{"id":6108,"date":"2013-11-23T18:02:44","date_gmt":"2013-11-23T21:02:44","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=6108"},"modified":"2013-12-31T15:59:09","modified_gmt":"2013-12-31T18:59:09","slug":"aperitivo-da-palavra-i-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivo-da-palavra-i-4\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra I"},"content":{"rendered":"<p><strong>Do sonho ao p\u00f3&#8230; ou breves considera\u00e7\u00f5es sobre o livro\u00a0 <em>O Ch\u00e3o e a Nuvem<\/em> de Heitor Brasileiro Filho<\/strong><\/p>\n<p><em>Por Silv\u00e9rio Duque<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/INTERNA3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6142\" title=\"O Ch\u00e3o e a Nuvem\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/INTERNA3.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/INTERNA3.jpg 231w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/INTERNA3-198x300.jpg 198w\" sizes=\"auto, (max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><em>ao poeta e amigo<\/em> Ant\u00f4nio Brasileiro,<br \/>\n<em>pois tudo que, aqui, se aplicar ao<\/em> brasileiro <em>de Jacobina-Ilh\u00e9us,<\/em><br \/>\n<em>aplicar-se-\u00e1, muito melhor, ao<\/em> brasileiro <em>de Feira de Santana&#8230;<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><em>Esquecida no tempo, a alma procura<\/em><br \/>\n<em> algo que, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9, porque era tanto&#8230;<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Em\u00edlio Moura<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui presenteado, por seu pr\u00f3prio autor, com o livro <em>O ch\u00e3o e a nuvem<\/em> (Mondrongo, 2013), de Heitor Brasileiro Filho, e, sem perder tempo com a tamanha falta de tempo que muito me desagrada ultimamente, li-o de pronto e com muito apetite. E posso confessar que, com o manjar po\u00e9tico que Heitor Brasileiro Filho preparou para mim, bem como aos seus outros leitores, dei-me muito por satisfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poeta de alma e cora\u00e7\u00e3o de ouro \u2013 por ter nascido na cidade baiana de Jacobina \u2013 e de verso e prosa atrelados a uma consci\u00eancia t\u00e3o l\u00edrica quanto rebelde \u2013 pois \u00e9 escritor radicado em Ilh\u00e9us \u2013, Heitor Brasileiro Filho revela-se um poeta de temas e formas t\u00e3o engenhosos qu\u00e3o bem realizados, por mais que lhes faltem, muitas vezes, as t\u00e9cnicas cl\u00e1ssicas que formaram nossa consci\u00eancia liter\u00e1ria ao longo de s\u00e9culos e lhe sobrem aquele impulso de liberdade e, muitas vezes, de libertinagem, que nos \u00e9 inerente desde a aurora do s\u00e9culo passado. Dizer mais o qu\u00ea, ent\u00e3o&#8230;?!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejamos&#8230; \u00c0 primeira impress\u00e3o, o livro (com uma primorosa edi\u00e7\u00e3o, diga-se, bem t\u00edpica \u00e0 qualidade que a Editora Mondrongo tanto gosta de prezar e presentear aos seus consumidores) n\u00e3o poderia me parecer melhor, porque os elementos estruturais da poesia de Heitor Brasileiro Filho revelam-se frutos de uma consci\u00eancia art\u00edstica muito vigorosa, sem que, em algum momento, venham perder-se de uma identifica\u00e7\u00e3o realista tanto com a vida, em suas mais diversas impress\u00f5es, quanto com a natureza, em seus mais diferentes sentidos, mostrando pouqu\u00edssimos tra\u00e7os com as influ\u00eancias rom\u00e2nticas e modernas das quais a express\u00e3o po\u00e9tica brasileira, em sua atualidade, ainda se fia e se confia. N\u00e3o que Heitor Brasileiro Filho n\u00e3o as possua; s\u00f3 n\u00e3o se d\u00e1 ao luxo idiossincr\u00e1tico de revel\u00e1-las, sem nenhum pudor, a um p\u00fablico tanto preparado, bem como \u00e0quele pouco afeito a discuss\u00f5es po\u00e9tico-formais de quaisquer tipos, como \u00e9 o caso deste que vos fala&#8230; \u2013 Oh, meu Deus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 preciso, todavia, um diploma universit\u00e1rio de qualquer tipo para perceber que, em sua poesia, Heitor Brasileiro n\u00e3o \u00e9 um homem de comportamento fechado \u2013 defeito terr\u00edvel de muitos pequenos e grandes bardos \u2013, digo: de se apresentar (enquanto poeta que \u00e9) fechado ao mundo. Como queria um T.S. Eliot, o autor de <em>O ch\u00e3o e a nuvem<\/em> n\u00e3o foge \u201cao desenho de autorretratos nem de confiss\u00f5es pessoais\u201d, sem que sua veia po\u00e9tica se perca por causa disso. Tudo que se l\u00ea, em <em>O ch\u00e3o e a nuvem<\/em>, \u00e9 de uma autonomia muito sagaz, e digo at\u00e9 sem vergonha, pois se l\u00e1 existem temas fortes \u00e0 pessoa de Heitor Brasileiro Filho, os mesmos poderiam ter um alto pre\u00e7o ao poeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma coisa \u00e9 certa, este versificador de formas livres e, \u00e0s vezes, at\u00e9 descuidadas, sabe (como poucos) captar a ess\u00eancia espiritual de pessoas de modos e vidas simples, somadas, evidentemente, aos modos e, quem sabe, \u00e0 vida simples dele pr\u00f3prio. Seus versos, diga-se n\u00e3o s\u00f3 de passagem, t\u00eam uma esp\u00e9cie de engenharia que muito contribuem para isso. E, se n\u00e3o bastasse, aglomeram um imenso cabedal de sons, imagens e efeitos sinest\u00e9sicos t\u00e3o dissonantes, muitas vezes, que s\u00f3 poderiam terminar numa mistura t\u00e3o inusitada qu\u00e3o intensamente reveladora. \u00c9 o caso de versos como os contidos em <em>Solu\u00e7os<\/em> <em>S\u00edsmicos<\/em>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Farto \u00e9 o fogo<br \/>\ndos vulc\u00f5es<br \/>\njulgados extintos<\/p>\n<p>solu\u00e7o s\u00edsmico<br \/>\nna contra\u00e7\u00e3o do parto<\/p>\n<p>pende um quadro<br \/>\ntr\u00eamulo<br \/>\nna parede do \u00fatero<\/p>\n<p>Sem a distor\u00e7\u00e3o<br \/>\nda moldura<br \/>\narde uma tela<br \/>\nde C\u00edcero Matos:<\/p>\n<p>deserto<br \/>\na ser florido<br \/>\nrio morto<br \/>\na ser aguado<\/p>\n<p>Jacobina<br \/>\nn\u00e3o \u00e9 apenas um retrato<br \/>\nna parede<br \/>\num ber\u00e7o<br \/>\na ser embalado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>os do intricado e revelador <em>O grande espet\u00e1culo da terra<\/em>:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje n\u00e3o vou \u00e0 Broadway \u2013<br \/>\npois n\u00e3o \u00e9 que nunca vou \u00e0 Broadway \u2013<br \/>\nque importa fogo ou neve em New York?<br \/>\nVou ficar para o grande espet\u00e1culo da terra<\/p>\n<p>como o circo de Maru<br \/>\ncom a rumbeira Margareth<br \/>\ne os clowns Chega-Chega e Batatinha<br \/>\nno ritmo inebriante de Tijuana Taxi<\/p>\n<p>meu Deus, que fim levou a rumbeira Margareth<br \/>\ndel\u00edrio da crian\u00e7ada de perdida inf\u00e2ncia<br \/>\ncasou-se e foi para Feira de Santana<\/p>\n<p>v\u00e9us \u2013 muitos v\u00e9us \u2013 iam-se dissolvendo um a um<br \/>\nagora grinaldas, o buqu\u00ea, gir\u00e2ndolas de p\u00e9talas<br \/>\numa tiara de cora\u00e7\u00f5es partidos<br \/>\ne aquela calda toda<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/span>de branco<\/p>\n<p>imagino-a sob o altar da Catedral<br \/>\nda sagrada Nossa Senhora de Sant\u2019Anna<br \/>\nao eterno som de Tijuana Taxi<\/p>\n<p>\u201cP\u00e3! Parampamp\u00e3-p\u00e3-p\u00e3-p\u00e3!\u201d<\/p>\n<p>(apoteose dos grot\u00f5es de minha terra:<br \/>\nna aur\u00edfera<br \/>\nna agr\u00edcola<br \/>\nnessa imensid\u00e3o distante e t\u00e3o pr\u00f3xima<br \/>\ncomo a antiga cidade de Jacobina<\/p>\n<p>sem o arpejo, o canto, o desespero de Bob Silva<br \/>\nsem o auto-faltante da R\u00e1dio Nacional<br \/>\nnem a doce viola de Paulo da China<br \/>\nnuma esquina perdida da Rua Ana Nery<br \/>\nmas cristalizada numa antiga cantiga)<\/p>\n<p>H\u00e1 um momento em que os malabares<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/span>eternizam-se no ar<\/p>\n<p>e o trapezista projetava-se<br \/>\npara o alto e precipitava-se<br \/>\nsobre um assoalho de taip\u00e1s<br \/>\npara o del\u00edrio da meninada<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/span>sem inf\u00e2ncia<br \/>\nsem rede<br \/>\nsem cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>e l\u00e1 estava o homem-borracha<br \/>\nestatelado em linha reta<br \/>\n\u2013 e a linha t\u00eanue \u2013<br \/>\nNa linha obl\u00edqua do ch\u00e3o<\/p>\n<p>\u201cP\u00e3! Parampamp\u00e3-p\u00e3-p\u00e3-p\u00e3!\u201d<\/p>\n<p>T\u00eam-se inf\u00e2ncia e mem\u00f3ria?<br \/>\nA quem importa a ru\u00edna do Empire State?<br \/>\nQue importa a estrutura v\u00edtrea do Louvre<br \/>\no burburinho do Quartier Latin<br \/>\nas ru\u00ednas gregas e as pir\u00e2mides no Cairo<br \/>\no Coliseu e o t\u00famulo de Tutacamon?<\/p>\n<p>Meu Deus, o que importa<br \/>\na privada de ouro de um sult\u00e3o em Om\u00e3<br \/>\nse o levante do Oriente<br \/>\n\u00e9 o que h\u00e1 de mais moderno?<\/p>\n<p>Que importa aquele edif\u00edcio em Dubai<br \/>\nante o singelo pedido da natureza \u2013<br \/>\nsubcut\u00e2nea tatuagem e a fina estampa da pele?<\/p>\n<p>Deem-nos inf\u00e2ncia e mem\u00f3ria<br \/>\ne ficaremos para o grande espet\u00e1culo da terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ou mesmo nos versos, como dir\u00e1 Jorge de Sousa Ara\u00fajo, de \u201csolu\u00e7\u00e3o simples e grande gozo est\u00e9tico\u201d, contidos em <em>Lirium<\/em>:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>quem<br \/>\nbem me<br \/>\nquer<br \/>\nn\u00e3o me<br \/>\ndespe<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;<\/span>ta<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;<\/span>la<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas cuidado, confiss\u00f5es de poetas n\u00e3o t\u00eam valor algum para a obra de arte se n\u00e3o forem compostas como <em>obras de arte<\/em>. E versos como os contidos em <em>Solu\u00e7os<\/em> <em>S\u00edsmicos<\/em> e <em>O grande espet\u00e1culo da terra<\/em>, bem como a todos pertencentes em <em>O ch\u00e3o e a nuvem<\/em> s\u00e3o bem mais que meras confiss\u00f5es de um menino ainda presente num homem adulto \u2013 tema, ali\u00e1s, car\u00edssimo ao velho Manuel Bandeira \u2013 mas que n\u00e3o se encaixa muito bem \u00e0 obra de nosso jacobino-ilheense que, acima de tudo, quer se vestir de muita maturidade em tudo que faz e escreve. \u00c9 preciso, antes de qualquer interpreta\u00e7\u00e3o ligeira, ler tais poemas como uma grande cr\u00edtica \u00e0 pol\u00edtica, ao mundo, ao cotidiano, \u00e0 hipocrisia dos homens e outras tantas tem\u00e1ticas ali presentes e t\u00e3o prontamente reveladas por uma poesia muito f\u00e1cil de compreender; contanto que n\u00e3o se entenda \u201cf\u00e1cil\u201d, aqui, como sin\u00f4nimo de coisa pouca ou sem grandes significados, pelo contr\u00e1rio: um bom poeta, formal ou n\u00e3o, erudito ou afeito \u00e0s cantigas populares, tem de saber dialogar com o p\u00fablico que carrega sua poesia e a quem ela pertencer\u00e1 quando este se for deste mundo para se misturar ao <em>h\u00famus<\/em> dos monturos e coisa e tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 impressionante a capacidade que Heitor Brasileiro Filho tem em criar uma esp\u00e9cie de <em>background<\/em> emocional em seus poemas, fazendo com que a for\u00e7a dos elementos significantes de seus versos pouco precise dever aos elementos de sua estrutura sonora ou r\u00edtmica, ao tempo que tudo isso nasce de uma disposi\u00e7\u00e3o muito engenhosa, como j\u00e1 disse. Assim sendo, Heitor Brasileiro Filho pode muito bem se sentir \u00e0 vontade para reivindicar temas t\u00e3o pessoais e que lhe trazem conflitos t\u00e3o arrebatadores, pois, ao se reportar novamente \u00e0 inf\u00e2ncia, e com ela, por exemplo, a um circo de onde a alegria e a ingenuidade de menino d\u00e3o lugar aos primeiros del\u00edrios er\u00f3ticos de rapaz \u2013 como se pode facilmente perceber em <em>O grande espet\u00e1culo da terra <\/em>\u2013, fica f\u00e1cil, ao leitor, mergulhar no turbilh\u00e3o composto tanto de alegrias bem como de profunda ang\u00fastia; de esperan\u00e7a e tristeza; fantasia e realidade&#8230; e tudo o mais que se pode extrair mesmo de uma leitura menos cuidada de versos como os de Heitor Brasileiro Filho e que, em certos momentos, nos parece ser tudo que ele possui de real e de valor. Eis a for\u00e7a da sinceridade de sua l\u00edrica e da maneira apaixonada com a qual o poeta entrega-a ao seu p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A facilidade em captar diferentes planos para um mesmo tema ou efeito imag\u00e9tico, independentemente de se tratar de um tema autobiogr\u00e1fico ou uma evidente intertextualidade, \u00e9, quem sabe, a parte mais bem elaborada de <em>O grande espet\u00e1culo da terra<\/em> e um caractere muito revelador em tudo que diz respeito ao seu livro, <em>O ch\u00e3o e a nuvem<\/em>. Com isso, Heitor Brasileiro Filho consegue poemas ao mesmo tempo t\u00e3o belos quanto elaborados dentro da melhor t\u00e9cnica art\u00edstica poss\u00edvel e compreens\u00edvel, ou como dir\u00e1 o professor Jorge de Souza Ara\u00fajo, na apresenta\u00e7\u00e3o deste mesmo livro: \u201cum poeta que se chama Heitor \u2013 evocando acordes de um Villa Lobos \u2013 e \u00e9 brasileiro no sobrenome e na natividade de a\u00e7\u00f5es afirmativas, tem, neste <em>O ch\u00e3o e a nuvem,<\/em> um agudo repert\u00f3rio de espantos, uma frequ\u00eancia de ironias, uns remates de <em>m\u00edmeses<\/em>, coincid\u00eancias fabulares, di\u00e1logos e interlocu\u00e7\u00f5es com outros comparsas (a exemplo de Ferreira Gullar) a que n\u00e3o podemos deixar de apreciar e refletir\u201d. Em suma: a poesia de Heitor Brasileiro Filho se quer uma poesia plena em sua ess\u00eancia, ou seja, quer nascer e se firmar atrav\u00e9s da <em>documenta\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica<\/em> que s\u00f3 a <em>perplexidade<\/em> aliada a uma <em>carga l\u00edrica<\/em>, t\u00e3o t\u00e9cnica quanto emotiva, pode nos trazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se h\u00e1 algo de realmente muito agrad\u00e1vel na poesia de Heitor Brasileiro, mais at\u00e9 que a sua evidente capacidade po\u00e9tica, \u00e9 a sua total incapacidade para o \u201cmascaramento\u201d, t\u00e3o comum tanto ao poeta moderno quanto ao contempor\u00e2neo. Por isso mesmo, \u00e9 mais que evidente que um poeta que escreve um livro como <em>O ch\u00e3o e a nuvem<\/em> se sinta t\u00e3o livre para eleger temas como os que nele se encontram; capazes mesmos de fazer com que uma linguagem que n\u00e3o se pretende mais do que simpl\u00f3ria adquira conte\u00fados \u00e0s vezes t\u00e3o m\u00e1gicos e cujas met\u00e1foras possam abrir m\u00e3os de suas rela\u00e7\u00f5es anal\u00f3gicas criando imagens t\u00e3o dissonantes e s\u00edmbolos t\u00e3o dissolventes que, aliados a temas t\u00e3o pessoais, e, n\u00e3o raramente, caros ao seu autor, capazes de trazer \u00e0 superf\u00edcie dos versos uma pesada carga de emo\u00e7\u00f5es \u2013 nem sempre agrad\u00e1veis \u2013 possam criar poemas como esses: frutos de sonhos e de p\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(<strong>Silv\u00e9rio Duque<\/strong> \u00e9 poeta, professor, formado em Letras pela UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), e m\u00fasico. \u00c9 autor de &#8220;A pele de Esa\u00fa&#8221; (Via Litterarum, 2010), &#8220;Ciranda de Sombras&#8221; (\u00c9 Realiza\u00e7\u00f5es, 2011), &#8220;Do cora\u00e7\u00e3o dos malditos&#8221; (Mondrongo, 2013). Seu pr\u00f3ximo livro, &#8220;A moldura vazia&#8221;, est\u00e1 no prelo)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Silv\u00e9rio Duque transita pelas vias do novo livro do poeta Heitor Brasileiro Filho<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6141,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1540,2533,16],"tags":[11,410,918,159,189,630,1193],"class_list":["post-6108","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-85a-leva","category-aperitivo-da-palavra","category-destaques","tag-aperitivo-da-palavra","tag-editora-mondrongo","tag-heitor-brasileiro-filho","tag-poemas","tag-resenha","tag-silverio-duque","tag-o-chao-a-nuvem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6108"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6108\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6548,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6108\/revisions\/6548"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6141"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}