{"id":4618,"date":"2013-05-23T14:39:33","date_gmt":"2013-05-23T17:39:33","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=4618"},"modified":"2013-06-26T18:07:38","modified_gmt":"2013-06-26T21:07:38","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-14","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-14\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desbravar vis\u00f5es e depois incorrer na tessitura das palavras. Qual semeadura de ventos, o of\u00edcio do poeta retorna da viagem com a colheita marcada por gestos infindos. Se pensamentos incomuns ou um mergulho na escurid\u00e3o do mundo, saberemos em parte quando os sentimentos tomarem a forma de texto. Aquele que se p\u00f5e a escrever, com propriedade e certa dose de resigna\u00e7\u00e3o, deve saber que as incurs\u00f5es lhe reservam a sagra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio. Certo de que o caminho tra\u00e7ado n\u00e3o lhe confere status de impunidade, o artes\u00e3o da palavra saboreia um banquete cujos ingredientes mesclam catarse e desventuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre n\u00f3s, mortais que reinvidicamos a patente da racionalidade, habita o \u00edmpeto de revolver o desconhecido, beijar-lhe a face e se enveredar por seus labirintos insones. Nesse trajeto, h\u00e1 quem n\u00e3o se deixe levar por meros devaneios e se dedique a olhar a exist\u00eancia com necess\u00e1ria por\u00e7\u00e3o de lucidez. Imbu\u00eddos dessa percep\u00e7\u00e3o, testemunhamos as escrituras de um autor como <strong>Heitor Brasileiro Filho<\/strong>. Sem esquecer os imperativos do lirismo, esse baiano de Jacobina ergue a sua express\u00e3o po\u00e9tica como quem vislumbra alguma ordem no caos que nos abra\u00e7a. Ao poeta interessa moldar a palavra at\u00e9 que ela amplie suas frentes e atinja um patamar no qual o conformismo seja inst\u00e2ncia esvaziada.\u00a0 Recha\u00e7ando a uniformidade das coisas, Heitor escreve como quem n\u00e3o est\u00e1 disposto a pactuar com verdades inventadas nem tampouco limita\u00e7\u00f5es de cunho moral. O efeito que extrai disso torna seus versos dotados duma provoca\u00e7\u00e3o que arregimenta signos e outros tantos sentidos. Dentro de um caminhar de dedicada cumplicidade com as palavras, o que inclui a participa\u00e7\u00e3o em antologias como \u201cDi\u00e1logos: Panorama da Nova Poesia Grapi\u00fana\u201d (Editus \u2013 Via Litterarum) e \u201cBahia de Todas as Letras\u201d (conto &#8211; Editus \u2013 Via Litterarum), eis que o momento presente celebra a apari\u00e7\u00e3o do primeiro livro solo do poeta, \u201cO Ch\u00e3o &amp; A Nuvem\u201d (Editora Mondrongo). Nessa entrevista, Heitor fala sobre o significado do seu mais recente rebento liter\u00e1rio, chama aten\u00e7\u00e3o para a obra do poeta Sos\u00edgenes Costa e pontua reflex\u00f5es sobre o fazer liter\u00e1rio. Depois dessa conversa, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que estamos diante de um art\u00edfice que talha palavras numa busca que sugere uma virtuosa inquietude.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4620\" aria-describedby=\"caption-attachment-4620\" style=\"width: 479px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/INTERNA-I-MARCOS-PENALVA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4620\" title=\"Heitor Brasileiro Filho\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/INTERNA-I-MARCOS-PENALVA.jpg\" alt=\"\" width=\"479\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/INTERNA-I-MARCOS-PENALVA.jpg 479w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/INTERNA-I-MARCOS-PENALVA-300x281.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 479px) 100vw, 479px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4620\" class=\"wp-caption-text\">Heitor Brasileiro Filho \/ Foto: Marcos Penalva<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Depois de alguns bons anos de matura\u00e7\u00e3o e de estrada, voc\u00ea publica seu primeiro livro solo de poemas, reunindo versos recentes e outros guardados de outrora. Nesse sentido, julga ter achado o momento certo para romper o sil\u00eancio das palavras?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HEITOR BRASILEIRO FILHO &#8211; <\/strong>Demorei a publicar o primeiro livro individual. Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o sil\u00eancio nesse processo. Participo de umas duas antologias. Participei usando os ve\u00edculos de que dispunha desde o jur\u00e1ssico mime\u00f3grafo aos blogs modernosos, jornais tradicionais, suplementos sarados, revistas, cadernos culturais, parcerias musicais, levamos a poesia em parceria com m\u00fasicos e bandas, como a experi\u00eancia do projeto Rock &amp; poesia, por exemplo. Fechamos o livro <em>O Ch\u00e3o &amp; A Nuvem<\/em>, atendendo a uma solicita\u00e7\u00e3o da Mondrongo Livros, modesta e ousada Editora do Teatro Popular de Ilh\u00e9us, a pedido do poeta e editor Gustavo Felic\u00edssimo. A editora\u00e7\u00e3o de livros neste Pa\u00eds \u00e9 uma aventura inconsequente, pra usar uma express\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 Bandeira, por isso fui solid\u00e1rio \u00e0 Mondrogo, fundada em 2012, em Ilh\u00e9us, no interior da Bahia. E estimo que ela a mim. \u00a0L\u00e1 est\u00e3o poemas recent\u00edssimos, cutucando o c\u00e3o com vara curta e n\u00e3o menos flecheira. Juntei-os a outros testados pelo leitor mais exigente. Creio que deu bom resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Na apresenta\u00e7\u00e3o que faz de seu livro, o escritor Gustavo Felic\u00edssimo atribui \u00e0 sua voz po\u00e9tica algo entre o l\u00edrico e o incendi\u00e1rio. Como concebe tais atributos?<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HEITOR BRASILEIRO FILHO &#8211; <\/strong>Com naturalidade e certa resigna\u00e7\u00e3o. Como ainda n\u00e3o conquistei a heteronomia (risos) com a qual se refugiou o genial Pessoa, concluo que a verve do poeta manifesta fidelidade ao temperamento do homem. Est\u00e1 em\u00a0<em>LIRIUM: quem \/ bem me \/ quer \/ n\u00e3o me \/\/ despe \/ ta \/ la<\/em>, poema que me \u00e9 cobrado desde 1983, n\u00e3o poderia deix\u00e1-lo fora deste livro. A assertiva \u00e9 presente tamb\u00e9m em\u00a0<em>A Outra face: A poesia n\u00e3o aceita algemas \/ nem acredita em bombas de efeito moral \/\/ (&#8230;).<\/em>\u00a0Podemos denunciar a intransig\u00eancia, o horror liricamente, veja em\u00a0<em>Burka da alma: Os arcanjos e as crian\u00e7as \/ pegam em arma \/ como se tocassem o rosto do criador.<\/em>\u00a0O Gustavo estudou alguns dos meus textos e desenvolve trabalho anal\u00edtico da nossa poesia contempor\u00e2nea, trabalho de f\u00f4lego, ele que pretende publicar. O que me enobrece, vez que me situa entre meus pares e em boa companhia. Sua apresenta\u00e7\u00e3o no meu livro \u00e9 pouco econ\u00f4mica, mas n\u00e3o \u00e9 cabotina, n\u00e3o erra com a afirmativa. O lirismo mais que convence, comove. Quando\u00a0<em> \u201ca dan\u00e7a das palavras entre as ideias\u201d<\/em> (vide Pound) rompe o cerco da indiferen\u00e7a, ainda que n\u00e3o demova a apatia coletiva ou ven\u00e7a a insensatez, avan\u00e7a contra toda essa brutalidade. Se a prosa libert\u00e1ria enfeixa bananas de dinamite, senhor dos interst\u00edcios \u00e9 o lirismo. Penetra e vai al\u00e9m das reentr\u00e2ncias. Implode estruturas de falsa solidez. A poesia nesse estado \u00e9 glicerina pura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Em \u201cO Ch\u00e3o &amp; A Nuvem\u201d vemos um olhar que parte dos cen\u00e1rios regionais, \u00edntimos e, portanto, afetivos da mem\u00f3ria rumo ao mundo globalizado que nos atropela a todo o tempo com suas complexidades. O que cabe melhor ao poeta: a contempla\u00e7\u00e3o ou o enfrentamento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HEITOR BRASILEIRO FILHO &#8211; <\/strong>S\u00e3o dois lados da mesma \u201cmoeda\u201d, que n\u00e3o se rendem a escambo. Mais que uma quest\u00e3o de temperamento \u00e9 um estado de esp\u00edrito, n\u00e3o h\u00e1 recuo na contempla\u00e7\u00e3o. O enfrentamento em mim \u00e9 um princ\u00edpio pessoal impulsionado pela necessidade de me expressar para o mundo.\u00a0<em>Deem-nos inf\u00e2ncia e mem\u00f3ria \/ e ficaremos para o grande espet\u00e1culo da terra<\/em> (in,\u00a0<em>O Grande espet\u00e1culo da terra<\/em>). O melhor lugar est\u00e1 dentro de n\u00f3s. \u00c9 com isso que iremos ao longe. Parto do princ\u00edpio de que dignificar o mundo infantil \u00e9 fazer adultos saud\u00e1veis, ou ao menos razo\u00e1veis. Sou neto de modestos fazendeiros de gado do semi\u00e1rido baiano. Filho de um caminhoneiro com uma dona de casa. O natural era que aspirasse ser m\u00e9dico, advogado, engenheiro. Se o Drummond dizia-se fazendeiro do ar, que posso dizer? Fazendeiro do \u00e1rido (risos). Foi a\u00ed que come\u00e7ou todo o enfrentamento. Mas nada sou sem minhas ra\u00edzes. Da\u00ed, a import\u00e2ncia do\u00a0<em>locus<\/em>, o nosso lugar \u00e9 nosso ponto de partida. Nessa ordem fui educado. Primeiro a escuta, depois a fala. O problema nosso \u00e9 quando o sil\u00eancio conspira contra a dignidade humana, quando o fen\u00f4meno ocorre nas rela\u00e7\u00f5es sociais e contamina at\u00e9 a famigerada pol\u00edtica cultural. O desafio do poeta \u00e9 o fazer liter\u00e1rio. Chegamos ao ponto em que a contempla\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 um enfrentamento. N\u00e3o o \u00fanico, felizmente. Mas quando as rela\u00e7\u00f5es se amesquinham ao ponto, n\u00e3o deixa de ser uma afronta \u00e0 necessidade de ascens\u00e3o social a qualquer pre\u00e7o, da avidez de poder e mando, pior, sob o manto sinistro da corrup\u00e7\u00e3o. Ao poeta cabe o fazer po\u00e9tico sem melindres e sem peias. Se isso vai mudar o mundo, responda-me quem o l\u00ea.\u00a0A primeira mudan\u00e7a ocorre na gente, \u00e9 de atitude. A literatura muda apenas a maneira como a gente v\u00ea o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A lucidez \u00e9 uma esp\u00e9cie de companheira quase insepar\u00e1vel de seus versos. Aceita, sem ressalvas, a condi\u00e7\u00e3o de poeta inconformado pelo espanto que \u00e9 existir?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HEITOR BRASILEIRO FILHO &#8211; <\/strong>Aceito, com as devidas ressalvas (risos). \u201c<em>Viver \u00e9 muito perigoso<\/em>\u201d, diz Guimar\u00e3es Rosa na voz do jagun\u00e7o Riobaldo. Mas \u00e9 prefer\u00edvel que seja gozoso. A materialidade da vida, a exist\u00eancia reduzida a efem\u00e9rides, o cotidiano torpe e mesquinho zoando nossas perplexidades, enfim, o sublime e o grotesco s\u00e3o mat\u00e9rias-primas e combust\u00edvel para minha cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica. N\u00e3o posso encarar a vida sem essas prerrogativas na forma\u00e7\u00e3o de meus versos. N\u00e3o posso reclamar do destino que escolhi, posso sim transform\u00e1-lo. Tampouco, posso aceitar o arremedo como op\u00e7\u00e3o de vida para meu semelhante. Ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a aceitar a esculhamba\u00e7\u00e3o que fazem com nosso pa\u00eds, nem uma ditadura midi\u00e1tica mijando a n\u00f3doa em nossa cara. Digo em\u00a0<em>A Rep\u00fablica &amp; o Newmonarca: A res \u00e9 p\u00fablica \\ mas n\u00e3o \u00e9 pudica \\ pasto de sacripanta \\ posto que nos fornica.\/\/ (&#8230;) P\u00fablica \u00e9 a res! \/ dita um monarca \/ bobo de outros reis \/ que regem a fuzarca.<\/em>\u00a0De fato, n\u00e3o h\u00e1 poesia sem perplexidade, ou \u201cespanto\u201d. N\u00e3o tenho vergonha de ser feliz, tenho a mulher que amo, temos o filho que escolhemos. Gosto de dizer que felicidade n\u00e3o \u00e9 conformismo. Como pode haver conformidade com um mundo em ebuli\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Todo poeta \u00e9, em certa medida, um impostor?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HEITOR BRASILEIRO FILHO &#8211; <\/strong>Jamais. Ou \u00e9 poeta ou n\u00e3o \u00e9. A poesia n\u00e3o representa, a poesia \u00e9. Ao fazer uso da verdadeira linguagem po\u00e9tica, o poeta n\u00e3o \u201cquer dizer\u201d, o poeta diz. O fato de ser uma das caracter\u00edsticas da poesia a multiplicidade de sentidos, essa riqueza expressiva revela sua capacidade de revolver e expor os prismas de uma verdade. A verdade da arte. Poesia \u00e9 transpar\u00eancia da alma. Entretanto, se a pergunta se refere \u00e0 limita\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo em viver de sua arte, digamos que sim. Se \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel ser impostor de si. Sabendo que a impostura parte do mercado, a rela\u00e7\u00e3o com o mercado editorial \u00e9 esquizofr\u00eanica. Onde j\u00e1 se viu emprego de poeta? N\u00e3o podemos viver sem poesia, mas n\u00e3o podemos viver de poesia. Isto n\u00e3o \u00e9 uma escrotid\u00e3o? \u00c9. No meu caso o eu-pe\u00e3o \u00e9 quem sustenta o eu-poeta, quando ambos s\u00e3o indissoci\u00e1veis, a mesma pessoa. \u00a0O mais incr\u00edvel \u00e9 que por essa condi\u00e7\u00e3o a poesia ainda \u00e9 uma arte livre, que n\u00e3o \u00e9 escrava do mercado, n\u00e3o se curva \u00e0 sev\u00edcia. Veja como a ostenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a cara da pobreza. Meu sonho agora \u00e9 ganhar dinheiro escrachando, poeticamente, toda essa escrotid\u00e3o (risos). N\u00e3o apenas o lirismo, mas, o humor e a ironia s\u00e3o badogues que valem por uma ogiva nuclear. A gente morre, vira lama, e a poesia fica a\u00ed&#8230; levitando. Como pode ver no poema \u201c<em>Poesia \u00e9 ouro sem valia<\/em>\u201d, com t\u00edtulo hom\u00f4nimo de um artigo de Ferreira Gullar, a quem dedico, estabele\u00e7o seguinte di\u00e1logo:<em>\u00a0<\/em><em>perdoe-me a gula \/ o Gullar \/\/ poesia \/ n\u00e3o \u00e9 ouro \/ \u00e9 valia \/\/ ouro vale \/ quanto \/ o pesar \/\/ o quanto flutua \/ a poesia.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_4622\" aria-describedby=\"caption-attachment-4622\" style=\"width: 299px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Heitor-Brasileiro-Filho-Foto-arquivo-pessoalmenor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4622\" title=\"Heitor Brasileiro Filho\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Heitor-Brasileiro-Filho-Foto-arquivo-pessoalmenor.jpg\" alt=\"\" width=\"299\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Heitor-Brasileiro-Filho-Foto-arquivo-pessoalmenor.jpg 299w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Heitor-Brasileiro-Filho-Foto-arquivo-pessoalmenor-199x300.jpg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4622\" class=\"wp-caption-text\">Heitor Brasileiro Filho \/ Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Sua trajet\u00f3ria aponta para um caminho em torno da obra de Sos\u00edgenes Costa, um poeta de cunho not\u00e1vel e que ainda permanece desconhecido por muita gente. O que o fez debru\u00e7ar-se nessa pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HEITOR BRASILEIRO FILHO &#8211; <\/strong>O desafio. Minha primeira impress\u00e3o sobre a arte de Sos\u00edgenes foi de estranhamento. Apesar de todo um dom\u00ednio, de uma t\u00e9cnica, ele recusava a moda. Fui entender melhor. Havia apenas um exemplar de \u201c<em>Obra Po\u00e9tica<\/em>\u201d (1959) na biblioteca p\u00fablica. Depois consegui c\u00f3pia de\u00a0<em> \u201cObra po\u00e9tica II<\/em>\u201d (1978) e \u201c<em>Iararana\u201d <\/em>(1979). \u00c9 injusti\u00e7a um poeta ficar mofando por mais de 30 anos. Embora o material fosse escasso, o escolhi como objeto de estudo para minha monografia de conclus\u00e3o do curso de especializa\u00e7\u00e3o na UESC. S\u00f3 havia dois livros sobre sua po\u00e9tica: \u201c<em>Pav\u00e3o parlenda para\u00edso<\/em>\u201d, de Jos\u00e9 Paulo Paes e \u201c<em>Sos\u00edgenes Costa: O Poeta grego da Bahia<\/em>, de Gerana Damulakis. Li toda a bibliografia dispon\u00edvel, poemas, uma entrevista, e as cr\u00f4nicas que revisei para o livro de Gilfrancisco Santos, organizado por H\u00e9lio P\u00f3lvora. Garimpei alfarr\u00e1bios, juntei textos esparsos tentando montar o quebra-cabe\u00e7a. Mais escassa ainda \u00e9 sua biografia, muita lenda, poucos fatos. Os contempor\u00e2neos estavam morrendo. Aproxim\u00e1vamos de seu centen\u00e1rio, procurei seus familiares e amigos em Belmonte. Uma epopeia: levei gravador e m\u00e1quina fotogr\u00e1fica. Preparei minha \u201cVioleta\u201d, uma moto XR2000R que guardo at\u00e9 hoje, embarcamos em Canavieiras para Belmonte. Seguimos pelo Rio Pardo at\u00e9 o Estu\u00e1rio do Jequitinhonha. Em Belmonte, sua sobrinha Ana Rosa me confiou documentos. Colhi depoimento da Professora Mariinha, contempor\u00e2nea de inf\u00e2ncia e tamb\u00e9m no Rio de Janeiro. Segui de moto para Santa Cruz Cabr\u00e1lia pra gravar entrevista com Na\u00e7u, o irm\u00e3o ca\u00e7ula que tinha 79 anos. N\u00e3o pude retornar por Belmonte para pegar o barco devido \u00e0s chuvas. Enfrentei tempestade na estrada pra Porto Seguro. Tinha recursos para uns tr\u00eas dias. Fui acolhido na pousadinha P\u00f4r do Sol em Trancoso. Retornei sete dias depois pra Ilh\u00e9us, debaixo de chuva impiedosa. Embora levasse material para uma Universidade e a Funda\u00e7\u00e3o Cultural na qual trabalhei, viajei \u00e0s minhas expensas. Sou grato ao apoio da fam\u00edlia e amigos, aos quais conquistei amizade e respeito. Retornei pra proferir palestra. Essa viagem me serviu para remontar sua ambi\u00eancia de origem, sua forma\u00e7\u00e3o de leitor, seus primeiros escritos, e desmistificar a imagem divulgada do poeta. J\u00e1 nesse per\u00edodo, quando afirmei que \u00a0<em>Sos\u00edgenes, com dic\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, esp\u00edrito combativo exprime solidariedade, preocupa\u00e7\u00e3o com a pesquisa hist\u00f3rica revelando um rico vocabul\u00e1rio que n\u00e3o dispensa o coloquialismo da gente do povo, fruto da viv\u00eancia e da pesquisa de termos de origem ind\u00edgena e africana, as duas ra\u00e7as mais sacrificadas na constitui\u00e7\u00e3o do povo brasileiro<\/em>(&#8230;), os donos da cultura na Bahia deram de ombros. Recentemente, Herculano Assis, reuniu documentos colhidos em Belmonte e, no Rio, lan\u00e7ou\u00a0<em>Cobra de Duas Cabe\u00e7as<\/em>. A obra s\u00f3 confirma que Sos\u00edgenes n\u00e3o era apenas um poeta habilidoso, o sujeito tinha senso cr\u00edtico, \u00e0s vezes era \u00e1cido, mas bem humorado, antenado com a obra de autores ent\u00e3o em evid\u00eancia e com o desenvolvimento das letras nacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Quais tra\u00e7os julga serem marcantes nos escritos de Sos\u00edgenes Costa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HEITOR BRASILEIRO FILHO \u2013 <\/strong>A busca da originalidade, algo dif\u00edcil de edificar em qualquer arte. Mas, sobretudo, a quebra nos paradigmas no que concerne o \u201cenquadramento cr\u00edtico-convencional da nossa Teoria Liter\u00e1ria\u201d. O cara era invocado, tinha integridade e n\u00e3o buscava sucesso f\u00e1cil. At\u00e9 sua poesia dita cl\u00e1ssica, a sonet\u00edtisca dos pav\u00f5es, admirada por dez entre dez acad\u00eamicos dentro e fora dos quadrantes da Bahia, usa uma roupagem parnasiana rigorosamente metrificada, e ainda com floreios barrocos para incutir-nos um conte\u00fado moderno e com as cores locais, anseio do nosso Romantismo que conhecemos com uma das principais bandeiras do Modernismo, corrente que ele ainda implicava e batia atrav\u00e9s de sua\u00a0<em>Coluna de S\u00f3smacos<\/em>\u00a0, em 1928, porque ainda n\u00e3o havia digerido completamente seu conte\u00fado. \u201c<em>B\u00fafalo de Fogo<\/em>\u201d passou pelas m\u00e3os de muita gente boa como um poema meramente simbolista, tel\u00farico, etc. Subestimaram o mestre-escola das ro\u00e7as de Belmonte, rec\u00e9m-chegado a Ilh\u00e9us, com apenas 27 anos de idade. Por tr\u00e1s daquela capa simbolista, o que temos l\u00e1 \u00e9 um \u00e9pico denunciando o horror da invas\u00e3o e da pilhagem. Imagine a cidade de Ilh\u00e9us, cidade-m\u00e3e da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o grapi\u00fana\u201d (vide Adonias Filho), qual \u201cB\u00fafalo de Fogo\u201d, \u201cfosf\u00f3reo\u201d, \u201cflorescente\u201d, sendo perseguida por centauros (\u201cCentauras\u201d), bichos perversos dados \u00e0 desordem, invas\u00e3o de lares, e cuja representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica na mitologia cl\u00e1ssica nos remete \u00e0 barb\u00e1rie? O Simbolismo, em ess\u00eancia, preconizava \u201ca arte pela arte\u201d, a contempla\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o conflito. Em\u00a0<em> \u201cB\u00fafalo de Fogo<\/em>\u201d, literalmente, o bicho pega! Portanto, um \u00e9pico a ser estudado com maior acuidade. Veja que Sos\u00edgenes abre o poema da seguinte maneira: \u201c<em>Anoiteceu. \/ Roxa mantilha suspende o c\u00e9u no seu zimb\u00f3rio \/ que noite azul, que maravilha \/ sinto-me, entanto, merenc\u00f3rio<\/em>\u201d. Olha que tristeza retada&#8230; Depois faz um passeio pela B\u00edblia, pela hist\u00f3ria, pelas mitologias, com voc\u00e1bulos nossos t\u00e3o rebuscados que mais parece outra l\u00edngua, uns duzentos versos depois encerra de forma emblem\u00e1tica:\u00a0<em>\u201c(..) Protervos ventos em mantilha \/ como cem feras em regougo, \/ fazem da noite na Bastilha \/ revolu\u00e7\u00f5es de demagogos. \/ Ventos, ladr\u00f5es de uma quadrilha, \/ depois do crime, v\u00e3o pra o jogo. \/ dentro da noite, Ilh\u00e9us rebrilha qual B\u00fafalo de Fogo.<\/em>\u201d De l\u00e1 pra c\u00e1, passaram-se 85 anos. Agora repare na atualidade do tema! A sua poesia Modernista, talvez a mais visitada, novamente foge \u00e0s regras vigentes. Menotti del Pichia,\u00a0na Semana de Arte Moderna, em 1922, provocou a plateia: \u201cMorra a H\u00e9lide!\u201d Sos\u00edgenes seguia pr\u00f3prio caminho, depois criou o mito da falsa Iara (\u201cIararana\u201d), fruto do estupro\u00a0contra a Iara pelo centauro Tup\u00e3-Cavalo, \u201cMondrongo vindo das oropa\u201d para invadir e usurpar a cultura nativa. \u201cIararana\u201d\u00a0remonta as origens da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa e vai at\u00e9 o processo hist\u00f3rico da forma\u00e7\u00e3o da nossa cultura do cacau. Inadmiss\u00edveis para os primeiros modernistas eram os mitos da nossa civiliza\u00e7\u00e3o de origem ind\u00edgena junto \u00e0 mitologia cl\u00e1ssica, portanto, de origem europeia. Os \u201couropeis\u201d, pra usar uma express\u00e3o ir\u00f4nica de M\u00e1rio de Andrade. Sos\u00edgenes inovou no conte\u00fado ante a orienta\u00e7\u00e3o modernista-primitivista desta primeira fase, a chamada fase her\u00f3ica, e o fez ao seu modo. Usou elementos da tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica para fazer uma poesia essencialmente brasileira, contudo, universal. Elementos presentes em outros textos, escritos a partir dos anos 30. Embora acusado de anacr\u00f4nico, ele fez o diferencial e o complementar. Digo sempre que n\u00e3o \u00e9 tudo que Sog\u00edgenes escreveu que eu gosto incondicionalmente. Mas, justi\u00e7a seja feita, em toda \u00e1rea que atuou deixou pe\u00e7as de comprovada grandeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; De que modo a tradi\u00e7\u00e3o pode dialogar melhor com a modernidade em mat\u00e9ria liter\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HEITOR BRASILEIRO FILHO &#8211; <\/strong>N\u00e3o podemos negar aquilo que desconhecemos. A hist\u00f3ria tem sua din\u00e2mica e a refer\u00eancia \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o significa estacionar o olhar numa zona de conforto. A vanguarda de hoje pode vir a ser a tradi\u00e7\u00e3o amanh\u00e3. \u00a0Na hist\u00f3ria dos movimentos liter\u00e1rios uma tradi\u00e7\u00e3o se sobrep\u00f5e \u00e0 outra &#8211; n\u00e3o a suplanta &#8211; nem sempre por um processo de ruptura, mas de associa\u00e7\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o. A boa leitura n\u00e3o apenas alarga os horizontes, \u00e0s vezes deixa marcas indel\u00e9veis que v\u00e3o al\u00e9m do consciente. \u00c9 preciso saber ouvir a voz que habita nosso espa\u00e7o interior. A partir de ent\u00e3o, saber o que fala, como fala, de onde fala e para quem. Tudo isso, sem se privar da descoberta constante que \u00e9 o fazer liter\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Uma de suas m\u00e1ximas \u00e9 afirmar que alguns de seus poemas foram premiados e outros ainda n\u00e3o foram corrompidos. Esse pensamento \u00e9 uma esp\u00e9cie de ant\u00eddoto contra a vaidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HEITOR BRASILEIRO FILHO &#8211; <\/strong>Mera tentativa.\u00a0O\u00a0ant\u00eddoto ainda n\u00e3o foi inventado. Quando brinco com a vaidade humana, revelo meu jeito de ser vaidoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Escrever aponta algum caminho de salva\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HEITOR BRASILEIRO FILHO &#8211; <\/strong>Sim. A poesia salvou minha vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&#8211; DOIS POEMAS DE \u201cO CH\u00c3O &amp; A NUVEM\u201d \u2013<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0PEDINTE<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A loucura bate \u00e0 porta<\/p>\n<p>do vaso das flores<br \/>\nsirvo-lhe o copo d\u2019\u00e1gua<\/p>\n<p>amanh\u00e3 vir\u00e1 a consci\u00eancia<br \/>\nem busca de comida<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A REP\u00daBLICA &amp; O NEWMONARCA<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A <em>res<\/em> \u00e9 p\u00fablica:<br \/>\nmas n\u00e3o \u00e9 pudica<br \/>\npasto de sacripanta<br \/>\nposto que nos fornica<\/p>\n<p>a <em>res<\/em> \u00e9 p\u00fablica:<br \/>\ncomo quer a grei<br \/>\nque escreve &amp; publica<br \/>\n&amp; n\u00e3o reconhece a lei<\/p>\n<p>a <em>res<\/em> \u00e9 p\u00fablica:<br \/>\nse n\u00e3o ultrapassa<br \/>\na verdade e a justi\u00e7a<br \/>\n\u00e0 venda e \u00e0 morda\u00e7a<\/p>\n<p>a <em>res<\/em> \u00e9 p\u00fablica:<br \/>\nn\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m<br \/>\nde quem mais se furta<br \/>\n\u00e9 do que menos a tem<\/p>\n<p>\u00e9 p\u00fablica a <em>res<\/em>:<br \/>\ncomo ser\u00e1 sempre<br \/>\nmagarefe o rei<br \/>\n&amp; o gado a gente<\/p>\n<p>\u00e9 p\u00fablica a <em>res<\/em>:<br \/>\ncomo sempre foi<br \/>\ncovarde a sangria<br \/>\nda farra com o boi<\/p>\n<p>a <em>res<\/em> \u00e9 p\u00fablica:<br \/>\nmas livre de arb\u00edtrio<br \/>\nao biltre da pol\u00edtica<br \/>\nse eleito o estrup\u00edcio<\/p>\n<p>\u00e9 p\u00fablica a <em>res<\/em>:<br \/>\nprivada s\u00f3 pra s\u00facia<br \/>\nevacuar de vez<br \/>\nseu voto de ast\u00facia<\/p>\n<p>&#8211; p\u00fablica \u00e9 a <em>res<\/em>!<br \/>\ndita um monarca<br \/>\nbobo de outros reis<br \/>\nque regem a fuzarca<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>* Outros poemas do autor podem ser lidos <a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=3701 \"><strong>aqui<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa conversa, o poeta Heitor Brasileiro Filho fala sobre seu novo rebento liter\u00e1rio e outros instigantes percursos da palavra<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4619,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1162,16,2539],"tags":[410,63,750,918,532,8,127,1194,1193],"class_list":["post-4618","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-79a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-editora-mondrongo","tag-entrevista","tag-gustavo-felicissimo","tag-heitor-brasileiro-filho","tag-lucidez","tag-pequena-sabatina-ao-artista","tag-poeta","tag-sosigenes-costa","tag-o-chao-a-nuvem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4618"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4618\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5040,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4618\/revisions\/5040"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4619"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}