{"id":4253,"date":"2013-04-22T11:29:18","date_gmt":"2013-04-22T14:29:18","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=4253"},"modified":"2013-05-23T16:31:08","modified_gmt":"2013-05-23T19:31:08","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-13","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-13\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encadear fatos, construir cen\u00e1rios que os abracem e mover os personagens dentro das narrativas s\u00e3o apenas uma parte da herc\u00falea tarefa de se contar uma hist\u00f3ria. Quando um autor possui estes ingredientes em suas m\u00e3os, passa a lidar com o desafio de traz\u00ea-los \u00e0 tona diante da presen\u00e7a dos leitores. Levar isso em frente n\u00e3o significa tecer um pacto com uma proposta de sedu\u00e7\u00e3o gratuita ou, simplesmente, enveredar-se pelo torpe caminho da superficialidade, como se pode deduzir em muitas leituras dilu\u00eddas no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Definitivamente, erguer uma hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 ter em conta apenas um arsenal de usos de linguagem e conduzi-los rumo a um ambiente meramente est\u00e9tico. Atrair um leitor para uma narrativa \u00e9, tamb\u00e9m, faz\u00ea-lo crer que tudo esteja sob seu controle at\u00e9 o ponto em que ele perceba ser praticamente imposs\u00edvel domar a eclos\u00e3o dos acontecimentos. E assim, rompendo convic\u00e7\u00f5es e deixando leitores desfilarem livres e nada impunes pelo jardim do imprevis\u00edvel, \u00e9 que um criador alcan\u00e7a com sua obra resultados substanciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o est\u00e1 longe de n\u00f3s quem pratica essa esp\u00e9cie de ritual criativo. O escritor e jornalista fluminense <strong>S\u00e9rgio Tavares <\/strong>\u00e9 exemplo vivo disso. Detentor de um estilo que penetra delicadamente no universo intimista de pessoas e lugares, S\u00e9rgio n\u00e3o \u00e9 apenas cicerone de quem l\u00ea seus escritos. Na verdade, estamos diante de um autor que, de caso pensado, conspira a favor de nossas percep\u00e7\u00f5es, ofertando-nos um complexo fluxo de descobertas e revela\u00e7\u00f5es. Conceber uma zona de conforto para o leitor n\u00e3o \u00e9 algo do qual esse autor seja fiel partid\u00e1rio. Importa, para ele, uma literatura que provoca, tira os m\u00f3veis de lugar e n\u00e3o se encarrega de determinar qualquer perspectiva de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vencedor do Pr\u00eamio SESC Nacional de Literatura 2009, com o livro de contos \u201cCavala\u201d (Editora Record), S\u00e9rgio Tavares recentemente lan\u00e7ou seu segundo rebento, \u201cQueda da pr\u00f3pria altura\u201d (Editora Confraria do Vento), que tamb\u00e9m trafega pelas veredas contistas. E para falar um pouco sobre o seu denso percurso pelas palavras e outros temas correlatos, o autor nos concede uma entrevista, pontuando aspectos que fazem de sua literatura uma observa\u00e7\u00e3o marcante sobre o espantado ato de existir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_4255\" aria-describedby=\"caption-attachment-4255\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/INTERNA-I.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4255 \" title=\"S\u00e9rgio Tavares\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/INTERNA-I.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/INTERNA-I.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/INTERNA-I-300x212.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4255\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e9rgio Tavares\/ Foto: Mateus Tavares<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Em &#8220;Queda da pr\u00f3pria altura&#8221; h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o abismal a atravessar as narrativas, como se existir fosse um arremesso rumo ao limiar das coisas. O que dizer das palavras que evocam o sabor dos\u00a0precip\u00edcios?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c9RGIO TAVARES &#8211; <\/strong>Creio que s\u00e3o as mais intensas. O Nietzsche tem uma frase que diz que se voc\u00ea olhar para o abismo por muito tempo, o abismo acaba tamb\u00e9m olhando para voc\u00ea. Esse livro \u00e9 o abismo que olhou para mim num momento terr\u00edvel da minha vida, viu um homem desmoronado por perda, impot\u00eancia e dor, e revidou com o \u00fanico eixo capaz de articular os fragmentos. Talvez isso explique a op\u00e7\u00e3o por contar essa hist\u00f3ria no formato de contos, lan\u00e7ando m\u00e3o de indu\u00e7\u00f5es que encadeiam todas as narrativas para um desfecho \u00fanico e provocam a sensa\u00e7\u00e3o de unicidade. Isso foi intencional, por\u00e9m, enquanto escrevia, eu n\u00e3o sabia o qu\u00e3o distante seria preciso enveredar para encontrar a chave capaz de trazer a voz narrativa de volta para o cen\u00e1rio estabelecido: o limiar abismal. Seja de maneira expl\u00edcita ou t\u00e1cita, \u00e9 ali que est\u00e3o os personagens, era onde eu estava. Foi ali tamb\u00e9m que percebi que, diante do abismo, ou voc\u00ea pula ou voc\u00ea decide conversar com ele. Eu e a voz narrativa do livro decidimos conversar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; De fato, fica-se com a sensa\u00e7\u00e3o de que o ambiente do livro tamb\u00e9m apontaria para a constru\u00e7\u00e3o de um poss\u00edvel romance. No entanto, a fragmenta\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e dos pr\u00f3prios sentimentos, aspectos marcantes de nosso tempo, surge bem delineada na narrativa e encontra abrigo nos contos. Essa reflex\u00e3o norteou sua escolha narrativa de algum modo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c9RGIO TAVARES &#8211; <\/strong>A mem\u00f3ria era o \u00fanico caminho para que esse livro existisse. Virar o jogo e exercer uma press\u00e3o sobre ela foi, naturalmente, entender que, para me reabilitar, eu precisava escrever sobre o que aconteceu, preencher essa aus\u00eancia com algo que pudesse eternizar o que as circunst\u00e2ncias da vida (alguns diriam destino, eu n\u00e3o tenho ideia) n\u00e3o me permitiram. Foi a partir dessa percep\u00e7\u00e3o que surgiram as muitas p\u00e1ginas de um cruzamento de testemunho e retrata\u00e7\u00e3o que, mais tarde, seriam editadas no conto \u201cSono\u201d, o n\u00facleo de todo o livro. O que h\u00e1 de verdadeiro, do que pode se aproximar de mais real do ocorrido est\u00e1 ali. Contudo eu n\u00e3o podia resumir toda a hist\u00f3ria a isso, eu era atacado por tantos sentimentos que precisava incidi-los em outras narrativas. Essa op\u00e7\u00e3o considero a mais acertada em \u201cQueda&#8230;\u201d. Ao contr\u00e1rio de \u201cCavala\u201d, meu livro anterior, onde o bin\u00f4mio loucura e sexo entretecia os contos, havia sentimentos demais, muitos fragmentos para definir dois ou tr\u00eas caminhos para a trama. O que eu n\u00e3o poderia, e sempre soube disso, era perder a m\u00e3o desses sentimentos e cair na pieguice ou na como\u00e7\u00e3o exacerbada. Portanto, depois de estar por muito tempo apegado a tudo aquilo, a tratar mem\u00f3ria feito uma massa de modelar, eu precisa me desprender e ler o livro como um leitor ap\u00e1tico. Isso \u00e9 literatura, afinal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Suas observa\u00e7\u00f5es aproximam-se muito com o pensamento do escritor Manoel Ricardo de Lima. Vislumbrando a literatura como uma armadilha a ser constru\u00edda, ele sustenta que o seu esfor\u00e7o \u00e9 para n\u00e3o escrever livros ing\u00eanuos, pois vivemos num tempo em que n\u00e3o podemos pactuar com esse tipo de coisa. \u00a0Seria esse o maior desafio da cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c9RGIO TAVARES &#8211; <\/strong>\u00c9 curioso voc\u00ea citar o Manoel Ricardo de Lima, pois ouvi coment\u00e1rios que traziam a mesma impress\u00e3o, por\u00e9m a primeira obra dele que li ocorreu depois de o novo livro j\u00e1 estar encerrado. Considero um tanto desconcertante, para um autor, fazer analogias entre sua escrita e a de outros escritores, mas h\u00e1 sim semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as, sobretudo no conceito empreendido especificamente em \u201cQueda&#8230;\u201d. Por conta de partir de um momento t\u00e3o \u00edntimo, acredito que a prosa acabou por incorporar naturalmente um verniz po\u00e9tico. Comparando com o meu primeiro livro, eletrificado por cargas fort\u00edssimas de viol\u00eancia e despudor, a tessitura dos novos contos acontece de maneira calculada, silenciosa, introvertida. Essa \u00e9 uma irmandade que percebo com o trabalho do Manoel, mais especificamente com o livro \u201cAs M\u00e3os\u201d, onde a poesia \u00e9 utilizada como elo para encadear as cenas que transcorrem em tempos mut\u00e1veis. Outra semelhan\u00e7a, e essa \u00e9 a mais viva, \u00e9 justamente o uso da literatura como armadilha, o que gosto de chamar de a constru\u00e7\u00e3o do nocaute. \u00a0\u00c9 n\u00e3o ser ing\u00eanuo (ou relapso) em acreditar que a ideia, o escopo, basta para que a hist\u00f3ria funcione, para que a estrutura prevista tenha solidez suficiente para sustentar a trama. Penso que \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio, que o leitor deve ser posto no estado de ref\u00e9m, que deve ser enganado at\u00e9 o derradeiro ponto final. Essa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 muito clara no conto \u201cCerim\u00f4nia\u201d, onde uma mulher se prende em reminisc\u00eancias enquanto separa a roupa do filho para um importante evento, at\u00e9 encontrar um desfecho arrebatador, que n\u00e3o cabe aqui revelar para n\u00e3o estragar a surpresa. Conquistar o leitor aos poucos e coloc\u00e1-lo numa zona de conforto, para em seguida atac\u00e1-lo com um golpe fulminante, sempre foi o que persegui, na edi\u00e7\u00e3o do novo livro. O maior desafio da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o tratar o leitor com carinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Logo em sua estreia em livro, os contos de &#8220;Cavala&#8221; conferiram a voc\u00ea o Pr\u00eamio SESC Nacional de Literatura. Em qual contexto voc\u00ea situa esse momento de reconhecimento?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c9RGIO TAVARES &#8211; <\/strong>No mais dos inesperados. Os contos que comp\u00f5em \u201cCavala\u201d s\u00e3o, em suas origens, acidentais. Durante o processo de cria\u00e7\u00e3o do novo livro (que, at\u00e9 ent\u00e3o, era previsto para ser o meu primeiro), escrevi alguns contos cuja natureza era exatamente a ant\u00edtese de como estava tratando a mem\u00f3ria em \u201cQueda&#8230;\u201d. Se as motiva\u00e7\u00f5es ali eram os sentimentos \u00edntimos, as lembran\u00e7as dolorosas e o vazio, nesses contos guardados n\u00e3o havia tempo para o luto ou para a autocomisera\u00e7\u00e3o. \u201cCavala\u201d \u00e9 constitu\u00eddo por personagens que, impelidos por desejos irrefre\u00e1veis, gozos desmedidos e transtornos mentais, s\u00e3o pressionados at\u00e9 situa\u00e7\u00f5es-limite, onde a possibilidade de reden\u00e7\u00e3o est\u00e1 condicionada ao cometimento de atos hediondos. \u00a0E isso tamb\u00e9m se reflete na prosa mais acelerada e fragmentada, sem espa\u00e7o para poesia ou onirismo. Mas, como disse, eram contos de gaveta e continuei com o projeto inicial. Foi ent\u00e3o que, certa manh\u00e3, eu li sobre as inscri\u00e7\u00f5es do Pr\u00eamio SESC; melhor dizendo, sobre o fim das inscri\u00e7\u00f5es. Era apenas o tempo de transformar esses contos num volume, revisar e despachar pelos correios. Assim o fiz e a vida seguiu, at\u00e9 o dia em que um telefonema mudou tudo. Eu vivia um outro momento, minha esposa estava gr\u00e1vida novamente, engatinh\u00e1vamos novos planos e, de repente, o sonho de muito tempo. Lembro claramente que estava na balsa, indo para o trabalho, e n\u00e3o sabia se voltava para casa, mantinha a normalidade ou tentava achar salm\u00e3o no fundo da Ba\u00eda de Guanabara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A condi\u00e7\u00e3o de premiado imp\u00f4s a voc\u00ea alguma mudan\u00e7a de paradigma ou ruptura em especial? Viu-se imbu\u00eddo de uma, digamos assim, maior responsabilidade criativa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c9RGIO TAVARES &#8211; <\/strong>Certamente houve uma ruptura, mas longe de qualquer aspecto negativo. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o Pr\u00eamio Sesc me avalizou como escritor, mas a conquista n\u00e3o se resume ao carimbo na capa do livro. Existe toda uma programa\u00e7\u00e3o robusta (participa\u00e7\u00f5es em feiras liter\u00e1rias, palestras, debates) que ocorre paralela ao lan\u00e7amento, contribuindo para o enriquecimento liter\u00e1rio do autor, bem como para a divulga\u00e7\u00e3o da obra. O ac\u00famulo dessas experi\u00eancias, diante da condi\u00e7\u00e3o de ter sido revelado por um pr\u00eamio, pesou muito mais nas minhas escolhas do que qualquer tentativa de superar o primeiro livro. Ali\u00e1s, o que seria uma tremenda estupidez, pois competir comigo mesmo s\u00f3 me valeria a derrota, de todo o modo. Fazer parte desse universo foi determinante para apagar todo o tra\u00e7o de deslumbramento, o que \u00e9 vital para um autor que planeja continuar publicando. O mercado editorial tem suas regras. \u00c9 isso. Se voc\u00ea pretende se estabelecer como escritor, escreva. Escreva, revise e reescreva. N\u00e3o h\u00e1 nada de encantado nesse processo. O carpinteiro n\u00e3o faz a mesa com o manuseio da madeira. Acreditar que o fato de o meu nome estar associado a um dos principais pr\u00eamios liter\u00e1rios do pa\u00eds abriria todas as portas, nunca foi uma possibilidade. O que foi \u00f3timo, j\u00e1 que a verdade est\u00e1 bem longe disso. Eu n\u00e3o posso me comprometer com o que criei ou com o que estou criando, mas com o que ainda preciso criar. Tem um trecho do conto \u201cQuebranto\u201d em que o narrador diz que quando deixamos de chamar ou de ser chamados, perdemos nossos nomes. \u00c9 exatamente assim que funciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O caminho por seguir, encerrando os desafios que lhe s\u00e3o peculiares, remonta algumas vezes \u00e0\u00a0 chamada &#8220;ang\u00fastia da cria\u00e7\u00e3o&#8221;.\u00a0 A quest\u00e3o de se desejar erguer uma obra com status de notoriedade n\u00e3o lhe parece um desvio de nosso tempo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c9RGIO TAVARES &#8211; <\/strong>De maneira nenhuma. Todo artista que se prop\u00f5e a publicar e divulgar uma obra est\u00e1 naturalmente em busca de notoriedade, principalmente aqueles que insistem que n\u00e3o, pois a nega\u00e7\u00e3o em si j\u00e1 \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o do holofote. O que n\u00e3o se deve confundir \u00e9 a chance de notoriedade com a busca vazia pela fama. S\u00e3o motiva\u00e7\u00f5es diferentes, cuja explica\u00e7\u00e3o aqui iria pesar muito no tamanho da resposta. Sugiro a leitura dos \u00f3timos \u201cA Experi\u00eancia da Fama\u201d, da Maria Cl\u00e1udia Coelho, e \u201cO Show do Eu\u201d, da Paula Sibilia, para um melhor entendimento. De volta \u00e0 quest\u00e3o, tem se tornado claro, cada vez mais para mim, que os dois fatores principais para o bem-estar de um livro publicado \u00e9 a divulga\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o. Hoje \u00e9 poss\u00edvel facilmente lan\u00e7ar um livro por conta pr\u00f3pria; e talvez esse seja o verdadeiro desvio do nosso tempo. Tomar uma atitude como essa deve estar condicionada \u00e0 extens\u00e3o da estrada que esse livro planeja percorrer. \u00c9 claro que h\u00e1 a internet e as redes sociais, mas o aporte de uma editora bem estruturada e a comercializa\u00e7\u00e3o nas livrarias de renome ainda t\u00eam um peso incompar\u00e1vel. Al\u00e9m disso, essas s\u00e3o engrenagens de uma m\u00e1quina cuja esteira conduz com mais facilidade aos suplementos liter\u00e1rios e \u00e0s revistas especializadas. Isso n\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica ou resigna\u00e7\u00e3o, mas uma percep\u00e7\u00e3o particular. Eu sei que existem exce\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o h\u00e1 nada mais angustiante do que aguardar a resposta de uma editora, que a qualidade pode intervir na verticaliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. O meu primeiro livro teve qualidade para conquistar o Pr\u00eamio Sesc, por\u00e9m ser\u00e1 que teria qualidade para ser francamente aprovado por uma editora do porte da que o publicou? O marcado liter\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o repleto de incertezas, que o autor deve contar com menos passos falsos poss\u00edveis. Entender que \u00e9 necess\u00e1rio ampliar o campo de proje\u00e7\u00e3o de uma obra \u00e9, atualmente, uma atitude capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O que voc\u00ea considera ser o tra\u00e7o marcante da literatura feita hoje no Brasil? Com toda a complexidade que a quest\u00e3o demanda, estamos ainda muito longe de consolidar uma nova gera\u00e7\u00e3o de escritores?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c9RGIO TAVARES &#8211; <\/strong>A nova gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 em pleno curso. Temos uma safra de talentosos autores entecendo uma literatura que transcende as fronteiras estabelecidas, que dialoga com o mundo sem se destituir do car\u00e1ter particular, que se arrisca a incorporar g\u00eaneros com habilidade para n\u00e3o repetir o c\u00e2none. \u00c9 um conjunto constitu\u00eddo por in\u00fameras correntes que, sem precisar aqui citar um ou outro nome, traz um tra\u00e7o cosmopolita bem marcante, com fulgente predile\u00e7\u00e3o por narrativas autocentradas, donde se sobressai a condi\u00e7\u00e3o do \u201ceu\u201d nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais. \u00c9 um tipo de literatura que j\u00e1 foi chamada de \u201cliteratura psicol\u00f3gica\u201d; enredos centrados na (des)constru\u00e7\u00e3o emocional, onde os embates e os impulsos t\u00eam mais impacto que a estrutura e a caracteriza\u00e7\u00e3o dos personagens, ao ponto de influenciar diretamente nas reviravoltas e no desfecho das tramas. Com isso, acredito que se estabelece um cen\u00e1rio forte, capaz de produzir cl\u00e1ssicos para novas \u00e9pocas; \u00e9 claro, levando-se em conta o momento \u00fanico em que a literatura brasileira se desvenda diante dos olhos do mundo. H\u00e1, no entanto, duas coisas que me incomodam. A primeira \u00e9 o esfor\u00e7o descomunal de se instituir a supremacia do romance, sufocando as incurs\u00f5es em outros g\u00eaneros. J\u00e1 a segunda \u00e9 o manejo com que giram o holofote, na tentativa insensata de imputar a grandeza do momento a um grupo de escolhidos. Os nomes que perdurar\u00e3o somente o filtro do tempo ir\u00e1 dizer. Mas certamente aqueles que caminham agora n\u00e3o s\u00e3o apenas vinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_4256\" aria-describedby=\"caption-attachment-4256\" style=\"width: 337px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/INTERNA-II.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4256\" title=\"S\u00e9rgio Tavares\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/INTERNA-II.jpg\" alt=\"\" width=\"337\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/INTERNA-II.jpg 337w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/INTERNA-II-224x300.jpg 224w\" sizes=\"auto, (max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4256\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e9rgio Tavares\/ Foto: Mateus Tavares<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Andamos bem em mat\u00e9ria de cr\u00edtica liter\u00e1ria?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c9RGIO TAVARES &#8211; <\/strong>Gosto, de maneira geral, do que \u00e9 feito por aqui. A cr\u00edtica brasileira tem um aporte mais incisivo, mais direto, seja para elogiar ou para meter o pau. N\u00e3o somos afeitos a tergiversa\u00e7\u00f5es, ao contr\u00e1rio dos norte-americanos que fazem das resenhas um misto de resum\u00e3o com pontuais impress\u00f5es. O que falta por aqui, na minha opini\u00e3o, s\u00e3o mais publica\u00e7\u00f5es voltadas exclusivamente para literatura. E n\u00e3o digo apenas um robustecimento dos suplementos liter\u00e1rios, mas revistas e outros peri\u00f3dicos especializados. Tirando o Sul (com louvor para o que \u00e9 feito no Paran\u00e1) e S\u00e3o Paulo, percebo que os espa\u00e7os acanhados acabam sendo relegados aos principais jornais do determinado estado. Aqui no Rio, por exemplo, \u00e9 uma vergonha, uma falta de interesse medonho. Eu mesmo tenho impress\u00f5es dos meus livros espalhadas pelo pa\u00eds, com gloriosa exce\u00e7\u00e3o para o Rio. \u00c9 claro que pode valer a m\u00e1xima de que santo de casa n\u00e3o faz milagre. Mas para ter santo, antes tem de ter altar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; H\u00e1 sempre um discurso pronto quando se busca a raz\u00e3o para a &#8220;tradicional&#8221; falta de interesse pela leitura.\u00a0 Ser\u00e1 tamb\u00e9m que n\u00e3o vivemos num pa\u00eds onde potenciais leitores s\u00e3o subestimados?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c9RGIO TAVARES &#8211; <\/strong>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida quanto a isso. Tornou-se lamentavelmente c\u00f4modo, para aqueles que passam pelos canais institucionais com o dever de mudar essa realidade, aceitar a constata\u00e7\u00e3o com a leviandade de uma m\u00e1xima. \u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds onde pouco se l\u00ea\u201d, fica dito e pronto! Quase um lema distorcido, um eco que se propagava h\u00e1 s\u00e9culos. Mas por que \u00e9 assim? A resposta \u00e9 bem complexa e encadeada por diversos fatores, mas gosto de um argumento transformado em cr\u00f4nica pelo jornalista Zuenir Ventura, colunista d&#8217;O Globo. Nesse texto, Ventura, um professor universit\u00e1rio j\u00e1 com 80 esta\u00e7\u00f5es, sintetizou, em poucos par\u00e1grafos, essa infinita discuss\u00e3o do porqu\u00ea do exerc\u00edcio da leitura ter se tornado, gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, uma maratona com cada vez menos participantes. Ao contr\u00e1rio dos que culpam a decad\u00eancia cultural, os novos caminhos tecnol\u00f3gicos e a hegemonia da televis\u00e3o, o jornalista defende que a culpa n\u00e3o \u00e9 de quem deveria ler, mas de quem deveria tornar essa atividade atraente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que os europeus e os americanos leem oito vezes mais livros que os brasileiros? Por que cerca de 70 milh\u00f5es de pessoas no Brasil n\u00e3o leem? Falta de h\u00e1bito, poder aquisitivo? \u00c9 claro que ambas as circunst\u00e2ncias t\u00eam influ\u00eancia direta na resposta, sobretudo quando associadas ao fato de termos 21 milh\u00f5es de analfabetos. Contudo, h\u00e1 um outro fator determinante que, no texto, o jornalista aponta com precis\u00e3o: parte da culpa, sim, est\u00e1 nas escolas, num comodismo intelectual que refaz um tempo j\u00e1, h\u00e1 muito, incinerado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mote da cr\u00f4nica, explica Ventura, veio do pedido de um amigo, pai de um aluno no segundo ano escolar, que lhe passou a lista de livros na tentativa do empr\u00e9stimo de alguns t\u00edtulos. O jornalista conta que ficou abismado ao se deparar com indica\u00e7\u00f5es como \u201cSenhora\u201d e \u201cIracema\u201d, de Jos\u00e9 de Alencar; \u201cO Corti\u00e7o\u201d, de Aluisio de Azevedo; \u201cMem\u00f3rias de um Sargento de Mil\u00edcias\u201d, de Manoel de Antonio de Almeida; e \u201cMem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas\u201d, de Machado de Assis. Obras que est\u00e3o al\u00e9m do tempo daqueles que s\u00e3o obrigados a l\u00ea-las, assim como eu mesmo fui e como aquele menino, muitas d\u00e9cadas depois, tamb\u00e9m seria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejo que a quest\u00e3o \u00e9 exatamente essa: a obriga\u00e7\u00e3o. Como um jovem, justamente no momento em que est\u00e1 iniciando sua forma\u00e7\u00e3o intelectual, pode desenvolver o gosto pela leitura atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o de obras datadas, repletas de um coloquialismo que torna o seu pr\u00f3prio idioma praticamente estrangeiro? Ventura cita, como exemplo, um trecho de Jos\u00e9 de Alencar: \u201cIracema saiu do banho; o alj\u00f4far d\u2019\u00e1gua ainda roreja, como \u00e0 doce mangaba que corou em manh\u00e3 de chuva\u201d. Sinceramente, eu mesmo n\u00e3o sei o que \u00e9 um alj\u00f4far. Ent\u00e3o como isso pode ser mais atraente para um moleque de 13 anos do que ficar no facebook? Na \u00e9poca em que era obrigado a ler \u201cBr\u00e1s Cubas\u201d, \u201cSenhora\u201d e \u201cIracema\u201d, eu queria mais era ler hist\u00f3rias de detetives. Isso prova que o problema n\u00e3o \u00e9 o apelo da internet, mas a forma errada e atrasada com que as escolas prop\u00f5em aos alunos a leitura, anulando toda a condi\u00e7\u00e3o de uma atividade prazerosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cr\u00f4nica, Ventura elenca alguns autores contempor\u00e2neos que certamente seriam mais atrativos, tais como Rubem Braga e Fernando Sabino. Eu acrescentaria Luiz Vilela, Clarice Lispector, Murilo Rubi\u00e3o e Luiz Fernando Ver\u00edssimo. Acredito que o caminho correto \u00e9 fazer com que os potenciais leitores assimilem que ler n\u00e3o \u00e9 um dever de casa, algo necess\u00e1rio para se dar bem num teste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O olhar para dentro, caracter\u00edstica forte em seus escritos, \u00e9 algo deveras significativo num tempo em que a superficialidade das coisas insiste em fazer sombra, sobretudo ao terreno das rela\u00e7\u00f5es humanas. Esse caminhar pela via intimista \u00e9 tamb\u00e9m uma tentativa de resgate, qui\u00e7\u00e1 um \u00edmpeto de resist\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c9RGIO TAVARES &#8211; <\/strong>Escrever, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 um ato de resist\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 um significado vital para isso, sen\u00e3o um esfor\u00e7o para aliviar um \u00edmpeto particular. Escrever, de certa forma, \u00e9 uma vaidade. Por isso, me tornei jornalista, pois buscava uma maneira de orbitar pelo universo da escrita, encontrando quem me pagasse para isso. Ainda que longe de qualquer ostenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito mais certo sobreviver como jornalista do que como escritor nesse pa\u00eds. O curioso \u00e9 que, \u00e0 medida que me especializava na profiss\u00e3o, percebi o quanto o jornalismo era (e \u00e9) importante nas minhas incurs\u00f5es no campo ficcional. Sobretudo no que tange a constru\u00e7\u00e3o do personagem. Vejo que o escritor n\u00e3o pode transitar pela superf\u00edcie das coisas e deixar todo o trabalho para a imagina\u00e7\u00e3o do leitor. Por isso, h\u00e1 uma predomin\u00e2ncia, em meus escritos, pela voz narrativa em primeira pessoa. Os meus personagens s\u00e3o hiperativos, as hist\u00f3rias acontecem sob o ponto de vista deles. E isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque, antes de partir para a escrita, eu tra\u00e7o todas as caracter\u00edsticas desse personagem, da maneira mais \u00edntima poss\u00edvel; \u00e9 algo excessivo, abusivo. Um exemplo \u00e9 a personagem do conto \u201cFome\u201d, a segunda narrativa do meu primeiro livro, \u201cCavala\u201d. Estamos diante de uma professora do ensino prim\u00e1rio viciada em sexo, ao ponto de seduzir um mendigo e lev\u00e1-lo para casa. Quem \u00e9 essa mulher? Por que ela chegou a esse extremo? Como ela funciona emocionalmente e fisicamente nessa situa\u00e7\u00e3o? Investiguei todas as respostas, antes dela tomar a decis\u00e3o. Cumpro o papel de jornalista diante de meus personagens. Agora, isso mudou um pouco, pois estou engatinhando pelas vielas do romance, que s\u00e3o mais \u00edngremes e auspiciosas que as do conto. Portanto, al\u00e9m de construir os personagens, h\u00e1 diversas anota\u00e7\u00f5es no caderninho de capa xadrez sobre a estrutura da hist\u00f3ria. Mas o principal continua sendo o protagonista. E, dessa vez, tento algo que, se n\u00e3o for inalcan\u00e7\u00e1vel, ser\u00e1 uma experi\u00eancia fascinante: desvendar a origem do mal, entender quais fatores incidem sobre algu\u00e9m, tornando-o capaz de cometer livremente atos hediondos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Que esp\u00e9cie de busca norteia as palavras de S\u00e9rgio Tavares e o faz seguir adiante? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00c9RGIO TAVARES &#8211; <\/strong>Escrevo porque preciso, porque \u00e9 a \u00fanica coisa que tenho vontade de fazer, porque \u00e9 o que cala esses personagens que inelutavelmente insistem para que eu conte suas hist\u00f3rias. Depois de duas antologias, apostei que era o momento de escrever um romance. Bem, o que sei da hist\u00f3ria \u00e9 que se passa na transi\u00e7\u00e3o dos anos 80 para os 90, per\u00edodo de surgimento da epidemia do v\u00edrus HIV, e tem com ponto central o desmoronamento de um n\u00facleo familiar, a partir do momento em que a m\u00e3e contrai a doen\u00e7a, ap\u00f3s uma transfus\u00e3o de sangue, e morre. Essa aus\u00eancia provoca o desligamento entre pai e filho, cuja neglig\u00eancia trar\u00e1 consequ\u00eancias aterradoras, sobretudo depois que o pai traz uma nova mulher para morar na casa e torna-se um sujeito submisso, emasculado, incapaz de reagir a cont\u00ednuas trai\u00e7\u00f5es. Tem tamb\u00e9m uma mulher chamada Selma e alguns cachorros mortos. \u00c9 um livro sobre a origem do mal. O meu projeto mais ambicioso, at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vencedor de uma das edi\u00e7\u00f5es do Pr\u00eamio SESC Nacional de Literatura, o escritor S\u00e9rgio Tavares fala sobre seus novos caminhos liter\u00e1rios<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4254,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1073,16,2539],"tags":[1079,1025,419,788,63,702,1080,1026,1023],"class_list":["post-4253","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-78a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-cavala","tag-confraria-do-vento","tag-contos","tag-editora-record","tag-entrevista","tag-literatura-intimista","tag-premio-sesc-nacional-de-literatura","tag-queda-da-propria-altura","tag-sergio-tavares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4253"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4752,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4253\/revisions\/4752"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4254"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}