{"id":7732,"date":"2014-06-03T10:10:44","date_gmt":"2014-06-03T13:10:44","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=7732"},"modified":"2014-07-05T15:21:16","modified_gmt":"2014-07-05T18:21:16","slug":"janela-poetica-ii-26","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/janela-poetica-ii-26\/","title":{"rendered":"Janela Po\u00e9tica II"},"content":{"rendered":"<p><em>Dheyne de Souza<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_7734\" aria-describedby=\"caption-attachment-7734\" style=\"width: 375px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7734 alignleft\" title=\"Marcantonio\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA1.jpg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA1.jpg 375w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA1-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7734\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Marcantonio<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando eu digo saudade e sinto outra coisa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>vezes caminha em mim uma saudade que \u00e9 um pouco arredia, um pouco insolente.<br \/>\nEla vem com esses passos de noite como quem acorda um escuro.<br \/>\nEla toma a m\u00e3o dos meus sonhos e come\u00e7a a cerzir metragens curtas.<br \/>\nComo se minha vida fosse uma fita me fita, essa mem\u00f3ria meio insalubre, com os seus olhos de carpir montanhas. Com esses olhos de um tema curvo. Com essa displic\u00eancia do moment\u00e2neo. Paisagem que dorme sem leito.<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 sempre que me toca a pele esse vestido leve de sentir o peso.<br \/>\nMuitas vezes querendo que me perca me bato me espanco me ergo me enleio sentindo saudade desse modo espec\u00edfico de sentir falta.<br \/>\n\u00c9 que ela me espinha o passado.<br \/>\n\u00c9 que ela me aborta o presente.<br \/>\n\u00c9 que me faz esquecer de ser para lembrar o que podia se fosse.<br \/>\n\u00c9 que ela me ensina a ser forte, a ser grosso, a ser firme com seu meio r\u00edspido de me tirar daqui. Com o seu gesto ins\u00edpido de me lembrar que o instante \u00e9 tudo o que tenho e deixo. Com o seu freio de desapego. Com o seu jeito, enfim, me devolve praticamente ileso.<br \/>\nAssim. Tem dias, confesso, que me pega bem preparado e eu lhe chamo de nomes bem feios &#8211; da forma que eu consigo dizer, que nunca fui muito afeito a maltratos. Mas digo mil coisas vis. Minto que esqueci de todo o ber\u00e7o. Grito que tenho costas limpas. Urro que no meu olho h\u00e1 c\u00edlios secos. Corro tanto a lembrar o quanto sou que trope\u00e7o e quando me aque\u00e7o azulejo j\u00e1 nem ri.<br \/>\nO que eu dizia mesmo?<br \/>\nQue \u00e0s vezes ela n\u00e3o pisa nos meus medos.<br \/>\nE eu fico assim em vig\u00edlia.<br \/>\nEu fico assim dia a dia.<br \/>\nSabe?<br \/>\nEu vou ao supermercado e compro uma bala azeda.<br \/>\nEu corto o cabelo em outra.<br \/>\nEu rio uma piada negra.<br \/>\nMudo de endere\u00e7o. Dan\u00e7o. Corro.<br \/>\nVou \u00e0 academia louco a levantar esses pesos.<br \/>\nBebo.<br \/>\nMas ela me assiste em uma poltrona macia. Porque sabe que quando sento, quando meu olho esbarra na janela, que pena.<br \/>\n\u00c9 uma ressaca pelada, sabe?<br \/>\nAssim meio desencapada.<br \/>\n\u00c9 quando falo com meu cigarro.<br \/>\nQuando me abro com um caf\u00e9, me banho um blues.<br \/>\nQuando tenho alma feito desmaio.<br \/>\nOlhando buracos.<br \/>\nCatando s\u00edlaba.<br \/>\nMedindo o v\u00e1cuo.<br \/>\nSentindo uma saudade oca de senti-la.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><em><a href=\"http:\/\/ www.dheyne.wordpress.com\"><strong>Dheyne de Souza<\/strong><\/a> est\u00e1 em Curitiba, escreve poesia, prosema, caos e guaritas.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os densos caminhos l\u00edricos de Dheyne de Souza<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7733,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1908,16,9],"tags":[781,107,58,1920],"class_list":["post-7732","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-91a-leva","category-destaques","category-janelas-poeticas","tag-dheyne-de-souza","tag-janela-poetica","tag-poema","tag-quando-eu-digo-saudade-e-sinto-outra-coisa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7732"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7732\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8150,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7732\/revisions\/8150"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}