, ramo de neg\u00f3cio: a elimina\u00e7\u00e3o de pessoas sob encomenda, aqui conhecidas como Trabalhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ind\u00fastria, que emprega <em>hackers<\/em>, <em>snipers<\/em> e assassinos, possui semelhan\u00e7as com outra \u201cempresa\u201d: a Comiss\u00e3o, da HQ <em>Umbrella Academy; <\/em>quadrinho que virou s\u00e9rie na <em>Netflix<\/em> e que foi magistralmente desenhado pelo brasileiro Gabriel B\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, diante das escolhas do Bruno, creio que posso assinalar dois pontos que me chamaram a aten\u00e7\u00e3o de imediato: a prov\u00e1vel influ\u00eancia dos quadrinhos e o modo escolhido pelo autor para contar sua vibrante hist\u00f3ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Grosso modo<\/em>, a literatura <em>Pulp<\/em> transcorre de forma linear. A hist\u00f3ria \u00e9 contada com come\u00e7o meio e fim (com alguns <em>flashbacks<\/em>, \u00e9 bem verdade), geralmente tendo uma voz narrativa firme durante o trajeto. Essa voz observa, pontua, muitas vezes ironiza e sacaneia, mas sempre se mant\u00e9m est\u00e1vel, presa ao estilo e amarrada \u00e0 personalidade do protagonista-narrador. No caso do Bruno a coisa funciona de forma diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que o livro n\u00e3o se resuma a um amontoado de relatos, tipo papo de div\u00e3 ou algo parecido (tem muita a\u00e7\u00e3o, muita coisa rolando), as p\u00e1ginas de <em>Bartolomeu<\/em> s\u00e3o um apanhando de vozes distintas. E tal expediente enriquece muito a hist\u00f3ria, em minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colegas, inimigos (ou colegas que viraram inimigos), pessoas, figuras macabras e tantas outras, falam sobre Bartolomeu na primeira pessoa. Cada uma o descreve de forma pessoal e \u00fanica. Todo o processo, entretanto, ocorre sem que Ribeiro perca o fio condutor: raramente o novo elemento confunde o leitor, j\u00e1 que enxergamos o mesmo Bartolomeu \u00e0 nossa frente. Com suas manias, escolhas, habilidades e aspectos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crian\u00e7a Branca, Eraldo, Vegetal, Lobo Cego, entre outros, contam e vivenciam as mais variadas e perigosas situa\u00e7\u00f5es. Assim sendo, a cada voz que surge (e incluo tamb\u00e9m Vegetal nessa onda, l\u00e1 do seu jeito), fica \u00f3bvia a aptid\u00e3o de Bruno em definir as caracter\u00edsticas de cada personagem, mesmo que todos girem ao redor do protagonista. De Mona \u00e0 Crian\u00e7a Branca, Bruno altera um pouco as regras do jogo<em> Pulp,<\/em> quando nos apresenta uma narrativa meio psicol\u00f3gica e individual. Indo al\u00e9m do uso atabalhoado de clich\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Clich\u00eas s\u00e3o usados sempre que preciso, todavia. E esse procedimento em nada prejudica <em>Bartolomeu<\/em> &#8211; diante do fato de que tais clich\u00eas s\u00e3o o fundamento do estilo aparentemente escolhido por Bruno, ficamos bem em seguir com eles. Assim como <em>cowboys<\/em> devem usar chap\u00e9us e marcianos s\u00f3 conseguem invadir a terra se vierem de Marte, livros com a tem\u00e1tica de <em>Bartolomeu<\/em> devem conter bebidas fortes, cigarros e charutos, drogas, quartos de hotel, socos, armas, tiros, conspira\u00e7\u00f5es, cad\u00e1veres, homens e mulheres ressentidos, tes\u00e3o em suspenso, facadas, <em>femme fatales<\/em>, trai\u00e7\u00f5es e gente esquisita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, esse mineiro radicado na Para\u00edba traz para o livro uma s\u00e9rie de quest\u00f5es pertinentes e atuais. Refer\u00eancias \u00e0 Lava Jato, ao presidente do executivo e \u00e0 nossa pol\u00edtica apodrecida, surgem com ironia e at\u00e9 justificam o rumo da hist\u00f3ria \u2013 vide o trecho, <em>\u201cO troglodita chuta uma cadeira, \u2018voc\u00ea \u00e9 um dos maiores hackers do pa\u00eds, crioulo. Invadiu o celular do Moro e da galera da Lava Jato. Um g\u00eaniozinho (sic)\u2019\u201d<\/em>, p\u00e1gina 18; ou ent\u00e3o: <em>\u201cO Brasil se tornou um para\u00edso para n\u00f3s, mas os comunistas est\u00e3o voltando. Povo brasileiro \u00e9 besta. N\u00e3o ser\u00e1 uma elei\u00e7\u00e3o f\u00e1cil, saca? Est\u00e3o nos vigiando sem parar. Temos que nos manter mais discretos, pelo menos por enquanto.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Lirismo, imag\u00e9tica, tiros e escopetas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o raro identificamos em <em>Bartolomeu<\/em> passagens dotadas de lirismo e at\u00e9 mesmo com um pouco de poesia, diria eu. Esse recurso, quando aparece, sempre surge no momento exato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruno, autor de <em>Febre de Enxofre,<\/em> livro escrito em Buenos Aires sob a orienta\u00e7\u00e3o do poeta Guillermo Saavedra<em>, <\/em>trabalho que serviu como parte do mestrado em Escrita Criativa na <em>Universidad Nacional de Tres de Febrero, <\/em>parece gostar do jeit\u00e3o portenho de se resolver as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 nessa mesma Buenos Aires que o lirismo e um pouco dessa poesia ficam evidentes pela primeira vez: <em>\u201cSou conhecido como a Crian\u00e7a Branca e estou em Buenos Aires, hospedado em um quarto na Pousada D\u00edaz, no bairro de San Telmo. Local apertado, cama com cheiro de mofo, aquecedor pequeno, poltrona com desenhos tribais e um abajur quebrado. Um para\u00edso \u00e0s avessas\u201d \u2013<\/em> destaco aqui a \u00faltima frase.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro instante o canto de uma coruja se converte em <em>\u201c(&#8230;) um assovio em forma de enterro.\u201d, <\/em>enquanto nas j\u00e1 citadas p\u00e1ginas iniciais, o tiro disparado por uma mulher surte efeito semelhante ao se transformar em\u00a0 <em>\u201c(&#8230;) o assovio de um p\u00e1ssaro negro, o canto de uma flauta doce, t\u00e3o doce quanto aquele cheiro que agora significava o meu fim.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que pare\u00e7a repeti\u00e7\u00e3o, achei legal a defini\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria que Bruno Ribeiro deu para a morte. Para mim, uma boa estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ironia tamb\u00e9m \u00e9 outro item presente em <em>Bartolomeu<\/em>. E isso n\u00e3o poderia faltar de qualquer forma. A come\u00e7ar pelos nomes e codinomes dos personagens, desembocando nas frases em que Bruno descreve, de forma macabra e \u00e1cida, situa\u00e7\u00f5es e trejeitos do seu rol de personagens pra l\u00e1 de exc\u00eantricos, me flagrei diversas vezes rindo alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cito como exemplos os trechos: <em>\u201cVegetal s\u00f3 verbaliza grunhidos atrav\u00e9s da sua m\u00e1scara de g\u00e1s surrada e acinzentada. Regata branca desbotada da banda Legi\u00e3o Urbana. Jeans preto e rasgado. Um corpo esquel\u00e9tico e meio morto. Os olhos azuis arregalados no vidro da m\u00e1scara encaram Bartolomeu, que depois de alguns segundos, decidiu pedir uma \u00e1gua para o gar\u00e7om.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c\u2019N\u00e3o precisa ter medo. O Vegetal aqui tem uma fun\u00e7\u00e3o nessa reuni\u00e3o.\u2019\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que Bartolomeu, tempos depois, retruca: \u201c\u2019<em>Da pr\u00f3xima vez, n\u00e3o traga o psic\u00f3logo. N\u00e3o confio em quem gosta de Legi\u00e3o Urbana.\u2019\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundamental para o bom andamento da obra, a linguagem simples tamb\u00e9m d\u00e1 o tom. Assim como a agilidade das frases e uma forte carga imag\u00e9tica na descri\u00e7\u00e3o de algumas cenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cOs meninos est\u00e3o felizes. Eles insistem em perguntar sobre minhas armas e a resposta \u00e9 sempre a mesma \u2018papai gosta de colecionar\u2019. T\u00e3o pequenos, sagazes, t\u00e3o vivos. Deito na grama, enquanto a esposa cuida da janta. Digo que \u00e9 tarde, devemos entrar. A janta est\u00e1 maravilhosa. Elogio minha esposa. Coloco os meninos na cama. Transo com minha esposa. Pego a cadeira de balan\u00e7o e coloco do lado de fora. Em meus bra\u00e7os, a escopeta carregada. Tr\u00eas carteiras de cigarro no bolso da jaqueta preta: refei\u00e7\u00e3o para uma madrugada.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cSe estiv\u00e9ssemos fora da sala eu j\u00e1 poderia prever os olhares mortos em nossa dire\u00e7\u00e3o. A \u00faltima marcha nessa enorme empresa, entre os corredores infinitos e largos, paredes nuas, sem janelas, portas distantes, fechadas e cheias de c\u00f3digos, espectros de terno e sem terno, her\u00f3is e codinomes sem no\u00e7\u00e3o, e eu me perguntando se tudo isso faria sentido, e eu me perguntando: onde fica a Ind\u00fastria? At\u00e9 hoje n\u00e3o sabemos&#8230; Chegamos aqui e n\u00e3o sabemos como, mas chegamos. Em algum ponto entre S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. Um ponto rec\u00f4ndito, eterno. E os homens e mulheres deste estabelecimento de morbidez e cifr\u00e3o finado balan\u00e7ando a cabe\u00e7a, falando em suas mentes \u2018meus p\u00easames\u2019 para o nosso Departamento, enquanto caminhamos rumo ao c\u00e9u aberto, o exterior, o mundo real. E ali, a qualquer momento, nossas vidas seriam extra\u00eddas dos corpos, seja por Bartolomeu ou por qualquer um, o nome n\u00e3o importa.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Digress\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o bem vindas, j\u00e1 que romances permitem isso com o manejo adequado. E no caso do Ribeiro as digress\u00f5es me lembraram do Tarantino: personagens falando sobre Bolsa de Valores, sobre a obsolesc\u00eancia de produtos industrializados e sobre orgasmo feminino antecedem fatos novos, muita a\u00e7\u00e3o e rupturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a de rar\u00edssimos ecos, pleonasmos e asson\u00e2ncias n\u00e3o prejudica tanto a leitura. Por\u00e9m, como n\u00e3o captei a inten\u00e7\u00e3o do escritor em ser ir\u00f4nico ou mesmo po\u00e9tico nesses trechos, fato que permitiria mexer e brincar com a sonoridade sem derrapar, melhor seria se ele revisasse algumas frases, tais como: <em>\u201cTodos n\u00f3s simulamos um luto. O sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 absoluto, pois meus solu\u00e7os (&#8230;)\u201d <\/em>e <em>\u201c (&#8230;)um ru\u00eddo sutil foi aud\u00edvel (&#8230;).\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>A pressa: o inimigo mais perigoso para Bartolomeu <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na leitura que fiz de <em>Bartolomeu, <\/em>n\u00e3o pude deixar de perceber alguns erros simples de se resolver: se considerarmos o suporte em que o livro foi lan\u00e7ado (digital), \u00e9 cr\u00edvel que Bruno os reveja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da grafia da palavra iPhone que surgiu por duas vezes como \u201ciPHONE\u201d e uma vez como \u201cIphone\u201d, at\u00e9 o uso da palavra Nordeste \u2013 digitada como \u201cnordeste\u201d em outra p\u00e1gina, sendo que ambas pareciam ter a mesma finalidade -, temos a\u00ed itens que merecem aten\u00e7\u00e3o. Outra coisa que pode melhorar \u00e9 a formata\u00e7\u00e3o do texto que, no livro, parece ser aquela do tipo \u201cjustificada\u201d (usem essa resenha como exemplo). Espa\u00e7amentos menores nos di\u00e1logos tamb\u00e9m ajudariam na leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente no af\u00e3 de entregar um trabalho ao seu p\u00fablico, que n\u00e3o \u00e9 dos menores e me parece bem qualificado, Bruno e os revisores devem ter se passado em tais quest\u00f5es. Esses vacilos, contudo, n\u00e3o diminuem o itiner\u00e1rio do Bruno nem o livro, com absoluta certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, diante de tudo que vi e li, indico com sobra <em>Bartolomeu<\/em> para todos aqueles que curtem uma boa hist\u00f3ria. Para a turma que gosta de uma escrita \u00e1gil e cheia de surpresas, o livro do mineiro-nordestino Bruno Ribeiro \u00e9 uma excelente pedida. Um tiro certeiro, sem d\u00favida. Ou uma rajada de tiros, a depender do caso, do Trabalho e da encomenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Gustavo Rios<\/strong><\/em><em> \u00e9 baiano e autor do livro Raps\u00f3dia Bruta (Mariposa Cartonera, 2016), entre outros.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gustavo Rios em seus trajetos por \u201cBartolomeu\u201d, romance de Bruno Ribeiro<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18035,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3879,2533],"tags":[11,3885,3568,2411,189,496],"class_list":["post-17950","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-139a-leva","category-aperitivo-da-palavra","tag-aperitivo-da-palavra","tag-bartolomeu","tag-bruno-ribeiro","tag-gustavo-rios","tag-resenha","tag-romance"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17950"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18095,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17950\/revisions\/18095"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18035"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}