{"id":20458,"date":"2024-10-28T11:51:32","date_gmt":"2024-10-28T14:51:32","guid":{"rendered":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=20458"},"modified":"2024-11-03T12:58:36","modified_gmt":"2024-11-03T15:58:36","slug":"dedos-de-prosa-i-89","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/dedos-de-prosa-i-89\/","title":{"rendered":"Dedos de Prosa I"},"content":{"rendered":"<p><em>Neuzamaria Kerner<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_20459\" aria-describedby=\"caption-attachment-20459\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/interna.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20459 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/interna.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/interna.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/interna-300x214.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20459\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Z\u00f4<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PEQUENO CONTO DE UMA GRANDE DOR<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sofrimentos do dia a dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acordou bem, mas de repente se perguntou: hoje eu vou sofrer pelo qu\u00ea? &#8211; O dia me trar\u00e1 a resposta. No trabalho desfilavam pessoas em busca de solu\u00e7\u00f5es para os problemas com o fisco. Aproveitavam e contavam suas desditas. Na cabe\u00e7a do mo\u00e7o uma luz sombreada se acendia. Eis um sofrimento para me agarrar a ele. Em seguida, a mo\u00e7a confusa passava mensagem exigindo aten\u00e7\u00e3o e cobrando promessas acumuladas. Se colava ao cora\u00e7\u00e3o mais um sofrer. Ia para o banheiro e vertia \u00e1gua desde os olhos no\u00a0 vaso branco que recebe todas as \u00e1guas e mais. O mo\u00e7o sofria num gozo estranho as dores que vinham de fora. N\u00e3o era bom, mas sofria neste prazer. Mais um atendimento e ouvia\u00a0a mais um derrame de infelicidades que aderiam ao seu peito, muro de lamenta\u00e7\u00f5es di\u00e1rias.\u00a0 O mo\u00e7o mal dava conta do pr\u00f3prio muro e desabava em mais sofrimentos. O que mais tenho hoje para sofrer? Mal acabou de pensar, veio um telefonema sobre\u00a0 uma separa\u00e7\u00e3o matrimonial na fam\u00edlia. Culpas pra l\u00e1 e pra c\u00e1 vindas das partes envolvidas. Um n\u00f3 na garganta crescia como na dos\u00a0 condenados no minuto cadafalso. Que pena deles e de mim que somos seres imerecidos de tanta dor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em casa, j\u00e1 se pensando longe dos sofreres alheios, um p\u00e1ssaro preso na gaiola vizinha lhe canta a can\u00e7\u00e3o de ninar dos viciados em dor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CEGO POR QUERER<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa aldeia qualquer na beira de um rio qualquer neste mund\u00e3o de meu Deus uma crian\u00e7a nasceu cega e assim permaneceu at\u00e9 que, j\u00e1 na adultidade, um m\u00e9dico se compadeu e com m\u00e3os h\u00e1beis e instrumentos adiantados deu-lhe a vis\u00e3o. Que alegria! Pela primeira vez viu a cor do caqui, os ranhos transparentes na sua polpa. Antes s\u00f3 lhe sabia a maciez e a do\u00e7ura do mel quando em sua boca deslizavam pela l\u00edngua e descia para o destino. Viu o matizado de cada flor. Viu como eram as patinhas do seu gato que arranhavam carinhosamente as pernas quando pedia o ninho do colo. Os passarinhos&#8230; Ah!&#8230; Esses eram a del\u00edcia no novo para\u00edso de ver. Explorava-o com prazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua aldeia se banhava noite e dia no rio que, como um sino de bronze,\u00a0 anunciava as horas da vida o tempo inteiro.\u00a0 Um dia, se distanciando a poucos metros do seu ch\u00e3o,\u00a0 viu um passante chutar um cachorro que salivava por um peda\u00e7o de carne. No mesmo dia viu um homem com a brutalidade dos monstros subjugando uma quase mulher, em seguida matando-a para silenciar seus gritos denunciantes. No mesmo dia, j\u00e1 assombrado com o que via, um homem incendiou o outro que dormia numa cal\u00e7ada. Antes do cair da noite, viu barracos caindo em barrancos, rios envenenados, matas gritando em quedas, bocas de gente babando fomes, almas alienadas, zumbis nas cracol\u00e2ndias, dores-choros-rangendo dentes&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltou, apanhou trapos grossos e pret\u00edssimos e fez tufos para ou ouvidos e vendas para os olhos serventes.\u00a0 Num tamborete sentou-se em sil\u00eancio com uma bengala ao lado, caso precisasse se defender do que os olhos cansados pudessem ver, sentir e sofrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sol deu uma risada ardente e c\u00ednica. A lua derramou duas l\u00e1grimas conformadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O LUGAR DAS M\u00c1SCARAS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhe, mo\u00e7a, eu j\u00e1 estive neste lugar. Olhe, eu sei o que voc\u00ea sente. N\u00e3o sei dos seus motivos, mas sei dos caminhos que voc\u00ea trilhou para chegar onde est\u00e1 agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabe, quando eu conseguia acordar, abria o arm\u00e1rio e escolhia a m\u00e1scara do dia. Colava-a na minha cara e ficava protegido. \u00c0s vezes, no meio do dia, eu tinha que voltar correndo para casa porque a m\u00e1scara que estava usando n\u00e3o mais servia: come\u00e7ava a se derreter com o suor das emo\u00e7\u00f5es e tinha que ser substitu\u00edda mais urgentemente do que todas as urg\u00eancias do mundo. Se a m\u00e1scara se despregasse de mim, eu seria visto. O que faria, ent\u00e3o?\u00a0 Ficar nu dentro da vida, na vista dos outros, seria o inferno pegando mais fogo ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sei onde voc\u00ea est\u00e1, mo\u00e7a. Creia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como eu n\u00e3o podia levar o arm\u00e1rio das m\u00e1scaras nas costas comprei um ba\u00fa preto, bem chaveado, e o carregava no lombo, rua acima, rua abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diziam: &#8211; l\u00e1 vai ele! -. Sim, l\u00e1 vou eu com o ba\u00fa nos ombros. E todos completavam: &#8211; Oh! \u2013 e eu me do\u00eda mais e dizia ai&#8230; Aonde eu ia levava meu companheiro indesgrud\u00e1vel. J\u00e1 estava acostumado e parece at\u00e9 que me dava certo prazer. Pesava menos. A gente se acostuma com tudo. De bom e de ruim. At\u00e9 com a dor que enfeia a gente acha bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhe, mo\u00e7a, ou\u00e7a bem o que n\u00e3o me canso de repetir: j\u00e1 estive neste lugar e resolvi desmatar o mundo para encontrar um caminho de volta para um outro onde j\u00e1 estive tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontrei uns anjos pela estrada e, no in\u00edcio do retorno, chutei-os. Eu precisava dessa companhia, mas lutei contra. N\u00e3o sei explicar. Eles, teimosos, ficaram grudados. Me ensinaram que a vida \u00e9 sempre o aprendizado pela estrada de volta&#8230; Reaprender a fun\u00e7\u00e3o das asas n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 coisa muito f\u00e1cil. N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o. Mas a gente \u00e9 novo e sempre pode ter tempo de escolher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muito ch\u00e3o para caminhar. H\u00e1 muito espa\u00e7o para voar. H\u00e1 muito tempo ainda&#8230; Talvez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei, mo\u00e7a, se voc\u00ea entende o que falo e digo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O SOLDADO, O POETA, OUTROS E EU<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo vestido em roupa macia passava <strong>o soldado<\/strong> e me olhava de longe. Todos os dias fazia o mesmo percurso entre o quartel e o meu port\u00e3o. Demorou pra eu saber que falava. Que voz de trov\u00e3o virou pontual os meus ouvidos, quando entardecia. Forte, mas n\u00e3o amedrontava. Durante tr\u00eas dias, como reza de promessa, parou diante de minhas \u00e2nsias e l\u00e1bios duros tocaram nos meus. At\u00e9 hoje n\u00e3o sei se gostei, mas de uma forma que n\u00e3o sei explicar, senti seguran\u00e7a. Num destes amanheceres ele abriu meu port\u00e3o, pediu emprestados meus pequenos p\u00e9s e os p\u00f4s sobre seus coturnos lustrosos e andou uns dez passos sem me deixar pisar no ch\u00e3o. Gostei daquele novo ch\u00e3o sobre o qual nunca havia caminhado antes. Numa noite, chegou vestido de guerra, tocou meu corpo vestido de alma, tran\u00e7ou meus cabelos com estranha habilidade de for\u00e7a e me fez prometer que aguardaria a sua volta para o destran\u00e7amento. Eu quis dizer sim com um beijo na sua testa sempre guardada por um capacete. Nossas alturas eram incompat\u00edveis. Ele alto como um poste de luz. Eu pequena como&#8230; O fato \u00e9 que ele n\u00e3o se curvou para receber meu respeitoso beijo. Meu cora\u00e7\u00e3o travou naquele momento. Muitas guerras ele travaria, por\u00e9m sem mim. Decis\u00e3o aprontada e apontada para o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed apareceu <strong>o poeta<\/strong>, suave como um passarinho. Cantava no galho junto ao meu port\u00e3o. \u00c0s seis da manh\u00e3 come\u00e7ava o ritual de encantamento, incluindo o destran\u00e7amento dos meus cabelos, fio por fio, salpicando pequenas p\u00e9talas de flores sobre a minha sagrada cabe\u00e7a \u2013 como costumava dizer. Na verdade, a sua pontualidade era feita de acordo com o seu pensar, pois 6 horas da manh\u00e3, na cabe\u00e7a dele, era qualquer hora do dia. Em todas as horas o dia estava sempre nascendo somente para a minha alegria, por isso o seu descontrole n\u00e3o me incomodava. J\u00e1 me derramava de amores e \u00e2nsias. Seus presentes inusitados eram a minha gl\u00f3ria. Sua aus\u00eancia era a minha incompletude. Ele dizia que meus olhos eram o mar transparente onde ele nadava despido; dizia que o fio do meu cabelo era o raio mais brilhante do centro da lua e, como se fosse real o que dizia, depositava esse fio na palma da pr\u00f3pria m\u00e3o e admirava como se um tesouro supremo fosse; em outros dias, depois de sumi\u00e7os ao dobrar a esquina, chegava esfuziante e me punha no pesco\u00e7o um peda\u00e7o de brisa. Oh, como eu sentia! Um outro presente demorou sete dias pra trazer. Ao chegar me disse que havia ido ao deserto encomendar um xale de areias e que ele pr\u00f3prio tecera com as mulheres das tendas de um o\u00e1sis. Ele sumiu por sete dias at\u00e9 retornar coberto de saudades. Enquanto cobria-me os ombros com o xale, ia descrevendo cores e sutilezas e fazendo trejeitos de decorador de corpos sobre a minha pele desejante de alegrias. Mas ele gostava muito era de dobrar esquinas para encontrar inspira\u00e7\u00f5es para seus presentes. At\u00e9 que um dia me cansei de tantas esperas e inconst\u00e2ncias. N\u00e3o podia prend\u00ea-lo e n\u00e3o queria solt\u00e1-lo. Ele conhecia o meu \u00eaxtase, mas desconhecia a for\u00e7a que morava em mim. Cortei o galho da \u00e1rvore do meu port\u00e3o onde acontecia o ritual da sua magia. Quebrei o joelho da esquina. Nada adiantou. O mago havia me enfeiti\u00e7ado. Recolhi os retalhos das lembran\u00e7as, guardei os versos e gestos no meu cora\u00e7\u00e3o e segui sem mar nos olhos, sem fios de luz de lua, sem olhar para outras esquinas onde a qualquer momento ele pode dobrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outros<\/strong> me chamaram a aten\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o quiseram construir hist\u00f3rias dentro de mim: Azuis, brancos, pretos, \u00edndios, verdes, amarelos, representados por letras, cegos e estropiados, embora n\u00e3o tenham deixado marcas profundas e n\u00e3o tenham morrido no esquecimento. Tempos depois, mal eu me havia recuperado do soldado e do poeta, chegou um verdureiro. Meu Deus, que m\u00e3os calosas e unhas de arar a terra! Matava minhas fomes como se fosse a ambrosia dos deuses espelhada nos galhos de ac\u00e1cia amarela. Entendia o Olimpo \u2013 assim como me pareceu &#8211; como ningu\u00e9m e me tornava imortal. Emprenhou-me com o branco man\u00e1 produzido nos seus ch\u00e3os com gosto de p\u00e3o e mel. Ca\u00ed de paix\u00e3o pelas m\u00e3os grossas e sua fortaleza no olhar. Ca\u00ed de paix\u00e3o pelas suas descri\u00e7\u00f5es pelos tempos de cada semente sufocada na cova de cada dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui com ele para os longes das terras verdes. L\u00e1 conheci o que havia no disfarce de suas m\u00e3os bem como o diabo mais fogoso que havia no mais profundo do inferno ardente. Estive no centro do vulc\u00e3o. L\u00e1 aprendi a solid\u00e3o. No leito o procurava nas madrugadas e nada. Vivi o esquecimento das maltratadas. Eu era a sua terra e sofria com o rastelo, a enxada, a foice, o pod\u00e3o. Ele gostava do cheiro do rabo das cadelas e me fazia cheirar igual para as suas satisfa\u00e7\u00f5es. Eu me desconhecia e tinha vergonha de mim. Quebrei o espelho do quarto com uma pedra para n\u00e3o me ver. N\u00e3o podia gritar as dores para que o grito pudesse alcan\u00e7ar algum ouvido, tamanha era a dist\u00e2ncia entre mim e o mundo. Estava mais invis\u00edvel do que sombra no fundo do rio. Ele gritava em seus gozos dentro de minha carne rasgada e minha boca tapada. Naqueles meus dias, ele me embebia o rosto com meu pr\u00f3prio m\u00eanstruo. Fugi mato afora. Me achou e, na corda, me trouxe de volta. Pensei em morrer, mas eu n\u00e3o merecia este pior. Ainda n\u00e3o era chegada a minha hora. Pensei: pinh\u00e3o-roxo, mamona, mandioca braba, cobra coral, escorpi\u00e3o&#8230; N\u00e3o sei se deixei pra tr\u00e1s um aleij\u00e3o morto-vivo ou um homem morto-morto. Por sete meses fiquei num hospital que acode mulheres. Sete meses depois tive o meu nome mudado. Sete meses depois&#8230; atravessei oceanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m n\u00e3o posso esquecer <strong>o rei<\/strong> queniano que conheci no Texas e me fez cometer um poema na vez que o vi. Nem precisei saber seu nome, mas sua coroa permanece nos olhos da minha mem\u00f3ria:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje eu conheci um rei.<br \/>\nEstava coberto e um preto lustroso que lhe servia de pele<br \/>\ne sua testa sustinha uma enorme coroa<br \/>\ninvis\u00edvel para olhos desatentos.<br \/>\nDo seu sorriso marfim uma voz<br \/>\npronunciava uma lei sem igual<br \/>\npor aqui.<br \/>\nNa sua altura trazia o Kenya inteiro<br \/>\nreino que deixou atr\u00e1s de si.<\/p>\n<p>Nunca havia visto um rei em pessoa<br \/>\nancorado na proa<br \/>\ndeste imenso cais que \u00e9 a vida.<\/p>\n<p>Ambos de passagem pelo mesmo porto<br \/>\na despedida se fez presente<br \/>\ne a gente partiu se carregando em vis\u00e3o<br \/>\nde um passado que ali se encontrara.<br \/>\nOutros esp\u00edritos viajeiros<br \/>\nSe encontraram em nosso peito<br \/>\nE todos seguiram seus destinos.<\/p>\n<p>(Austin \u2013 TX \u2013 Janeiro de\u00a0 2024)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu<\/strong> continuo, buscando pacifica\u00e7\u00e3o com a exist\u00eancia e resistindo bravamente todos os dias. Seja l\u00e1 quem me apare\u00e7a pela frente. Este Eu pode ser um novo que se apresenta diante de mim. Vamos ver o que me dir\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/c\/NeuzamariaKerner\"><strong><em>Neuzamaria Kerner<\/em><\/strong><\/a><em> \u00e9 poetisa, nascida em Salvador (BA). Professora, graduada em Letras e com os cursos necess\u00e1rios para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o escolhida pelo cora\u00e7\u00e3o. Membro da Academia de Letras de Ilh\u00e9us. Membro da Academia de Cultura da Bahia. Artes\u00e3 na t\u00e9cnica Bauernmalerei (pintura camponesa de origem alem\u00e3). Publica\u00e7\u00f5es: \u201cFragmentos de Cristal\u201d (poemas), \u201cEu Bebi a Lua\u201d (poemas), \u201cA Presen\u00e7a do Mar na Prosa Grapi\u00fana\u201d (parceria com outros escritores)(ensaio), \u201cO Livro-Arb\u00edtrio das Evas &#8211; dentro e fora do jardim\u201d(poemas), \u201cMarcas Escrevividas\u201d(poemas), \u201cMem\u00f3rias do Sil\u00eancio\u201d(contos). Al\u00e9m de publica\u00e7\u00f5es esparsas em revistas liter\u00e1rias, mant\u00e9m blogs e canal no Youtube, onde posta v\u00eddeo-poemas.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cotidiano atrav\u00e9s dos sil\u00eancios de Neuzamaria Kerner<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20460,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4269,2534,16],"tags":[81,41,4275,471],"class_list":["post-20458","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-153a-leva","category-dedos-de-prosa","category-destaques","tag-conto","tag-dedos-de-prosa","tag-memorias-do-silencio","tag-neuzamaria-kerner"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20458"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20458\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20464,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20458\/revisions\/20464"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}