{"id":7716,"date":"2014-06-02T10:35:34","date_gmt":"2014-06-02T13:35:34","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=7716"},"modified":"2014-07-05T15:20:09","modified_gmt":"2014-07-05T18:20:09","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-23","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-23\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De modo pungente, os caminhos que levam a um entendimento sobre a condi\u00e7\u00e3o humana nos tomam de assalto. Com eles, algumas c\u00f4modas certezas v\u00e3o sendo questionadas e muitas vezes colocadas numa complexa perspectiva de reformula\u00e7\u00e3o. No universo das palavras, o ato primevo e substancial da leitura representa uma experi\u00eancia impactante sob o ponto de vista da alteridade. O que seria, ent\u00e3o, de n\u00f3s sem essa vigorosa perspectiva de olhar o Outro como uma imprescind\u00edvel fonte de compreens\u00e3o das coisas que nos cercam?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que a Literatura, com seu acentuado car\u00e1ter de revolver mundos, \u00e9 capaz de nos dar ind\u00edcios de que tudo gira ao nosso redor como as imagens de um caleidosc\u00f3pio. Nesse processo, leituras e escrituras s\u00e3o faces de uma mesma moeda: a do desejo irrefre\u00e1vel de nos vermos com certa dose de profundidade. Por mais libert\u00e1rio que possa parecer, o ato de ler revela tamb\u00e9m uma necessidade que temos de exercitar um mergulho em n\u00f3s mesmos. Com isso, se o que buscamos s\u00e3o respostas, as dimens\u00f5es vividas ganham propor\u00e7\u00f5es verdadeiramente abissais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob o ponto de vista de quem escreve, o of\u00edcio n\u00e3o \u00e9 menos ruidoso. E o ato cont\u00ednuo de vislumbrar os recortes humanos \u00e9 um elemento deveras motivador da cria\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, autores como <strong>Helena Terra <\/strong>parecem nos ofertar uma b\u00fassola para algum tipo de orienta\u00e7\u00e3o. Quem se permite desfolhar as p\u00e1ginas do romance de estreia da mo\u00e7a ga\u00facha, alcunhado de <em>A condi\u00e7\u00e3o indestrut\u00edvel de ter sido <\/em>(Ed. Dublinense &#8211; 2013), pode suspeitar por quais veredas sua criadora transitou. Num tempo em que nos acostumamos a tratar a tem\u00e1tica do amor com certa reserva, o livro de Helena nos mostra que, para al\u00e9m da viciada no\u00e7\u00e3o ef\u00eamera, o terreno das rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o se presta a observa\u00e7\u00f5es reducionistas. Engana-se quem pensa que o escapismo do outro diante de nossos projetados dom\u00ednios \u00e9 a raz\u00e3o de ser da obra. Um lapso temporal da delicadeza move a narrativa de tal modo que flutuamos pelas acep\u00e7\u00f5es poss\u00edveis da incompletude humana. Especialmente pela atmosfera que emana desse seu rebento liter\u00e1rio, Helena acolheu a Diversos Afins para um breve di\u00e1logo. Para n\u00f3s, fica o testemunho de uma autora altamente comprometida com as implica\u00e7\u00f5es de seu tempo, vertendo, de modo favor\u00e1vel, suas \u00edntimas imagens em h\u00e1beis letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_7726\" aria-describedby=\"caption-attachment-7726\" style=\"width: 446px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA-4-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7726 \" title=\"Helena Terra\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA-4-1.jpg\" alt=\"\" width=\"446\" height=\"515\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA-4-1.jpg 446w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA-4-1-259x300.jpg 259w\" sizes=\"auto, (max-width: 446px) 100vw, 446px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7726\" class=\"wp-caption-text\">Helena Terra \/ Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; &#8220;A condi\u00e7\u00e3o indestrut\u00edvel de ter sido&#8221; marca sua estreia no romance e traz um tema cuja presen\u00e7a na contemporaneidade \u00e9 bastante emblem\u00e1tica. \u00a0O amor, da forma como o percebemos hoje, n\u00e3o lhe parece impregnado de uma substancial volatilidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HELENA TERRA &#8211; <\/strong>N\u00e3o. O que me parece \u00e9 que h\u00e1 uma urg\u00eancia em encontr\u00e1-lo e em se dizer eu estou amando, o que complica as rela\u00e7\u00f5es afetivas contempor\u00e2neas e as torna sujeitas a in\u00fameros equ\u00edvocos. Primeiro, porque o amor n\u00e3o \u00e9 um produto dispon\u00edvel nas melhores lojas do com\u00e9rcio ou em sites de internet. Amor n\u00e3o \u00e9 algo que se escolhe em uma vitrine, que se digita no google, se diz quero esse modelo e se veste, consome, exibe para depois ser devolvido no setor de produtos com defeitos ou descartado diante de uma nova oferta. E segundo porque o amor \u00e9 um sentimento exigente, que implica sabedoria emocional, virtudes de car\u00e1ter e const\u00e2ncia, trabalho mesmo. Como a felicidade, o amor exige trabalho. Raduan Nassar e Charles Bukowski escreveram duas frases relevantes sobre ele. Escreveu Raduan, no <em>Lavoura Arcaica<\/em>: eu que n\u00e3o sabia que o amor requer vig\u00edlia. E, Bukowski, em o <em>Amor \u00e9 tudo que n\u00f3s dissemos que n\u00e3o era<\/em>: o amor \u00e9 uma palavra usada muitas vezes e muitas vezes cedo demais. Concordo inteiramente com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A protagonista do seu livro transita pelos, digamos assim, territ\u00f3rios protegidos do amor. Nesse aspecto, h\u00e1 a presen\u00e7a dos mecanismos de defesa proporcionados pelas redomas tecnol\u00f3gicas que tanto nos envolvem. \u00a0Como voc\u00ea percebe tal quest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HELENA TERRA &#8211; <\/strong>A narradora do livro me parece ser, por natureza, uma pessoa reservada e, at\u00e9 conhecer Mauro, estar intensamente focada em sua rela\u00e7\u00e3o com as palavras e com os livros. Em algum momento, o leitor sabe que ela esteve dentro de uma rela\u00e7\u00e3o afetiva com algu\u00e9m do que entendemos por mundo real, mas n\u00e3o h\u00e1 pistas sobre como esse encontro\/desencontro se desenvolveu e porque acabou. E n\u00e3o h\u00e1 de prop\u00f3sito. N\u00e3o acredito em modelos amorosos e em espa\u00e7os perfeitos para o amor e para as paix\u00f5es. Os motivos que levam casais a se unirem e desunirem, n\u00e3o importando o tempo em que permane\u00e7am juntos, fogem da nossa compreens\u00e3o e fogem tamb\u00e9m das partes envolvidas. O, digamos, diferencial da internet \u00e9 que ela permite uma maior ousadia e uma maior velocidade no processo de se conhecer ou desconhecer outra pessoa. Mas essa ousadia e essa velocidade s\u00e3o op\u00e7\u00f5es e n\u00e3o uma regra. As pessoas que criam personagens de si mesmas no mundo virtual costumam fazer o mesmo no real. As que tendem a mentir, mentem. As que tendem a exagerar, exageram. As que tendem a enlouquecer, enlouquecem. E as que tendem a amar, amam. Os simulacros n\u00e3o se sustentam a longo prazo. A internet \u00e9 um dos espa\u00e7os mais democr\u00e1ticos para a circula\u00e7\u00e3o das verdades e da maturidade emocional de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Ao passo que sua protagonista e o Mauro, objeto da paix\u00e3o dela, v\u00e3o estabelecendo aproxima\u00e7\u00f5es no campo do real, o impacto das sensa\u00e7\u00f5es se modifica e vai perdendo um tanto do vigor inaugural. Em que medida a intimidade pode ser tamb\u00e9m um lugar de desconstru\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HELENA TERRA \u2013 <\/strong>A intimidade, paradoxalmente, pode ser a nossa zona de conforto e tamb\u00e9m a de confronto. Fantasia e realidade ganham dimens\u00f5es diferentes com o conv\u00edvio com outra pessoa.\u00a0 Ela, de certa forma, funciona como um filtro em que o incompat\u00edvel com a natureza de cada um e com suas expectativas \u00e9 eliminado ou purificado. Na rela\u00e7\u00e3o da narradora com Mauro, o impacto das sensa\u00e7\u00f5es se modifica porque, apesar da sintonia virtual, eles n\u00e3o esperam o mesmo um do outro e, porque, como \u00e9 comum na internet, a sedu\u00e7\u00e3o se estabelece por meio da literatura e das palavras. Os dois n\u00e3o deixam de ser uma fic\u00e7\u00e3o, mesmo depois do encontro na cidade em que ele mora, porque fazem o recorte de si mesmos, selecionam as facetas e o que desejam que o outro saiba quando se escrevem mais por impulso que por tempo de matura\u00e7\u00e3o do relacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; H\u00e1 algum aspecto marcante desse turbilh\u00e3o chamado p\u00f3s-modernidade que moveu fundamentalmente suas escolhas narrativas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HELENA TERRA &#8211; <\/strong>N\u00e3o, creio que n\u00e3o. N\u00e3o optei por uma narradora em terceira pessoa porque queria dar a sua voz o m\u00e1ximo de carga dram\u00e1tica e optei por ter como pano de fundo desse discurso o ambiente virtual porque ele se constr\u00f3i a partir da palavra. Na internet, ela \u00e9 o carro chefe. Por mais que imagens possam contribuir para o desenvolvimento de qualquer tipo de relacionamento, sem a linguagem escrita n\u00e3o se tomam decis\u00f5es nem se avan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o alguma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A afirma\u00e7\u00e3o de algumas bandeiras de g\u00eanero parece tomar significativa propor\u00e7\u00e3o no debate liter\u00e1rio moderno. \u00c9 o caso, por exemplo, de se considerar a exist\u00eancia de distin\u00e7\u00f5es como literatura gay, feminista e etc. Essa territorializa\u00e7\u00e3o limita as possibilidades criativas na medida em que volta suas aten\u00e7\u00f5es para focos de resist\u00eancia? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HELENA TERRA \u2013 <\/strong>N\u00e3o compactuo com essas distin\u00e7\u00f5es e considero qualquer uma delas como uma forma de auto-exclus\u00e3o. Essa ideia de se encaixar em um grupo \u00e9 redutora e alimenta preconceitos. N\u00e3o me considero uma escritora de literatura feminina por ser do sexo feminino, n\u00e3o me considero uma escritora ga\u00facha por ter nascido no Rio Grande do Sul. Sou uma escritora de l\u00edngua portuguesa por ser essa a minha l\u00edngua m\u00e3e. E \u00e9 dentro dessa circunst\u00e2ncia, livre dentro do imenso vocabul\u00e1rio e de todos os recursos gramaticais que o nosso idioma nos oferece, que exer\u00e7o meu potencial criativo e a minha sensibilidade. Literatura implica humanidade e humanidade est\u00e1 acima de r\u00f3tulos.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_7727\" aria-describedby=\"caption-attachment-7727\" style=\"width: 338px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/interna-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-7727 \" title=\"Helena Terra\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/interna-2.jpg\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"476\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/interna-2.jpg 338w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/interna-2-213x300.jpg 213w\" sizes=\"auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7727\" class=\"wp-caption-text\">Helena Terra \/ Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Quais aspectos voc\u00ea julga serem os mais importantes na composi\u00e7\u00e3o do atual cen\u00e1rio liter\u00e1rio brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HELENA TERRA &#8211; <\/strong>N\u00e3o sei exatamente pontuar o que \u00e9 mais importante. Mas o cen\u00e1rio atual me parece mais generoso no sentido em que hoje h\u00e1 uma s\u00e9rie de instrumentos a favor da profissionaliza\u00e7\u00e3o de um escritor e da divulga\u00e7\u00e3o de um livro. Na \u00faltima d\u00e9cada, surgiu uma quantidade significativa de cursos, oficinas, laborat\u00f3rios etc., buscando a qualifica\u00e7\u00e3o dos textos; surgiram novos pr\u00eamios, alguns com incentivo financeiro; o interesse estrangeiro pela literatura brasileira se confundiu um pouco com o interesse pelo pr\u00f3prio Brasil, criando um novo p\u00fablico de leitores e um novo mercado editorial fora do pa\u00eds; e tamb\u00e9m houve uma abertura maior, uma curiosidade maior de p\u00fablico e de editoras em conhecer o que est\u00e1 sendo produzido agora. Isso n\u00e3o significa que esteja tudo em ordem. A cultura no Brasil est\u00e1, como n\u00f3s todos, buscando cidadania. <strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Uma outra fei\u00e7\u00e3o sua \u00e9 a que lhe faz trilhar os caminhos das artes pl\u00e1sticas. De que modo voc\u00ea vislumbra o mundo a partir desse lugar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HELENA TERRA &#8211; <\/strong>Por natureza, sou uma criatura est\u00e9tica. Procuro e vejo beleza, express\u00e3o, for\u00e7a, emo\u00e7\u00e3o, mesmo que em um recorte pequeno de algo, em tudo. Tenho no olhar e na linguagem os meus dois interesses mais desenvolvidos, e os dois se misturam. Vejo uma imagem configurando-a em som e palavras. Escuto palavras e sons atribuindo a elas imagens. Do ponto de vista profissional, s\u00e3o universos, embora art\u00edsticos, diferentes, em que as carreiras seguem com completa autonomia.<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez dizia que, para escrever, um autor deve saber muito bem quais rumos sua narrativa vai tomar. H\u00e1 pouco tempo, voc\u00ea deu ind\u00edcios de que um novo livro j\u00e1 faria parte de seus planos. \u00a0Nesse futuro trajeto da cria\u00e7\u00e3o, como voc\u00ea engendra a arquitetura da obra?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HELENA TERRA &#8211; <\/strong>N\u00e3o sei at\u00e9 que ponto esse saber muito bem quais rumos uma narrativa vai tomar \u00e9 realmente importante. Os processos criativos s\u00e3o in\u00fameros. No meu caso, preciso saber sobre o que quero escrever, saber qual o ponto a ser carregado por toda a narrativa. No <em>A condi\u00e7\u00e3o indestrut\u00edvel de ter sido<\/em>, meu foco era a confian\u00e7a tanto nas pessoas quanto nas palavras, mas eu n\u00e3o tinha um projeto definido que envolvesse in\u00edcio, meio e fim. Tinha o t\u00edtulo em mente como um fio condutor. Nesse novo livro, a escrita est\u00e1 se construindo de outra forma. Escrevi, em uma caderneta, uma esp\u00e9cie de mapa e de quebra-cabe\u00e7a da narrativa e algumas instru\u00e7\u00f5es em causa pr\u00f3pria de como proceder para manter a disciplina. Aparentemente, a Helena que est\u00e1 escrevendo esse novo livro n\u00e3o \u00e9 a mesma que escreveu o outro. Mas \u00e9. E o interessante em ser gente \u00e9 exatamente isso: ser um podendo crescer, se transformar e ser quem se \u00e9 sendo tamb\u00e9m outro.<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Na fluidez de palavras e imagens, o quanto Helena Terra conhece Helena Terra?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HELENA TERRA &#8211; <\/strong>Bastante. Dois caminhos me conduziram nesse sentido: a literatura e a an\u00e1lise psicanal\u00edtica. Na literatura, lendo mais que escrevendo, ainda que o processo de escrita exija muita reflex\u00e3o. Lendo autores de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, geografias, estilos, ampliei minha vis\u00e3o de mundo. Com Dostoi\u00e9vski, por exemplo, compreendi que os homens nunca sentem da mesma maneira, ent\u00e3o, os castigos a eles impostos ser\u00e3o sempre desiguais. Temos de levar em conta o significado de cada san\u00e7\u00e3o para cada esp\u00edrito. Os livros, e aqui me refiro aos livros corajosos que servem \u00e0 vida e n\u00e3o \u00e0s vaidades, nos provocam, sacodem e reconfiguram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Permeando o sens\u00edvel universo das paisagens humanas, a escritora Helena Terra fala sobre seus trajetos liter\u00e1rios<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7723,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1908,16,2539],"tags":[1675,1919,63,137,1673,8,496],"class_list":["post-7716","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-91a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-a-condicao-indestrutivel-de-ter-sido","tag-editora-dublinense","tag-entrevista","tag-fabricio-brandao","tag-helena-terra","tag-pequena-sabatina-ao-artista","tag-romance"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7716"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7716\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8147,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7716\/revisions\/8147"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7723"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}