{"id":4581,"date":"2013-05-23T12:31:49","date_gmt":"2013-05-23T15:31:49","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=4581"},"modified":"2018-10-30T10:29:18","modified_gmt":"2018-10-30T13:29:18","slug":"dedos-de-prosa-i-14","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/dedos-de-prosa-i-14\/","title":{"rendered":"Dedos de Prosa I"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Andr\u00e9ia Carvalho<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15400\" aria-describedby=\"caption-attachment-15400\" style=\"width: 388px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/INTERNA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15400 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/INTERNA.jpg\" alt=\"\" width=\"388\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/INTERNA.jpg 388w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/INTERNA-233x300.jpg 233w\" sizes=\"auto, (max-width: 388px) 100vw, 388px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15400\" class=\"wp-caption-text\">Desenho: B\u00e1rbara Damas<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>heliose<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>6:00 am<\/em>. o dia a encontra. com um martelo de feiticeiras. o vapor do caf\u00e9 \u00e9 a fogueira que decide ativar. poderia poup\u00e1-la do fotoenvelhecimento interior, com seu rosto abstrato: nenhuma lua, nenhum quadr\u00fapede. esfenoides im\u00f3veis, asas absortas. apenas o c\u00e1lculo, criteriosamente revelado, em expressionismo facial de esp\u00e9cime taxon\u00f4mica. Ela, zoomorfa como quadriga apocal\u00edptica em autoestrada planejada, o sonda com o neurocr\u00e2nio odonata, preparado para os aparatos curiosos do laborat\u00f3rio solar. com uma esferogr\u00e1fica mental, rabisca sobre sua testa sim\u00e9trica: uso externo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>12:00 pm<\/em>. Sem\u00e1fora, a lib\u00e9lula f\u00eamea deposita seus ovos em estacionamentos lotados. A luz refletida pela lataria dos autom\u00f3veis imita espelhos d`\u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>6:00 pm.<\/em> festins, repugn\u00e2ncias, minas de carv\u00e3o. exauridas. e as m\u00e3os de querosene, com um inc\u00eandio astuto a escorrer sobre a gravita\u00e7\u00e3o das almas devastadas. pelas instala\u00e7\u00f5es mais infernais: onde os opositores ancestrais s\u00e3o envernizados em corpos de gigantes cogumelos polimorfos. inocentes e jovens, frente \u00e0 barb\u00e1rie dos querubins em santu\u00e1rios de <em>fast-food<\/em>. banalizados\u00a0 pela melancolia industrial de madonas dopadas. l\u00f3gicas e f\u00e1licas. Ela pressente suas mortes cifradas. quando desconecta o interruptor. carbonizam em alegoria de betume, pol\u00edticos, no fermento escuro. <em>stercus diaboli<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>12:00 am. <\/em>se as l\u00e2mpadas fossem navalhas, cerraria as pestanas de lobo-guar\u00e1 sobre o c\u00f3rtex dos corredores morti\u00e7os desta massa cinzenta que impede o s\u00edmbolo da fa\u00edsca selvagem pelas escadarias. mas os olhos de tungst\u00eanio n\u00e3o se fecham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A curandeira do imp\u00e9rio solar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meu tratado particular de esquizoan\u00e1lise, a alma chocalho canta teus mortos e artefatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, xam\u00e3 de ti, canibal de ti, \u00edndio de ti, espalhando barb\u00e1ries m\u00ednimas em teu dorso iluminado, entorpecida de s\u00edndrome luciferina, aguardo a noite e a visto como um h\u00e1bito de monge. Por pura exaust\u00e3o pirof\u00e1gica. O lodo no escalpo dos p\u00e9s, queimando nas estrelas, com a baba de teus anjos: os viscosos generais, empalados em cerveja e tintura vermelha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 que tu, mal amado, desperte-me de um sono de eras selvagens e puras, e tiquetateie minha sombra mais uma vez, esquartejando-me com as engrenagens desligadas de meus ancestrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu proceder escambo me pesa os nervos. A pele escalpelo cicatriza f\u00e1cil demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ol\u00edbano libidinoso, tu \u00e9s. \u00c9 preciso, sol do imp\u00e9rio, ferver teus ex\u00f3ticos\u00a0 inimigos, em \u00f3leo quente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>poesia para bruxas \u00f3rf\u00e3s<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu livro das sombras, todos os livros. Meu oceano monocrom\u00e1tico. Os livros enchem o refrigerador. O guardi\u00e3o das linhas efervesce sua sombra l\u00edquida pelas almofadas. Em minha crueza, mastigo os fantoches que dormem nas forminhas para gelo. S\u00e3o de v\u00e1rios formatos, gatos, rinocerontes, cabides vazios, hex\u00e1gonos. Seus olhos lendo minha laringe lacrada. Seu sal escuro pelo apartamento, seus bra\u00e7os infantis, agitando a parafern\u00e1lia marinha com moinhos de abracadabra. A sombra efervesce. Como uma vitamina em muta\u00e7\u00e3o. Invoco raios, primeiro os pequenos, a esquizofrenia de tesla, o curador de p\u00e1ssaros obcecados. Depois os maiores, de alturas extintas, os que caem cheios de deuses empalhados pelo p\u00f3 dos homens. Em minha jaula inventada, fabrico uma densa popula\u00e7\u00e3o prensada contra as cortinas, a cole\u00e7\u00e3o de vagalumes. Ainda sorrindo para mim. T\u00e3o el\u00e9trica quanto o vapor de uma pavorosa respira\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 m\u00e9dico-monstro que supere os improp\u00e9rios luminosos que lan\u00e7o para ti, carbon\u00edfera exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tinteiro est\u00e1 lotado com o sangue azul-petr\u00f3leo de meus pais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um corpo herege no cemit\u00e9rio de n\u00e9on<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A terra roxa, a bisav\u00f3 benzedeira. Sodalita, nunca quis teu azul. O slogan portf\u00f3lio. A aura escarlate, o passo amarelo, cuidado aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEnquanto escrevo abraxas, nos terreiros degolam o bode e o galo. E a fogueira, acesa s\u00f3 para mim, seiscentos e sessenta e seis micro-ondas.<\/p>\n<p>Vivo a escrita dos grim\u00f3rios. Meu tempo ca\u00e7a \u00e0s bruxas ainda fresco nas pra\u00e7as de alimenta\u00e7\u00e3o. Babalon sadia nos r\u00f3tulos de uma barra de cereais. O tridente de fiat lux espeta a carne frigor\u00edfica de uma ma\u00e7\u00e3 domesticada.<\/p>\n<p>Tenho um punhal medieval, colorizado e intacto, para algum ritual cibern\u00e9tico. Cultivando \u00e0 sombra, livros e mais livros, transg\u00eanicos. E gado marcado, com alguma d\u00f3cil indol\u00eancia, apresento formal (por fora) o desgastado erreg\u00ea. Limpo a seco.<\/p>\n<p>Sodalita, nunca quis teu azul.<\/p>\n<p>Mantenha-me longe do alcance dos iluministas de celofane.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(<a href=\"http:\/\/habitoescarlate.blogspot.com\"><strong>Andr\u00e9ia Carvalho<\/strong> <\/a>(Curitiba\/PR) \u00e9 autora dos livros A Cortes\u00e3 do Infinito Transparente (Lumme Editor, 2011) e Camafeu Escarlate (Lumme Editor, 2012). Participa do corpo editorial de<strong> <a href=\"http:\/\/www.mallarmargens.com\">Mallarmargens<\/a><\/strong> &#8211; revista de poesia e arte contempor\u00e2nea)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prosa de Andr\u00e9ia Carvalho visita com habilidade a subjetividade e o misticismo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4586,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1162,2534,16],"tags":[1182,1178,1175,1183,41,1176,1177,1180,1181,1179],"class_list":["post-4581","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-79a-leva","category-dedos-de-prosa","category-destaques","tag-a-cortesa-do-infinito-transparente","tag-a-curandeira-do-imperio-solar","tag-andreia-carvalho","tag-camafeu-escarlate","tag-dedos-de-prosa","tag-habito-escarlate","tag-heliose","tag-mallarmargens","tag-poesia-para-bruxas-orfas","tag-um-corpo-herege-no-cemiterio-de-neon"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4581"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4581\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15402,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4581\/revisions\/15402"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}