{"id":4006,"date":"2013-03-20T16:48:28","date_gmt":"2013-03-20T19:48:28","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=4006"},"modified":"2013-04-23T12:34:35","modified_gmt":"2013-04-23T15:34:35","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-12","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-12\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">As opini\u00f5es se dividem quando o assunto \u00e9 delimitar as implica\u00e7\u00f5es da poesia. Se para alguns o g\u00eanero representa uma vasta possibilidade de experimentos e usos da linguagem, outros defendem uma perspectiva que opera no sentido duma transforma\u00e7\u00e3o do olhar. Especificidades \u00e0 parte, o fato \u00e9 que, ainda assim, parece haver uma coexist\u00eancia t\u00e1cita entre esses dois modos de pensar o fazer po\u00e9tico. Ao passo que descortinamos leituras das mais diversas, percebemos autores a privilegiar, sobretudo, aspectos formais da cria\u00e7\u00e3o, construindo uma obra que tamb\u00e9m congrega elementos dotados de subjetividade. Definitivamente, uma via n\u00e3o anula a outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o ato de criar possa conferir uma condi\u00e7\u00e3o especial a quem escreve, alavancando proezas e notoriedades, h\u00e1 quem renegue tal atributo n\u00e3o por um mero capricho, mas sim pela percep\u00e7\u00e3o de que estar no mundo e decodific\u00e1-lo de algum modo representa algo mais valioso. Nesse trajeto, imbricada est\u00e1 a no\u00e7\u00e3o mais pura de um exerc\u00edcio do olhar, e para gente como <a href=\"http:\/\/www.editorapatua.com.br\/ \"><strong>Eduardo Lacerda<\/strong><\/a> isso significa muito. Ga\u00facho por nascimento e residindo em S\u00e3o Paulo desde a inf\u00e2ncia, o mo\u00e7o rejeita ser chamado de poeta. Prefere, ao levar adiante sua fei\u00e7\u00e3o de editor, ser visto como um algu\u00e9m que faz nascer livros e autores. Em parceria com Aline Rocha, conduz a Editora Patu\u00e1, iniciativa que acaba de completar dois anos de exist\u00eancia e cujo lema confere aos livros um status de verdadeiros amuletos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo se considerando um n\u00e3o-poeta, Eduardo ousa com palavras e versos. A prova disso \u00e9 a reuni\u00e3o de poemas presente em sua cria de estreia, \u201cOutro dia de folia\u201d (Editora Patu\u00e1), obra que encerra imagens e tantos outros signos bem t\u00edpicos de um ser\/estar no mundo. Ao mesmo tempo em que apresenta deslocamentos em torno de temas caros \u00e0 exist\u00eancia, o livro tamb\u00e9m sugere impulsos pela via da transgress\u00e3o. L\u00ea-lo \u00e9 sentir-se um pouco menos confort\u00e1vel diante da parca quantidade de certezas que nos habitam. Assim, um ritual de provoca\u00e7\u00f5es desfila por cada verso, desafiando os leitores a celebrarem epifanias que nem sempre soam como boas novas. Tendo como companhias insepar\u00e1veis o espanto e o estranhamento, Eduardo Lacerda compartilha conosco suas impress\u00f5es sobre a vida e a literatura, perfazendo um di\u00e1logo movido por uma paix\u00e3o not\u00f3ria: os livros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4010\" aria-describedby=\"caption-attachment-4010\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/INTERNA-II1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4010\" title=\"Eduardo Lacerda\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/INTERNA-II1.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/INTERNA-II1.jpg 400w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/INTERNA-II1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4010\" class=\"wp-caption-text\">Eduardo Lacerda \/ Foto: Stefanni Marion<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; &#8220;Outro dia de folia&#8221;, sua obra de estreia, evoca, de modo especial, uma poesia de imagens, reminisc\u00eancias e louvores dispersos numa travessia pela vida. Na constru\u00e7\u00e3o desse caminho, o que lhe parece mais emblem\u00e1tico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EDUARDO LACERDA &#8211;<\/strong> Voc\u00ea tem raz\u00e3o em afirmar que \u00e9 e h\u00e1 uma poesia de imagens no meu livro &#8216;Outro dia de folia&#8217;. Tento construir em meus poemas aproxima\u00e7\u00f5es com a prosa, criando cenas, espa\u00e7os, personagens &#8211; embora n\u00e3o expl\u00edcitos &#8211; falas sobrepostas, que podem simular outros planos de discurso e di\u00e1logos dentro do poema. A imagem \u00e9 um dos recursos para a montagem desses pequenos contos em forma de poesia. Ent\u00e3o, se h\u00e1 algo emblem\u00e1tico, \u00e9 que o poema precisa acionar &#8211; criar uma a\u00e7\u00e3o &#8211; no momento da leitura. Precisa criar um impacto de uma hist\u00f3ria. N\u00e3o busco exatamente, com estes poemas do livro, despertar sentimentos ou mesmo emo\u00e7\u00f5es sentimentais, mas inserir o leitor dentro de uma a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nem todos os poemas consegui isso de forma efetiva, mas acho que com a maior parte isso foi poss\u00edvel, at\u00e9 mesmo pela liga\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica entre eles, que \u00e9, principalmente, a imagem do deslocamento e melancolia do eu-l\u00edrico em rela\u00e7\u00e3o a uma necessidade cada vez maior de felicidade, quase como uma obriga\u00e7\u00e3o de se comemorar, festejar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez dois versos possam ser emblem\u00e1ticos para a defini\u00e7\u00e3o desse deslocamento, o primeiro \u00e9 o desfecho do poema &#8220;A \u00daltima Ceia&#8221;: <em>&#8220;j\u00e1 n\u00e3o me encaixo \/ depois que aprendi \/ a olhar de lado \/ e sair por baixo&#8221;<\/em>. O personagem do poema, uma crian\u00e7a, \u00e9 colocado sentado \u00e0 esquerda dos pais no meio da mesa, essa marca\u00e7\u00e3o espacial &#8216;\u00e0 esquerda&#8217; (uma refer\u00eancia b\u00edblica alterada, que \u00e9 a de Jesus sentado \u00e0 direita de Deus) e &#8216;no meio&#8217; j\u00e1 revelam um deslocamento, uma n\u00e3o adequa\u00e7\u00e3o do personagem, que como um &#8216;prato que se enche&#8217; vai procurar &#8216;lugar entre as pessoas&#8217;. O personagem n\u00e3o encontra esse lugar, ele n\u00e3o aceita esse lugar imposto, ele aprende a olhar de lado. O &#8216;sair por baixo&#8217;, que poderia remeter a uma inferioridade desse &#8216;pequeno&#8217;, como chamo o personagem, na verdade pode significar que \u00e9 poss\u00edvel uma fuga. Que sair por baixo, quando estamos cercados por todos os lados, pode ser uma fuga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro verso \u00e9 do poema &#8216;Outro dia de folia&#8217;, que d\u00e1 t\u00edtulo ao livro (embora escrito ap\u00f3s o t\u00edtulo do livro j\u00e1 estar definido h\u00e1 muitos anos). Nesse poema eu questiono: &#8220;quanto h\u00e1 \/ de \/ penetra \/ no dono \/ de sua \/ pr\u00f3pria \/ festa?&#8221;. \u00c9 uma provoca\u00e7\u00e3o. E \u00e9 um deslocamento, mas \u00e9 tamb\u00e9m, talvez, uma forma de transgredir nossas certezas de espa\u00e7o no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; \u00c9 interessante voc\u00ea pontuar essa no\u00e7\u00e3o de transgress\u00e3o a servi\u00e7o da poesia. Nesse sentido, percebe a exist\u00eancia como um misto de espanto e estranhamento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EDUARDO LACERDA &#8211; <\/strong>O poeta Ferreira Gullar afirmou exatamente isso sobre sua poesia: <em>&#8220;A minha poesia nasce do espanto, de alguma coisa que me surpreende, alguma coisa que eu n\u00e3o tinha descoberto ainda na vida&#8221;<\/em>. Gosto disso, do espanto, do estranhamento, mas tamb\u00e9m da descoberta. Descobrir algo, conhecer e, principalmente, reconhecer s\u00e3o passos al\u00e9m do estranhamento. \u00c9 entrar em contato com aquilo, mesmo sem um entendimento completo. Podemos estranhar algo a vida toda e aquilo n\u00e3o e nunca significar absolutamente nada, n\u00e3o \u00e9? Um estranhamento s\u00f3 ter\u00e1 valor se me revelar algo. Ent\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma revela\u00e7\u00e3o. Fazer um poema \u00e9 tamb\u00e9m encher de significados o que queremos dizer. E ser\u00e1 um bom poema aquele que conseguir criar outros espantos e novos significados a partir disso. Um bom poema precisa ter uma eternidade (e n\u00e3o infinidade) de interpreta\u00e7\u00f5es, eu acho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas acho que existem muitas interpreta\u00e7\u00f5es para a minha percep\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia. A minha exist\u00eancia, como pessoa, \u00e9 uma coisa muito simples. Gosto de livros, amigos e cerveja. E \u00e9 diferente da minha exist\u00eancia como poeta, da minha exist\u00eancia como editor de livros. Ali\u00e1s, sempre afirmei que eu n\u00e3o sou um poeta. Eu n\u00e3o romantizo a figura do poeta. Eu n\u00e3o existo como poeta. Publicar foi uma consequ\u00eancia de mais de onze anos escrevendo alguns poemas que acabaram premiados para a publica\u00e7\u00e3o em livro. Publicar se tornou uma obriga\u00e7\u00e3o, acho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas eu romantizo a minha import\u00e2ncia de editor. Eu existo como editor. Talvez isso seja estranho e espantoso. Espero que seja. Mas n\u00e3o estou dando um sentido de uma import\u00e2ncia para os outros, n\u00e3o sei se tem essa import\u00e2ncia. \u00c9 importante para mim. O que eu sinto com a edi\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente o que deve sentir um escritor. E que o Rilke definiu t\u00e3o bem: <em>&#8220;Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas ra\u00edzes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranquila de sua noite: \u201dSou mesmo for\u00e7ado a escrever?&#8221;<\/em>. Eu s\u00f3 morreria se n\u00e3o pudesse mais, de alguma maneira, trabalhar com os livros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Ao declarar-se um n\u00e3o-poeta, voc\u00ea abre margem para algumas reflex\u00f5es ligadas ao of\u00edcio, sobretudo se formos levar em conta a multiplicidade de escritos que eclodem cotidiana e freneticamente em nosso tempo. Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es daquilo que pode ser considerado como de efetiva qualidade, acredita que a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria anda um tanto banalizada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EDUARDO LACERDA &#8211; <\/strong>Entramos em um campo onde tenho feito muitas inimizades. E, sinceramente, n\u00e3o tenho nenhum problema com isso. Tenho defendido, nos \u00faltimos anos, a ideia de que existem mais poetas do que leitores. Um paradoxo, no m\u00ednimo. Um absurdo, para dizer a verdade. Todo poeta deveria ser um leitor. Eles n\u00e3o s\u00e3o, infelizmente. Claro, n\u00e3o quero generalizar. Alguns ainda s\u00e3o leitores, mas \u00e9 uma parte muito \u00ednfima. Mas se realmente todo poeta fosse leitor de poesia, poesia venderia muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, sim, a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria est\u00e1 banalizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostaria de dizer, entretanto, que acredito que todos t\u00eam o direito de exercer a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. A banaliza\u00e7\u00e3o da literatura n\u00e3o est\u00e1 no fato da populariza\u00e7\u00e3o da escrita. Poesia n\u00e3o \u00e9 para as elites, assim como n\u00e3o \u00e9 para as massas. Ela \u00e9 para todos. A poesia deve estar acess\u00edvel para todas as pessoas. Algumas das manifesta\u00e7\u00f5es mais interessantes de cria\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria est\u00e3o ocorrendo nas periferias de S\u00e3o Paulo, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banaliza\u00e7\u00e3o, a meu ver, \u00e9 o descaso dos poetas com outros poetas, com outros livros, com outras linguagens, com tudo que est\u00e1 ao nosso redor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vou dar um exemplo simples: a Editora Patu\u00e1, da qual sou coeditor, recebe cerca de 100 originais por m\u00eas. Desse total, muitas vezes, nenhum desses autores sequer conhecem um livro da editora. Nunca se interessaram em comprar nenhum livro de nenhum autor, muito menos pedir um e-book de gra\u00e7a (os quais sempre oferecemos). Eu n\u00e3o entendo, ent\u00e3o, como algu\u00e9m pode se interessar por uma editora que n\u00e3o conhece. E talvez isso explique como tantos escritores pelo pa\u00eds s\u00e3o enganados por editoras sem nenhuma qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de publica\u00e7\u00e3o se tornou maior que a necessidade de leitura e de di\u00e1logo com o outro. Todos s\u00f3 querem falar. E eu acho que \u00e9 o momento de pararmos para tamb\u00e9m ouvir o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, acho que essa se tornou a banaliza\u00e7\u00e3o da poesia, mas tamb\u00e9m \u00e9 a banaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es em toda a sociedade. Mas esse \u00e9 o discurso de um otimista, embora n\u00e3o pare\u00e7a. O meu otimismo est\u00e1 nas minhas a\u00e7\u00f5es, em acreditar nos poetas. Em acreditar ainda na literatura, na poesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Talvez uma das causas desse insulamento liter\u00e1rio seja a tend\u00eancia atual de la\u00e7os de compadrio estabelecidos na internet, principalmente via blogs e sites pessoais. Muitos se visitam e se comentam mantendo uma seara de cordialidade que parece alimentar um c\u00edrculo vicioso. Da\u00ed, essa, digamos assim, fr\u00e1gil aprova\u00e7\u00e3o, com seus controvertidos c\u00f3digos de \u00e9tica, oferecer um ambiente perigoso para a cria\u00e7\u00e3o. Vivemos uma era de relativiza\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EDUARDO LACERDA &#8211; <\/strong>S\u00e9rgio Buarque de Holanda formulou a ideia do homem cordial. Acho que ela explica uma parte do que voc\u00ea chamou de &#8216;era de relativiza\u00e7\u00f5es&#8217;. Na verdade, essa &#8216;cordialidade&#8217; n\u00e3o \u00e9 &#8211; sempre &#8211; essencialmente ruim. Chico Buarque, filho de S\u00e9rgio Buarque, comenta \/ resume em um <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xAVRGvoy2Sk \"><strong>v\u00eddeo<\/strong><\/a> essa teoria: <em>&#8220;Mas a ideia \u00e9 a do homem cordial como o homem que reage conforme seu cora\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Capaz pro bem e pro mal, capaz de grandes efus\u00f5es amorosas, capaz de inimizades at\u00e9 violentas. E o brasileiro tem um pouco, acho que ainda tem, de levar tudo pra esse lado, de ser incapaz \u00e0s vezes de seguir uma hierarquia, de obedecer uma disciplina muito r\u00edgida. A vontade que ele tem de travar contatos amistosos, criar intimidade, encurtar dist\u00e2ncias. Isso continua existindo, essa informalidade, avesso as formalidades, n\u00e3o gosta (&#8230;) o brasileiro criou essa informalidade natural. Isso continua existindo. Agora, como eu dizia, \u00e9 pro bem e pro mal, dependendo da circunst\u00e2ncia o brasileiro pode dar numa ra\u00e7a generosa, n\u00e9? Ou num povo at\u00e9 triste e amargurado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><br \/>\n<\/em>Como j\u00e1 afirmei anteriormente, minha tend\u00eancia \u00e9 para o otimismo. Acredito na literatura, acredito nos livros, acredito na poesia. As relativiza\u00e7\u00f5es, as cordialidades, eu n\u00e3o poderei mud\u00e1-las dentro do sistema. O que podemos fazer \u00e9 trabalhar seriamente e de forma honesta, com comprometimento. Eu busco muito isso de nossos parceiros &#8211; autores, por exemplo &#8211; comprometimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evitamos, dentro da Patu\u00e1, quem queira estabelecer rela\u00e7\u00f5es apenas cordiais, de amizade. Eu costumo dizer que n\u00e3o publicamos os amigos, embora todos os autores se tornem nossos amigos. A amizade \u00e9 fundamental. Mas o texto, o texto \u00e9, para a publica\u00e7\u00e3o, mais importante. Nem sempre acertamos. \u00c9 imposs\u00edvel, sem conhecer um autor, saber qual o comprometimento dele com o livro, com a literatura, com a editora. Mas acho que formamos, em menos de dois anos, um grupo de autores que ultrapassam a publica\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio livro. Isso \u00e9 fant\u00e1stico!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A Editora Patu\u00e1 completa agora dois anos de exist\u00eancia e vem, pelo que se pode observar, construindo um caminho cada vez mais s\u00f3lido. O surgimento dela trouxe embutido algum desafio em especial? Voc\u00eas vislumbraram uma ruptura de padr\u00f5es editoriais?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EDUARDO LACERDA &#8211; <\/strong>Ap\u00f3s dois anos de trabalho, com quase 80 autores publicados e mais 100 t\u00edtulos que queremos lan\u00e7ar apenas este ano, al\u00e9m de um pr\u00eamio de R$ 50.000,00 do Proac &#8211; Programa de A\u00e7\u00e3o Cultural do Governo do Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; destinado \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da Cole\u00e7\u00e3o Patuscada, que publicar\u00e1 12 t\u00edtulos de 12 poetas in\u00e9ditos, sendo que os livros ter\u00e3o uma tiragem de 1500 exemplares, com 20% destinados \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o gratuita nas bibliotecas do estado, acredito que conseguimos romper com alguns padr\u00f5es, tanto editoriais como de mercado editorial, agora os desafios s\u00e3o outros e muitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas existem dois desafios especiais nesse momento. O primeiro \u00e9 editorial, queremos sempre apresentar livros diferentes e \u00fanicos. Ent\u00e3o estamos sempre pensando em como inovar de alguma forma. Cada livro na Patu\u00e1 tem um projeto gr\u00e1fico especial, ilustra\u00e7\u00f5es exclusivas, formatos e acabamentos diferenciados (capa-dura em alguns t\u00edtulos, por exemplo). Ent\u00e3o, esse \u00e9 um desafio prazeroso: como podemos fazer algo ainda melhor e surpreendente? Como fazer isso mantendo tamb\u00e9m os pre\u00e7os de nossos t\u00edtulos abaixo dos praticados pelas outras editoras?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo desafio \u00e9 o da Patu\u00e1 como empresa. Em dois anos conseguimos vencer uma s\u00e9rie de dificuldades, mas a editora ainda n\u00e3o nos d\u00e1 lucro. \u00c9 claro que o lucro n\u00e3o \u00e9 nosso objetivo principal, mas precisamos dele at\u00e9 para continuar o projeto. \u00c9 bom ter autonomia financeira para investirmos em novos projetos, em coisas mais ambiciosas (editorialmente). Essencialmente esse desafio nem \u00e9 financeiro, mas ser\u00e1 bom ter mais livros sendo vendidos e distribu\u00eddos, isso tamb\u00e9m pode nos fortalecer editorialmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Quando se fala em era digital versus a manuten\u00e7\u00e3o do livro impresso, muitos assumem um discurso apocal\u00edtico quanto a este \u00faltimo. Na sua vis\u00e3o de editor, de que modo podemos fomentar uma coexist\u00eancia harmoniosa entre os dois suportes?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EDUARDO LACERDA &#8211; <\/strong>H\u00e1 muitas formas de se entender essa quest\u00e3o, infelizmente muita gente ainda n\u00e3o entendeu nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor Umberto Eco deu uma defini\u00e7\u00e3o muito simples e certeira sobre o que \u00e9 um livro <em>&#8220;O livro \u00e9 como a roda, depois que foi inventado, n\u00e3o h\u00e1 como melhorar&#8221;. <\/em>E \u00e9 isso. O livro digital \u00e9 apenas um suporte (na verdade, o livro digital pede um suporte &#8211; os leitores eletr\u00f4nicos -, enquanto o livro impresso \u00e9 o pr\u00f3prio suporte do texto: s\u00e3o ambos, texto e suporte, uma \u00fanica coisa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o livro digital n\u00e3o veio substituir o livro impresso, que ainda \u00e9 infinitamente superior, mas pode ser &#8211; nem sempre ele \u00e9 &#8211; uma op\u00e7\u00e3o a mais para a leitura e acesso ao conhecimento. N\u00e3o h\u00e1 nada, por\u00e9m, no livro digital, que o torne mais atraente do que o livro impresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensando de forma pr\u00e1tica, um bom livro tamb\u00e9m \u00e9 um produto, mas \u00e9 um produto na contram\u00e3o da l\u00f3gica capitalista. Um bom livro pode durar uma vida inteira &#8211; pode durar dezenas de vidas inteiras e passar v\u00e1rios s\u00e9culos. Um livro n\u00e3o fica obsoleto. Um livro impresso pode ser emprestado e lido por v\u00e1rias pessoas (pode-se argumentar que o livro digital tamb\u00e9m permite o compartilhamento, mas n\u00e3o \u00e9 verdade. Um livro digital comprado legalmente n\u00e3o pode ser revendido, emprestado, compartilhado. Podemos fazer isso apenas &#8216;pirateando&#8217; o livro digital. O que \u00e9 diferente, por\u00e9m, em tudo que \u00e9 independente no digital). Um livro pode ser revendido, pode ganhar valor, com o passar dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E pensando de forma subjetiva, um livro pode ter marcas das nossas viv\u00eancias: impress\u00f5es digitais, manchas, orelhas, riscos, anota\u00e7\u00f5es, dedicat\u00f3rias. Ele pode nos trazer mem\u00f3rias. Ele pode ser autografado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer um livro impresso \u00e9 tamb\u00e9m mais barato, acredite. O que \u00e9 caro no livro impresso n\u00e3o \u00e9 a impress\u00e3o, mas o que h\u00e1 de humano no processo: revis\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o, ilustra\u00e7\u00f5es, projeto gr\u00e1fico. E isso dever\u00e1 continuar no livro digital &#8211; deveria continuar, pelo menos. N\u00e3o sei se vai. Sinto, muitas vezes, que poucas pessoas se importam com essas partes de um livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os entusiastas do livro digital, em geral grandes corpora\u00e7\u00f5es como a Amazon, querem que o livro entre na roda do jogo capitalista. Querem nos obrigar, com v\u00e1rios discursos est\u00fapidos como o pre\u00e7o (que n\u00e3o \u00e9 menor) ou como a praticidade (que n\u00e3o \u00e9 maior), a comprarmos, a cada dois anos, um novo leitor eletr\u00f4nico e a recomprar, centenas de vezes durante nossas vidas, os mesmos t\u00edtulos que, de forma impressa, ter\u00edamos que comprar uma \u00fanica vez. \u00c9 isso o que acontece com a m\u00fasica, por exemplo, e que nunca aconteceu com o livro. Os suportes v\u00e3o mudando e somos obrigados constantemente a renovar nossas cole\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem outros argumentos ainda, mas recomendo para uma compreens\u00e3o maior sobre o assunto o texto &#8220;O futuro do livro impresso e das editoras&#8221;, do professor e editor Pl\u00ednio Martins Filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, se entendermos o livro digital como maneira de dissemina\u00e7\u00e3o independente do conhecimento, como forma de compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es, cultura, textos, literatura, ent\u00e3o eu acho que ele vem para somar. A Diversos Afins, e centenas de novas revistas, por exemplo, s\u00e3o digitais. Tenho lido muitos livros digitais, mas a maneira como essas publica\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas v\u00eam para renovar a antil\u00f3gica capitalista do livro que mencionei. E isso \u00e9 incr\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4011\" aria-describedby=\"caption-attachment-4011\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/INTERNA-I1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4011\" title=\"Eduardo Lacerda\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/INTERNA-I1.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/INTERNA-I1.jpg 390w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/INTERNA-I1-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/INTERNA-I1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4011\" class=\"wp-caption-text\">Eduardo Lacerda \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Certa feita, o poeta Manoel de Barros afirmou que a gente escreve para se descobrir e, lembrando o dito de algu\u00e9m, ressaltou que nossas maiores verdades s\u00e3o inventadas. O que acha disso? Escrever seria tamb\u00e9m um truque para o existir?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EDUARDO LACERDA &#8211; <\/strong>Gullar tamb\u00e9m diz que <em>&#8220;a arte existe porque a vida n\u00e3o basta&#8221;<\/em>. Mas discordo, para mim a vida s\u00f3 existe porque a pr\u00f3pria vida n\u00e3o basta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, como j\u00e1 disse, escrevo muito pouco. Ent\u00e3o n\u00e3o posso dizer que isto, que escrever, \u00e9 o meu truque para existir. Realizar coisas \u00e9 o meu truque para existir. Mas eu n\u00e3o estou dizendo que s\u00e3o coisas importantes, s\u00e3o importantes para mim. Eu gosto muito de falar com poesia, ent\u00e3o isso de realizar coisas, de dizer que eu realizo para existir, posso expressar com esse poema do Leminski: <em>\u201cdas coisas \/ que eu fiz a metro \/ todos saber\u00e3o \/ quantos quil\u00f4metros \/ s\u00e3o \/ \/ aquelas \/ em cent\u00edmetros \/ sentimentos m\u00ednimos \/ \u00edmpetos infinitos \/ n\u00e3o?\u201d. <\/em>Acho que \u00e9 isso. Eu tenho \u00edmpetos infinitos, mas s\u00e3o t\u00e3o importantes. E acredito que se h\u00e1 um truque para existir, ele est\u00e1 nisso. Mas est\u00e1 tamb\u00e9m, concordo, nas verdades inventadas. Toda realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma verdade inventada. Gosto de pensar, qual Itamar, &#8220;Que tal o imposs\u00edvel?&#8221;. Mas o imposs\u00edvel pode ser m\u00ednimo, pode ser s\u00f3 meu. \u00c9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A poesia est\u00e1 a servi\u00e7o de qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EDUARDO LACERDA &#8211;<\/strong> Vou citar o Leminski novamente: \u201cA poesia \u00e9 o inutens\u00edlio. A \u00fanica raz\u00e3o de ser da poesia \u00e9 que ela faz parte daquelas coisas in\u00fateis da vida que n\u00e3o precisam de justificativa. Porque elas s\u00e3o a pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser da vida. Querer que a poesia tenha um porqu\u00ea, querer que a poesia esteja a servi\u00e7o de alguma coisa \u00e9 a mesma coisa que querer que o orgasmo tenha um porqu\u00ea, que a amizade e o afeto tenham um porqu\u00ea. A poesia faz parte daquelas coisas que n\u00e3o precisam de um porqu\u00ea&#8221;. Mas estou citando para discordar um pouco, s\u00f3 um pouco. A poesia realmente n\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o &#8211; ela n\u00e3o \u00e9 m\u00e1quina &#8211; de nada e de ningu\u00e9m, ela n\u00e3o existe sem os poetas, sem os leitores, e n\u00e3o existe mesmo sem os cr\u00edticos. E todos estes est\u00e3o a servi\u00e7o de algo. Veja, estar a servi\u00e7o n\u00e3o significa que estamos servis, que estamos escravos, que estamos qualquer coisa que nos desumanize na rela\u00e7\u00e3o de um trabalho. Mas escrever, mas editar, mas criticar&#8230; mas ler, afinal, \u00e9 um trabalho. \u00c9 uma forma de transformar a realidade, de transformar as percep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poesia serve para transformar a minha percep\u00e7\u00e3o. Ela serve, para mim, para transformar a realidade. Ela \u00e9 \u00fatil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O que voc\u00ea n\u00e3o endossa nesse estado de coisas chamado p\u00f3s-modernidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EDUARDO LACERDA &#8211;<\/strong> Vamos brincar com uma pergunta anterior? A p\u00f3s-modernidade \u00e9 uma verdade inventada. \u00c9 apenas uma necessidade, e at\u00e9 muito carregada de romantismo, de se delinear percep\u00e7\u00f5es sobre a realidade hist\u00f3rica que vivemos, mas todas essas tentativas s\u00e3o bem falhas ainda. Essa constru\u00e7\u00e3o, e essa percep\u00e7\u00e3o, da nossa condi\u00e7\u00e3o atual, n\u00e3o est\u00e3o bem claras. N\u00e3o est\u00e3o para mim. E o que eu n\u00e3o endosso no que chamam de p\u00f3s-modernidade \u00e9 o que eu n\u00e3o endossaria nos entendimentos de realidades anteriores: a explora\u00e7\u00e3o, a injusti\u00e7a, a desumaniza\u00e7\u00e3o, a falta de perspectiva para que a nossa vida possa ser mais do que o trabalho e as obriga\u00e7\u00f5es. Isso eu n\u00e3o posso endossar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>***<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CONDICIONADOR<\/strong><\/p>\n<p><em>Eduardo Lacerda<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agora<\/p>\n<p>que meus cabelos<\/p>\n<p>cresceram<\/p>\n<p>(<em>e parecem femininos<\/em>)<\/p>\n<p>tenho menos<\/p>\n<p>medo<\/p>\n<p>que pare\u00e7a<\/p>\n<p>desespero<\/p>\n<p>minhas duas m\u00e3os cravadas<\/p>\n<p>no centro<\/p>\n<p>da<\/p>\n<p>cabe\u00e7a<\/p>\n<p>:<\/p>\n<p>agora que meus cabelos cresceram<\/p>\n<p>(<em>e constantemente cobrem meus olhos<\/em>)<\/p>\n<p>penso<\/p>\n<p>que parece o tempo<\/p>\n<p>o tempo todo<\/p>\n<p>que estou negando<\/p>\n<p>algo<\/p>\n<p>(<em>assim, quando os balan\u00e7o<\/em><\/p>\n<p><em>para o lado<\/em>).<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m<\/p>\n<p>que afirmo<\/p>\n<p>(<em>como se<\/em><\/p>\n<p><em>cisco<\/em><\/p>\n<p><em>para alimento<\/em>)<\/p>\n<p>quando<\/p>\n<p>insisto<\/p>\n<p>(<em>reticente<\/em>) em<\/p>\n<p>ir com eles,<\/p>\n<p>para tr\u00e1s e<\/p>\n<p>para frente.<\/p>\n<p>E<\/p>\n<p>embora<\/p>\n<p>agora que meus cabelos<\/p>\n<p>cresceram<\/p>\n<p>e esses gestos<\/p>\n<p>(<em>e minhas m\u00e3os ali no centro<\/em>)<\/p>\n<p>n\u00e3o<\/p>\n<p>pare\u00e7am<\/p>\n<p>desesperos<\/p>\n<p>(<em>muitos pensam at\u00e9 que parece um carinho<\/em>).<\/p>\n<p>Carinho, carinho, carinho, carinho<\/p>\n<p>ninho:<\/p>\n<p>de coceiras<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma conversa com o escritor e editor Eduardo Lacerda<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4007,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[998,16,2539],"tags":[1036,424,953,63,954,8],"class_list":["post-4006","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-77a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-editor","tag-editora-patua","tag-eduardo-lacerda","tag-entrevista","tag-outro-dia-de-folia","tag-pequena-sabatina-ao-artista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4006","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4006"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4006\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4483,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4006\/revisions\/4483"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4007"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}