{"id":4575,"date":"2013-05-23T11:46:59","date_gmt":"2013-05-23T14:46:59","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=4575"},"modified":"2013-06-26T18:06:40","modified_gmt":"2013-06-26T21:06:40","slug":"gramofone-14","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/gramofone-14\/","title":{"rendered":"Gramofone"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Larissa Mendes<\/em><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLARICE FALC\u00c3O \u2013 MONOMANIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/capaMENOR.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4577\" title=\"capa\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/capaMENOR.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/capaMENOR.jpg 350w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/capaMENOR-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/capaMENOR-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a psiquiatria, <em>monomania<\/em> \u201c\u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de uma obsess\u00e3o doentia por uma ideia, objeto ou pessoa\u201d. Em seu \u00e1lbum de estreia, a atriz, roteirista e compositora Clarice Falc\u00e3o parece ter apenas uma fixa\u00e7\u00e3o: a meiguice. Filha do cineasta Jo\u00e3o Falc\u00e3o e da escritora Adriana Falc\u00e3o, esta pernambucana criada no Rio de Janeiro transita desde cedo entre diversas esferas da arte. Aos 23 anos, Clarice j\u00e1 possui um extenso curr\u00edculo \u2013 como atriz e roteirista \u2013 na televis\u00e3o, teatro, cinema e principalmente na <em>internet<\/em>, onde h\u00e1 pouco mais de um ano e meio come\u00e7ou a postar v\u00eddeos de suas can\u00e7\u00f5es de voz e viol\u00e3o, somando mais de 10 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es. Ali\u00e1s, sua primeira composi\u00e7\u00e3o foi a trilha sonora do curta-metragem <em>La\u00e7os<\/em> (2007), tamb\u00e9m estrelado por ela, que ganhou o concurso mundial <em>Project: Direct<\/em>, do <em>YouTube<\/em>. Parte deste sucesso virtual deve-se ao canal de humor <em>Porta dos Fundos<\/em>, onde a multifacetada artista escreve e participa ativamente das esquetes, muitas vezes ao lado do namorado Greg\u00f3rio Duvivier, um dos idealizadores do coletivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suas can\u00e7\u00f5es de amor \u2013 de rimas f\u00e1ceis e melodias suaves \u2013, repletas de ironia e humor negro, s\u00e3o na verdade pequenas constru\u00e7\u00f5es narrativas, o que talvez justifique a aus\u00eancia de refr\u00e3o da maioria das faixas. Lan\u00e7ado pelo <em>iTunes<\/em> no final de abril, <em>Monomania<\/em> n\u00e3o possui gravadora ou formato f\u00edsico oficial, visto a rela\u00e7\u00e3o direta que a cantora j\u00e1 estabelece com seu p\u00fablico. Atualmente, o \u00e1lbum figura entre os mais baixados na <em>Apple Store<\/em> brasileira e \u00e9 comercializado, de forma quase artesanal, apenas em suas apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo. Com influ\u00eancias de Magnetic Fields, Kate Nash e Chico Buarque e comparada \u00e0 atriz e cantora Zooey Deschanel (da dupla <em>She &amp; Him)<\/em>, Clarice soa como um <em>mix<\/em> da canadense Feist com Mallu Magalh\u00e3es. O primeiro registro de est\u00fadio da menina de voz doce e can\u00e7\u00f5es despretensiosas ganha arranjos mais elaborados do que as vers\u00f5es ac\u00fasticas disponibilizadas na <em>internet <\/em>e conta com a consultoria e produ\u00e7\u00e3o musical da sogra, a cantora Ol\u00edvia Byington.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00f3 pra voc\u00ea saber\u201d,<em> <\/em>como um mantra,<em> Eu Esqueci Voc\u00ea <\/em>abre o \u00e1lbum enumerando as vantagens de superar um amor do passado. Na sequ\u00eancia, a insensata <em>Maca\u00e9 <\/em>(<em>e se eu mostrar o cianureto que eu comprei pra gente se matar\/voc\u00ea manda me prender no amanhecer?) <\/em>e <em>Monomania <\/em>(<em>se juntar cada verso meu e comparar\/vai dar pra ver\/ tem mais voc\u00ea\/que nota d\u00f3<\/em>) elucidam a tal patologia do t\u00edtulo. A minimalista <em>Um S\u00f3 <\/em>talvez seja uma de suas letras mais inspiradas<em> (o meu desespero\/\u00e9 que quando acaba\/voc\u00ea fica inteiro\/e eu fico o p\u00f3), <\/em>juntamente com o filmete-dan\u00e7ante<em> Fred Astaire <\/em>(<em>mas, cuidado\/me deixa no canto da sala\/que se eu tiver alguma fala\/eu mudo pra \u201camo voc\u00ea\u201d<\/em>), que ganha tamb\u00e9m uma vers\u00e3o em ingl\u00eas no encerramento do \u00e1lbum. A divertida <em>Talvez <\/em>(<em>se eu n\u00e3o tivesse um tro\u00e7o\/l\u00e1 dentro da barriga\/que eu sinto que est\u00e1 dan\u00e7ando a dan\u00e7a da garrafa<\/em>) e <em>Qualquer Neg\u00f3cio<\/em> s\u00e3o sussurradas quase \u00e0 capela \u2013 a \u00faltima na companhia do violoncelo de Jaques Morelenbaum, que assume o instrumento em outras tr\u00eas faixas do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda metade de <em>Monomania <\/em>inicia com a balada <em>De Todos os Loucos do Mundo <\/em>\u2013 uma declara\u00e7\u00e3o \u00e0 Duvivier \u2013 e fala do encontro de dois seres pra l\u00e1 de criativos (<em>de todos os loucos do mundo\/eu quis voc\u00ea\/ porque a sua loucura parece um pouco a minha<\/em>). A et\u00edlica <em>O Que Eu Bebi <\/em>narra as m\u00e1goas amorosas que todos j\u00e1 tentamos afogar (<em>o que eu bebi por voc\u00ea\/d\u00e1 pra encher um navio\/e n\u00e3o teve barril\/que me fez esquecer<\/em>), enquanto <em>A Gente Voltou <\/em>oferece um clima circense \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o do casal da can\u00e7\u00e3o (<em>n\u00e3o entra na bad, Romeu\/Julieta morreu\/mas a gente voltou<\/em>). O ponto alto do disco fica a cargo do dueto de Clarice com o capixaba SILVA (que tamb\u00e9m toca violino em algumas faixas) na valsinha <em>Eu Me Lembro<\/em>, com as impress\u00f5es masculinas e femininas do primeiro encontro. A deliciosamente m\u00f3rbida <em>Oitavo Andar, <\/em>uma de suas letras mais teatrais,<em> (e a\u00ed, s\u00f3 nos dois no ch\u00e3o frio\/de conchinha bem no meio fio\/no asfalto riscados de giz\/imagina que cena feliz) <\/em>refor\u00e7a toda sua veia liter\u00e1ria, bem como a singela <em>Capit\u00e3o Gancho<\/em> e sua listagem de coisas que fizeram Clarice ser quem \u00e9. Definitivamente, a gra\u00e7a da autora\/obra \u00e9 a simplicidade, do\u00e7ura e frescor adolescente. Sua audi\u00e7\u00e3o provoca aquela sensa\u00e7\u00e3o de riso bobo nos l\u00e1bios: quando voc\u00ea se d\u00e1 conta, j\u00e1 est\u00e1 totalmente arrebatado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/v4kXoDE6Wic\" frameborder=\"0\" width=\"560\" height=\"315\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><em>(<strong>Larissa Mendes<\/strong>, falco-monoman\u00edaca)<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Larissa Mendes mergulha no disco de estreia de Clarice Falc\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4576,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1162,16,2536],"tags":[1172,1168,359,14,1173,1170,114,1169,133,1174,1171,189],"class_list":["post-4575","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-79a-leva","category-destaques","category-gramofone","tag-adriana-falcao","tag-clarice-falcao","tag-disco","tag-gramofone","tag-gregorio-duvivier","tag-joao-falcao","tag-larissa-mendes","tag-monomania","tag-musica","tag-olivia-byington","tag-porta-dos-fundos","tag-resenha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4575"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4575\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5036,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4575\/revisions\/5036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4576"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}