{"id":8009,"date":"2014-06-30T11:13:16","date_gmt":"2014-06-30T14:13:16","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=8009"},"modified":"2014-07-05T15:18:05","modified_gmt":"2014-07-05T18:18:05","slug":"dedos-de-prosa-iii-24","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/dedos-de-prosa-iii-24\/","title":{"rendered":"Dedos de Prosa III"},"content":{"rendered":"<p><em>M\u00e1rcia Barbieri<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_8010\" aria-describedby=\"caption-attachment-8010\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA-I3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8010\" title=\"Luiz Navarro\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA-I3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA-I3.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/INTERNA-I3-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8010\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Luiz Navarro<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O ex\u00edlio do eu ou a revolu\u00e7\u00e3o das coisas mortas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eram coisas min\u00fasculas que me faziam n\u00e3o entender o mundo, como dois interruptores para apagar a mesma luz ou o som vindo da \u00c1sia e saindo de uma caixa negra ou morangos mofarem t\u00e3o r\u00e1pido ou o gosto das pitangas serem t\u00e3o parecidos com os das cerejas ou as flores que terminam em um falo ou a teta alimentar o universo ou um espelho esf\u00e9rico invertendo meu p\u00e2nico ou dois homens se amando com o desespero que nunca conheci ou o amor ser um criadouro de moscas est\u00e9reis zunindo zunindo zunindo d\u00f3 r\u00e9 mi f\u00e1 sol l\u00e1 si cataclismas no meu c\u00e9rebro larvas obesas ruindo a carne vespas negras no fundo do quintal ou o t\u00e9dio enferrujado esburacando a manh\u00e3 ou buchada ser uma iguaria ou crian\u00e7as comendo test\u00edculos de bois ou um escorpi\u00e3o amarelo atravessando o deserto comendo a pr\u00f3pria cria ou a di\u00e1spora das nossas m\u00e3os durante as masturba\u00e7\u00f5es ou bonecas infl\u00e1veis serem t\u00e3o perfeitas ou o \u00f3dio insano dos homens pelos touros ou a beleza dos chifres espiralados dos ant\u00edlopes negros ou mulheres clonando-parindo como animais ou a disputa selvagem dos homens pela buceta das f\u00eameas. O pensamento da aranha tecia absurdos sobre minha t\u00edbia r\u00f3tula patela minha vizinhan\u00e7a meus membros eram uma m\u00e1quina de encaixes arruinados e eu era um ser obtuso e ter o cr\u00e2nio de um animal era o menor dos meus problemas. Coma logo a aranha antes que suas ideias se tornem mat\u00e9ria coma logo a aranha antes que ela te\u00e7a a revolu\u00e7\u00e3o coma logo a aranha antes que cem luas despenquem de suas patas peguem a faca e cortem o verbo ao meio s\u00f3 sobrar\u00e1 a a\u00e7\u00e3o. E nossa c\u00f3pula fosse a uni\u00e3o de mil garras, armist\u00edcio, campo minado, fratura de invertebrados. N\u00e3o entendi quando percebi que essas coisas pequenas entre as pernas num \u00e2ngulo di\u00e1logo mon\u00f3logo obscuro n\u00e3o fosse capaz de provocar asco, n\u00e3o entendi quando percebi que existiam idiossincrasias em todas as genit\u00e1lias, eram todas t\u00e3o diferentes uma das outras&#8230; Olhei de novo para minha e tive vergonha. De que esp\u00e9cie eu era\u00bf Por que meus buracos e seus contornos eram t\u00e3o pavorosos\u00bf Ela era rosada e grande, uma membrana pesada e com bainhas desproporcionais os pelos cresciam em dire\u00e7\u00f5es variadas perdidos entre uma ordem e outra. As estrias formavam ramifica\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de entender. Desviei o olhar n\u00e3o gostava de encar\u00e1-la por muito tempo. Eu jamais deixaria que ele me visse, n\u00e3o assim, onde eu n\u00e3o era normal, onde a dura\u00e7\u00e3o do tempo se distendia nos meus pequenos-l\u00e1bios, pensei na solid\u00e3o dos ornitorrincos&#8230; na fei\u00fara incompreens\u00edvel dos peixes abissais&#8230; nas dobraduras se desdobrando na minha pele fina. De novo os ornitorrincos e os peixes abissais. Eles como eu n\u00e3o eram daqui e eu pensei: \u00e9 bem estranho ser estrangeira no pr\u00f3prio corpo \u00e9 bem estranho ser estrangeira no seu pa\u00eds \u00e9 bem estranho estar sitiada nas esc\u00f3rias da pr\u00f3pria carne \u00e9 bem estranho conhecer apenas as superf\u00edcies das coisas inanimadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhei para seus olhos castanhos e clamei, voc\u00ea que n\u00e3o me conhece n\u00e3o me deixe nunca sair da minha terra n\u00e3o me deixe pisar em outros solos \u00e1ridos n\u00e3o quero conhecer outros pa\u00edses n\u00e3o quero conhecer outros dementes n\u00e3o quero lamber a fal\u00eancia de outro corpo n\u00e3o quero sentar na rigidez de outro pau n\u00e3o quero enrolar minha l\u00edngua em outras l\u00ednguas n\u00e3o quero ter certeza que a felicidade n\u00e3o existe em parte alguma, quero ter essa esperan\u00e7a rasa de que em alguma parte o ar \u00e9 rarefeito, as palavras s\u00e3o todas francesas e a lama \u00e9 branca&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea me olha com um olhar idiotizado, o olhar de todo homem que j\u00e1 passou dos trinta e eu desfale\u00e7o. Voc\u00ea podia me fazer parar, agarrar meus pulsos, amarrar minhas m\u00e3os nas grades da cama. Voc\u00ea n\u00e3o faz nada, s\u00f3 me olha, um gato paralisando sua presa. Retiro a armadura do eu penduro na parede texturizada grandes rosas secas arabescos que n\u00e3o existem mais a arquitetura falida nostalgia rococ\u00f3 retiro as carrancas retiro as m\u00e1scaras japonesas enfio o dedo na sujeira do umbigo retiro os caranguejos da minha \u00faltima morte retiro a penugem do bu\u00e7o agora sou n\u00e3o eu essa cor opaca massa mole mat\u00e9ria quase morta parecendo o abd\u00f4men de um inseto ou um incesto de dois irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea sussurra no meu ouvido surdo labirinto bigorna eu eu eu eu o eco ensurdecedor de todas as suas ideias olho seu palato em decomposi\u00e7\u00e3o e voc\u00ea continua agora num grito sufocado eu eu eu e eu coloco a corda frouxa e suicida em torno do seu pesco\u00e7o vejo a l\u00edngua enrolada e a baba grossa de um epil\u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea sopra no meu olho sem c\u00edlios eu eu eu e recorda um velho refr\u00e3o cavalos cavalgam na cartografia do seu dorso\u2013cavalos negros selvagens cavalgam no seu leito\u2013 mas isso n\u00e3o \u00e9 importante\u2013o eu est\u00e1 morto. Sou uma massa amorfa e coalhada e o sol apodrece minhas v\u00e9rtebras e o l\u00edquido que me tirou das pen\u00faltimas meninges explode na minha garganta h\u00e1 um p\u00eandulo enferrujado entre minha laringe e minha traqueia falar n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o indolor quanto parece ainda mais nesse lugar suspenso onde cada palavra cai um rifle ainda mais nesse campo de marionetas onde n\u00e3o perdura a consci\u00eancia \u00edntima do tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>***<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>G\u00eanese <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela estava h\u00e1 mil\u00eanios ajoelhada naquele cub\u00edculo e expunha com certa vaidade uma fratura no f\u00eamur esquerdo. Brincava com uma Matrioshka. Tirava e recolocava as v\u00e1rias bonecas russas, enfiava o dedo no miolo, encontrava a menor de todas, rasgava com uma faca, duvidando da sua entranha oca, do seu corpo sem \u00f3rg\u00e3os, como se atrav\u00e9s dessa manobra pudesse resolver sua dem\u00eancia ou seus problemas de ancestralidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhando-a assim, acreditei que ela jamais morreria, estava enganado, ela era uma barata branca e logo seria esmagada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi f\u00e1cil ver seu corpo estendido na pedra. Aqueles seres estranhos, vermelhos e mascarados (sempre considerei a m\u00e1scara uma repeti\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria), falando l\u00ednguas estrangeiras, dan\u00e7ando e urrando, imitando o som gutural dos animais. Ofereceram-me um c\u00e1lice de sangue, eu deveria celebrar a morte, sacralizar o \u00fatero que foi meu abrigo, minha origem. A caverna era escura, \u00famida. Havia na parede da rocha, atr\u00e1s do seu corpo, o desenho de uma vulva aberta e gigante, em volta ca\u00e7adores com seus membros em ere\u00e7\u00e3o, em outra gravura um ant\u00edlope estava montado em uma mulher nua e gr\u00e1vida, aos seus p\u00e9s demiurgos ejaculavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colocaram em minhas m\u00e3os um instrumento pontiagudo, fizeram gestos que indicavam que eu deveria retirar as v\u00edsceras do cad\u00e1ver e fazer uma trepana\u00e7\u00e3o. Hesitei, mas concordei, a mat\u00e9ria era uma abstra\u00e7\u00e3o e nunca foi s\u00f3lida, era uma rachadura, uma trinca no tempo-espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sei que existe um animal rastejante que circula em sentido anti-hor\u00e1rio pelo meu \u00fatero (sou um homem castigado com um \u00fatero) se espregui\u00e7a nas minhas trompas, se enrosca nas paredes do meu intestino, como um c\u00e3o de rua que n\u00e3o morde, mas fareja, mas fede. Tr\u00eamulo come\u00e7o a estripar aquele corpo-origem. Partenog\u00eanese. Ovo c\u00f3smico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ritual de sepultamento continua e eu sigo fazendo a trepana\u00e7\u00e3o. Lamento porque nunca me senti parte desse mundo, porque quando cheguei o mundo j\u00e1 estava institu\u00eddo. \u00c9 como se eu fosse uma orelha implantada no organismo de um sapo. \u00c9 como se eu tivesse despencado em um pa\u00eds estrangeiro e por todos esses anos continuei um exilado no meu corpo-m\u00e1quina. Preciso ser civilizado, sou homem e preciso entender o sorriso fingido dos hip\u00f3critas, a boca banguela, desnuda dos desalmados. A humanidade se alimenta parindo ovos chocos. Preciso ser homem, trabalhar, acasalar, conversar, entender de pol\u00edtica, entender a rosa dos ventos, fingir felicidade, matar os porcos que aparecem nas noites sujas, quando tenho as v\u00e9rtebras trincadas e pinos na mand\u00edbula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nasci no corpo-simulacro de um homem evolu\u00eddo. No entanto, minha alma tem uma corcunda feia e incur\u00e1vel, minha alma \u00e9 de um egiptopiteco, um primata franzino de seis quilos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, diga, como n\u00e3o ser arrebatado se n\u00e3o tenho olhos nas costas? Ando atento pela casa e em todas as casas multiplicam ferrolhos enferrujados. Como posso sorrir se sou um amontoado de \u00e1tomos, os quais poderiam tanto estar em mim como numa cadeira de vime. Ela me falou que eu era fraco e por isso estava em eterna di\u00e1spora. Eu catava piolhos de um macaco de pel\u00facia. S\u00f3 n\u00e3o era mais rid\u00edculo porque eu nascera inteiro, sem amputa\u00e7\u00f5es. Era nesse ponto que ela se enganava Eu era a pr\u00f3pria amputa\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria rachadura na coluna de Deus. O meu quarto-mundo era uma incubadora e eu estava fadado a viver cem anos e continuar prematuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um enxu de moscas andam tontas e circunspectas em torno do meu mamilo. N\u00e3o sinto c\u00f3cegas, n\u00e3o as expulso, acompanho sua coreografia macabra nas redondezas do seu peito. A ang\u00fastia n\u00e3o \u00e9 muito diversa de um amontoado de larvas de inseto. Barroca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coagulo a noite. Navalho a face prof\u00edcua de Deus. Continuo a trepana\u00e7\u00e3o. Depois de um tempo eu era s\u00f3 o exoesqueleto de uma cigarra, vazio, solit\u00e1rio, oco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o havia d\u00favida do que eu deveria fazer. Abri a vulva da minha m\u00e3e e voltei ao seu \u00fatero. Invagina\u00e7\u00e3o do fora. As esporas, os cascos, os trotes, a noite, o beco deixaram de me incomodar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>M\u00e1rcia Barbieri<\/em><\/strong><em> \u00e9 paulista, formada em Letras e mestranda em Filosofia. Tem textos publicados em v\u00e1rias antologias e nas principais revistas liter\u00e1rias brasileiras. Publicou os livros de contos An\u00e9is de Saturno (independente), As m\u00e3os mirradas de Deus (Multifoco) e o romance Mosaico de rancores (no Brasil pela Terracota e na Alemanha pela Clandestino Publikationen). No final do ano, lan\u00e7ar\u00e1 A Puta.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As epifanias internas da prosa de M\u00e1rcia Barbieri<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8010,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1978,2534],"tags":[419,41,2024,538,2023],"class_list":["post-8009","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-92a-leva","category-dedos-de-prosa","tag-contos","tag-dedos-de-prosa","tag-genese","tag-marcia-barbieri","tag-o-exilio-do-eu-ou-a-revolucao-das-coisas-mortas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8009"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8136,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8009\/revisions\/8136"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}