{"id":6393,"date":"2013-12-31T10:20:34","date_gmt":"2013-12-31T13:20:34","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=6393"},"modified":"2013-12-31T16:01:06","modified_gmt":"2013-12-31T19:01:06","slug":"apertitivo-da-palavra-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/apertitivo-da-palavra-ii\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra II"},"content":{"rendered":"<p><strong>A SOBREVIV\u00caNCIA DO EF\u00caMERO E A FAL\u00caNCIA DO PASSADO<\/strong><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><em>o contorno s\u00f3 interessa aos apressados<\/em><\/h6>\n<p><em>Por Jorge Elias Neto<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_6394\" aria-describedby=\"caption-attachment-6394\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/INTERNA4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6394\" title=\"Bruno Kepper\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/INTERNA4.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/INTERNA4.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/INTERNA4-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6394\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Bruno Kepper<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, \u00e9 chegado o tempo em que o sil\u00eancio e a contempla\u00e7\u00e3o passaram a fazer parte do comportamento de um transgressor. \u00c9 o que conclama a balburdia multimidi\u00e1tica de nossos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, nada mais ef\u00eamero que o conceito num\u00e9rico dos dias, um ou dois d\u00edgitos n\u00e3o preenchem o vazio do homem p\u00f3s-moderno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E os \u201cvencedores\u201d prop\u00f5em: Falemos do caos bin\u00e1rio, j\u00e1 que se tornou \u201cfeio\u201d falar\u00a0do Sol e da Lua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O choque. O homem e o tempo, com seus instantes vendidos em m\u00f3dulos. Uma overdose de est\u00edmulos de dura\u00e7\u00e3o ef\u00eamera. Eis a droga que carece ser discutida, esta que alimenta o corpo fluido e seus receptores cerebrais carentes de imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas dever\u00edamos contestar a sutileza do instante e a beleza do ef\u00eamero? Faz-se necess\u00e1rio ent\u00e3o conceitualizar o que costumamos chamar de instante e de ef\u00eamero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O adjetivo ef\u00eamero \u00e9 derivado do grego\u00a0<em>eph\u00eameros, -os, -on<\/em>, que dura um dia. Em sua origem, a palavra\u00a0<em>ef\u00eamero <\/em>nos diz da poesia das \u00e1guas perenes dos riachos que s\u00f3 existem durante o degelo ou a esta\u00e7\u00e3o das chuvas; da flor da noite que desabrocha e fenece ao longo da madrugada. Ef\u00eamero \u00e9 a imensa amplid\u00e3o da transitoriedade fugidia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed, se dizemos:\u00a0<em>Est\u00e1 suspensa a transitoriedade das insignific\u00e2ncias<\/em>, n\u00e3o \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito mais, \u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o. Nos expomos ao deixar transparecer o desespero por resgatar o sentimento do homem pelo ef\u00eamero; dizer do que repica no peito, da percep\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia de que o homem reaprenda a aquaplanar o momento, ocupando com sil\u00eancio e reflex\u00e3o o espa\u00e7o que\u00a0sucede \u00e0\u00a0transitoriedade do instante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso\u00a0&#8211;\u00a0buscar no instante o paradoxo da pausa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 outra a defini\u00e7\u00e3o de instante que nos coloca \u00e0 deriva. E os dicion\u00e1rios s\u00e3o precisos, diria premonit\u00f3rios, quando nos apresentam o adjetivo\u00a0<em>instante<\/em>\u00a0(derivado do latim\u00a0<em>instans, &#8211; antis, &#8211; are<\/em>) como aquele que insta, que insiste com obstina\u00e7\u00e3o, que vai logo, iminente, URGENTE \u2013 que diz uma necessidade premente. O sufixo \u2013<em>\u00a0<\/em><em>are<\/em>\u00a0diz da soberba humana, da vontade de poder, estar de p\u00e9, erguer-se (o deus b\u00edpede, que se aproxima \u2013 amea\u00e7ador). Quando utilizado como substantivo masculino, a palavra instante traduz-se no \u201cmenor espa\u00e7o apreci\u00e1vel de tempo, momento, ocasi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eis o homem colocado \u00e0 deriva no mar da p\u00f3s-modernidade, sujeito \u00e0s\u00a0intemp\u00e9ries\u00a0dos instantes impostos e desejados. E esse ser fluido, part\u00edcula em suspens\u00e3o nesse mar batido de uma sociedade de consumo, torna\u00a0turvas\u00a0as \u00e1guas do Planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde encontrar tempo para o espasmo diante de uma imagem fulgurante, n\u00e3o a imagem digitalizada, pixelada no <em>\u00e9cran<\/em>\u00a0da m\u00eddia de bolso, mas a imagem ef\u00eamera, constru\u00edda pacientemente, pela evolu\u00e7\u00e3o do deus Darwin?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando jovens, aprendemos com nossos \u00eddolos a valorizar o momento,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0o agora. Vivificar o instante se mostrou a melhor forma de ter uma vida saud\u00e1vel e feliz. E o homem \u201cs\u00e1bio\u201d incorporou, em graus\u00a0vari\u00e1veis, essa\u00a0m\u00e1xima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acontece que o mercado e as grandes corpora\u00e7\u00f5es sempre estiveram atentas a esse fato e se desdobraram, e continuam se desdobrando, para ampliar e diversificar as \u201cofertas de instantes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que acontece quando o instante se fluidifica demasiadamente, se torna cada vez mais instant\u00e2neo, insatisfat\u00f3rio?\u00a0Quando o instante passa veloz; quando um piscar de olhos nos imp\u00f5e uma limita\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica para vivenci\u00e1-lo? Ocorre a desertifica\u00e7\u00e3o da vida, pois uma frustra\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel passa a dominar o indiv\u00edduo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 com essa no\u00e7\u00e3o insalubre do instante e esperan\u00e7osa do ef\u00eamero que devemos observar o homem que\u00a0se adentra no\u00a0s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Decreto<\/strong><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><em>(para ser lido tomando \u00e1gua de coco \u00e0 beira-mar)<\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o!<br \/>\nEst\u00e1 suspensa a transitoriedade das insignific\u00e2ncias.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 permitida a inspirabilidade do \u00f3bvio.<br \/>\n\u00c9 mandat\u00f3rio o afogamento das circunst\u00e2ncias.<br \/>\nO statu quo dever\u00e1 ser limpo com papel higi\u00eanico.<br \/>\nSer\u00e1 suprimido do vocabul\u00e1rio o beijo sem l\u00edngua.<br \/>\nNo card\u00e1pio das quartas-feiras<br \/>\no prato principal ser\u00e1 o \u00f3cio.<br \/>\nCada bocejo dever\u00e1 ser celebrado como profecia.<br \/>\nAo homem, que n\u00e3o lhe faltem<br \/>\novos fritos com torresmo, chicletes e \u00e1gua fresca.<br \/>\nQue todos os reflexos sejam queimados<br \/>\nnas piras da reflex\u00e3o.<br \/>\nPara cada ser humano, um momento lento de aurora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(<strong>Jorge Elias Neto<\/strong> \u00e9 m\u00e9dico, pesquisador e poeta. Capixaba, reside em Vit\u00f3ria \u2013 ES. S\u00e3o de sua autoria os livros: Verdes Versos (Flor&amp;cultura ed. \u2013 2007), Rascunhos do absurdo (Flor&amp;cultura ed. \u2013 2010), Os ossos da baleia e Brevi\u00e1rio dos olhos (in\u00e9ditos). Integrou as publica\u00e7\u00f5es Antologia po\u00e9tica Virtualismo (2005), Antologia liter\u00e1ria cidade (L&amp;A Editora \u2013 2010), Antologia Cidade de Vit\u00f3ria (Academia Espiritossantense de letras \u2013 2010 e 2011) e Antologia Encontro Pontual (Editora Scortecci \u2013 2010))<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O poeta Jorge Elias Neto reflete sobre a  p\u00f3s-modernidade<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6394,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1587,2533],"tags":[1604,11,752,154,333],"class_list":["post-6393","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-86a-leva","category-aperitivo-da-palavra","tag-a-sobrevivencia-do-efemero-e-a-falencia-do-instante","tag-aperitivo-da-palavra","tag-artigo","tag-jorge-elias-neto","tag-pos-modernidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6393"}],"version-history":[{"count":26,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6393\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6553,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6393\/revisions\/6553"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}