{"id":8409,"date":"2014-09-04T09:26:19","date_gmt":"2014-09-04T12:26:19","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=8409"},"modified":"2014-10-04T17:30:49","modified_gmt":"2014-10-04T20:30:49","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-28","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-28\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizer que Pernambuco, com sua multifacetada express\u00e3o art\u00edstica, ocupa um lugar mais do que especial na cena cultural brasileira \u00e9 revisitar uma condi\u00e7\u00e3o que certamente muitos j\u00e1 sabem de cor. Desde manifesta\u00e7\u00f5es populares at\u00e9 os \u00edmpetos mais modernosos, a m\u00fasica daquele estado guarda rela\u00e7\u00f5es cada vez mais universais e refor\u00e7a uma din\u00e2mica que vai de dentro de si para o mundo. Com os matizes peculiares de suas paisagens, a cultura pernambucana pode falar de suas ambi\u00eancias a qualquer habitante desse nosso complexo planeta. E o interessante \u00e9 perceber que, apesar das dist\u00e2ncias geogr\u00e1ficas com outros recantos mundanos, o esp\u00edrito das coisas vividas e manifestadas na via musical pode perfeitamente comungar com o pensamento de quem quer que seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tr\u00e1s das cortinas da virtuosidade, a capital Recife abriga artistas tamb\u00e9m comprometidos em n\u00e3o somente expandir as fronteiras de seus trabalhos, mas principalmente dot\u00e1-los de uma consci\u00eancia cr\u00edtica capaz de repensar o caos. Nesse aspecto, os chamados independentes, dada a sua condi\u00e7\u00e3o de desbravadores de espa\u00e7os, conhecem com propriedade o significado do que seja resistir ao tempo e aos ditames dum modelo fonogr\u00e1fico desgastado e desigual. E assim v\u00e3o conduzindo seus trabalhos, tendo como mote a coer\u00eancia presente em suas trajet\u00f3rias pessoais. Um dos novos representantes dessa perspectiva l\u00facida de manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 o cantor e compositor <a href=\"http:\/\/chakanights.com\/%20\"><strong>Ricardo Chacon<\/strong><\/a>. Integrante de uma gera\u00e7\u00e3o disposta a arrega\u00e7ar as mangas e viver intensamente o of\u00edcio musical, Chacon traz em si uma vis\u00e3o bastante agu\u00e7ada dos temas que comp\u00f5em seu meio. Quando nos concede a entrevista que agora segue, sabe falar n\u00e3o somente dos caminhos que o motivam a seguir adiante, mas sobretudo da forma como vislumbra um cen\u00e1rio ideal para si e seus pares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2008, Ricardo Chacon, ao conceder, juntamente com Piero Bianchi, uma <a href=\"http:\/\/www.diversos-afins.blogspot.com.br\/2008_09_01_archive.html\"><strong>entrevista<\/strong><\/a> para a Diversos Afins, j\u00e1 dava mostras dos voos que pretendia al\u00e7ar com sua carreira. \u00c0quela \u00e9poca, o assunto girava em torno de seu primeiro disco, <em>Terra Papagali Coffee Shop<\/em>, trabalho que marcou de modo especial sua caminhada pelo fato de representar um consistente resumo de brasilidade. De l\u00e1 para c\u00e1, outros trabalhos se desenvolveram, a exemplo do EP <em>Chacon<\/em> (2010) e o single <em>Nonsense<\/em> (2012). No meio dessa jornada, h\u00e1 que se considerar tamb\u00e9m o projeto conduzido com a banda N\u00f3s4. Mas ao chegarmos ao momento presente, vemos um artista profundamente comprometido com novas maneiras de se comunicar com o p\u00fablico. E isso fica bem claro quando escutamos <em>Chaka Nigths<\/em>, \u00e1lbum que acrescenta ao rock do artista recifense uma pitada de psicodelia. Tal como \u00e9 poss\u00edvel perceber do seu testemunho, Chacon se mostra pronto a dar continuidade a seu caminho. Com opini\u00f5es sinceras, enxerga seu tempo nitidamente, certo de que, apesar dos entraves vividos, elegeu a melhor maneira de respirar o ar que lhe foi confiado pela vida. Por aqui, fica o testemunho de toda essa atmosfera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_8504\" aria-describedby=\"caption-attachment-8504\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/INTERNA6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8504 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/INTERNA6.jpg\" alt=\"Chacon, divulgac\u0327a\u0303o - por Bruno V. Guimara\u0303es\" width=\"500\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/INTERNA6.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/INTERNA6-300x201.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8504\" class=\"wp-caption-text\">Ricardo Chacon \/ Foto: Bruno V. Guimara\u0303es<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Antes de se chegar num determinado est\u00e1gio, um artista sempre traz na bagagem as viv\u00eancias de outras eras, sobretudo quando elas apontam para um projeto consistente j\u00e1 realizado. E aqui podemos falar na experi\u00eancia marcante com o disco <em>Terra Papagali Coffee Shop<\/em>, \u00e1lbum que revela virtudes duma brasilidade. Qual o legado maior desse trabalho para sua carreira?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON &#8211; <\/strong>A musicalidade do disco, acho, foi o maior legado deixado. A jun\u00e7\u00e3o dos ritmos, os artistas que reunimos. Acho que a pr\u00f3pria parceria musical entre mim e Piero, o momento que a gente vivia musicalmente, acabaram contribuindo para isso. Ousamos fazer esse disco, usamos as nossas economias e montamos uma viagem incr\u00edvel, levando sempre conosco uma base gravada ainda em Recife. Foi um trabalho bastante rico, muito percussivo, muito brasileiro. Acho que o aprendizado desse disco, de todo o processo de grava\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que trago comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Depois do <em>Terra Papagali Coffee Shop<\/em>, a sua afirma\u00e7\u00e3o enquanto m\u00fasico ficou impregnada de desafios mais complexos?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON &#8211; <\/strong>A gente sempre busca algo novo, criar algo diferente, e depois do <em>Terra Papagali<\/em> busquei me encontrar, achar minha m\u00fasica ainda mais. O processo de gravar um disco \u00e9 algo que consome voc\u00ea de uma forma, que voc\u00ea quer fazer aquilo novamente. \u00c9 sempre um desafio expor algo, colocar para fora as m\u00fasicas. H\u00e1 sempre um grande aprendizado por tr\u00e1s disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Ao chegar em <em>Chaka Nights<\/em>, seu mais novo disco, voc\u00ea aposta num caminho mais ligado ao rock, sobretudo com uma atmosfera de nuances psicod\u00e9licas. Como se deu o processo de concep\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON &#8211; <\/strong>Tive a ideia de fazer esse disco em 2010, mas n\u00e3o tinha dinheiro. Ent\u00e3o gravei um ep com quatro m\u00fasicas, chamado EP Chacon. Montei uma banda e fizemos alguns shows. Ent\u00e3o, come\u00e7amos a trabalhar novas m\u00fasicas nos ensaios, junto com a banda, e foram surgindo os primeiros arranjos, at\u00e9 gravarmos o primeiro single, <em>Nonsense<\/em>. Foi uma fase dif\u00edcil, porque fazer disco sem apoio e sem grana \u00e9 muito desgastante. Consegui terminar o disco com muita dificuldade. E o som dele tem muito a ver com o momento e com os m\u00fasicos que me ajudaram na produ\u00e7\u00e3o. Busquei parcerias para as letras, j\u00e1 que n\u00e3o quis, nesse disco, escrev\u00ea-las. Foquei mais nos acordes, os poucos que eu sei&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Diante daquelas dificuldades que voc\u00ea passou, infelizmente comuns \u00e0 maioria dos artistas, esse disco surge como uma esp\u00e9cie de tentativa de se manter firme no of\u00edcio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON &#8211; <\/strong>Eu precisava fazer esse disco e passar por todas essas dificuldades. Tudo para eu aprender cada vez mais e entender tamb\u00e9m o mercado atual. Como havia dito anteriormente, era algo que precisava fazer e fiz. N\u00e3o pretendo passar por isso, sozinho, novamente. Um dia espero ter um bom material para mostrar para os meus filhos, e que outras pessoas tamb\u00e9m possam conhecer mais os meus trabalhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Na sua tentativa de entender o mercado musical, a que conclus\u00f5es chegou?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON &#8211; <\/strong>Percebo uma dificuldade muito grande de se conseguir meios que te deem acesso a recursos para financiamento dos projetos. Desde o <em>Terra Papagali<\/em>, buscamos participar dos editais, mas pelo menos aqui em Pernambuco sempre s\u00e3o as mesmas pessoas que conseguem ter acesso ao recurso, pessoas e produtoras que vivem de todos os anos &#8220;arrumarem&#8221; um projeto para obter o recurso, enquanto outros artistas que n\u00e3o t\u00eam certo perfil s\u00e3o ignorados pelas curadorias, muitas delas viciadas em aspectos que acabam desmotivando jovens produtores e m\u00fasicos. Poucas bandas, com bons trabalhos, \u00e9 verdade, quase todo ano aprovam recursos, \u00e0s vezes alt\u00edssimos, e muitas vezes nem d\u00e3o continuidade ao projeto. Em Pernambuco, \u00e9 absurda a forma como as curadorias trabalham, sem levar em considera\u00e7\u00e3o o esfor\u00e7o de quem nunca conseguiu qualquer recurso p\u00fablico e sempre fez tudo do pr\u00f3prio bolso. Repito, apenas poucos t\u00eam acesso, os mesmos iluminados, escolhidos por crit\u00e9rios duvidosos e mil interesses. Pessoas e produtoras que todos os anos aprovam projetos e vivem dos recursos que deveriam ser mais democratizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; De alguma forma, a cena musical de Recife, qui\u00e7\u00e1 Pernambuco como um todo, est\u00e1 dividida em antes e depois de Chico Science?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON &#8211; <\/strong>Chico, sem d\u00favida, resgatou algo muito forte, principalmente nos m\u00fasicos da nova gera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o muito diferente das grandes cidades, surgiu um movimento muito forte de novos artistas com diversas linguagens, num primeiro momento seguindo o formato de banda com percuss\u00e3o de maracatu. Mas junto com ele veio Mundo Livre, Otto, Eddie, China. N\u00e3o menos importante, temos a influ\u00eancia gigante de Alceu e Lenine, que tamb\u00e9m sempre est\u00e3o por aqui. Pernambuco \u00e9 realmente um estado em que a todo o momento surgem novas bandas, buscando o que Chico fez: criar uma m\u00fasica, uma identidade, uma batida que \u00e9 nossa, com nosso sotaque. Hoje o experimentalismo e a psicodelia est\u00e3o superando um pouco o uso das alfaias, que passaram a soar meio clich\u00eas. Tamb\u00e9m tem muitos grupos que tocam m\u00fasica instrumental, naquela linha mais de trilhas de filmes. Pensar no movimento mangue \u00e9 pensar muito plural porque tamb\u00e9m impulsionou novos cineastas e designers, ou seja, realmente revolucionou. Desde l\u00e1, ainda n\u00e3o houve outro movimento que realmente tenha causado tanto impacto, mas continuam tentando. Enfim, esse nosso pa\u00eds continente e seus diversos estados e culturas e &#8220;personalidades&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_8505\" aria-describedby=\"caption-attachment-8505\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/INTERNA-II.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8505 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/INTERNA-II.jpg\" alt=\"ChakaNights, a banda - por Tiago Calazans\" width=\"500\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/INTERNA-II.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/INTERNA-II-300x197.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8505\" class=\"wp-caption-text\">Chaka Nights, a banda \/ Foto: Tiago Calazans<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Somos um pa\u00eds que carece de vanguardas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON &#8211; <\/strong>Fabr\u00edcio, eu sinceramente acho que n\u00e3o. O que falta \u00e9 espa\u00e7o mesmo para essas vanguardas. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m acho meio for\u00e7ado alguns movimentos, repeti\u00e7\u00f5es apenas do que j\u00e1 houve. Volta e meia, aparecem &#8220;novos baianos&#8221; (n\u00e3o necessariamente baianos), mas sem uma qualidade como os originais. A m\u00eddia e os espa\u00e7os est\u00e3o voltados para m\u00fasicas de momento e de jab\u00e1. As r\u00e1dios, que sempre foram canais de escoa\u00e7\u00e3o de novas m\u00fasicas, hoje est\u00e3o tamb\u00e9m voltadas \u00e0s m\u00fasicas internacionais. O que resta ainda s\u00e3o festivais e editais. Mas como te falei, a mentalidade radical dos curadores em busca da &#8220;vanguarda&#8221; acaba por tirar a oportunidade de pessoas com talento em favor de outras que n\u00e3o s\u00e3o de verdade como aparentam ser. N\u00e3o acredito que isso seja um problema apenas daqui de Pernambuco, onde muitas bandas e artistas bacabam desistindo de criar por falta de apoio. Se houvesse realmente uma pol\u00edtica de incentivo que acabasse com a mamata que alguns t\u00eam de todo ano aprovarem algo, artistas e produtores viciados nesse esquema, outros que nunca tiveram acesso poderiam ter vez. \u00c0s vezes, ou melhor, muitas vezes, voc\u00ea at\u00e9 consegue fazer um disco, mas falta grana para uma divulga\u00e7\u00e3o, prensagem de cds, ou para fazer uma tour por algumas capitais. Hoje, os artistas autorais s\u00e3o verdadeiros her\u00f3is. Poucos mesmo ganham algo com sua arte, tendo que tocar na noite ou trabalhar no com\u00e9rcio, ou qualquer bico que aparecer. Nunca irei achar isso normal. Nosso pa\u00eds \u00e9 desumano, as pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o logo corrompidas, sempre em favor de poucos. Quem j\u00e1 sabe como usufruir delas, n\u00e3o cede para os novos. E por isso nossa m\u00fasica est\u00e1 enfraquecida. Pouca coisa nova realmente aparece e tem continuidade muito por conta disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Diante desse cen\u00e1rio, e como costumamos testemunhar o vaiv\u00e9m de ciclos, acredita que chegaremos num ponto no qual um novo e alternativo modelo possa surgir?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON &#8211; <\/strong>Como te falei, existem tentativas como foram o fora do eixo, coletivos, etc. As vanguardas sempre ir\u00e3o surgir ou, neste momento, est\u00e3o acontecendo. Mas o mercado mudou, tudo caminha para novos modelos de distribui\u00e7\u00e3o dos discos, das m\u00fasicas. Hoje \u00e9 s\u00f3 jab\u00e1, muita grana para as assessorias car\u00edssimas te divulgarem e pouca demanda, a n\u00e3o ser que a m\u00fasica toque numa novela da globo ou que a banda apare\u00e7a em um dos seus programas. Mas \u00e0s vezes nem \u00e9 o que realmente almejamos. O que realmente queremos da m\u00fasica \u00e9 podermos pagar nossas contas dignamente e ter apoio, sem cartas marcadas. Ou ser\u00e1 que \u00e9 s\u00f3 no futebol que acontecem os 7 a 1 da vida? N\u00e3o, definitivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O fato de voltar a tocar na noite trouxe outros sentidos para sua carreira?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON \u2013 <\/strong>Eu, na verdade, sempre toquei na noite, foi a minha escola desde sempre. E assim toquei meus projetos paralelos, sem precisar de grana p\u00fablica, principalmente durante a N\u00f3s4. Depois que a banda parou, em 2012, foquei no meu novo disco e busquei trabalhar mais nesse mercado, mas n\u00e3o tive apoio na minha cidade. Os festivais daqui n\u00e3o me deram espa\u00e7o pelo preconceito. Preferiram artistas que forjam uma vanguarda, alguns at\u00e9 sem disco gravado, ao inv\u00e9s de valorizar o meu esfor\u00e7o e ouvirem meu trabalho, sem qualquer recalque. Por isso, em 2014, foquei em reconquistar meu espa\u00e7o na noite pernambucana. Precisava voltar a ganhar dinheiro para pagar as contas. Mas a obra est\u00e1 a\u00ed. Quem sabe um dia ir\u00e3o ouvir melhor o <em>Terra<\/em> ou o <em>Chaka Nights<\/em>, sem qualquer preconceito porque n\u00e3o fa\u00e7o a linha vanguarda for\u00e7ada. Sou de verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; H\u00e1 planos concretos para um poss\u00edvel retorno da N\u00f3s4?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON &#8211; <\/strong>Nada concreto, apenas sondagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Muitos artistas, sobretudo os independentes, t\u00eam aderido \u00e0 pr\u00e1tica do crowdfunding como forma de bancar seus discos e projetos. Mais do que uma perspectiva de sobreviv\u00eancia, essa realidade aponta para uma nega\u00e7\u00e3o ao modelo imposto pela ind\u00fastria fonogr\u00e1fica tradicional? H\u00e1 muito mais por tr\u00e1s disso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON &#8211; <\/strong>\u00c9 um modelo interessante para quem tem um p\u00fablico ou para quem consegue de alguma forma mobilizar uma galera, principalmente atrav\u00e9s das redes sociais. Mas para a grande maioria \u00e9 dif\u00edcil mobilizar e arrecadar a quantia suficiente. Mas n\u00e3o deixa de ser uma alternativa de conseguir o recurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; No caminho que vai do homem ao artista Ricardo Chacon, quais sentidos melhor definem a m\u00fasica em sua vida?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RICARDO CHACON &#8211; <\/strong>Eu tenho plena ci\u00eancia da minha escolha, de seguir esse caminho de incerteza, mas tamb\u00e9m de um prazer que nunca encontrarei fazendo outra coisa que n\u00e3o seja cantar e estar no palco. Neste caminho, a persist\u00eancia e a paci\u00eancia s\u00e3o extremamente importantes. Como te respondi certa vez, meu trabalho n\u00e3o para por aqui. Estarei sempre em busca de um aprendizado maior e da verdade no meu trabalho, mesmo que isso n\u00e3o signifique sucesso para os outros, mas para mim estarei realizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma entrevista com o cantor e compositor pernambucano Ricardo Chacon<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8442,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2113,16,2539],"tags":[2158,2161,2159,133,2160,8,1947,1290,2157,2162],"class_list":["post-8409","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-94a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-cantor","tag-chaka-nights","tag-compositor","tag-musica","tag-nos4","tag-pequena-sabatina-ao-artista","tag-pernambuco","tag-recife","tag-ricardo-chacon","tag-terra-papagali-coffee-shop"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8409"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8409\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8506,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8409\/revisions\/8506"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}