{"id":2794,"date":"2012-10-12T12:32:44","date_gmt":"2012-10-12T15:32:44","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=2794"},"modified":"2012-10-12T16:33:19","modified_gmt":"2012-10-12T19:33:19","slug":"dedos-de-prosa-ii-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/dedos-de-prosa-ii-7\/","title":{"rendered":"Dedos de Prosa II"},"content":{"rendered":"<p><em>Yara Camillo<\/em><strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2796\" aria-describedby=\"caption-attachment-2796\" style=\"width: 520px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/poesia-onde-nao-ha-viaINTERNA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2796\" title=\"poesia onde nao ha via\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/poesia-onde-nao-ha-viaINTERNA.jpg\" alt=\"\" width=\"520\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/poesia-onde-nao-ha-viaINTERNA.jpg 520w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/poesia-onde-nao-ha-viaINTERNA-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2796\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Mercedes Lorenzo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DUAS VIAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele abriu a porta do carro para que ela entrasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A velhice dando passagem \u00e0 juventude?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o: a sabedoria dando vez \u00e0 pretens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Riram. Era uma brincadeira antiga, da \u00e9poca em que se conheceram: ela, preparando a tese. Ele, o orientador que n\u00e3o chegou a s\u00ea-lo\u2026 A rela\u00e7\u00e3o aconteceu e, de comum acordo, decidiram que ela procuraria outro professor. Nem por isso a press\u00e3o foi menor. Em muitos olhares, o imediatismo rotulava, sem <em>sursis<\/em>: veterano-estende-as-asas-sobre-a-novata. E poderia ter sido pior; tivesse a \u201cv\u00edtima\u201d alguns anos a menos e o crime estaria consumado, n\u00e3o se podia brincar com essas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mar\u00e9 do <em>politicamente correto <\/em>extrapolou, afrontando os limites do bom senso \u2013 dizia ele. \u2013 Facilite&#8230; E at\u00e9 <em>Lolita<\/em> e <em>Morte em Veneza<\/em> acabar\u00e3o queimados em pra\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o exagere \u2013 dizia ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele ria:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 E a lei contra os <em>Ad\u00f4nis<\/em> que enfeiti\u00e7am os velhinhos? Deveria existir uma, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela ria:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 E qual seria o nome desse crime&#8230; Gerofilia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Sim&#8230; Muito pr\u00f3prio. \u2013 E ele improvisava a premissa: \u2013 N\u00e3o gerofile, para n\u00e3o ser pedofilado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Proponha esta na pr\u00f3xima reuni\u00e3o e estaremos condenados em duas vias, sem direito a <em>habeas corpus<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Falando em <em>habeas<\/em>\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Falando em <em>corpus<\/em>\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A brincadeira se repetiu ao longo dos anos, mesmo depois de perder a gra\u00e7a; ela, mais que ele, chamava o riso como t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o, como ref\u00fagio das crises que tamb\u00e9m se repetiam, indefinidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passado o espanto geral, que de rold\u00e3o consumira tamb\u00e9m certos encantos, as coisas come\u00e7aram a se acomodar. Ningu\u00e9m mais estranhava a parceria, nem a ironia que permeava o enredo natural daquele amor: ela, j\u00e1 n\u00e3o bastasse os muitos anos a menos, aparentava ser t\u00e3o menina&#8230; Para entrar no cinema, s\u00f3 mostrando Identidade que provasse ao menos dezoito, dos vinte e tr\u00eas j\u00e1 completos. Ele, em contrapartida, j\u00e1 aos dezesseis se passava por \u201cmaior\u201d, nos bailes e cinemas da cidade interiorana onde nascera. Cabelos precocemente grisalhos e o sagrado costume da cerveja completavam o quadro, adiantavam o tempo e, aos olhares alheios, alongavam mais ainda a dist\u00e2ncia entre os dois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo. O curso. Da universidade e das coisas. E a tese, que n\u00e3o sa\u00eda nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Se voc\u00ea n\u00e3o pode ser meu orientador, ent\u00e3o n\u00e3o quero mais ningu\u00e9m \u2013 ela dizia. E se por algum tempo esse argumento surtiu efeito, foi tamb\u00e9m se desgastando, como tudo, como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o era isso \u2013 ela confessou, numa das raras noites de cerveja que conseguiram a s\u00f3s, porque a universidade era um mundo que se estendia para al\u00e9m do campus, at\u00e9 o bar, at\u00e9 a casa, at\u00e9 os amigos e tantas horas compartilhadas. \u2013 A Dan\u00e7a seria o princ\u00edpio e, a Geografia, o meio&#8230; Sabe? O meio pelo qual a Dan\u00e7a viria a acontecer, sem as amarras das concess\u00f5es profissionais necess\u00e1rias \u00e0 sobreviv\u00eancia. Mas tudo virou do avesso, a Geografia se espalha e n\u00e3o fa\u00e7o outra coisa a n\u00e3o ser projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o h\u00e1 lugar para dois, com a Geografia. Ou \u00e9 ela ou \u00e9 ela, se \u00e9 que voc\u00ea me entende, e eu \u00e0s vezes acho que n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Dois corpos n\u00e3o ocupam o mesmo lugar no tempo e no espa\u00e7o? Nunca, dir\u00e1 voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Nunca, tu o disseste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 \u201cSalvo quando se amam\u201d, disse o poeta. E se essa verdade n\u00e3o pode harmonizar a Dan\u00e7a e a Geografia, ent\u00e3o quero nascer de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Voc\u00ea j\u00e1 nasceu tantas vezes, lembra\u2026 Ou n\u00e3o, n\u00e3o mais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela fechou os olhos, fazia isso quando sentia dor ou acusava o golpe, claro, quantas vezes n\u00e3o dissera \u201cacho que nasci de novo\u201d, depois do amor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi naquele amanhecer que os dois se descobriram de partida, ele para o campus, de corpo e alma, porque aquela era mesmo sua vida, sua escolha, desde antes dela e, com um pouco de sorte, tamb\u00e9m depois dela \u2013 embora no momento ele n\u00e3o soubesse, n\u00e3o tivesse a menor ideia de como faria para sobreviver \u00e0quela aus\u00eancia. E ela enfim para a dan\u00e7a, <em>habeas corpus<\/em>, <em>habeas anima<\/em>. Ele, que n\u00e3o acreditava em deuses, acabou maldizendo os des\u00edgnios que deram a ela uma bolsa, no ano seguinte, para um est\u00e1gio fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontraram-se uma vez, na Europa, mas aquela n\u00e3o valeu: ela estava embriagada demais com a liberdade e ele embriagado demais com a alegria de rev\u00ea-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, anos depois, um novo reencontro: ele gostou de ach\u00e1-la, ainda, bela. Gostou de gostar de v\u00ea-la, embora a dor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Voc\u00ea ficou bem famoso \u2013 ela brincou, recurso que sempre usava para driblar o embara\u00e7o. \u2013 Ouvi falar, por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 E voc\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Como? Voc\u00ea n\u00e3o ouviu falar de mim?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele ficou s\u00e9rio, um segundo antes do riso. Ela riu, tamb\u00e9m, e tudo foi como antes, por um instante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Voc\u00ea est\u00e1 dan\u00e7ando?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 \u00c0s vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O que houve?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O de sempre. N\u00e3o sou articulada, n\u00e3o me relaciono com as pessoas \u201ccertas\u201d, n\u00e3o me enquadro muito nas coisas. \u2013 E imitou o tom de voz que ele usava, quando queria ser categ\u00f3rico: \u2013 Se \u00e9 que voc\u00ea me entende, e eu acho que n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele riu, de novo, agora sem muita vontade. Ela continuou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Mas eu tinha que ver, n\u00e3o \u00e9? Eu precisava ir. E fui bem, por uns tempos\u2026 E \u201cir bem\u201d, ainda que por uns tempos, deixa um gosto de \u201csempre\u201d, quando se trata de Arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Isso me lembra aquela sua velha m\u00e1xima: \u201cA Arte acima de tudo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o \u2013 ela responde. E ele v\u00ea nisso algo de novo. \u2013 N\u00e3o existe acima, nem medida alguma, nesses casos. S\u00f3 uma sensa\u00e7\u00e3o de que as coisas t\u00eam um sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Isso voc\u00ea podia ter\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Voc\u00ea podia. N\u00e3o eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Ent\u00e3o, perdemos uma ge\u00f3grafa brilhante\u2026 para uma bailarina\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Apenas razo\u00e1vel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Eu n\u00e3o disse isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Claro que disse. Mas n\u00e3o faz mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Escute, ainda d\u00e1 tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Tempo do que, meu amor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Esse \u201cmeu amor\u201d me pegou de surpresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O que prova que voc\u00ea continua o mesmo\u2026 Surpreendendo-se com o \u00f3bvio e olhando com cara de velho para o que \u00e9 realmente novo. Agora me leve daqui para um lugar mais decente, onde se possa tomar um bom vinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o mudou. E isso, n\u00e3o sei por que, me faz bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o era o que voc\u00ea dizia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o era o que voc\u00ea pedia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele abre a porta do carro, ela sorri:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A velhice dando vez \u00e0 juventude?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o, o cansa\u00e7o dando lugar a algo que n\u00e3o quero definir agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 E quem disse que \u00e9 preciso definir?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Temes definhar ao definir?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Idiota! \u2013 Ela ri. \u2013 O fim vai chegar, para n\u00f3s. Para todos n\u00f3s. Mas n\u00e3o hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Voc\u00ea n\u00e3o vai acreditar, mas isso, para mim, j\u00e1 \u00e9 alguma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAcredito\u201d, ela quis dizer, mas achou que n\u00e3o seria preciso.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(<strong>Yara Camillo<\/strong> nasceu em S\u00e3o Paulo. Formada em Comunica\u00e7\u00f5es \u2013 Cinema \u2013 pela Funda\u00e7\u00e3o Armando \u00c1lvares Penteado, FAAP. \u00c9 autora de Voli\u00e7\u00f5es (Massao Ohno Editor, 2007) e Hiatos (RG-Editores, 2004). Em sua trajet\u00f3ria, fez trabalhos para Teatro, tradu\u00e7\u00f5es, participou de antologias e sites de Literatura, coordenou Oficinas de Teatro e Oficinas Liter\u00e1rias, al\u00e9m de ter v\u00e1rios contos premiados. <em>Contato: <a href=\"mailto:yaracamillo@gmail.com\">yaracamillo@gmail.com<\/a><\/em>) <\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conto de Yara Camillo percorre denso os arremates do tempo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2795,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[588,2534],"tags":[81,41,645,647,646,644],"class_list":["post-2794","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-72a-leva","category-dedos-de-prosa","tag-conto","tag-dedos-de-prosa","tag-duas-vias","tag-hiatos","tag-volicoes","tag-yara-camillo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2794"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2794\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2869,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2794\/revisions\/2869"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}