{"id":2696,"date":"2012-10-12T09:54:46","date_gmt":"2012-10-12T12:54:46","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=2696"},"modified":"2012-11-13T23:32:44","modified_gmt":"2012-11-14T02:32:44","slug":"janela-poetica-ii-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/janela-poetica-ii-7\/","title":{"rendered":"Janela Po\u00e9tica II"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00a0Diego Tardivo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2698\" aria-describedby=\"caption-attachment-2698\" style=\"width: 334px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/calca-jeansINTERNA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2698\" title=\"calca jeans\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/calca-jeansINTERNA.jpg\" alt=\"\" width=\"334\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/calca-jeansINTERNA.jpg 334w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/calca-jeansINTERNA-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 334px) 100vw, 334px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2698\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Mercedes Lorenzo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CAN\u00c7\u00c3O DOS MANJARES M\u00cdSTICOS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este p\u00e3o que comes, meu filho,<br \/>\nSubjaz nos l\u00e1bios da castidade<br \/>\nE nas terrinas \u00famidas do Amor \u2013<br \/>\nSem que para tanto necessitem<br \/>\nOs antigos escravos de sua m\u00edngua<br \/>\nDe caridade e compaix\u00e3o, tudo<br \/>\nEntrela\u00e7ado enquanto os corpos<br \/>\nAusentam-se nos dias c\u00e1usticos.<\/p>\n<p>Esta \u00e1gua que bebes, meu filho,<br \/>\nReflu\u00eda ao longo de m\u00fasculos nus<br \/>\nE gotejava de calhas profanas como<br \/>\nO gorgolejar de luares no puro inferno \u2013<br \/>\n\u00c9 a ins\u00edgnia da perfeita bonan\u00e7a<br \/>\nE a paz teria beijado o seio da guerra<br \/>\nQuando da unidade ad\u00e2mica surgissem<br \/>\nDiamantes \u2013 adormecidos e l\u00e2nguidos.<\/p>\n<p>Esta arma que empunhas, meu filho,<br \/>\n\u00c9 o bras\u00e3o vil da mortandade oculta,<br \/>\nDessas que se escondem em arm\u00e1rios<br \/>\nE ainda assim permanecem fi\u00e9is \u00e0 Musa.<br \/>\nTerr\u00edvel dobre de infinito censurado,<br \/>\nVolvei, \u00f3 palidez, que a morte chega<br \/>\nUivando \u00e0 mis\u00e9ria hinos de beleza amarga<br \/>\nE barganhas prostradas na lama de fogo.<\/p>\n<p>Este vinho que provas, meu filho,<br \/>\nJ\u00e1 havia embelezado as cabeleiras nuas<br \/>\nDe pobres dan\u00e7arinas cantando absurdos<br \/>\nEnquanto os poetas lamentam a alegria \u2013<br \/>\nE continuar\u00e1 por muito tempo ainda<br \/>\nSendo o espelho diante do qual figuram<br \/>\nOs sorrisos e as l\u00e1grimas que s\u00e3o prec\u00e1rias,<br \/>\nOs deleites e os \u00eaxtases que s\u00e3o tacanhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>***<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LEMBRAN\u00c7AS DO JAZZ<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><em>In memoriam Allen Ginsberg e Roberto Piva<\/em><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quantas imagens me acorriam em minhas febres de justi\u00e7a!<br \/>\nQuantos uniformes pavoneando-se acima das folhas de cristal<br \/>\n&amp; ainda quantos astros nus envolvidos na beberagem da tarde \u2013<br \/>\nEu n\u00e3o entendia por que a viol\u00eancia dos pederastas era temida,<br \/>\nContos de Tchekov supurando nos bosques de amianto,<br \/>\nLendas estra\u00e7alhadas na v\u00edvida vivissec\u00e7\u00e3o da realidade mais crassa,<br \/>\nAb\u00f3bora de ferro opinando sobre as dimens\u00f5es de meu sexo<br \/>\n&amp; eu continuo sendo inesquec\u00edvel,<br \/>\n&amp; eu continuo sendo imperdo\u00e1vel,<br \/>\nSim, porque todas as dan\u00e7as me eram devidas a cada cena<br \/>\n&amp; todos os profetas tinham seu sud\u00e1rio empoeirado e magro \u2013<br \/>\nCandeeiro de emo\u00e7\u00f5es; l\u00fagubre festa do quarto largo,<br \/>\nEu me prostro, eu me persigno,<br \/>\nEu me prosterno, eu me flagelo \u2013<br \/>\nAinda me cabem os amores que reneguei \u00e0 custa de s\u00edmbolos,<br \/>\nAs imagens de oxig\u00eanio continuam em minha cama molhada,<br \/>\nOs bar\u00edtonos da aurora jazem derreados nos catres de meus louvores,<br \/>\nA ladainha dos escravocratas morre ao contato das batalhas arredias<br \/>\n&amp; tudo me foi revelado enquanto o dia corria entre minhas m\u00e3os \u2013<br \/>\nJamais saberei se minha alma \u00e9 pura.<br \/>\nJamais saberei se minha mente \u00e9 s\u00e3.<br \/>\nPorque sou vil, a maldade se retorce em meus intestinos<br \/>\n&amp; a morte que desconhe\u00e7o n\u00e3o me murmura sofreguid\u00f5es;<br \/>\nAh! Como lamento! Como lamento saber s\u00f3 agora<br \/>\nDos cora\u00e7\u00f5es que choram &amp; dos c\u00e9rebros que se enforcam,<br \/>\nEu lamento, eu lamento ser esta serpente nojenta e trai\u00e7oeira<br \/>\nSibilando e envenenando os acontecimentos do s\u00e9culo,<br \/>\nMinhas quimeras s\u00e3o mais p\u00e9rfidas do que o oceano<br \/>\n&amp; santificados me acorriam os vagalumes n\u00e9scios da Ventura;<br \/>\nTudo quanto era meu regressou a meu Esp\u00edrito<br \/>\n&amp; no interior do enigma luminoso agitei as asas de minha ang\u00fastia,<br \/>\nPorque todos os meus amigos zombavam de minha juventude<br \/>\n&amp; todas as minhas namorada riam de minha promiscuidade,<br \/>\n\u00d3 lampejos! Lembran\u00e7as do jazz! \u2013<br \/>\nN\u00e3o me esque\u00e7o das notas que soaram para minha inoc\u00eancia,<br \/>\nFunesta exalta\u00e7\u00e3o dos sentidos encontrados no Sil\u00eancio<br \/>\n&amp; \u00faltimo conhecimento absorvido pelas mentes embriagadas<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/span>{de minha gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(<strong>Diego Tardivo<\/strong> tem vinte e sete anos, nasceu e cresceu em Italva, interior do RJ. Come\u00e7ou a cursar Letras, mas largou no terceiro per\u00edodo. \u00c9 casado e pai de um menino, Arthur &#8211; nome dado em homenagem ao poeta Arthur Rimbaud. \u00c9 autor de cinco romances e tr\u00eas livros de poesia. Atualmente trabalha em dois livros: uma cole\u00e7\u00e3o de ensaios, que apenas come\u00e7ou a escrever, e uma colet\u00e2nea com duas novelas intitulada &#8220;A Filosofia do Esp\u00edrito&#8221;)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caminho l\u00edrico de Diego Tardivo dialoga com as imagens de um mundo impreciso<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2697,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[588,16,9],"tags":[592,590,589,107,591],"class_list":["post-2696","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-72a-leva","category-destaques","category-janelas-poeticas","tag-caminho-lirico","tag-cancao-dos-manjares-misticos","tag-diego-tardivo","tag-janela-poetica","tag-lembrancas-do-jazz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2696"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2696\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3130,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2696\/revisions\/3130"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2697"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}