{"id":18889,"date":"2021-05-30T13:39:12","date_gmt":"2021-05-30T16:39:12","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=18889"},"modified":"2021-08-20T19:22:29","modified_gmt":"2021-08-20T22:22:29","slug":"aperitivopalavrai-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivopalavrai-6\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra I"},"content":{"rendered":"<p><strong>Lupeu corre, Lupeu em crise, <\/strong><\/p>\n<p><strong>Lupeu cresce, Lupeu envelhece<\/strong><\/p>\n<p><em>Por Sidney Rocha<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18893\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM-1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM-1.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM-1-300x190.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aprendi recentemente um conceito novo, na minha vadiagem de leituras: \u201cparaexcita\u00e7\u00e3o\u201d. Embora n\u00e3o esteja nos dois dicion\u00e1rios de psican\u00e1lise de casa, \u00e9 termo criado por Freud. Eu buscava algo novo para come\u00e7ar a escrever sobre <em>Todo suic\u00eddio \u00e9 um homic\u00eddio,<\/em> o recente livro de Lupeu Lacerda, ele o escreve assim, a meu ver, sob paraexcita\u00e7\u00f5es. S\u00e3o defesas, s\u00e3o escudos. S\u00e3o escusas. Para-raios. Para-<em>brisas<\/em>. Paralamas. Paralemas. S\u00e3o paralupeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim entendo melhor esse livro: na verdade uma carta, menos ao modo rid\u00edculo das cartas suicidas e de amor, e mais ao modo dos mapas, das cartografias, das batalhas navais, como est\u00e1 ali na p\u00e1gina 96.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada investida sua no mundo editorial \u00e9 um tipo de suic\u00eddio, porque depois de publicar um livro ele se cala, fica puto por qualquer coisa, os vizinhos o chateiam, os amigos antigos tamb\u00e9m, os mais novos n\u00e3o lhe interessam para nada, pois ele est\u00e1 de novo em xeque. N\u00e3o comparece para corridas, n\u00e3o vai aos hip\u00f3dromos dos aut\u00f3grafos, foge das baias e das bahias dos <em>mise en scenes<\/em>. Sua melhor atua\u00e7\u00e3o \u00e9 para dentro de seus livros, ele sabe disso, e n\u00e3o est\u00e1 interessado em nenhuma teoria mais, nem poesia, nem literatura, nem m\u00fasica. Ele est\u00e1 no melhor e no auge de sua m\u00e1xima forma: est\u00e1 de novo s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lupeu Lacerda escreve sobre Lupeu Lacerda a partir da leitura que Lupeu Lacerda faz de si e contra si. Muitos anos na literatura e na m\u00fasica fizeram dele seu leitorouvinte mais radical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele n\u00e3o busca pontuar em concursos e fortunas cr\u00edticas, sen\u00e3o escrever como o cara que conheci aos quinze anos. Temos 55, eu e ele. De l\u00e1 para c\u00e1, Lupeu \u00e9 um fen\u00f4meno. Ele emula todos os bons e maus modos da contracultura, anuncia certo descr\u00e9dito pela leitura sistem\u00e1tica dos cr\u00edticos e evoca para si o papel de leitor de si mesmo. Sua <em>persona<\/em> p\u00fablica vive sob a aura da performance de sobreviv\u00eancia, bem narrados nos seus poemas-coisas ou <em>prosoemas<\/em> e tocam os leitores mais jovens, os velhos e os mais velhos ainda como eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E por que nos tocam? Porque morremos, os mais velhos. Porque querem morrer, os mais novos. Por\u00e9m, no caminho, resta isso, a morte destinada a quem n\u00e3o quer morrer: a velhice. Precisamos falar sobre ela, Kevin. Em breve. Na p\u00e1gina 77?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_18894\" aria-describedby=\"caption-attachment-18894\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18894\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM2.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM2.jpg 350w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM2-210x300.jpg 210w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18894\" class=\"wp-caption-text\">Tolstoi caminha por sua propriedade rural:<br \/>messianismo sem f\u00e9, mas esperan\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada investida sua no mundo editorial \u00e9 um tipo de homic\u00eddio. Esse seu <em>Todo suic\u00eddio&#8230; <\/em>j\u00e1 tem o t\u00edtulo todo na contram\u00e3o comercial. Paira algo de messi\u00e2nico nele, de domestic\u00e1vel, e pode n\u00e3o agradar a alguns, mas Lupeu n\u00e3o parece estar muito a\u00ed para isso. E inaugura sua ironia, seu \u2018tolstoismo\u2019 particular. Como Lupeu sabe, Tolstoi, j\u00e1 velho, aos 50 anos, vivia atordoado por pensamentos suicidas ou pela na morte, mas sempre esperava algo a mais da vida. Um m\u00edstico para al\u00e9m da m\u00edstica, eu diria. Um escritor atormentado pela filosofia na sua pot\u00eancia m\u00e1xima. Tamb\u00e9m serve. Dadas as propor\u00e7\u00f5es certas, Lacerda sempre foi algu\u00e9m assim. Mas a ele se acrescente a ironia trazida pelo narrador de <em>Todo suic\u00eddio<\/em>&#8230;, livro de auto-leitura numa transleitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra \u201cleitura\u201d vem de elei\u00e7\u00e3o, de escolha. E o autor faz muitas, boas e m\u00e1s, nesse novo trabalho. S\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es, parasensa\u00e7\u00f5es; estesias, parestesias; paraexcita\u00e7\u00f5es, como eu disse. Seus leitores gostam. Escreve para os confins e os confinados do s\u00e9culo da Peste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 2019 foi retirado outro mal do jarro de Pandora. A Covid. Neste maio de 2021, j\u00e1 somos mais de 400 mil mortos, cuja paisagem mais fiel est\u00e1 na p\u00e1gina 59, \u00e0 espera do Deus anunciado dez p\u00e1ginas antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o deus da pandemia, de Lupeu, \u00e9 P\u00e3, chamado de Lup\u00e9rcio, pelos latinos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A divindade nesse seu novo livro \u00e9 esse P\u00e3 e n\u00e3o aquele T\u00e2natos, de <em>Entre o alho e o sal, <\/em>(2007)<em>,<\/em> por exemplo. Mesmo quando esse deus festeiro namore Senectus (de onde vem a palavra gera\u00e7\u00e3o, essa velhice). O narrador de <em>Todo suic\u00eddio&#8230; <\/em>\u00e9 um Tit\u00f4nio moderno, transformado em imortal, mas sem o privil\u00e9gio da eterna juventude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixe-me provocar lembran\u00e7a mais recente a quem l\u00ea esta resenha: se Alex, o personagem central do romance <em>A laranja mec\u00e2nica<\/em> (1962), de Anthony Burgess, envelhecesse, seria ele o narrador de <em>Todo suic\u00eddio&#8230;<\/em> A aproxima\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 deslocada. Lacerda aponta de forma consciente para o leitor ou leitora algo dist\u00f3picos, descrentes, amantes de Cioran mesmo sem conhec\u00ea-lo para al\u00e9m das ep\u00edgrafes ou aforismos, para quem os clich\u00eas da linguagem precisam ser reconhecidos de imediato. E seus leitores s\u00e3o fisgados justo por essa familiaridade. Somente depois seu poema ou narrativa v\u00e3o se inovando. Lupeu \u00e9 um escritor que poder\u00edamos chamar de <em>cult<\/em>. De seguidores. E acerta bem na lata: o p\u00fablico interessado na rebeldia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s conven\u00e7\u00f5es sociais e liter\u00e1rias. Sua \u00fanica novidade \u00e9 garantir vit\u00f3ria sobre o desafio violento de se manter o mesmo. E isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil no mundo como o nosso, sobretudo o submundo liter\u00e1rio. Esse compromisso mant\u00e9m o autor vivo, me parece. Certa irregularidade, comum a todo autor, faz parte da verossimilhan\u00e7a, dessa atmosfera criada por Lacerda, onde se inclui <em>persona<\/em> &amp; obra que, com exce\u00e7\u00e3o de um livro, <em>Caos Tecnicolor <\/em>(Virtual books, poemas, 2012), mant\u00e9m escalada bastante vis\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Todo suic\u00eddio&#8230;<\/em> est\u00e1 entre a realidade da lobotomia e as sensa\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es sem filtros, isso inclui a intelig\u00eancia; entre o mundo mec\u00e2nico e o digital, um reino de linguagem pessimista\/realista que define bem o personagem-narrador do livro. Suspenso na dupla impossibilidade de dois mundos, o personagem percorre o livro, viaja pelo mundo idealizado buscando a Beleza das coisas e como j\u00e1 n\u00e3o acreditasse tanto nela. Isso me lembrou Rimbaud. N\u00e3o era o poeta Rimbaud quem disse ter sentado a Beleza no colo para injuri\u00e1-la? O leitor ou a leitora desta resenha devem dar uma olhada nos livros para ver se n\u00e3o estou confundindo Rimbaud com Baudelaire, mas acho ter sido Rimbaud: \u201cSentei o Beleza no colo e a injuriei\u201d. Algo assim. Esse sentimento me arrastou para dentro do livro de Lupeu, ou seja: \u201cT\u00e1, tudo bem, h\u00e1 a Beleza nas coisas, o.k. mas e a\u00ed, o quanto mesmo isso muda l\u00e1 em casa?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esse o narrador que marca encontro conosco no livro, algu\u00e9m encurralado nessa dupla tentativa, a ambi-exist\u00eancia. Algu\u00e9m disposto a dar ao mundano a beleza sem dar tanta \u00eanfase aos seus efeitos e eloqu\u00eancias. Por isso o livro se aproxima mais do poema e menos da prosa, na busca do registro, da palavra certa e v\u00e3. Ali est\u00e1 um dos pontos bons do livro. Esse paralelismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a senhora aqui n\u00e3o \u00e9 a Morte nem a Beleza. \u00c9 mesmo a Velhice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso n\u00e3o soa mal a lembran\u00e7a do personagem Coelho, o Harry da trilogia de John Updike, no come\u00e7o desta resenha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o \u00e0 toa aparecer o f\u00f3ssil na capa. Ele est\u00e1 dentro da pedra. Contudo, \u00e9 preciso quebr\u00e1-la lhe adivinhando seu sentido ou longitude, se se quer mesmo encontrar a esqueletaria, o peixe antes jovem e buli\u00e7oso; agora, s\u00f3 fantasmagoria, representa\u00e7\u00e3o somente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eternamente morto e velho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 em v\u00e3o o intert\u00edtulo: \u201cprosoemas para ninar dinossauros.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim \u00e9 assim o narrador que Lupeu retira da pedra, desse livro novovelho: algu\u00e9m condenado \u00e0 velhice, mas sem lamentar a vida nem pedir para morrer nem para lhe matarem, mas que, de alguma forma, toquem a flauta do fauno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18895\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM3.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM3-300x210.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 14 anos, escrevi sobre o rec\u00e9m-lan\u00e7ado <em>Entre o alho e o sal<\/em>, publicado pelo selo Outsider, da Kabalah Editora:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cTiro do bolso a \u00faltima bala. Ela tem um brilho estranho, daqui, contra o Sol do Recife. A p\u00f3lvora rescende a um \u00faltimo verso, talvez. Fi-la dormir no tambor da arma. \u00c9 uma crian\u00e7a linda. Use-a voc\u00ea, meu amigo. Talvez voc\u00ea queira acertar o autor com ela, ou us\u00e1-la em benef\u00edcio pr\u00f3prio, sabe-se l\u00e1.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa escolha serve ainda para a leitura de <em>Todo suic\u00eddio&#8230;<\/em> que, diferentemente, n\u00e3o se curva sobre o \u201ceu\u201d, como \u00e9 o caso de <em>Entre o alho e o sal<\/em>. J\u00e1 <em>Todo suic\u00eddio&#8230;<\/em> trata mais do Ele, o Louco, o Homem, o Palha\u00e7o, o Cujo, o Cospe-Bula, o Caga-Regras, o Indiv\u00edduo, o Dito, o Idiota. Este livro \u00e9 sobre o Voc\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_18896\" aria-describedby=\"caption-attachment-18896\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18896\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM4.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM4.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMAGEM4-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18896\" class=\"wp-caption-text\">Lucha libre, religi\u00e3o mexicana.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No nosso \u00faltimo encontro, eu e Lupeu nos desencontramos e quebramos tudo em torno de n\u00f3s, nada ficou de p\u00e9 nem vivo, e terminamos humilhados pelo cansa\u00e7o e a asma e a velhice, nos esmurrando com golpes que eram mais velhas car\u00edcias, porque in\u00fateis e inofensivas. S\u00f3 nos unimos por um instante: para esmurrar quem tentava apartar nossas m\u00e1goas. E voltamos para nossas tesouras-voadoras, nossa religi\u00e3o, nossa \u201clucha libre\u201d. Olhos roxos, descobrimos de nossa amizade aceitar sermos ao mesmo tempo velhacos e velhos, dois grandios\u00edssimos filhos da puta, desses <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Wrestler\"><em>wrestler<\/em><\/a><em>s<\/em> mascarados que n\u00e3o precisamos mais das cordas, por sabermos de nossa velhice ser agora o ringue mais verdadeiro, a parte mais revolucion\u00e1ria de nossas vidas. E seguimos intrigados um do outro, intrigados um com o outro, mas n\u00e3o a ponto de n\u00e3o nos reconhecermos: dois escritores-pedras da mesma montanha. Pedras inencontr\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sobre aquela revolu\u00e7\u00e3o, rom\u00e2ntica, a anuncia\u00e7\u00e3o do seu novo e mais velho livro, <em>Todo suic\u00eddio \u00e9 um homic\u00eddio, <\/em>que voc\u00eas precisam ler. Ler, n\u00e3o: praticar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uns contra os outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Sidney Rocha <\/em><\/strong><em>\u00e9 escritor.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo livro de Lupeu Lacerda na resenha de Sidney Rocha<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18890,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4013,2533],"tags":[11,2116,4030,189,2766,4031],"class_list":["post-18889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-144a-leva","category-aperitivo-da-palavra","tag-aperitivo-da-palavra","tag-livro","tag-lupeu-lacerda","tag-resenha","tag-sidney-rocha","tag-todo-suicidio-e-um-homicidio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18889"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18889\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18938,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18889\/revisions\/18938"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}