{"id":20291,"date":"2023-11-13T11:17:07","date_gmt":"2023-11-13T14:17:07","guid":{"rendered":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=20291"},"modified":"2024-11-03T13:03:41","modified_gmt":"2024-11-03T16:03:41","slug":"dropssetimaarte-23","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/dropssetimaarte-23\/","title":{"rendered":"Drops da S\u00e9tima Arte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Guilherme Preger <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mato seco em chamas. Brasil. 2022. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cartaz.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20295\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cartaz.jpg\" alt=\"\" width=\"307\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cartaz.jpg 307w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cartaz-205x300.jpg 205w\" sizes=\"auto, (max-width: 307px) 100vw, 307px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em 2022 no Festival de cinema de Berlim, sendo aclamado em outros festivais internacionais, como o \u201c<em>Cinema du R\u00e9el<\/em>\u201d, em Paris, ou o Festival do Rio (2022), a \u00faltima obra da dupla Adirley Queir\u00f3s e da portuguesa Joana Pimenta s\u00f3 foi lan\u00e7ado em cinemas comerciais no Brasil neste ano de 2023. Para falar desta obra ins\u00f3lita, no entanto, \u00e9 preciso retornar \u00e0 obra anterior da dupla, <em>Era uma vez Bras\u00edlia<\/em>, de 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <em>Era uma vez Bras\u00edlia<\/em>, o agente intergal\u00e1ctico WA4, ap\u00f3s fazer um loteamento ilegal em seu planeta de origem, chamado de Sol Nascente, \u00e9 preso e para ser perdoado deste crime e receber uma moradia para ele e sua fam\u00edlia, recebe a miss\u00e3o de viajar no tempo e no espa\u00e7o e matar o presidente Juscelino Kubitschek no Brasil.\u00a0 No entanto, devido a problemas em sua nave prec\u00e1ria, WA4 cai em Bras\u00edlia em 2016, precisamente no momento hist\u00f3rico em que ocorre o processo de impeachment da Presidente Dilma Roussef. Sua hist\u00f3ria \u00e9 contada por Marquim da Tropa a Andr\u00e9ia Vieira, a Rainha das Kebradas, que ser\u00e1 a respons\u00e1vel pela rebeli\u00e3o para expulsar os monstros que tomaram conta da sede do governo brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, nesse filme de 2017, o estilo da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica fornece uma alegoria cinematogr\u00e1fica para confrontar o retrocesso representado pelo impedimento da Presidente deposta: s\u00f3 atrav\u00e9s do desaparecimento da capital brasileira seria poss\u00edvel salvar o Brasil. Contra o projeto golpista da \u201cPonte para o Futuro\u201d (expressamente citado no filme), Adirley e Joana apresentam a viagem no tempo para o passado e a tem\u00e1tica do \u201cparadoxo do av\u00f4\u201d, temas cl\u00e1ssicos dessa abordagem narrativa. O filme tamb\u00e9m recupera o personagem viajante e cadeirante Marquim da Tropa, do filme anterior de 2014 (apenas de Adirley) <em>Branco Sai, Preto fica<\/em>, assim como a tem\u00e1tica das viagens no tempo atrav\u00e9s de naves prec\u00e1rias (neste \u00faltimo filme representada por um container). Por sua vez, o personagem de Andr\u00e9ia Vieira estar\u00e1 presente em <em>Mato seco em chamas<\/em>, de 2022. Assim, os tr\u00eas filmes de Adirley, os dois \u00faltimos com Joana Pimenta, est\u00e3o conectados, menos como uma saga ou uma s\u00e9rie, mas como uma passagem cinematogr\u00e1fica de bast\u00e3o. Cada filme recupera do anterior um gancho, uma pe\u00e7a do argumento, que serve como um \u201cfio\u201d para sustentar o roteiro minimalista da obra seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <em>Mato seco em chamas<\/em>, tr\u00eas ex-presidi\u00e1rias, L\u00e9a (vivida por L\u00e9a Alves da Silva), sua irm\u00e3 Chitara (vivida por Joana D&#8217;Arc Furtado) e Andr\u00e9ia Vieira (ela mesma), acham petr\u00f3leo num oleoduto que passa no subsolo de seu terreno de moradia (de Chitara) e montam uma refinaria \u201ccaseira\u201d para extrair o combust\u00edvel e vend\u00ea-lo a um pre\u00e7o barato aos motoboys da favela Sol Nascente em Ceil\u00e2ndia. Elas se tornam ent\u00e3o famosamente as \u201cgasolineiras\u201d. Ao mesmo tempo, Andr\u00e9ia come\u00e7a a campanha para se eleger deputada pelo PPP \u2013 Partido do Povo Preso. O neg\u00f3cio das meninas \u00e9 visto com preocupa\u00e7\u00e3o pelas for\u00e7as da lei, da ordem e do mercado, e as amigas precisam montar guarda na refinaria, que est\u00e1 amea\u00e7ada por uma esp\u00e9cie de caveir\u00e3o, um blindado com agentes fi\u00e9is ao lema Deus, Fam\u00edlia e P\u00e1tria. O enredo se desenrola entre as elei\u00e7\u00f5es de 2018 at\u00e9 o momento da posse do ex-presidente Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_20297\" aria-describedby=\"caption-attachment-20297\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Mato-seco-1-divulgacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20297 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Mato-seco-1-divulgacao.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Mato-seco-1-divulgacao.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Mato-seco-1-divulgacao-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20297\" class=\"wp-caption-text\">Mato seco em chamas \/ Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, portanto, pontos de contato, como \u201cencaixes\u201d narrativos entre os tr\u00eas filmes, mas o que de fato os liga definitivamente \u00e9 o \u201cestilo\u201d cinematogr\u00e1fico de Adirley e Joana. Os diretores s\u00e3o conhecidos por construir cen\u00e1rios e roteiros de \u201cfic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica perif\u00e9rica\u201d, ou fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica prec\u00e1ria. De fato, o autor brasiliense, com sua produtora 5 do Norte, assim como seus colegas de Contagem (MG), da produtora Filmes de Pl\u00e1stico, j\u00e1 bastante comentados nesta revista, s\u00e3o cineastas da periferia, ou como disse um cr\u00edtico, do \u201cponto de vista da laje\u201d. Esses autores n\u00e3o fazem filme <em>sobre<\/em> a periferia, mas <em>da<\/em> periferia. \u00c9 a perspectiva (ou a objetiva) da pr\u00f3pria periferia que est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o. Seus filmes comungam do registro n\u00e3o s\u00f3 da realidade como da fantasia das comunidades perif\u00e9ricas.\u00a0 Assim, em <strong><em>Marte Um<\/em><\/strong>, de Gabriel Martins, um menino da periferia de Contagem, que j\u00e1 \u00e9 periferia de Belo Horizonte, sonha em estudar astrof\u00edsica e viajar para Marte. Este sonho recupera um ideal tecnol\u00f3gico como utopia da periferia, num momento em que justamente os horizontes ut\u00f3picos se rebaixaram. As amigas L\u00e9a, Chitara e Andr\u00e9ia, que montam uma refinaria e extraem petr\u00f3leo com seus pr\u00f3prios meios e bra\u00e7os, j\u00e1 produzem sua pr\u00f3pria utopia, e sonham a partir da\u00ed com uma vida melhor, transformada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comum tamb\u00e9m a todos esses filmes \u00e9 a indetermina\u00e7\u00e3o entre realidade e fantasia. A fronteira ficcional nunca est\u00e1 completamente clara, sobretudo em <em>Mato seco<\/em>. As mo\u00e7as que s\u00e3o, na fic\u00e7\u00e3o, ex-presidi\u00e1rias, tamb\u00e9m o s\u00e3o na \u201cvida real\u201d. L\u00e9a tamb\u00e9m se chama L\u00e9a e Andr\u00e9ia, Andr\u00e9ia. Chitara era o apelido de capoeira de Joana Furtado. L\u00e9a e Chitara s\u00e3o efetivamente irm\u00e3s. Numa das cenas do filme elas conversam sobre seu pai. Este \u00e9 ao mesmo tempo um registro documental e ficcional, pois est\u00e1 inserido dentro da trama, das mo\u00e7as que conversam enquanto montam guarda na refinaria fict\u00edcia (que, no entanto, \u00e9 um cen\u00e1rio dramat\u00fargico efetivamente constru\u00eddo para a realiza\u00e7\u00e3o do filme e que permaneceu na comunidade durante alguns meses). Por outro lado, a pr\u00f3pria atriz L\u00e9a torna a ser presa durante as filmagens. Essa pris\u00e3o \u00e9 inclu\u00edda igualmente na montagem final. E finalmente, h\u00e1 as cenas referentes ao contexto hist\u00f3rico. Distante alguns quil\u00f4metros da refinaria, Jair Bolsonaro toma posse. O filme inclui as cenas, feitas pela pr\u00f3pria equipe produtora, do dia da posse presidencial, quando a Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes \u00e9 tomada pelo p\u00fablico \u201cverde-amarelo\u201d apoiador do ex-presidente. A hist\u00f3ria ficcional se passa paralelamente \u00e0 Hist\u00f3ria oficial. Os mesmos fogos de artif\u00edcio que iluminam a sede de governo tamb\u00e9m iluminam a laje da refinaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, este paralelismo gera no filme de Adirley e Joana um estranhamento cognitivo: o tempo da fic\u00e7\u00e3o se ramifica e se dobra em torno de si mesmo gerando efeitos n\u00e3o-lineares. A montagem cinematogr\u00e1fica privilegia n\u00e3o uma narrativa de temporalidade linear, mas se desenvolve em torno de eventos singulares, cuja localiza\u00e7\u00e3o temporal \u00e9 indefinida. L\u00e9a, que \u00e9 presa numa cena e encaminhada ao pres\u00eddio feminino, reaparece depois livre conversando com seu irm\u00e3o motoqueiro. N\u00e3o sabemos se esta conversa acontece antes ou depois da pris\u00e3o. Ele, o irm\u00e3o, mostra a L\u00e9a a comunidade transformada e eles passeiam pela constru\u00e7\u00e3o do que ser\u00e1, futuramente, um enorme pres\u00eddio federal bem no meio da comunidade. Sol Nascente, recentemente recenseada como a maior favela brasileira, \u00e9 transposta ent\u00e3o para um tempo fe\u00e9rico. O estilo de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica perif\u00e9rica, pela qual o diretor Adirley \u00e9 conhecido, se torna fant\u00e1stico, como um <em>Mad Max<\/em> brasileiro ou, ainda melhor, como um novo <em>Bacurau<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_20298\" aria-describedby=\"caption-attachment-20298\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/mato-seco-em-chamas-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20298 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/mato-seco-em-chamas-2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/mato-seco-em-chamas-2.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/mato-seco-em-chamas-2-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20298\" class=\"wp-caption-text\">Mato seco em chamas \/ Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de <em>Mato seco<\/em> \u00e9 mais um &#8220;mcguffin&#8221; do filme. Ela permite embaralhar fato e fic\u00e7\u00e3o, o real e a fantasia. Como disse Adirley numa entrevista, para falar de futuro \u00e9 s\u00f3 ligar uma c\u00e2mera na periferia. H\u00e1 neste filme, como nos anteriores, uma \u201cest\u00e9tica da sucata\u201d. Assim como as naves constru\u00eddas em containers ou em kombis, agora \u00e9 toda a refinaria que \u00e9 constru\u00edda de forma \u201cartesanal\u201d, com os materiais dispon\u00edveis. A f\u00e1brica de petr\u00f3leo \u00e9 movimentada inteiramente por bra\u00e7os femininos, que recuperam para o contempor\u00e2neo toda uma nova dignidade para o trabalho f\u00edsico e manual. A sonoplastia do filme \u00e9 um elemento fundamental dessa est\u00e9tica. O som incessante das m\u00e1quinas funcionando ressoa como elemento ac\u00fastico de atrito e de interven\u00e7\u00e3o de um real material, obrigando a que o pr\u00f3prio contexto hist\u00f3rico (que acentua o trabalho imaterial) pare\u00e7a fantasioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa fantasia n\u00e3o serve para borrar a fronteira entre fato e fic\u00e7\u00e3o, mas para figurar outra temporalidade que transcorre cortando a realidade hist\u00f3rica dominante. O filme de Adirley e da portuguesa Joana Pimenta (com fotografia e cenografia primorosas) tem a linguagem do corte r\u00edspido (na edi\u00e7\u00e3o incr\u00edvel de Cristina Amaral) e do choque est\u00e9tico que contrap\u00f5e nossas no\u00e7\u00f5es de classe (como na cena do churrasco na refinaria, quando sentimos afli\u00e7\u00e3o com as mo\u00e7as comendo com as m\u00e3os cheias de graxa). A cena em que a quarta parede cai \u00e9 uma intrus\u00e3o dieg\u00e9tica s\u00fabita do real na fic\u00e7\u00e3o. Se os espectadores ficam &#8220;chocados&#8221; com as personagens fumando ao lado de tanques de petr\u00f3leo, era essa mesma a inten\u00e7\u00e3o dos diretores. Esse choque est\u00e9tico tem um elemento de real que se contrap\u00f5e \u00e0 cena esdr\u00faxula da posse do ex-presidente. Seus apoiadores, em seu culto desvairadamente kitsch, parecem mais irreais do que as personagens ficcionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 incr\u00edvel que filmes como <em>Marte Um<\/em> e <em>Mato Seco<\/em> sejam precisamente obras que abordam os modos como a periferia teve que se &#8220;virar&#8221; no per\u00edodo bolsonarista. Ambas as obras se passam exatamente no mesmo per\u00edodo hist\u00f3rico, quando as periferias brasileiras se defrontaram com o fato da extrema-direita chegar ao Poder. \u00c9, no entanto, uma est\u00e9tica sobre a pluralidade dos mundos: cada periferia \u00e9 um mundo aut\u00f4nomo n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista da realidade, bem como de seu imagin\u00e1rio. No filme de Adirley e Joana est\u00e3o justapostos na noite seca de Bras\u00edlia o Poder e a Periferia. A est\u00e9tica da sucata funciona como um modo pr\u00f3prio (ou impr\u00f3prio) de se trabalhar materiais e signos em reciclagem e para construir outro mundo aut\u00f4nomo em coexist\u00eancia. Esta obra tem base numa filosofia da gambiarra, numa gambiologia. Isso significa n\u00e3o apenas um elogio ao prec\u00e1rio, ou mesmo ao precariado, mas antes a uma ideia de que a obra de arte n\u00e3o \u00e9 um produto acabado, mas que funciona com \u201cganchos\u201d ou \u201cpuxadinhos\u201d semi\u00f3ticos, com liga\u00e7\u00f5es com outras esferas de reprodu\u00e7\u00e3o da vida, como a economia ou a pol\u00edtica, ou ainda com a pr\u00f3pria est\u00e9tica. E finalmente entre realidade e imagin\u00e1rio. A est\u00e9tica ficcional &#8220;gambiarrada&#8221; do filme n\u00e3o \u00e9 afinal a da tradicional montagem cinematogr\u00e1fica, mas sim a de uma DESMONTAGEM po\u00e9tica do padr\u00e3o global, hegem\u00f4nico, da verossimilhan\u00e7a dos paradigmas narrativos dominantes e sobretudo das fal\u00e1cias da ideologia de extrema-direita, com suas conspira\u00e7\u00f5es, mentiras e viol\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vd-ormd2oQI?si=ibdMs7px36Dg4PyT\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Guilherme Preger<\/em><\/strong><em>, carioca, \u00e9 engenheiro e escritor, doutor em Teoria Liter\u00e1ria pela UERJ (2020). \u00c9 autor de Capoeiragem (7Letras, 2013) e Extrema L\u00edrica (Oito e Meio, 2014). \u00c9 organizador do<a href=\"http:\/\/clubedaleiturarj.blogspot.com\/\"> <strong>Clube da Leitura<\/strong><\/a>, coletivo de prosa liter\u00e1ria do Rio de Janeiro, atuante desde 2007 e foi editor das quatro colet\u00e2neas do Coletivo. \u00c9 autor do blog <a href=\"https:\/\/gfpreger.medium.com\/\"><strong>Fabula\u00e7\u00e3o Especulativa<\/strong><\/a> e seus trabalhos acad\u00eamicos podem ser visitados <a href=\"https:\/\/uerj.academia.edu\/GuilhermePreger\"><strong>aqui<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O instigante filme \u201cMato seco em chamas\u201d \u00e9 alvo das aten\u00e7\u00f5es de Guilherme Preger<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20292,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4242,2535],"tags":[1444,115,13,394,1204,4230,189],"class_list":["post-20291","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-152a-leva","category-drops-da-setima-arte","tag-brasil","tag-cinema","tag-drops-da-setima-arte","tag-filme","tag-guilherme-preger","tag-periferia","tag-resenha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20291"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20354,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20291\/revisions\/20354"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}