{"id":18329,"date":"2021-01-11T11:16:37","date_gmt":"2021-01-11T14:16:37","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=18329"},"modified":"2021-02-28T16:13:20","modified_gmt":"2021-02-28T19:13:20","slug":"aperitivodapalavraii-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivodapalavraii-20\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Am\u00e9m e Ax\u00e9: o di\u00e1logo que emana afeto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><em>Por Vinicius Gaud\u00eancio de Oliveira<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Capa-O-Amor-como-revolu\u00e7\u00e3o.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18333\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Capa-O-Amor-como-revolu\u00e7\u00e3o.jpeg\" alt=\"\" width=\"298\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Capa-O-Amor-como-revolu\u00e7\u00e3o.jpeg 298w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Capa-O-Amor-como-revolu\u00e7\u00e3o-199x300.jpeg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 298px) 100vw, 298px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em agosto de 2014, oito traficantes cariocas foram presos por ataques a terreiro de candombl\u00e9, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Na investiga\u00e7\u00e3o conduzida pelo delegado do caso, identificou-se que a a\u00e7\u00e3o foi coordenada pela Fac\u00e7\u00e3o Terceiro Comando Puro, chefiada por um suposto pastor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece um contrassenso falar de traficantes evang\u00e9licos, por\u00e9m, o fundamentalismo religioso em ascens\u00e3o no Brasil, com sua face mais exposta na Cidade do Rio de Janeiro \u2014 tendo em vista a entrada pol\u00edtica de l\u00edderes religiosos neste cen\u00e1rio, desacredita toda e qualquer forma de espiritualidade diferente do cristianismo, al\u00e9m de produzir um discurso de \u00f3dio e de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o livro\u00a0 <em>O amor como revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, do pastor Henrique Vieira, \u00e9 esperan\u00e7a em meio \u00e0 brutalidade e um convite para o exerc\u00edcio permanente do amor nas nossas rela\u00e7\u00f5es: \u201cO amor como atitude, caminho e fazer di\u00e1rio \u00e9 o \u00fanico meio generoso de acolhimento da perplexidade humana\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem l\u00ea a \u201cOra\u00e7\u00e3o da felicidade\u201d, que funciona como o pr\u00f3logo do livro, ter\u00e1 no\u00e7\u00e3o daquilo que vai encontrar ao longo da obra. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o do leitor dogm\u00e1tico e fundamentalista, o livro, por falar de di\u00e1logo e do poder renovador do amor, pode circular com tranquilidade por leitores de todos os credos, tanto que na capa temos relatos da Jornalista Fl\u00e1via Oliveira, cuja f\u00e9 \u00e9 professada na Umbanda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pastor, escritor e militante de direitos humanos, Henrique Vieira conta que sua experi\u00eancia com Deus ganha maiores contornos aos 16 anos, diante do desamparo da vida, condi\u00e7\u00e3o que, segundo o autor, acomete a todos, independentemente de credo. \u201cNessa solid\u00e3o h\u00e1 um drama existencial que atravessa todas as pessoas, uma comunh\u00e3o universal na condi\u00e7\u00e3o do desamparo\u201d. \u00c9 nessa busca pelo encontro consigo mesmo e pelo autoconhecimento que, em geral, os seres humanos procuram uma experi\u00eancia transcendental que proporcione a supera\u00e7\u00e3o do desamparo, sem deixar de perceber que tamb\u00e9m no sofrimento \u00e9 poss\u00edvel evoluir como cidad\u00e3o e como ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do seu desamparo, a f\u00e9. Ao chegar ao oftalmologista para fazer um exame de vista, constatou que sofria de neurite \u00f3ptica bilateral: \u201cVoltei chorando para casa enquanto minha m\u00e3o ligava para outros m\u00e9dicos pedindo orienta\u00e7\u00e3o. Nos olhos da minha m\u00e3e, via minha dor sendo compartilhada; meu pai com semblante sempre sereno, me transmitia calma e confian\u00e7a. Mais tarde, chegaram meus irm\u00e3os mais velhos, Ghilherme e Marcele, e todos juntos come\u00e7amos a orar naquele quarto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor \u00e9 definido como uma atitude revolucion\u00e1ria, que tem uma rela\u00e7\u00e3o direta com a inconformidade, capaz de provocar como\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o diante de uma cena t\u00e3o comum e naturalizada nas ruas cariocas, que \u00e9 a da mendic\u00e2ncia, e em muitos casos em ruas de \u00e1reas nobres e com grandes concentra\u00e7\u00f5es de templos evang\u00e9licos. Diante da sensibilidade do olhar afetuoso e do amor como pr\u00e1tica di\u00e1ria, o autor afirma que ser crist\u00e3o \u00e9 se comover perante um mendigo, um detento, um jovem negro sendo sufocado, uma crian\u00e7a morta em uma favela ou por um assassinato motivado por orienta\u00e7\u00e3o sexual: \u201cO amor como atitude, caminho e fazer di\u00e1rio \u00e9 o \u00fanico meio generoso de acolhimento da perplexidade humana\u201d. Diante disso, pode a igreja se calar perante a morte de Marielle Franco? Ou da morte de Maria Eduarda dentro da Escola Municipal Daniel Piza, em Acari? \u00c9 inaceit\u00e1vel que na Cidade do Rio de Janeiro lideran\u00e7as religiosas dialoguem com um tipo de seguran\u00e7a p\u00fablica forjada na l\u00f3gica do exterm\u00ednio, ignorando que Jesus foi preso sem culpa, torturado e morto pelo imp\u00e9rio romano, em uma sucess\u00e3o de absurdos cometido pelo Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante toda a obra, Henrique Vieira parece se vestir de palha\u00e7o para quebrar hierarquias e criar um ambiente de afeto e livre de preconceitos. O autor encaminha a narrativa para uma abertura espiritual que rejeita o dogmatismo e o fundamentalismo religioso, desconstruindo mentes machistas, apurando o olhar para entender que toda forma de amor \u00e9 justa, agu\u00e7ando a sensibilidade para nunca naturalizar desigualdades sociais e, fundamentalmente, apostando na conviv\u00eancia e respeito entre as religi\u00f5es para desconstruir a no\u00e7\u00e3o de exclusividade de f\u00e9, que encoraja traficantes a agirem violentamente contra templos de religi\u00e3o de matriz africana: \u201cPrecisamos construir juntos um am\u00e9m e um ax\u00e9 pela paz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos em que l\u00edderes disciplinam a experi\u00eancia com Deus e criam uma agenda em que na segunda-feira Deus tem que dar uma b\u00ean\u00e7\u00e3o material; na quarta-feira uma cura e no domingo uma resposta para algum problema, crian\u00e7as, expostas nas cal\u00e7adas de caminhos de templos religiosos, seguem pedindo esmolas e desamparadas pelas fam\u00edlias, pelo Estado e pela igreja. Da Sara Nossa Terra \u00e0 Cara de Le\u00e3o, seres humanos com cara de fome seguem ignorados nas suas individualidades e nas suas necessidades b\u00e1sicas, n\u00e3o respeitados em seus desejos sexuais, e quando s\u00e3o presos, torturados e mortos, agora pela m\u00e1quina do \u00f3dio e pelo fundamentalismo religioso \u2014 n\u00e3o mais pelo imp\u00e9rio romano \u2014 a igreja silencia. E agora, Pai, que eles sabem o que fazem?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Vinicius Gaud\u00eancio de Oliveira<\/em><\/strong><em> \u00e9 carioca formado em Letras\/Literatura.\u00a0 Atua como cr\u00edtico liter\u00e1rio nas tem\u00e1ticas sobre produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e culturais cariocas.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vinicius de Oliveira percorre \u201c O Amor Como Revolu\u00e7\u00e3o\u201d, livro do pastor Henrique Vieira<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18330,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3924,2533],"tags":[780,3936,11,3937,3935,3938,189,3775],"class_list":["post-18329","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-141a-leva","category-aperitivo-da-palavra","tag-amor","tag-amor-como-revolucao","tag-aperitivo-da-palavra","tag-fe","tag-henrique-vieira","tag-religiao","tag-resenha","tag-vinicius-de-oliveira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18329"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18329\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18535,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18329\/revisions\/18535"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}