{"id":6910,"date":"2014-03-03T12:41:50","date_gmt":"2014-03-03T15:41:50","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=6910"},"modified":"2018-11-23T10:57:47","modified_gmt":"2018-11-23T13:57:47","slug":"aperitivo-da-palavra-i-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivo-da-palavra-i-6\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra I"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DEUS, O NOME<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Anderson Fonseca<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria o tempo a sucess\u00e3o de um mesmo nome? Ser\u00e1 a hist\u00f3ria a diacronia sem\u00e2ntica de um \u00fanico nome? \u00a0\u00a0Segundo a B\u00edblia, sim. Este livro \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o de um mesmo e \u00fanico nome, Deus, que se revela em cada verso, cada estrofe, cada personagem, como se todos os elementos que constituem a narrativa fossem um aspecto desse nome, e a hist\u00f3ria fosse a sucess\u00e3o do nome em diferentes circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, a hist\u00f3ria na B\u00edblia \u00e9 o desenvolvimento de um \u00fanico nome, e o tempo, a sucess\u00e3o desse nome que se repete indefinidamente, e os personagens, a sua sombra. Isso leva-nos a pensar que o nome Deus \u00e9 a realidade subjacente do qual tudo \u00e9 apenas um reflexo. A literatura seria, portanto \u2013 tomando-se a B\u00edblia como modelo \u2013, o desenvolvimento sem\u00e2ntico de um \u00fanico nome. O nome Deus repete-se e se transforma em literatura, e a literatura \u00e9, quanto a esse nome, a historicidade da palavra. O nome sucede-se no tempo, ou o tempo \u00e9 a sucess\u00e3o desse nome no pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro de \u00caxodo, cap. 3, 14, Mois\u00e9s indaga a Deus seu nome, e Ele responde: \u201cEu Sou O Que Sou\u201d. Mas o nome ainda n\u00e3o \u00e9 o Nome, pois lhe falta uma letra que entregaria sua natureza real. O Ser apenas disse a Mois\u00e9s o que Ele \u00e9, n\u00e3o lhe revelou quem, e sim, o qu\u00ea. Eis outro aspecto do nome, cujo significado \u00e9 desvelar a natureza do ser nomeado. Entretanto, a narrativa b\u00edblica nos apresenta outro olhar, o nome n\u00e3o leva \u00e0 compreens\u00e3o da ess\u00eancia, porque em qualquer substantivo falta-lhe uma letra, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 trazer \u00e0 luz a natureza do ser nomeado. Deus n\u00e3o disse Seu Nome, apenas substantivou o que Ele em si \u00e9, o \u00c9. Ser em si o que \u00e9, ou Ser em si o \u00c9, revela-nos sua atemporalidade. O nome de qualquer ser \u00e9 atemporal, a temporalidade surge quando o nome \u00e9 envolvido pela circunst\u00e2ncia. Ser o ser, ser o \u00c9, n\u00e3o est\u00e1 em quando, porque o Ser-\u00c9-em-si, \u00e9 um nome ao qual n\u00e3o h\u00e1 tempo. O tempo do nome \u00e9 sua transforma\u00e7\u00e3o circunstancial segundo outra voz. A\u00ed, o Ser-\u00e9 tornar-se o Ser-ser\u00e1, o Ser-foi, o Ser-seria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra Ser \u00e9 verbo, mas tamb\u00e9m \u00e9 substantivo, porque nomeia; e, segundo a gram\u00e1tica, \u00e9 um substantivo abstrato na forma infinitiva. O infinitivo aponta a atemporalidade do nome, se este nome \u00e9 conjugado pela rela\u00e7\u00e3o voz\/circunst\u00e2ncia, torna-se sou, \u00e9s, \u00e9, somos, sois, sereis, e etc. O Nome em si \u00e9 extempor\u00e2neo, mas atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o com outro nome (de um substantivo com outro substantivo) surge a sucessividade e o Nome passa a sofrer a presen\u00e7a do tempo. Deus \u00e9 enquanto Nome, contudo a repeti\u00e7\u00e3o do Seu Nome \u00e9 a raz\u00e3o da sucess\u00e3o. Portanto, o tempo seria a sucess\u00e3o de um mesmo Nome no pensamento. Se Deus \u00e9, Ele \u00e9 hoje, ontem e amanh\u00e3; a presen\u00e7a do \u00e9, atesta que o tempo \u00e9 uma ilus\u00e3o, sua experi\u00eancia s\u00f3 o \u00e9 real, devido a rela\u00e7\u00e3o estabelecida com o conceito que se repete, at\u00e9 por que a repeti\u00e7\u00e3o de uma mesma ideia admite a nega\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o anterior e o surgimento em seu lugar de uma nova. A literatura \u00e9 a sucess\u00e3o desse Nome, e a sucess\u00e3o do Nome \u00e9 a causa da narrativa. Conforme a B\u00edblia, a narrativa seria a repeti\u00e7\u00e3o de um mesmo nome em diferentes rela\u00e7\u00f5es estabelecidas com ele. Chega a um limiar em que n\u00e3o se sabe se o Nome transformou-se ao longo da narrativa (hist\u00f3ria) ou se a narrativa \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua desse Nome. Quando se l\u00ea a B\u00edblia, est\u00e1 lendo-se a narra\u00e7\u00e3o de um nome que se transforma ao longo dos s\u00e9culos. \u00a0A Literatura \u00e9, portanto, a narrativa de um Nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo Mois\u00e9s n\u00e3o conheceu o Nome de Deus, faltava-lhe uma letra e, devido a isso, o Nome se transformou na hist\u00f3ria, transformou-se semanticamente. A narrativa seria a busca de encontrar a letra que falta ao Nome. A aus\u00eancia dessa letra levou a atribui\u00e7\u00e3o de outros nomes (qualidades) como modo de completar o Nome. Assim, Deus passou a ser chamado de Justo, Santo, Amoroso, Verdade, etc. Essas qualidades que em si s\u00e3o antropomorfismos nascem da necessidade do homem compreender a Deus, porque dEle o homem s\u00f3 tem por conhecimento um Nome incompleto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mois\u00e9s esperava de Deus saber seu Nome, mas Deus n\u00e3o lhe disse, apenas falou-lhe o que Ele \u00e9. Quem sabe Mois\u00e9s planejasse com a descoberta do Nome dominar o deus que lhe apareceu. Mas ao ouvi-lo, reconheceu a impossibilidade de tal fa\u00e7anha, porque seu conhecimento limita-se a uma palavra, cujo sentido encontra-se na falta. Por mais que buscasse, jamais descobriria quem \u00e9 atrav\u00e9s do nome que foi lhe dado, pois ao nome faltava-lhe uma letra. Cabe ao homem, agora, preencher o vazio deixado ao Nome com outros nomes, cuja fun\u00e7\u00e3o principal \u00e9 qualificar (acidentar) para ser racionaliz\u00e1vel.\u00a0 O Nome ser\u00e1 interpretado pelo homem por meio da racionaliza\u00e7\u00e3o de Seu vazio. A interpreta\u00e7\u00e3o fundamenta-se na falta que h\u00e1 no Nome, porque no momento em que \u00e9 interpretado, o Nome est\u00e1 sujeito a abstra\u00e7\u00f5es, i.e., ao receber caracter\u00edsticas que n\u00e3o lhe pertencem para torn\u00e1-Lo entend\u00edvel. A Literatura, logo, \u00e9 a letra que falta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A letra que falta \u00e9 a raz\u00e3o do Nome ser na narrativa, e a narrativa, a sucess\u00e3o desse Nome, e, enquanto narrativa, o Nome existe. Portanto, Deus existe como narrativa de si mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15511\" aria-describedby=\"caption-attachment-15511\" style=\"width: 448px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/INTERNA-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15511 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/INTERNA-1.jpg\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/INTERNA-1.jpg 448w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/INTERNA-1-300x198.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15511\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Luis Borges \/ Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jorge Luis Borges escreveu no poema <em>Uma B\u00fassola:<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Todas as coisas s\u00e3o palavras lidas<\/em><br \/>\n<em>Na l\u00edngua em que Algo ou Algu\u00e9m, noite e dia,<\/em><br \/>\n<em>Escreve essa infinita algaravia<\/em><br \/>\n<em>Que \u00e9 a hist\u00f3ria do mundo.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jorge Luis Borges em toda sua obra parece buscar o <em>Nome<\/em>, porque o Nome seria em si a pr\u00f3pria obra. O livro <em>Fic\u00e7\u00f5es <\/em>\u00e9 o desenvolvimento desse Nome, um Nome que se repete, e que se converte em hist\u00f3ria. Nos contos <em>A Biblioteca de Babel, A morte e a b\u00fassola, Tr\u00eas vers\u00f5es para Judas, <\/em>e <em>O Fim, <\/em>Borges trabalha as vers\u00f5es desse Nome; ele faz uma releitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <em>A morte e a b\u00fassola<\/em>, uma s\u00e9rie de assassinatos marca a busca pela reconstitui\u00e7\u00e3o do Nome Secreto. A primeira morte, a do personagem Yarmolinsky denuncia o labirinto, porque at\u00e9 seu assassino cont\u00e9m no nome a met\u00e1fora do labirinto, Scharlach. Ou seja, a v\u00edtima come\u00e7a com Y e termina com y, e o assassino com Sch, e termina com ch, fechando um c\u00edrculo. O nome Deus em hebraico YHVH seria outra imagem do c\u00edrculo, cujo significado oculto \u00e9 eternidade ou a repeti\u00e7\u00e3o infinita da mesma s\u00e9rie de eventos. Nessa met\u00e1fora, Deus seria a hist\u00f3ria circular, a repeti\u00e7\u00e3o de um Nome infinitamente at\u00e9 que os elementos desse nome tornem-se uma extens\u00e3o dele, i.e., uma narrativa. O narrador escreve: \u201ca tese de que Deus tem um nome oculto, no qual est\u00e1 compendiado seu nono atributo, a eternidade \u2013 isto \u00e9, o conhecimento imediato de todas as coisas que ser\u00e3o, que s\u00e3o e que foram no universo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <em>Tr\u00eas vers\u00f5es de Judas, <\/em>o narrador diz: \u201ca trai\u00e7\u00e3o de Judas n\u00e3o foi casual; foi um evento predeterminado que tem seu lugar misterioso na economia reden\u00e7\u00e3o.\u201d Em outra passagem, escreve: &#8230; \u201cque infinito castigo seria o seu, por ter descoberto e divulgado o horr\u00edvel nome de Deus?\u201d Os trechos confirmam a tese de que Jorge Luis Borges, assim como eu, e como qualquer cabalista, v\u00ea a hist\u00f3ria como uma sucess\u00e3o de eventos ou desdobramentos de um mesmo Nome. No conto <em>O Fim, <\/em>o narrador afirma: \u201ca plan\u00edcie est\u00e1 por dizer alguma coisa, nunca o diz ou talvez o diga infinitamente e n\u00e3o a compreendemos, ou a compreendemos, mas \u00e9 intraduz\u00edvel como uma m\u00fasica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No poema <em>O Golem, <\/em>Jorge Luis Borges escreve:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se (como o grego no Cr\u00e1tilo di-lo)<\/em><br \/>\n<em>Da coisa o nome \u00e9 sua ideia pura,<\/em><br \/>\n<em>Nos sons de rosa a rosa \u00e9 e perdura<\/em><br \/>\n<em>E todo o Nilo, na palavra Nilo.<\/em><\/p>\n<p><em>E, feito de consoantes e vogais,<\/em><br \/>\n<em>Nome terr\u00edvel h\u00e1 de haver, que a ess\u00eancia<\/em><br \/>\n<em>Cifre de Deus e que a Onipot\u00eancia <\/em><br \/>\n<em>Guarde em letras e s\u00edlabas cabais.<\/em><\/p>\n<p><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p><em>Gradualmente (como n\u00f3s) viu-se ele<\/em><br \/>\n<em>Aprisionado na rede sonora<\/em><br \/>\n<em>Do Antes, Depois, Ontem, Enquanto, Agora,<\/em><br \/>\n<em>Direita, Esquerda, Eu, Tu, Outro, Aqueles.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O Golem <\/em>\u00e9 o simulacro do Nome, assim como a hist\u00f3ria, uma infinita repeti\u00e7\u00e3o das letras que o comp\u00f5em num espa\u00e7o circular &#8211; o labirinto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra borgiana, tal como a B\u00edblia, \u00e9 um desdobramento do Nome Deus, nome que se torna o pr\u00f3prio tempo, e que atrav\u00e9s da hist\u00f3ria afirma sua Eternidade. O tempo se nega e se afirma no c\u00edrculo que \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o infinita desse nome YHVH.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>Anderson Fonseca<\/em><\/strong><em> \u00e9 autor dos livros Notas de Pensamentos Incomuns (2011) e Sr. Bergier (2013). Vive em Brejo Santo, Cear\u00e1. <\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa intersec\u00e7\u00e3o com Jorge Luis Borges, o escritor Anderson Fonseca discorre sobre as difusas acep\u00e7\u00f5es do nome de Deus <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6916,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1714,2533,16],"tags":[251,11,1760,1761,1130,1757,914,280,1759,277,1758,1598],"class_list":["post-6910","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-88a-leva","category-aperitivo-da-palavra","category-destaques","tag-anderson-fonseca","tag-aperitivo-da-palavra","tag-biblia","tag-brejo-santo","tag-ceara","tag-deus","tag-ensaio","tag-jorge-luis-borges","tag-nome-de-deus","tag-notas-de-pensamentos-incomuns","tag-o-nome","tag-sr-bergier"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6910"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6910\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15513,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6910\/revisions\/15513"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6916"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}