{"id":3019,"date":"2012-11-13T17:40:28","date_gmt":"2012-11-13T20:40:28","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=3019"},"modified":"2012-11-13T23:24:59","modified_gmt":"2012-11-14T02:24:59","slug":"drops-da-setima-arte-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/drops-da-setima-arte-8\/","title":{"rendered":"Drops da S\u00e9tima Arte"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Larissa Mendes <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Luz nas Trevas &#8211; A Volta do Bandido da Luz Vermelha. Brasil. 2010.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Luz-nas-Trevas-Cartaz.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3021\" title=\"Luz nas Trevas - Cartaz\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Luz-nas-Trevas-Cartaz.jpg\" alt=\"\" width=\"337\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Luz-nas-Trevas-Cartaz.jpg 337w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Luz-nas-Trevas-Cartaz-202x300.jpg 202w\" sizes=\"auto, (max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><em>\u201c(&#8230;) Mas s\u00f3 viveu de fato quem conheceu luz e sombras\u201d. <\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 inquestion\u00e1vel que <em>O Bandido da Luz Vermelha<\/em> (1968), primeiro longa-metragem de Rog\u00e9rio Sganzerla, ent\u00e3o um jovem cr\u00edtico de cinema de 22 anos, tornou-se um manifesto do denominado <em>cinema marginal<\/em>. O filme \u2013 baseado na hist\u00f3ria de Jo\u00e3o Ac\u00e1cio Pereira da Costa, lend\u00e1rio assaltante de mans\u00f5es paulistanas que usava um len\u00e7o para cobrir o rosto e uma lanterna de bocal vermelho \u2013 revela todo o experimentalismo, estrutura d\u00edssona e est\u00e9tica radical que romperam o tradicionalismo narrativo da \u00e9poca, ignorando censura e mercado e conquistando p\u00fablico e cr\u00edtica. Endossado por nomes como Ozualdo Candeias, Andr\u00e9a Tonacci, J\u00falio Bressane e Jo\u00e3o Silv\u00e9rio Trevisan, os <em>marginais<\/em> foram grandes entusiastas da ironia e da subvers\u00e3o da linguagem cinematogr\u00e1fica brasileira. Pressionado pela ditadura militar, o movimento teve seu fim em meados da d\u00e9cada de 70, com v\u00e1rios cineastas exilados na Europa. Sganzerla faleceu em 2004, v\u00edtima de um tumor cerebral, mas deixou como legado o que seria o roteiro original de uma continua\u00e7\u00e3o deste cl\u00e1ssico: <em>Luz nas Trevas \u2013 A Volta do Bandido da Luz Vermelha, <\/em>adaptado anos depois pela atriz Helena Ignez (vi\u00fava do cineasta e sua eterna musa) e transformado quase em projeto familiar, produzido e protagonizado pelas filhas do casal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jorge Prado \u2013 uma das identidades do Bandido da Luz Vermelha \u2013 ou simplesmente Luz (Ney Matogrosso) \u00e9 um prisioneiro de si mesmo. Condenado a 300 anos de cadeia e recluso h\u00e1 30, o \u201cmalandro for\u00e7ado pelas circunst\u00e2ncias\u201d viu sua pena gradativamente reduzida (e suas regalias atendidas) de acordo com os crimes n\u00e3o-resolvidos que assumia ser autor. Os mais atentos logo questionar\u00e3o: como pode Luz estar preso se ele morre eletrocutado no filme de 68? Ao que o pr\u00f3prio detento protesta enquanto assiste a cena: \u201c\u2013 <em>N\u00e3o foi assim que eu ensaiei pra morrer!\u201d<\/em>. Jorge Bronze (Andr\u00e9 Guerreiro Lopes), codinome Tudo-ou-Nada, \u00e9 filho de Luz, fruto de seu relacionamento com Olga (Sandra Corveloni), uma das muitas mulheres que realizam suas fantasias sexuais em visitas \u00edntimas na pris\u00e3o. Tudo-ou-Nada ingressou na marginalidade ainda moleque, cometendo pequenos furtos antes mesmo de saber sua filia\u00e7\u00e3o famosa. Ap\u00f3s a revela\u00e7\u00e3o da m\u00e3e, torna-se uma esp\u00e9cie de sucessor de Luz Vermelha (ou de Michel Poiccard, em refer\u00eancia ao personagem de <em>Acossado<\/em>, de <em>Goddard<\/em>), tanto na indument\u00e1ria criminal quanto ideol\u00f3gica, cujo lema \u00e9 \u201c<em>ouro ou euro<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_3022\" aria-describedby=\"caption-attachment-3022\" style=\"width: 490px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/interna.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3022\" title=\"Luz nas trevas\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/interna.jpg\" alt=\"\" width=\"490\" height=\"326\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3022\" class=\"wp-caption-text\">Ney Matogrosso na pele do Luz Vermelha<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale salientar que em nenhum momento Ney Matogrosso fica intimidado pela sombra de Paulo Vila\u00e7a (o bandido original): o cantor est\u00e1 magn\u00edfico e totalmente entregue no papel de um Luz Vermelha enjaulado e amargo, que se exercita com aparelhos improvisados, l\u00ea <em>Al\u00e9m<\/em><em> do Bem e do Mal<\/em>, de <em>Nietzsche<\/em>, recita <em>Kant <\/em>em espanhol, declama com veem\u00eancia profundas reflex\u00f5es sobre a pris\u00e3o e a vida, e faz uma performance de seu pr\u00f3prio <em>Sangue Latino<\/em>. O longa (que \u00e0 primeira vista pode ser confundido com t\u00edtulo de terror) conta ainda com r\u00e1pidas participa\u00e7\u00f5es de Bruna Lombardi, Maria Lu\u00edsa Mendon\u00e7a, Simone Spoladore, Paulo Goulart, S\u00e9rgio Mamberti, Arrigo Barnab\u00e9, Jos\u00e9 Mojica Marins, Thunderbird e Criolo. A pr\u00f3pria Helena Ignez est\u00e1 no elenco como Madame Zero, uma antiga confidente de Luz, assim como sua filha Djin Sganzerla, que interpreta Jane, personagem hom\u00f4nima e semelhante (inclusive fisicamente) ao de Helena no primeiro filme. As \u201cJanes\u201d s\u00e3o namoradas, respectivamente, de bandido-pai e bandido-filho e protagonizam a mesma cena a bordo de um <em>Galaxie<\/em> convers\u00edvel em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 praia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Menos que uma sequ\u00eancia e mais que um <em>remake <\/em>(al\u00e9m da inser\u00e7\u00e3o de cenas do original, estrutura, planos e mesmo determinados di\u00e1logos se mant\u00eam id\u00eanticos), <em>Luz nas Trevas<\/em> \u00e9 um tributo a criador e criatura. Montado em 2010, o filme participou de alguns festivais e sofreu v\u00e1rios cortes at\u00e9 chegar a sua vers\u00e3o definitiva, lan\u00e7ada oficialmente sem muito alarde somente este ano. Dirigido por Helena Ignez em parceria com \u00cdcaro C. Martins, a pel\u00edcula revisita e reverencia um artista e sua principal obra que \u2013 mais de 40 anos depois \u2013 continua moderna e transgressora. Mantendo o discurso pol\u00edtico do filme referencial, atrav\u00e9s de locu\u00e7\u00f5es radiof\u00f4nicas sensacionalistas (com narra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m de Helena, Ney Latorraca e Gilcivan Carvalho) e de uma colet\u00e2nea de frases de efeito (v\u00e1rias delas em letreiros luminosos)<em>, Luz nas Trevas<\/em> permanece criticando a m\u00eddia e a pol\u00edcia, o sistema carcer\u00e1rio (\u201c<em>numa penitenci\u00e1ria ningu\u00e9m se penitencia de nada<\/em>\u201d) e a justi\u00e7a brasileira (\u201c<em>os grandes espertalh\u00f5es do Brasil n\u00e3o v\u00e3o pra cadeia\u201d).<\/em> Definitivamente o cinema-heran\u00e7a do catarinense Sganzerla segue vivo, contestador e atemporal. Se h\u00e1 luz nas trevas [da pris\u00e3o], por que n\u00e3o haveria originalidade na aparente mesmice?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/JSWmVUNtTyY\" frameborder=\"0\" width=\"560\" height=\"315\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>(<strong>Larissa Mendes<\/strong>\u00a0\u00e9 catarina de ber\u00e7o, turism\u00f3loga por op\u00e7\u00e3o e cin\u00e9fila convicta)<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Larissa Mendes rememora o cinema de Rog\u00e9rio Sganzerla<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3020,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[679,2535],"tags":[729,733,739,275,115,747,237,743,13,746,732,744,731,740,114,735,745,730,737,742,189,728,734,738,736,741],"class_list":["post-3019","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-73a-leva","category-drops-da-setima-arte","tag-a-volta-do-bandido-da-luz-vermelha","tag-andre-guerreiro-lopes","tag-arrigo-barnabe","tag-bruna-lombardi","tag-cinema","tag-cinema-marginal","tag-criolo","tag-djin-sganzerla","tag-drops-da-setima-arte","tag-gilcivan-carvalho","tag-helena-ignez","tag-icaro-c-martins","tag-joao-acacio-pereira-da-costa","tag-jose-mojica-marins","tag-larissa-mendes","tag-maria-luisa-mendonca","tag-ney-latorraca","tag-ney-matogrosso","tag-paulo-goulart","tag-paulo-vilaca","tag-resenha","tag-rogerio-sganzerla","tag-sandra-corveloni","tag-sergio-mamberti","tag-simone-spoladore","tag-thunderbird"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3019","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3019"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3019\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3116,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3019\/revisions\/3116"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3020"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}