{"id":2978,"date":"2012-11-13T16:11:28","date_gmt":"2012-11-13T19:11:28","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=2978"},"modified":"2012-12-15T13:07:49","modified_gmt":"2012-12-15T16:07:49","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-8\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A perspectiva de vislumbrar o mundo suplantando quaisquer quest\u00f5es que reflitam distin\u00e7\u00f5es de g\u00eanero \u00e9 um caminho v\u00e1lido para pensar uma obra liter\u00e1ria. Mesmo se o tom das premissas apontar para uma escrita que pulsa de uma espec\u00edfica condi\u00e7\u00e3o do ser, h\u00e1, sim, significativo espa\u00e7o para que a voz criativa pautada num determinado ponto de vista fa\u00e7a operar a converg\u00eancia de sentimentos e outras tantas aferi\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia. Quando nos debru\u00e7amos sobre as escrituras de criadores como <strong>Marilia Arnaud<\/strong>, logo nos vem \u00e0 mente a desnecessidade de levantarmos bandeiras de g\u00eanero. Muito pelo contr\u00e1rio, o olhar densamente feminino da autora desloca-se para uma no\u00e7\u00e3o de harmoniza\u00e7\u00e3o de percep\u00e7\u00f5es, tornando leitores c\u00famplices e atores de suas narrativas como se todos partilhassem o mesmo solo das esperas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma trajet\u00f3ria marcada pela verve contista, algo que inclui obras como <em>A menina de Cipango <\/em>(Pr\u00eamio Jos\u00e9 Vieira de Melo \u2013 Estado da Para\u00edba \u2013 1994), <em>Os campos noturnos do cora\u00e7\u00e3o <\/em>(Pr\u00eamio Novos Autores Paraibanos \u2013 1996) e <em>O livro dos afetos <\/em>(7Letras), Marilia acaba de edificar seu primeiro romance, <em>Su\u00edte de Sil\u00eancios <\/em>(Editora Rocco), livro que demarca de modo bastante especial um percurso por paisagens intimistas embebidas em lembran\u00e7as, proje\u00e7\u00f5es e mist\u00e9rios. A narrativa, levada a cabo pela personagem Du\u00edna, revela-se arrebatadora e singular porque sabe atravessar com pung\u00eancia alguns desertos que devassam a alma humana. Dentro da camada sens\u00edvel da \u00f3tica feminina, pulsa intenso o jogo das aus\u00eancias e hesita\u00e7\u00f5es, refor\u00e7ando a ideia de que existir \u00e9 saber-se fugidio e finito. No breve di\u00e1logo que agora segue, Marilia Arnaud fala desse momento especial em torno do seu primeiro romance, do olhar feminino na literatura e de outras quest\u00f5es integrantes de sua viv\u00eancia no intricado universo das palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure style=\"width: 328px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/INTERNA21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/INTERNA21.jpg\" alt=\"\" width=\"328\" height=\"495\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Marilia Arnaud por Roberto Athayde<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; &#8220;Su\u00edte de Sil\u00eancios&#8221; \u00e9 uma verdadeira transversal de tempos, fazendo convergir presente e passado numa narrativa marcantemente intimista. Ali, a alma humana \u00e9 devastada pela personifica\u00e7\u00e3o tida em Du\u00edna, menina-mulher que suscita esperas e aus\u00eancias. Na escolha desse caminho repleto do algo intang\u00edvel instaura-se a via crucis de um criador?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARILIA ARNAUD &#8211; <\/strong>Sem d\u00favida, a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo doloroso, na medida em que demanda a total entrega do artista. Sempre me pergunto por que escolhi essa paix\u00e3o, o que busco nas palavras, na inven\u00e7\u00e3o, quando poderia simplesmente viver. Ao mesmo tempo, acho que n\u00e3o escolhi nada, que simplesmente fui tomada pela literatura, assim como fui arrebatada por Du\u00edna, por sua hist\u00f3ria de perdas e desamparo. Escrever \u00e9 um processo, de certa forma, obsessivo, porque o autor acaba t\u00e3o impregnado pelo personagem, por sua voz, que tem dificuldades com a realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; No livro, chama aten\u00e7\u00e3o a densidade que povoa o olhar feminino sobre as coisas e sentimentos. De que forma tal condi\u00e7\u00e3o se consolidou como uma escolha narrativa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARILIA ARNAUD &#8211; <\/strong>A literatura, assim como toda cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, \u00e9 o espa\u00e7o do imprevis\u00edvel e da imprecis\u00e3o. \u00c9 preciso acreditar na voz narrativa e manter-se fiel a ela para trazer \u00e0 tona o personagem (homem ou mulher) em sua inteireza. Somente uma narrativa densa e coesa, capaz de impactar o leitor, de faz\u00ea-lo refletir sobre as coisas do mundo, sobre a condi\u00e7\u00e3o humana, pode assegurar que um romance n\u00e3o seja lido impunemente. Trabalhei mais de dois anos para isso, para trazer ao mundo a voz de uma mulher marcada por uma inf\u00e2ncia traum\u00e1tica, para revelar a inadequa\u00e7\u00e3o e o sentimento de insufici\u00eancia de uma irrevel\u00e1vel Du\u00edna. N\u00e3o sei se consegui (os leitores que o digam).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Guardadas as devidas diferen\u00e7as contextuais, Du\u00edna aproxima-se da Macab\u00e9a de Clarice\u00a0Lispector quando a perspectiva \u00e9 olhar o mundo sob o manto da delicadeza. Ambas t\u00eam uma express\u00e3o que suplanta qualquer conclus\u00e3o apressada de ingenuidade. Como \u00e9 que voc\u00ea percebe tal associa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARILIA ARNAUD &#8211; <\/strong>Du\u00edna e Macab\u00e9a s\u00e3o personagens talhadas por faltas. Na inf\u00e2ncia, faltaram-lhes os pais. Na idade adulta, afetos, alegrias, talentos. O isolamento, a culpa, a saudade, a aparente passividade e o sentimento de fracasso tamb\u00e9m as aproximam. Em ambas, a vida d\u00f3i com for\u00e7a, no corpo (Macab\u00e9a sofre de tuberculose e de um dente cariado &#8211; a dor da polpa exposta \u00e9 uma das piores &#8211; Du\u00edna, de um c\u00e2ncer que lhe r\u00f3i as entranhas) e na alma (inadequa\u00e7\u00e3o ao mundo e consci\u00eancia da rasura da pr\u00f3pria exist\u00eancia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Apesar do aparente espa\u00e7o conquistado pelas mulheres em plena p\u00f3s-modernidade, conceber a condi\u00e7\u00e3o de Du\u00edna em nosso mundo \u00e9, sobremaneira, refletir sobre um contraste entre certa liberdade do corpo, t\u00e3o apregoada hoje, e as amarras que nos s\u00e3o mais caras, as do pensamento. Acredita que reside a\u00ed o principal conflito que atravessa o universo feminino?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARILIA ARNAUD &#8211; <\/strong>Eu diria que houve uma conquista efetiva, mas n\u00e3o, plena. A mulher p\u00f3s-moderna trabalha (muitas s\u00e3o chefes de fam\u00edlia), estuda, exerce seus pap\u00e9is sociais, tra\u00e7a os pr\u00f3prios caminhos, e especialmente a mulher de classe m\u00e9dia investe na carreira e luta bravamente pela independ\u00eancia financeira. Por\u00e9m, \u00e9 uma mulher dividida. No plano da subjetividade, ainda h\u00e1 muito a ser conquistado. Ao fazer escolhas que fogem do padr\u00e3o enraizado, do modelo maternidade\/fam\u00edlia, ela se enche de culpa e ang\u00fastia. \u00c9 compreens\u00edvel. Durante s\u00e9culos, viu-se impedida de afirmar a pr\u00f3pria exist\u00eancia, de expressar sua identidade atrav\u00e9s do corpo e da palavra. Nessa busca por um equil\u00edbrio, a mulher segue se construindo, construindo sua identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A seu ver, quando o assunto \u00e9 o olhar sobre as densidades humanas, qual a diferen\u00e7a marcante entre homens e mulheres? Padecemos muito com os determinismos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARILIA ARNAUD \u2013 <\/strong>A diferen\u00e7a marcante talvez seja a maneira de um e outro estar no mundo, os pap\u00e9is sociais que lhes foram atribu\u00eddos ao longo da hist\u00f3ria, o determinismo sexual que durante s\u00e9culos apontou o homem como um ser de poder e a mulher como um objeto de reprodu\u00e7\u00e3o. Em sua ess\u00eancia, o homem e a mulher s\u00e3o universos complexos, sobre os quais o ficcionista deve se debru\u00e7ar com o mesmo olhar de espanto, porque \u00e9 do espanto que brota a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Depois de construir uma trajet\u00f3ria devotada ao conto, voc\u00ea edifica, com vigor e propriedade, seu primeiro romance. Quais percursos foram fundamentais para essa, digamos assim, mudan\u00e7a de rumos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARILIA ARNAUD &#8211; <\/strong>Entre meu primeiro livro (contos\/cr\u00f4nicas &#8211; produ\u00e7\u00e3o independente) e o recente <em>Su\u00edte de sil\u00eancios<\/em>, primeiro romance, caminhei bastante. Nesse meio tempo, mais de vinte anos, participei de algumas colet\u00e2neas e publiquei tr\u00eas livros de contos, dois deles (<em>A menina de Cipango<\/em> e <em>Os campos noturnos do cora\u00e7\u00e3o<\/em>), atrav\u00e9s de concursos p\u00fablicos. Foi <em>O livro dos afetos<\/em>, editado pela 7letras, em 2005, que me levou a pensar na possibilidade de escrever um romance. Explico. Luiz Ruffato apresentou minha prosa a Luciana Villas Boas que, \u00e0 \u00e9poca, era editora na Record, e ela, muito gentilmente, escreveu-me dizendo que, embora tivesse gostado dos meus contos, n\u00e3o pretendia edit\u00e1-los, t\u00e3o somente pelo fato de serem contos, g\u00eanero pouco comercial, e sugeriu-me que eu escrevesse um romance. Ent\u00e3o, a motiva\u00e7\u00e3o inicial para a constru\u00e7\u00e3o do <em>Su\u00edte de sil\u00eancios<\/em> foi o conselho da Luciana, que tomei como um desafio. Comecei tateando, \u00e0s escuras, sem nenhuma certeza de que teria f\u00f4lego para ir adiante. Em algum momento, encontrei o tom, e a hist\u00f3ria come\u00e7ou a fluir. Algumas pessoas t\u00eam me perguntado se o romance \u00e9 de fato o g\u00eanero mais bra\u00e7al, e eu lhes digo que as dificuldades na constru\u00e7\u00e3o do <em>Su\u00edte de sil\u00eancios<\/em> n\u00e3o me pareceram maiores do que aquelas com que me deparei na elabora\u00e7\u00e3o de alguns contos; creio que s\u00e3o de uma outra ordem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Somos crias de um deus menor, o mercado, quando, presos a ele, submetemo-nos \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de modelos. Consegue vislumbrar por qual raz\u00e3o um livro de contos, por exemplo, seja algo pouco comercial? Esse tipo de constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhe soa inc\u00f4moda?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARILIA ARNAUD &#8211; <\/strong>N\u00e3o compreendo a l\u00f3gica comercial das editoras. H\u00e1 um desprezo declarado pelo conto, como se tratasse de um g\u00eanero menor. Antes do <em>Su\u00edte de sil\u00eancios<\/em>, ouvi in\u00fameras vezes a mesma pergunta, quando finalmente eu escreveria um romance. Leitores, amigos, familiares. Nessa cobran\u00e7a equivocada, eu enxergava uma d\u00favida quanto ao meu valor como escritora, como se somente com a publica\u00e7\u00e3o de um romance eu pudesse confirm\u00e1-lo. Como j\u00e1 falei, encarei a negativa da editora como um desafio, mas eu j\u00e1 vinha percebendo que meus contos estavam cada vez mais longos. A experi\u00eancia de escrever um romance n\u00e3o me desagradou. Pelo contr\u00e1rio. Tanto, que j\u00e1 tem um outro tomando forma dentro de mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure style=\"width: 328px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/INTERNA-11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/INTERNA-11.jpg\" alt=\"\" width=\"328\" height=\"495\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Marilia Arnaud por Roberto Athayde<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Acredita que estamos vivendo um tempo no qual as escrituras e seus criadores andam um tanto exasperados por reconhecimento ou afirma\u00e7\u00e3o? N\u00e3o seria melhor lermos mais do que escrevermos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARILIA ARNAUD &#8211; <\/strong>Sem d\u00favida. Hoje se tem uma superexposi\u00e7\u00e3o do autor. Se ele n\u00e3o aparece, n\u00e3o circula, n\u00e3o frequenta festas e feiras liter\u00e1rias, n\u00e3o d\u00e1 palestras, n\u00e3o fala sobre a pr\u00f3pria obra, seus livros simplesmente passam despercebidos. O &#8220;escritor espet\u00e1culo&#8221; n\u00e3o tem mais tempo para escrever; ele viaja o tempo inteiro, correndo de l\u00e1 para c\u00e1, num frenesi e, muito provavelmente, numa ansiedade terr\u00edvel. Peno demais quando sou convidada para algum desses eventos. Sou t\u00edmida. Gosto de ficar quieta no meu canto, lendo e escrevendo. Falar em p\u00fablico me constrange. E me pergunto qual o sentido de se falar sobre o que se escreve se o livro existe para ser lido? N\u00e3o estaria o autor usurpando o espa\u00e7o do livro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O que voc\u00ea n\u00e3o endossa nesse estado de coisas chamado p\u00f3s-modernidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARILIA ARNAUD &#8211; <\/strong>A superficialidade das rela\u00e7\u00f5es, a falta de interesse real pelo outro, isso \u00e9 o que h\u00e1 de pior. Na literatura, os experimentalismos presun\u00e7osos, o barateamento da linguagem, narrativas sem a m\u00ednima elabora\u00e7\u00e3o, palavras vazias, textos ocos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Aos poucos, voc\u00ea prepara um novo romance. Depois de percorrer algumas veredas da palavra, tem a sensa\u00e7\u00e3o de estar mais pr\u00f3xima de uma maturidade criativa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARILIA ARNAUD \u2013<\/strong> N\u00e3o tenho d\u00favida de que cresci nesses anos todos de escritura. Meu texto tornou-se mais denso, meus personagens, mais complexos, a linguagem, mais elaborada. J\u00e1 falei, aqui mesmo ou em outra oportunidade, que esse \u00e9 um processo natural quando se investe na carreira liter\u00e1ria, quando o escritor se determina nesse sentido. Desde muito cedo, decidi que queria escrever. E escrever bem. Minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer isso de forma cada vez melhor. N\u00e3o tome essa afirma\u00e7\u00e3o como arrog\u00e2ncia. Reconhe\u00e7o minhas limita\u00e7\u00f5es. Sou uma eterna aprendiz, na vida e na cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Tenho d\u00f3 do escritor que se acomoda com a fama, com pr\u00eamios, com o reconhecimento dos leitores e da cr\u00edtica, porque est\u00e1 morto e n\u00e3o sabe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O que busca a mulher Marilia Arnaud em sua teima com as palavras?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARILIA ARNAUD &#8211;<\/strong> Tamb\u00e9m j\u00e1 me fiz essa pergunta. Muitas vezes, para escrever, abro m\u00e3o de grandes prazeres, como viajar, ir ao cinema ou ao bar\/restaurante, estar ao lado de pessoas que amo. De certa forma, deixo de viver experi\u00eancias reais para me embrenhar no universo da imagina\u00e7\u00e3o. Seria essa uma maneira de lidar melhor com esse sentimento, que \u00e9 um misto de perplexidade e desola\u00e7\u00e3o diante do mundo, do absurdo da vida? De me livrar do desamparo existencial de que todos n\u00f3s somos v\u00edtimas? Ou busco a emo\u00e7\u00e3o de ser tantos outros, sendo eu mesma? N\u00e3o sei. S\u00f3 sei que a palavra \u00e9 a minha f\u00e9, minha verdade, minha beleza. \u00c9 quando escrevo que me sinto mais pr\u00f3xima de mim mesma.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa entrevista, a escritora paraibana Marilia Arnaud fala sobre seu primeiro romance e outras tantas veredas da palavra<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2984,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[679,16,2539],"tags":[384,703,497,63,702,704,494,701,8,496,495],"class_list":["post-2978","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-73a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-clarice-lispector","tag-duina","tag-editora-rocco","tag-entrevista","tag-literatura-intimista","tag-macabea","tag-marilia-arnaud","tag-olhar-feminino","tag-pequena-sabatina-ao-artista","tag-romance","tag-suite-de-silencios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2978"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2978\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3346,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2978\/revisions\/3346"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2984"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}