{"id":20706,"date":"2024-12-16T11:47:11","date_gmt":"2024-12-16T14:47:11","guid":{"rendered":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=20706"},"modified":"2025-04-14T15:48:17","modified_gmt":"2025-04-14T18:48:17","slug":"gramofone-88","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/gramofone-88\/","title":{"rendered":"Gramofone"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Rog\u00e9rio Coutinho<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AMARO FREITAS &#8211; Y&#8217;Y <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/capa-YY-menor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20711\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/capa-YY-menor.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/capa-YY-menor.jpg 350w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/capa-YY-menor-300x300.jpg 300w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/capa-YY-menor-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um rio que nasceu na cruel periferia do Recife e des\u00e1gua nas \u00e1guas da Amaz\u00f4nia. Esse \u00e9 um roteiro de viagem poss\u00edvel quando se ouve o quarto disco do pianista pernambucano Amaro Freitas, <em>Y&#8217;Y<\/em> (2024). Um jazzista improv\u00e1vel, que cresceu entre o gospel, o funk e o rap e que teve sua vida transformada ap\u00f3s um DVD de Chick Corea chegar em suas m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estreia de Amaro veio com <em>Sangue Negro<\/em> (2016), marcado pela fus\u00e3o do jazz com ritmos nordestinos e que abriu caminho para sua inser\u00e7\u00e3o no circuito internacional de jazz. <em>Rasif<\/em> (2018), cujo t\u00edtulo em \u00e1rabe homenageia sua cidade natal, aprofunda a influ\u00eancia do bai\u00e3o, frevo e coco na polirritmia de seu jazz. Em <em>Sankofa<\/em> (2021), Freitas completa um percurso de pessoas, lugares e filosofias da hist\u00f3ria negra brasileira, muitos dos quais ignorados pela hist\u00f3ria oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Y&#8217;Y<\/em> traz o encontro do jazzista com o mundo amaz\u00f4nico, que potencializou sua m\u00fasica com elementos da cultura da floresta. O t\u00edtulo vem da express\u00e3o para \u00e1gua do dialeto da comunidade ind\u00edgena amazonense Sater\u00e9 Maw\u00e9. E \u00e9 de maneira fluida, como \u00e1gua, que o piano de Amaro constr\u00f3i uma su\u00edte amaz\u00f4nica no lado A, que recupera a ancestralidade e as lendas da floresta. O piano e a percuss\u00e3o se entrela\u00e7am nas faixas &#8220;Mapinguari (Encantado da mata)&#8221; e &#8220;Uiara (Encantada da \u00e1gua) \u2013 Vida e cura&#8221;. Enquanto Mapinguari, nas palavras de Amaro, se trata de &#8220;um gigante faminto e peludo, com um olho e uma boca enorme no umbigo, que vagueia pela floresta em busca de comida&#8221;, Uiara \u00e9 o boto-cor-de-rosa, o princ\u00edpio feminino das \u00e1guas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_20712\" aria-describedby=\"caption-attachment-20712\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Amaro-Freitas-foto-de-Micael-Hocherman.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20712 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Amaro-Freitas-foto-de-Micael-Hocherman.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Amaro-Freitas-foto-de-Micael-Hocherman.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Amaro-Freitas-foto-de-Micael-Hocherman-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20712\" class=\"wp-caption-text\">Amaro Freitas \/ Foto: Micael Hocherman<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conex\u00e3o Nordeste-Amaz\u00f4nia j\u00e1 tinha sido feita pelo conterr\u00e2neo Nan\u00e1 Vasconcelos em Amazonas (1973), o homenageado em &#8220;Viva Nan\u00e1&#8221; e que serviu, de alguma maneira, como guia para Amaro, que usa um piano bastante percussivo ao longo do disco. &#8220;Dan\u00e7a dos Martelos&#8221; lembra que, no final das contas, o piano \u00e9 um instrumento de percuss\u00e3o. Ou, mais tecnicamente, de cordas percutivas. Raras vezes um piano soou mais ind\u00edgena, mais amaz\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sonho Ancestral&#8221; \u00e9 um momento mais l\u00fadico, com direito a cita\u00e7\u00e3o de &#8220;Asa Branca&#8221;, que surge como uma poss\u00edvel lembran\u00e7a de inf\u00e2ncia, fundindo as bacias do S\u00e3o Francisco e do Amazonas em uma coisa s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrindo o lado B, a faixa-t\u00edtulo &#8220;Y&#8217;Y&#8221; (pronuncia-se &#8220;i\u00ea i\u00ea&#8221;), trazendo a flauta do brit\u00e2nico-barbadiano Shabaka Hutchings, que representa um &#8220;encontro das \u00e1guas&#8221; com o piano de Freitas, como se o rio amaz\u00f4nico desaguasse no litoral pernambucano. \u201cMar de Cirandeiras\u201d \u00e9 uma homenagem \u00e0s cirandas de Pernambuco, uma express\u00e3o cultural popularizada por Lia de Itamarac\u00e1 e pelo Quinteto Violado, entre outros, que aqui ganha a companhia da guitarra do norte-americano Jeff Parker. As reminisc\u00eancias da terra natal de Amaro levam a um tributo \u00e0 figura materna, Dona Rosilda, na faixa &#8220;Gloriosa&#8221;, pontuada pela harpa de Brandee Younger, a primeira mulher negra a ser nomeada para um Grammy de melhor composi\u00e7\u00e3o instrumental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, &#8220;Encantados&#8221; retoma a abordagem de trio jazz\u00edstico bastante comum em trabalhos anteriores de Freitas, com a adi\u00e7\u00e3o da flauta de Hutchings. A busca pela ancestralidade nas \u00e1guas amaz\u00f4nicas e nos mares pernambucanos encontra a aldeia global negra do jazz, fruto da di\u00e1spora africana. Amaro Freitas aponta para o futuro, sem perder suas tradi\u00e7\u00f5es afro-brasileiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/66L6pZ2g-To?si=-WpGJx0_gnIULyqa\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Rog\u00e9rio Coutinho<\/em><\/strong><em> \u00e9 gestor e produtor cultural, com trabalhos em museus e patrim\u00f4nio, al\u00e9m de comunic\u00f3logo e publicit\u00e1rio. Colaborador eventual da Diversos Afins, apresenta o podcast Gramofone junto ao editor Fabr\u00edcio Brand\u00e3o. \u00c9 o criador e respons\u00e1vel pela <a href=\"https:\/\/www.radionove.com.br\/\"><strong>R\u00e1dio Nove<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rog\u00e9rio Coutinho e suas escutas do novo disco de Amaro Freitas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20710,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4298,2536],"tags":[4319,929,359,14,362,133,4318,189,1618,4320],"class_list":["post-20706","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-154a-leva","category-gramofone","tag-amaro-freitas","tag-amazonia","tag-disco","tag-gramofone","tag-jazz","tag-musica","tag-piano","tag-resenha","tag-rogerio-coutinho","tag-yy"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20706"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20706\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20714,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20706\/revisions\/20714"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20710"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}