{"id":20231,"date":"2023-10-26T10:24:21","date_gmt":"2023-10-26T13:24:21","guid":{"rendered":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=20231"},"modified":"2023-12-14T09:37:48","modified_gmt":"2023-12-14T12:37:48","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-85","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-85\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Jussara Azevedo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cC\u00e9u ausente\u201d \u00e9 o terceiro livro de contos de Gustavo Rios, autor revelado em 2007 na cole\u00e7\u00e3o Rocinante, da 7Letras, onde publicou \u201cO Amor \u00e9 uma coisa feia\u201d, e fez parte de um time de jovens autores, surgido na internet, com o interesse comum em narrativas curtas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cole\u00e7\u00e3o foi inspirada no selo \u201cCantadas Liter\u00e1rias\u201d, da Brasiliense, e dava vaz\u00e3o a uma gera\u00e7\u00e3o com vigor criativo, habituada aos computadores e ao universo dos blogs e revistas virtuais. Clarah Averbuck, Juli\u00e1n Fucks, Carola Saavedra, Jos\u00e9 Rezende Jr. e Veronica Stigger s\u00e3o alguns dos nomes que, ao lado de Rios, se destacavam neste cen\u00e1rio e continuam fazendo literatura at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se uma can\u00e7\u00e3o do grupo punk rock paulistana Kleiderman batizaria o seu livro de estreia, o interesse de Gustavo Rio pela m\u00fasica n\u00e3o se resumiria a simples homenagens e cita\u00e7\u00f5es textuais. Durante os anos de 2008 e 2009, junto com os escritores Wladimir Caz\u00e9, Lima Trindade e Sandro Ornellas, ele participou do coletivo C.O.R.T.E., realizando diversos \u201crockcitais\u201d (algumas dessas apresenta\u00e7\u00f5es est\u00e3o dispon\u00edveis no YouTube) ao lado da Pastel de Miolos, banda ic\u00f4nica da cena punk e <em>hardcore<\/em> soteropolitana, e escritores convidados (K\u00e1tia Borges, Paulo Scott, Katherine Funke, Nelson Magalh\u00e3es Filho e Leonardo Pan\u00e7o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, pela Mariposa Cartonera, publicou \u201cAllen mora no t\u00e9rreo\u201d (2015) e, \u201cRaps\u00f3dia Bruta \u2013 poemas e outras brutalidades\u201d (2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre \u201cC\u00e9u Ausente\u201d, uma colet\u00e2nea de 13 impactantes hist\u00f3rias onde Rios aborda temas como casamentos fracassados, solid\u00e3o, del\u00edrios amorosos, medo e t\u00e9dio, o cr\u00edtico Maur\u00edcio Melo J\u00fanior, em uma resenha publicada recentemente no jornal Rascunho, disse: \u201cEnfim, a literatura \u00e9 a causa primordial de Gustavo Rios. H\u00e1 den\u00fancias? Sim. Aponta injusti\u00e7as, tamb\u00e9m, mas n\u00e3o lamenta a condi\u00e7\u00e3o inferior de quase todos seus personagens. Descreve a vida, e ponto. Sem beletrismos parnasianos fez literatura. Tudo \u00e9 literatura em suas narrativas. E certamente a\u00ed est\u00e1 sua mais perfeita qualidade como escritor.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_20234\" aria-describedby=\"caption-attachment-20234\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/interna-1-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20234 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/interna-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/interna-1-1.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/interna-1-1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20234\" class=\"wp-caption-text\">Gustavo Rios \/ Foto: Solange Vallad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013\u00a0<\/strong><strong>O t\u00edtulo do seu novo livro, \u201cC\u00e9u ausente\u201d, sugere uma perspectiva em que o destino humano est\u00e1 imune a solu\u00e7\u00f5es transcendentes para os seus problemas e impasses. A que se deve essa vis\u00e3o? H\u00e1 nela alguma influ\u00eancia do pensamento de fil\u00f3sofos como Camus?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS<\/strong> \u2013 O t\u00edtulo surgiu de algo mais simples: um poema de minha autoria. Ao final dele, escrevi <em>\u201c(\u2026) a beleza passa longe \/ desse c\u00e9u ausente \/ de gaivotas.<\/em>\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estado de esp\u00edrito do cara que escreveu o poema era bem semelhante ao do protagonista do conto que intitula o livro: um garoto de bairro tentando se firmar num mundo hostil. Esse cara amava os beatniks, andava lendo Bakunin e sonhava em cair fora num navio. No conto, ele conversa com o pai numa noite de outono, depois de ter levado uns socos na rua sem motivo. E entre cigarros sem filtro, divaga\u00e7\u00f5es, um livro do Artaud e a janela do seu apartamento, ele percebe que n\u00e3o ter\u00e1 muitas chances.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed vem a beleza de sua observa\u00e7\u00e3o, pois o t\u00edtulo diz muito mais do que eu mesmo pensei. Ele vai al\u00e9m da cena do conto; da for\u00e7a contida nele. \u201cC\u00e9u ausente\u201d significa, sim, que em alguns momentos nada poder\u00e1 nos salvar. Que estamos \u00e0 merc\u00ea e que andamos imunes a quaisquer transcend\u00eancias ou reden\u00e7\u00f5es. Por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostaria apenas de frisar que todos os outros contos n\u00e3o possuem a mesma inten\u00e7\u00e3o. Nem o mesmo estilo. E que os protagonistas que aparecem ao longo das p\u00e1ginas passam longe do tal garoto de bairro. Isso seria ma\u00e7ante para mim e para o leitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos o filho pr\u00f3digo, o marido entediado, mulheres que amam acima de tudo e casamentos fracassados; temos um homem que encontra o amor de sua vida num parque e James Brown tentando decifrar um pesadelo. Temos tamb\u00e9m um sujeito se descobrindo numa noite de chuva e um casal que se reencontra no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro \u00e9 uma tentativa de enxergar a vida partindo de v\u00e1rios pontos. Com isso, cheguei aos treze textos. Cada um com seu universo, sua estrutura e suas mensagens involunt\u00e1rias, pois n\u00e3o acho que a literatura deva ter esse tipo de obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo, posso afirmar que \u201cC\u00e9u ausente\u201d \u00e9 um belo t\u00edtulo e diz tudo isso a\u00ed que voc\u00ea bem pontuou. Mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico mote para o conjunto que surgiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao Camus, creio que suas ideias atravessaram o tempo. E por serem poderosas, contemplam e contaminam parte da literatura feita ainda hoje, a gente goste ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi diferente comigo. Sua filosofia pode ter vindo at\u00e9 mim de forma indireta ou enviesada, e est\u00e1 tudo bem. \u201cO estrangeiro\u201d me marcou profundamente, assim como \u201cO muro\u201d, do Sartre \u2014 e ambos meio que jogam no mesmo time, sendo o argelino um excelente goleiro. Contudo, n\u00e3o me recordo de ter ouvido a sua \u201cvoz\u201d durante meu trabalho. N\u00e3o conhe\u00e7o profundamente os seus textos, o que \u00e9 um grande vacilo de minha parte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Quando<\/strong><strong> voc\u00ea adota o t\u00edtulo do conto para o livro, demonstra o quanto essa imagem \u00e9 potente, ultrapassando em muito o verso do poema. S\u00e3o novos contextos e significados a partir desses deslocamentos. Penso que, para al\u00e9m das mudan\u00e7as de estilo, temas e perspectivas das hist\u00f3rias, \u201cC\u00e9u ausente\u201d tamb\u00e9m confere responsabilidade (consciente ou n\u00e3o) \u00e0s escolhas de suas personagens. Estou errada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS<\/strong> \u2013 Est\u00e1 certa. Falei sobre algo parecido em outras entrevistas. Sobre os meus personagens se encontrarem em situa\u00e7\u00f5es limite e tendo de fazer escolhas, incluindo a de desistir. Essa ideia do limite \u00e9 uma das caracter\u00edsticas em \u201cC\u00e9u ausente\u201d. N\u00e3o a \u00fanica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meus personagens podem optar por nada fazer, pois escolher nem sempre significa agir, ou podem desejar mudar a vida drasticamente. Colocar o ser humano cara a cara com situa\u00e7\u00f5es extremas \u00e9 o tipo de recurso que admiro na literatura. Para mim, boas hist\u00f3rias possuem esse atributo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fugir de casa usando os olhos do Borges recortados de uma foto, ou colocar uma armadura para encontrar seu grande amor numa manh\u00e3 de sol? Ficar na praia dos primeiros encontros e aguardar seus ossos virarem p\u00f3 sob o efeito do salitre, ou se entregar a algu\u00e9m numa noite de lux\u00faria com <em>\u201co azul mais puro represado nos olhos\u201d<\/em>? S\u00e3o escolhas feitas por cada um. Conscientes ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E para cada um, uma falta, uma aus\u00eancia; at\u00e9 mesmo do c\u00e9u, das tais gaivotas. Dessa falta vem o deslocamento. Desse movimento para fora, o tal deslocamento, surge a impossibilidade que pode se converter num tipo de liberdade ou numa pris\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao perderem qualquer tipo de esperan\u00e7a, meus protagonistas fazem escolhas. Sempre pungentes e irrevog\u00e1veis. Coube a mim trabalhar arduamente a linguagem e mostrar isso ao leitor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Essa<\/strong><strong> condi\u00e7\u00e3o limite, que voc\u00ea alude com precis\u00e3o, tamb\u00e9m se faz presente nos seus dois livros de contos anteriores, \u201cO amor \u00e9 uma coisa feia\u201d e \u201cAllen mora no t\u00e9rreo\u201d. Neles, voc\u00ea equilibra o peso dram\u00e1tico com doses de humor e muita ironia. J\u00e1 em \u201cC\u00e9u ausente\u201d, eu sinto que o acerto da balan\u00e7a se d\u00e1 pelo lirismo, um olhar menos judicioso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vidas ali apresentadas. Voc\u00ea sente uma evolu\u00e7\u00e3o ou amadurecimento no seu modo de narrar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS<\/strong> \u2013 Com certeza. Essa maturidade deriva de diversos fatores. Uns \u00f3bvios e outros nem tanto. Dos \u00f3bvios, listo o mergulho em novos autores. Al\u00e9m das viv\u00eancias pessoais em geral. Dos nem t\u00e3o \u00f3bvios, acho que, com o passar dos anos, eu perdi a f\u00e9 na ideia de que escrever \u00e9 um processo \u201cmedi\u00fanico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma ideia engra\u00e7adinha, mas explic\u00e1vel: durante muito tempo, acreditei que a escrita era um processo totalmente baseado em inspira\u00e7\u00e3o, nada mais. Acreditava que qualquer tipo de interven\u00e7\u00e3o nesse contato com o \u201cplano astral\u201d arrancaria a carga emocional e vital de meus textos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada disso! A linguagem \u00e9 o ve\u00edculo, digamos. \u00c9 com ela que devemos trabalhar. Trat\u00e1-la com dignidade. Entender que o leitor \u00e9 um outro. Diria at\u00e9 um objetivo, pois queremos ser lidos \u2014 algo diferente disso \u00e9 ser um mentiroso patol\u00f3gico ou um louco; n\u00e3o cola esse papo de escrever para si mesmo. Precisamos encantar essa pessoa sem nome nem rosto. Fazer que ele nos siga e se comova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao acreditar nessa mediunidade, o temor era perder o <em>\u201ccar\u00e1ter intenso e sufocantemente humano<\/em>\u201d de minhas hist\u00f3rias, usando aqui uma ideia do brit\u00e2nico E. M. Forster quando fala sobre o romance. Entretanto, aprendi que devemos &#8220;<em>sacrificar o papagaio<\/em>&#8221; algumas vezes. Coisa que o Poe fez l\u00e1 atr\u00e1s, ao trocar o papagaio pelo corvo (imaginem!).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa busca, que passa pelo trabalho com a linguagem, n\u00e3o deve nos ferir, todavia. N\u00e3o aceito qualquer coisa pra agradar essa figura m\u00edtica, necess\u00e1ria, cruel e silenciosa. Temos de ter um limite, um acordo. Meus contos t\u00eam de estar encharcados de vida. N\u00e3o negocio nada menos. Fora disso, escreveria coisas e as enfiaria na gaveta, numa boa. \u00c9 preciso acreditar num tipo de harmonia, manter a vitalidade do conto e da hist\u00f3ria que \u00e9 o motivo \u00fanico dele surgir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO amor \u00e9 uma coisa feia\u201d, por exemplo, \u00e9 de 2007. \u00c9 enxuto, franco e menos l\u00edrico. Mas foi o meu melhor na ocasi\u00e3o, nada mais. J\u00e1 o \u201cAllen mora no t\u00e9rreo\u201d tende a ser mais longo. Corri alguns riscos na busca de uma voz l\u00edrica adequada. E, bem, nem sei se consegui o que desejei em todos os seus contos, sendo bem franco. Mesmo assim, amo os dois. Assim como o de poesia, \u201cRaps\u00f3dia bruta: poemas e outras brutalidades\u201d e as participa\u00e7\u00f5es nas colet\u00e2neas \u2013 falo dos contos \u201cErnest\u201d, presente na colet\u00e2nea \u201cTempo bom\u201d, e \u201cA noivinha do Cabula\u201d, da colet\u00e2nea \u201cAs baianas\u201d. Todos eles s\u00e3o etapas de minha busca. Que s\u00f3 est\u00e1 come\u00e7ando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Acredita<\/strong><strong> na m\u00e1xima \u201c\u00e9 f\u00e1cil escrever dif\u00edcil e vice-versa\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS<\/strong> \u2013 Para um escritor, ser\u00e1 sempre dif\u00edcil, ainda que ele deseje facilidades. E n\u00e3o me entenda mal; n\u00e3o se trata de dramatizar a coisa toda. Quero apenas lembrar que, onde h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o e certo grau de transcend\u00eancia, h\u00e1 trabalho a ser feito. Dificuldade, portanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo escritor nasce vocacionado, est\u00e1 sujeito a epifanias e tem seu olhar mais agu\u00e7ado para o que supostamente \u00e9 banal. Se ele ir\u00e1 converter esse poder em of\u00edcio e se denominar escritor, \u00e9 outra conversa. Para ele, a literatura deve ser resultado de sua inten\u00e7\u00e3o. Sem inten\u00e7\u00e3o, nada feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sou filho dos quadrinhos, da cole\u00e7\u00e3o \u201cVaga Lume\u201d, da televis\u00e3o, dos beats, dos fanzines, da m\u00fasica e do cinema. E tudo isso me levou a buscar a literatura. Em algum momento, entendi que escrever era maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte dessa escolha foi enxergar o real alcance da minha voca\u00e7\u00e3o. Foi quando comecei a escrever poemas, textos, roteiros de HQ nunca publicados e bobagens para, em seguida, tentar vencer alguns c\u00e2nones, numa tentativa de aprimoramento. Lembro agora de quatro: Ant\u00f3nio Lobo Antunes, Faulkner, Joyce e Cervantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro \u00e9 fabuloso; parece reinventar a literatura a seu modo. \u00c9 denso e inigual\u00e1vel. O segundo n\u00e3o foi t\u00e3o complicado quanto parecia. Precisei, sim, de concentra\u00e7\u00e3o e de entrega. Levei tempo, mas o admiro demais pela for\u00e7a de sua obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro, Joyce, ainda hoje luto com empenho \u2014 no caso do \u201cUlysses\u201d; os outros foram devidamente lidos e admirados \u2014, mas tento encontrar um caminho para chegar ao real motivo que faz essa obra repercutir at\u00e9 hoje. J\u00e1 Cervantes, consegui vencer suas mil e tantas p\u00e1ginas, da tradu\u00e7\u00e3o do S\u00e9rgio Molina, sempre curtindo e tentando captar a ess\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, bem, por que eu lhe falo isso, mesmo correndo o risco de parecer um bo\u00e7al? Digo pelo fato de que eu desejo enxergar o que cada um deles realmente buscava. Quais eram as suas inten\u00e7\u00f5es e como foi que eles conseguiram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, respondendo a sua pergunta, creio que escrever ser\u00e1 sempre dif\u00edcil, no sentido de ser trabalhoso e \u00e1rduo. Mas n\u00e3o enxergo isso como flagelo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Outro<\/strong><strong> ponto curioso est\u00e1 no uso que voc\u00ea faz do tempo e do espa\u00e7o da narrativa. A maioria dos seus contos dispensa a intriga, o enredo mirabolante e um efeito surpresa, concentrando-se na carga dram\u00e1tica das situa\u00e7\u00f5es limites que j\u00e1 falamos. H\u00e1 momentos que me remetem ao teatro. Voc\u00ea aprecia o g\u00eanero? \u00c9 leitor de dramaturgia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS<\/strong> \u2013 Aprecio o g\u00eanero e j\u00e1 li algo dos grandes dramaturgos e poucos contempor\u00e2neos, como o Artaud, citado no conto que d\u00e1 nome ao livro, o Nelson Rodrigues, fabulosamente obrigat\u00f3rio para escritores, tudo da Hilda Hilst e o Matei Visniec. Quanto ao tempo e ao espa\u00e7o da narrativa, fiquei intrigado com sua observa\u00e7\u00e3o. Pois n\u00e3o me passou pela cabe\u00e7a que eu poderia estar me aproximando de qualquer t\u00e9cnica de dramaturgia, seja ela cl\u00e1ssica ou mais arrojada. Achei curiosa sua observa\u00e7\u00e3o, por n\u00e3o enxergar muito de teatro no que fa\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Quanto<\/strong><strong> \u00e0 mat\u00e9ria-prima de seus contos, a maneira como voc\u00ea descreve a vida e o cotidiano pequeno burgu\u00eas, evoca para mim muito de Nelson Rodrigues. Em sua opini\u00e3o, o que mais mudou na vida privada brasileira do s\u00e9culo 20 para c\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS<\/strong> \u2013 Na ess\u00eancia, quase nada. Continuamos hip\u00f3critas, temerosos, cr\u00e9dulos, esperan\u00e7osos e ego\u00edstas. Tra\u00edmos, buscamos a felicidade e sonhamos com dias melhores. Parte de n\u00f3s deseja a Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique \u2014 contanto que n\u00e3o invadam nosso quintal num belo domingo de sol e \u201cchurras\u201d \u2014, enquanto a outra espera que Jesus resolva finalmente voltar e, num singelo movimento de m\u00e3os, arranque todo o mal desse mundo, menos o praticado por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo: a vida privada \u00e9 uma fonte sem fim para escritores. Pode ser para um enredo, uma cena, um personagem. E o Nelson sabia se aproveitar disso. Devo muito a ele, sem d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ambiente familiar do menino Cipriano, do conto \u201cO encontro\u201d, foi f\u00e1cil de construir. Assim como a ang\u00fastia do esposo em \u201cMargherita\u201d: quantos homens e mulheres n\u00e3o passaram por aquilo, e \u201cainda, ainda, ainda\u2026\u201d seguem casados? \u201cC\u00e9u ausente\u201d \u00e9 meu pai, obviamente reconstru\u00eddo para o leitor, enquanto \u201cCadelinha\u201d poderia ter sido algum vizinho meu. Por sua vez, \u201cChuva para dois\u201d \u00e9 um apanhado de amigas e mulheres que conheci. E \u201cO menino dan\u00e7a\u201d tenta falar sobre a morte do garoto Jo\u00e3o Pedro no ano de 2020, no Rio de Janeiro, o \u00fanico conto baseado numa not\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida privada me interessa na medida em que, por ser um tanto secreta, permite que nosso verdadeiro sujeito venha \u00e0 tona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto a nossa evolu\u00e7\u00e3o, acho que do s\u00e9culo passado para c\u00e1 evolu\u00edmos. Mas n\u00e3o o suficiente para nos tornarmos seres isentos de brutais contradi\u00e7\u00f5es. Como falei acima: somos seres humanos. Continuemos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Como<\/strong><strong> foi a experi\u00eancia de estrear pela Rocinante, cole\u00e7\u00e3o da Sete Letras onde passaram diversos autores hoje badalados como Carola Saavedra, Juli\u00e1n Fuks e Ana Paula Maia, dentre tantos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS<\/strong> \u2013 Foi minha primeira rela\u00e7\u00e3o com uma editora. At\u00e9 ent\u00e3o, eu publicava em sites, blogues e em fanzines. E foi uma experi\u00eancia bacana, um aprendizado. Parte da postura citada na outra pergunta veio desse momento: entender a import\u00e2ncia de se editar, de selecionar, do corte, dos tais sacrif\u00edcios. Tive uma liberdade imensa no resultado final. Mas era algo discutido e proposto. O \u201cbater do martelo\u201d era meu, incluindo a ideia da capa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do mais, foi um salto; o que chamam \u201cfurar a bolha\u201d. O livro saiu nacionalmente, tendo sido divulgado em diversos jornais. Algumas resenhas surgiram, resultando em convites para publica\u00e7\u00e3o de outros textos meus. A Rocinante foi um marco. Tanto para mim, quanto para v\u00e1rios escritores, incluindo os que voc\u00ea citou. Tenho certeza que eles concordariam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_20235\" aria-describedby=\"caption-attachment-20235\" style=\"width: 375px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/interna-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20235 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/interna-2.jpg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/interna-2.jpg 375w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/interna-2-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20235\" class=\"wp-caption-text\">Gustavo Rios \/ Foto: Solange Vallad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Voc\u00ea<\/strong><strong> (e uma boa parte desses autores) migrou dos blogues, onde reinava total liberdade criativa, para as p\u00e1ginas impressas. Como avalia o papel das redes sociais como incremento para a independ\u00eancia do pensamento art\u00edstico na contemporaneidade? A internet foi domesticada aos interesses do capital ou ainda possibilita a rebeldia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS \u2013 <\/strong>De fato, havia uma grande liberdade ali. Por\u00e9m, como antes eu publicara fanzines, essa liberdade j\u00e1 me era comum. A gente podia roubar cita\u00e7\u00f5es do Nietzsche, fotos do Duchamp e do Dali, bem como poemas do Murilo Mendes e do Chacal. Ao lado coloc\u00e1vamos nossos escritos, tir\u00e1vamos c\u00f3pias e isso era vendido a um real na Pra\u00e7a da Piedade; ou menos que isso, n\u00e3o lembro. O que o blogue nos deu foi um alcance infinitamente maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0s redes sociais, digo que elas s\u00e3o ferramentas importantes. E pelo mesmo motivo dos blogues: alcance para qualquer artista, n\u00e3o s\u00f3 os escritores. No aspecto da independ\u00eancia, creio que as redes ajudam bastante, apesar de serem espa\u00e7o para todo tipo de baboseira. Mas s\u00e3o meras ferramentas. Nada mais. E assim devem ser tratadas, iguais ao papel, as m\u00e1quinas Olivetti, os fotocopiadoras, as impressoras offset, o l\u00e1pis e a caneta. S\u00f3 acho que n\u00e3o devemos acreditar piamente que esses suportes n\u00e3o sofrem vigil\u00e2ncia e censura.\u00a0 Da\u00ed essa liberdade pode estar comprometida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 E<\/strong><strong> depois, com a Mariposa Cartonera, como foi? Voc\u00ea j\u00e1 conhecia a proposta do movimento cartonero antes do convite? Alinha-se com as causas verde e ambiental? Nutre algum tipo de filia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS \u2013 <\/strong>Filia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sim. Nunca a partid\u00e1ria. Aprendi com os anarquistas. Meu conhecimento dos ideais \u201canarco\u201d me ensinou sobre essa estrutura de poder que muda a cara, mas n\u00e3o a ess\u00eancia. Mesmo assim, n\u00e3o acho que votar nulo seja um caminho. Ainda\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui contr\u00e1rio ao antigo governo, uma canalhada sem tamanho. E tenho votado na esquerda h\u00e1 d\u00e9cadas, esperando que ela aja como tal, apesar das evidentes melhoras de uma maneira geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No movimento cartonero, cada livro \u00e9 verdadeiramente \u00fanico. Pequenas obras de arte. N\u00e3o s\u00f3 pelo conceito, mas pelo resultado final. \u201cRaps\u00f3dia bruta: poemas e outras brutalidades\u201d e \u201cAllen mora no t\u00e9rreo\u201d possuem capas fant\u00e1sticas. Uma nunca sendo igual \u00e0 outra; e isso \u00e9 incr\u00edvel \u2013 fora a encaderna\u00e7\u00e3o e a proposta. Fiquei realmente lisonjeado com a chance de publicar dessa forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a causa ambiental, obviamente me alinho com suas pautas, por entender que, sem nenhum tipo de atitude, teremos um futuro terr\u00edvel em todos os aspectos. E gostaria de ser mais atuante nessa luta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Voc\u00ea<\/strong><strong> sente que seu trabalho tem alguma marca geracional? Identifica-se com alguma vertente da literatura brasileira realizada hoje?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS \u2013 <\/strong>Gostaria muito de dizer que n\u00e3o carrego marca alguma, e isso seria o m\u00e1ximo. Caso fosse verdade, eu seria uma bela exce\u00e7\u00e3o, qui\u00e7\u00e1 um g\u00eanio \u2013 dois ou tr\u00eas degraus acima do restante do mundo, olhando j\u00e1 para o futuro, ou pra um espa\u00e7o al\u00e9m do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os anos, os fatos, a pol\u00edtica e a vida em si: como fugir desse poderoso conjunto? Como negar que produzo e me comporto sob, e n\u00e3o sobre, a for\u00e7a dos fatos da hist\u00f3ria que n\u00e3o para de nos surpreender em seus repetidos erros? Seria prepotente e falso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma gera\u00e7\u00e3o pode compartilhar ang\u00fastias, mas a resposta sempre carrega algo de pessoal. Dessa forma, creio que eu possa ter algo comum com outros escritores; n\u00e3o vejo problemas nisso. Contudo, e francamente, n\u00e3o consigo identificar padr\u00f5es de trabalho com algum grupo. Ao menos na forma, pois as tem\u00e1ticas tendem a se repetir, independente da gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toco no assunto da tem\u00e1tica porque suspeito que todas as hist\u00f3rias j\u00e1 foram contadas. Do amor. Das viagens. Das guerras. Por\u00e9m, pela forma de dizer, eu posso dar uma resposta particular. E com isso pretendo cravar algo meu na literatura. Sei que essa marca tamb\u00e9m \u00e9 resultado de influ\u00eancias, de outros antecedentes. Mas n\u00e3o estou inventando a roda. Estou tentando embelez\u00e1-la mais um pouco, quem sabe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 No<\/strong><strong> conto \u201cO menino dan\u00e7a\u201d, voc\u00ea faz de James Brown personagem. J\u00e1 em \u201cCaso voc\u00ea fique\u201d, a m\u00fasica de Jimi Hendrix serve como exemplo para uma vida ideal. Em seus livros, as refer\u00eancias musicais s\u00e3o constantes e nada gratuitas. Qual a import\u00e2ncia da m\u00fasica pop na sua forma\u00e7\u00e3o de escritor?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS \u2013 <\/strong>Em 18 de maio de 2020, o garoto Jo\u00e3o Pedro foi morto numa opera\u00e7\u00e3o policial no Complexo do Salgueiro, no Rio. Os familiares s\u00f3 encontraram o corpo 17 horas depois. Por essa \u00e9poca, George Floyd morria asfixiado por um policial que colocou o joelho em seu pesco\u00e7o, em Minesotta. Certa noite, enquanto eu escutava as duas not\u00edcias na televis\u00e3o, por acaso rolava numa playlist \u201cMy Thang\u201d, do James Brown. Assim surgiu a ideia do conto \u201cO menino dan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCaso voc\u00ea fique\u201d, escrito h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, foi resultado do t\u00e9rmino de um relacionamento conturbado.\u00a0 Ela havia acabado de sair de meu apartamento. Resolvi que \u201cSpanish Castel Magic\u201d, do Hendrix, ajudaria a melhorar o meu estado. Sentei e escrevi a primeira vers\u00e3o. Os vizinhos n\u00e3o gostaram daquilo \u00e0s sete da manh\u00e3 de um domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJap\u00e3o\u201d foi totalmente inspirado numa m\u00fasica chamada \u201cPolaroid\u201d, da banda baiana \u201cA Flauta V\u00e9rtebra\u201d (por sinal, t\u00edtulo de um poema do Maiakovski). Depois do primeiro rascunho, foi s\u00f3 arrumar. \u201cThe Day After\u201d surgiu depois de ter assistido \u201cAmacord\u201d; escutei Nino Rota, que n\u00e3o \u00e9 pop, durante as primeiras vers\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo: dentre outras fontes de inspira\u00e7\u00e3o, a m\u00fasica pop \u00e9 uma das mais importantes para mim. Mas n\u00e3o s\u00f3 ela: j\u00e1 escrevi poemas ouvindo Piazzolla, j\u00e1 criei contos ao som do Ravel, e o meu primeiro livro tem como t\u00edtulo o nome de uma m\u00fasica, \u201cO amor \u00e9 uma coisa feia\u201d. Uma pancada \u201croquenrol\u201d de poucos minutos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 E<\/strong><strong> como se deu sua descoberta da arte? Recebeu algum est\u00edmulo na inf\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS \u2013<\/strong> N\u00e3o sei te dizer, com franqueza. Eu acho realmente que escritores nascem com a voca\u00e7\u00e3o. E que a seguem, com maior ou menor intensidade. Ou as ignoram e seguem suas vidas. Plantando tomates ou vendendo seguro de vida. Quanto aos est\u00edmulos, poderia citar aqui as revistas em quadrinhos que ganhava sempre de meus pais. Al\u00e9m de um punhado de amigos de inf\u00e2ncia que adoravam desenhar super-her\u00f3is tentando salvar o mundo em ru\u00ednas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Pra<\/strong><strong> finalizar, conte-nos quais s\u00e3o seus projetos futuros. Est\u00e1 trabalhando num novo livro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUSTAVO RIOS \u2013 <\/strong>Sempre tenho contos para arrumar, al\u00e9m do esbo\u00e7o de uma novela que vai levar bastante tempo para ficar pronta. Preciso rever, cortar, essas coisas. Enquanto isso, continuo trabalhando duro na divulga\u00e7\u00e3o de \u201cC\u00e9u ausente\u201d, que \u00e9, sem sombra de d\u00favida, o meu melhor livro. At\u00e9 agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20366\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image.png\" alt=\"\" width=\"308\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image.png 308w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-205x300.png 205w\" sizes=\"auto, (max-width: 308px) 100vw, 308px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>Jussara Azevedo<\/em><\/strong><em> \u00e9 carioca, graduada pela Escola de Belas Artes da UFRJ e cursa mestrado em Letras na USP.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jussara Azevedo entrevista o escritor Gustavo Rios, di\u00e1logo que percorre as novas veredas liter\u00e1rias do autor, dentre outros temas <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20232,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4242,16,2539],"tags":[1111,4244,419,63,2411,4243,887,65,1980],"class_list":["post-20231","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-152a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-bahia","tag-ceu-ausente","tag-contos","tag-entrevista","tag-gustavo-rios","tag-jussara-azevedo","tag-literatura","tag-sabatina","tag-salvador"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20231"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20368,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20231\/revisions\/20368"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}