{"id":8444,"date":"2014-09-06T12:14:06","date_gmt":"2014-09-06T15:14:06","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=8444"},"modified":"2014-09-07T18:03:38","modified_gmt":"2014-09-07T21:03:38","slug":"aperitivopalavraii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivopalavraii\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 PRECISO&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Antologia Cosmopolita<\/em><\/strong><strong> de Oleg Almeida: uma leitura cr\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p><em>Por Marcelo Moraes Caetano<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Capa1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8495\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Capa1.jpg\" alt=\"Antologia Cosmopolita\" width=\"298\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Capa1.jpg 298w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Capa1-198x300.jpg 198w\" sizes=\"auto, (max-width: 298px) 100vw, 298px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO p\u00fablico justifica, em si, o trabalho do escritor\u201d \u2212 alerta-nos, no pr\u00e9-texto, ainda n\u00e3o ap\u00f3crifo sob o talante mascarado do sujeito po\u00e9tico, Oleg, em primeira pessoa n\u00e3o l\u00edrica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO p\u00fablico justifica, em si, o trabalho do escritor.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que \u00e9 este \u201ctrabalho\u201d do escritor? E, ainda mais sibilino, o que \u00e9 o \u201cp\u00fablico\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 o trabalho do escritor \u00e9 uma pergunta cuja resposta, se existe, at\u00e9 hoje n\u00e3o logrou ser satisfatoriamente empanzinada, como gostaria de ser. S\u00edsifo (perp\u00e9tuo), meton\u00edmia de todos os trabalhos das tripas (de que \u00e9 cognato o substantivo assustador) que se expressaram ap\u00f3s a expuls\u00e3o do \u00c9den, se me perdoam o hibridismo de mitologias aqui perpetrado com ins\u00eddia. T\u00e2ntalo fam\u00e9lico e sequioso, o escritor oferece aquilo que, muita vez, n\u00e3o possui. Rabelais sem banquete, Petr\u00f4nio desprovido de Trimalqui\u00e3o, sussurrando loquaz a pergunta: \u201c&#8230; quid putas inter Ciceronem et Publilium interesse? Ego alterum puto disertiorem fuisse, alterum honestiorem. Quid enim his melius dici potest?\u201d<sup>ii<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O que faz um escritor, do nadir ao z\u00eanite das suas fa\u00e7anhas, talvez possa ser bosquejado em desterradas linhas: ele transita. Desenraizando-se a cada palavra que expele, o escritor n\u00e3o procura verdades: procura aventuras. Mundos, vastid\u00f5es, confortos passageiros, mares e mar\u00e9s (trocadilho duplamente acentuado), navegar \u00e9 preciso, viver n\u00e3o \u00e9 preciso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor \u00e9 o Odisseu que foi \u00e0 guerra de Troia. O escritor aposenta-se ao tornar-se o Ulisses que retorna do repto e do libelo em busca do rega\u00e7o do lar de Pen\u00e9lope e Tel\u00eamaco. \u00cdlion \u00e9 o palco do escritor; \u00cdtaca, sua insopit\u00e1vel sepultura. Lembraram-me aqui as \u00faltimas palavras evoladas do grande Edvard Grieg, em seu ber\u00e7o de morte: \u201cBem, j\u00e1 que deve ser assim&#8230;\u201d Trata-se praticamente do suspiro de um Mozart estep\u00e1rio de Hesse com quem Oleg, ali\u00e1s, dialoga conflitantemente sob a polifonia de seu ant\u00edpoda protot\u00edpico, Salieri.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenraizado que \u00e9, o escritor s\u00f3 pode vir a ser um eterno viajante cosmopolita. E cosmopolita dos mais graves: habita n\u00e3o apenas os ec\u00famenos, mas tamb\u00e9m os in\u00f3spitos. N\u00e3o apenas as p\u00f3lis e as urbes do orbe, mas tamb\u00e9m as quimeras e as fendas do cosmo. O escritor \u00e9 antol\u00f3gico necessariamente, porque vive \u201cAntes\u201d (e \u201cDiante\u201d) do \u201cLogos\u201d. Habita enquanto houver di\u00e1logo, dial\u00e9tica, duelo, dualidade, desestabilidade concertante. Ao se instaurar a paz, irm\u00e3 da pasmaceira, o escritor arruma novamente sua mala parcimoniosa e retira-se com pouco p\u00e3o e muita m\u00e3o para outros campos nunca id\u00edlicos, mas (com o outro inevit\u00e1vel trocadilho) campos ilid\u00edacos. Il\u00edada \u00e9 a terra do escritor, esteja ela onde estiver. O escritor vive em busca de \u00cdlion. A <em>Il\u00edada<\/em>, e n\u00e3o a <em>Odisseia<\/em>, configura o tipo de Odisseu-Ulisses que o escritor consegue (nem sempre sem sofrimento) ser. James Joyce talvez nem desconfie da superficialidade intr\u00ednseca ao labor po\u00e9tico de escrever que fulgura em sua sado-masoquista novela gigante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor \u00e9 um dos livros perdidos da <em>Po\u00e9tica<\/em>, de Arist\u00f3teles. Ponto de lacuna entre o <em>Fedro<\/em> e seu desprezo plat\u00f4nico-socr\u00e1tico pela escrita e a <em>Gramatologia<\/em> desconstrutiva de seu ep\u00edgono, Jacques Derrida, amante da lux\u00faria da letra grafada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tr\u00e2nsito que se instaura sob os p\u00e9s e as talarias do escritor poderia dardejar-se do esquecimento \u00e0 mem\u00f3ria; e da mem\u00f3ria ao esquecimento. Como um p\u00eandulo de Foucault que Umberto Eco prognostica, muitas vezes mais cartesiano do que assume ser, o escritor viceja as ant\u00edteses resguardadas sob a camp\u00e2nula do ser humano. O s\u00edmbolo inevit\u00e1vel que a palavra (sobretudo a palavra escrita) alberga em seu imo existe t\u00e3o somente como s\u00edntese entre a tese da mem\u00f3ria e sua fat\u00eddica e fe\u00e9rica ant\u00edtese, o esquecimento. Croce e Cassirer diziam, de modos diferentes, que somos, afinal, \u201canimais simb\u00f3licos\u201d, sintagma que, francamente, me soa como o atestado derradeiro de que somos, em resumo, seres como centauros, sereias, reais e fant\u00e1sticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Fato e fada se casando qual Oberon e Tit\u00e2nia, rei e rainha dos seres m\u00e1gicos, todos eles, de Shakespeare. Lembrar e esquecer, morrer e viver, Eros e T\u00e2natos, Mnem\u00f3sine e Letes. De tudo bebe um pouco o escritor, Orfeu em busca de sua Eur\u00eddice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas muitas vezes \u00e9 preciso frisar que se fala, aqui, do escritor, n\u00e3o do homem. O homem pode ser um perfeito Odisseu beijando a fiel Pen\u00e9lope com um p\u00facaro de vinho adri\u00e1tico avermelhando rechonchudas azeitonas j\u00f4nicas. Certamente Homero previa a dualidade (a dicotomia?) escritor\/homem nas duas obras que deixou como legados maiores \u00e0 humanidade. Feita a ressalva, sem mais haver o que se fale acerca dela, sigamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor estabelece-se entre a desconfort\u00e1vel posi\u00e7\u00e3o al\u00e7ada pelo cientista e a mais desconfort\u00e1vel ainda composi\u00e7\u00e3o al\u00e7ada pelo artista. J\u00e1 disse eu e aqui repito, para cravar uma vez mais o que \u00e9 este lugar de buscas: o cientista observa para ampliar fronteiras, e o artista amplia fronteiras para observar. E vice-versa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O respons\u00e1vel por este p\u00eandulo incessante \u00e9 precisamente o escritor. N\u00e3o o fil\u00f3sofo, o trovador, o menestrel, o aedo, o bardo, o rapsodo, o orador, o sofista, o ret\u00f3rico, o m\u00fasico, mas o escritor. Aquele que empunha a pena e grafa, como o bico de um corvo de Edgar Allan Poe, as negras letras pl\u00fambeas e emplumadas sobre a palidez imp\u00e1vida e imaculada de Palas Atena. H\u00e1 mesmo uma gota de sangue em cada letra, parafraseando a Bandeira manuelina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor \u00e9 um eterno retorno. Por isso antol\u00f3gico inelut\u00e1vel. \u00c9 o infatig\u00e1vel forjador de trocadilhos entre a ci\u00eancia e a arte. O trocadilho \u00e9 a arte da vida. J\u00e1 dizia o Mill\u00f4r, t\u00e3o Fernandesmente quanto o Pessoa, que at\u00e9 Jesus se curvou ao trocadilho e mais de uma vez foi jocoso, como na epigram\u00e1tica senten\u00e7a que estabeleceu: \u201cTu \u00e9s Pedro e sobre esta Pedra edificar\u00e1s minha comunidade\u201d. Com efeito, diga-se em tempo, assim como nem S\u00f3crates nem Buda, Jesus tampouco escreveu uma linha, porque todos esses queriam que coubesse ao escritor, posteriormente, a arte de criar ci\u00eancias, com seus s\u00edmbolos eivados de mem\u00f3ria e esquecimento, daquilo que seus mestres falaram, apenas falaram, o f\u00f4lego da posteridade. <em>Antologia cosmopolita<\/em> acerca-se desse f\u00f4lego a que somente se acorre quando h\u00e1 o intercurso entre o escritor e seu leitor, cheios de cumplicidade. (Ah, sim, h\u00e1 outra ressalva: consta que Jesus uma \u00fanica vez escreveu, mas inexatamente na areia, para que sua escrita gratuita fosse apagada pelas dionis\u00edacas ondas do mar de Tiber\u00edades ou da Galileia. A mar\u00e9 esqueceu aquela escrita).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bernardo de Chartres, arquiteto da proverbial igreja (talvez bas\u00edlica) com cujo top\u00f4nimo compartilha o sobrenome, dizia: \u201cSomos an\u00f5es empoleirados nos ombros de gigantes. Assim, vemos melhor e mais longe do que eles, n\u00e3o porque nossa vista seja mais aguda ou nossa estatura mais alta, mas porque eles nos elevam at\u00e9 o n\u00edvel de toda a sua gigantesca altura&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor, posto que \u00e9 chama, \u00e9 um alquimista: eterno enquanto dura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui talvez tenha eu respondido, de modo momesco e muito despretensioso, a segunda quest\u00e3o aberta h\u00e1 momentos, n\u00e3o sei se com tal inten\u00e7\u00e3o, por Oleg: o que \u00e9 o \u201cp\u00fablico\u201d vertido por nosso autor ora esquadrinhado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00fablico \u00e9 t\u00e3o pouco, tampouco, diz\u00edvel quanto o \u00e9 o trabalho do escritor. \u201cTrabalho\u201d e \u201cp\u00fablico\u201d permanecem, para deleite da imortalidade, irrespond\u00edveis. Se a entropia do homem \u00e9 muito menor do que a entropia da humanidade, dir-se-\u00e1 sem exagero que a obra escrita \u00e9 o fuste que toca a trave entre a eternidade e o tempo. Sabe-se, desde Jorge Lu\u00eds Borges e antes, muitos s\u00e9culos, dele, antes mesmo de Hermann Hesse ou de Nikos Kazantzakis, que o p\u00fablico sabe da eternidade do escritor, porque o p\u00fablico sabe ler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ler \u2212 alerta-nos Oleg ainda sem o cinzel que nos emprestar\u00e1 \u2212 \u201cler \u00e9 regar as sementes da imortalidade\u201d.<br \/>\nDito isso, prossigamos \u00e0 <em>Antologia cosmopolita<\/em> que temos em m\u00e3o, em que as diversas l\u00ednguas com que foi escrita acusam n\u00e3o o homem de gabinete, sen\u00e3o sim o bo\u00eamio passarinho que voa de Victor Hugo \u00e0 Am\u00e9rica num estado eterno de alquimia, transe, libertinagem e ebriedade, loquaz e t\u00edmido como um Deus, intoc\u00e1vel e gentil como um S\u00e1tiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">2<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como anunciado no meu pr\u00f3logo sobre esta <em>Antologia cosmopolita<\/em>, Oleg incute em seu estro dois elementos ora dicot\u00f4micos, ora dial\u00f3gicos: o trabalho e o p\u00fablico. Incessante \u00e9 o di\u00e1logo entre essas duas inst\u00e2ncias da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica; onipresente, a disputa de for\u00e7as \u2212 por vezes empatada \u2212 dessas duas realidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A obra transita, como ali\u00e1s diss\u00e9ramos sobre o pr\u00f3prio poeta, pelos d\u00ednamos inquietos do desenraizamento, pelo \u201cen\u00e9rgon\u201d e pelo \u201c\u00e9rgon\u201d, \u201dT\u00e4tigkeit\u201d e \u201cWerk\u201d, como diria Humboldt, \u201cProcesso\u201d e \u201cProduto\u201d numa <em>Estrada mestra<\/em> em que a <em>Quest\u00e3o crucial<\/em> n\u00e3o se estagna nem na \u201cinf\u00e2ncia\u201d, nem na \u201cpaci\u00eancia\u201d, nem no inferno, nem mesmo no \u201ccl\u00edmax\u201d, mas numa nost\u00e1lgica <em>Raps\u00f3dia outonal<\/em>, em que a vernaculidade de Oleg transborda inexor\u00e1vel na esperan\u00e7a, na convic\u00e7\u00e3o e na ousadia de que<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;.]<br \/>\ntudo ainda est\u00e1 por vir,<br \/>\ne o futuro n\u00e3o fica longe demais,<br \/>\ne tu ainda retornar\u00e1s para mim,<br \/>\nminha Musa ind\u00f3cil!\u201d (Do poema <em>Raps\u00f3dia outonal<\/em>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 certo conflito tem\u00e1tico, petardo do livro, que nos torna c\u00famplices do estranhamento t\u00e3o ao sabor russo de Chklovski, em que a arte, como procedimento que \u00e9, guinda-se aos foros da mimese aristot\u00e9lica em converg\u00eancia com a \u201cdiff\u00e9rAnce\u201dde Derrida (palavra que s\u00f3i ser traduzida como \u201cdifer\u00eancia\u201d, mas que eu, com anu\u00eancia de duas de minhas orientadoras, Julia Kristeva e \u00c9lisabeth Roudinesco, traduzo com o blasfemo e her\u00e9tico voc\u00e1bulo, qual o \u00e9 em franc\u00eas derridiano, como \u201cdiferenSa\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Esse conflito tem\u00e1tico, que, por sinal, \u00e9 tamb\u00e9m formal (isto \u00e9, fundo e forma encontram-se numa arena incessante, como a \u201cserpente que morde seu rabo\u201d do poema <em>Estrada mestra<\/em>), chama, clama e reclama \u00e0 luz a necess\u00e1ria polifonia que Bakhtin atribuiu como elemento intr\u00ednseco n\u00e3o apenas ao texto liter\u00e1rio, mas a todo e qualquer g\u00eanero discursivo cuja (tautol\u00f3gica) miss\u00e3o seja comunicar e expressar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Assim \u00e9 que o desabrido e inocente sujeito po\u00e9tico pode sofrer por uma Musa ind\u00f3cil que ainda n\u00e3o retornou eternamente de vez, ou padecer a saudade de seu \u00fanico amigo brasileiro, que na verdade \u00e9 portenho, indefeso e fr\u00e1gil. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 paradoxal que desse mesmo sujeito po\u00e9tico evolem cr\u00edticas acerbas e c\u00ednicas sobre o mist\u00e9rio da g\u00eanese b\u00edblica entre o macho Ad\u00e3o e a f\u00eamea Eva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Nem s\u00e3o gladiadores inf\u00e9rteis aqueles que voejam sobre os Alexandrinos (ali\u00e1s, os primeiros gram\u00e1ticos a coligar as engrenagens de funcionamento de um idioma \u00e0 est\u00e9tica da cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, pois antes deles a gram\u00e1tica n\u00e3o passava de \u201cspeculum\u201d ou \u201cmodus\u201d do pensamento humano) e <em>The american night<\/em>, pragm\u00e1tica como uma \u201clatrina\u201d e uma latinha de \u201ccoca zero\u201d, porque, afinal,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u201c[&#8230;.]<br \/>\ntudo ainda est\u00e1 por vir,<br \/>\ne o futuro n\u00e3o fica longe demais,<br \/>\ne tu ainda retornar\u00e1s para mim,<br \/>\nminha Musa ind\u00f3cil!\u201d (Do poema <em>Raps\u00f3dia outonal<\/em>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, somos cooptados a estranhar semioticamente o rigor parnasiano, quase beat\u00edfico (com a precis\u00e3o de uma \u201cbeata Su\u00ed\u00e7a\u201d prenunciada em poema anterior), de uma <em>Profiss\u00e3o de f\u00e9<\/em>, poema em que h\u00e1 rimas, muitas vezes esquemas r\u00edmicos (o AABB) e estrofes isom\u00e9tricas de quatro versos cada uma, numa metalinguagem digna de Bilac, Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Vicente de Carvalho, Te\u00f3filo Dias, Francisca J\u00falia, Lisle, Banville, Gautier, Ces\u00e1rio Verde&#8230; Aqui, a metalinguagem, como ocorre com a franquia das \u201cprofiss\u00f5es de f\u00e9\u201d parnasianas, tergiversa sobre o of\u00edcio de escrever, lugar provis\u00f3rio de que se falou tanto no pr\u00f3logo a esta pequena leitura cr\u00edtica, lugar entre o esquecimento e a mem\u00f3ria, de onde emerge o s\u00edmbolo que nos molda como seres quim\u00e9ricos, animas divinos, c\u00e9ticos e m\u00edsticos que somos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Sobre o estrato tecnol\u00f3gico do uso da palavra, pode-se observar uma tr\u00edade presente na obra. Trata-se de um sistema po\u00e9tico em face dos postulados de tr\u00eas epistemes lingu\u00edsticas distintas e complementares que perpassam a hist\u00f3ria da linguagem e da literatura: a estrutura da \u201cl\u00edngua comum\u201d ou logoc\u00eantrica; o avan\u00e7o proporcionado \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de l\u00edngua e linguagem que o advento e desenvolvimento dos estudos em Estil\u00edstica fomentaram com seu novo foco; a revolu\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o de l\u00edngua e linguagem como \u201cforma de vida\u201d e de seman\u00e1lise da pr\u00f3pria natureza humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0As epistemes acima mencionadas podem ser resumidas respectivamente como 1) teoria representacionista ou logoc\u00eantrica (em que a l\u00edngua \u00e9 vista como objeto dissociado do sujeito, precipuamente, instrumento un\u00edvoco de comunica\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo); 2) l\u00edngua com intencionalidade est\u00e9tica ou estil\u00edstica (em que objeto e sujeito, no ato lingu\u00edstico, j\u00e1 n\u00e3o se distinguem com tanta contund\u00eancia) e 3) l\u00edngua como \u201cforma de vida\u201d (em que sujeito, discurso e objeto j\u00e1 n\u00e3o se dissociam).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Salientamos como exemplos da episteme 1) poemas como <em>Grande elegia portenha<\/em>, <em>Palestra de botequim<\/em> e <em>The american night<\/em>. Ilustram a episteme 2), dentre outros, <em>Balada da minha inf\u00e2ncia<\/em>, <em>Ladra d\u00b4almas<\/em> e <em>Balada duma casa antiga<\/em>. A episteme 3) se deixa representar pelos tr\u00eas poemas sem t\u00edtulo da obra, e por outros como a <em>Raps\u00f3dia outonal<\/em>, os <em>Cyberpo\u00e8mes\/Ciberpoemas<\/em>, <em>Quest\u00e3o crucial<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Explicitemos um pouco cada uma dessas tr\u00eas epistemes, buscando deixar clara a perspectiva de leitura cr\u00edtica empreendida nesta resenha, no plano da forma e do conte\u00fado, expressos na linguagem, cujo centro ser\u00e1 ora perquirido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Em primeiro lugar, a teoria representacionista, ou perspectiva sem\u00e2ntica cl\u00e1ssica da l\u00edngua, \u00e9 aquela que a observa como instrumento nomeador, logoc\u00eantrico, un\u00edvoco<sup>ii<\/sup>, de que s\u00e3o expoentes nomes como os acima citados, al\u00e9m de Arist\u00f3teles, Santo Agostinho, o Wittgenstein 1 (autor de <em>Tractatus Logico-Philosophicus<\/em><sup>iii<\/sup>) e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, a l\u00edngua analisada segundo a intencionalidade autoral de se propugnar pela est\u00e9tica ocorreu com a intermedia\u00e7\u00e3o proporcionada pelos estudos em Estil\u00edstica. Aqui, a l\u00edngua possui objetivo liter\u00e1rio, po\u00e9tico, h\u00e1 predom\u00ednio da <em>parole<\/em> sobre a<em> langue<\/em> (de onde prov\u00e9m a no\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de \u201cestilo\u201d) e fun\u00e7\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m da comunica\u00e7\u00e3o un\u00edvoca (que \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o referencial, de uso congelado, denotativo, como ficou acima explicitado), partindo-se, tamb\u00e9m, \u00e0 concep\u00e7\u00e3o da l\u00edngua como elemento de polissemia, afetividade e expressividade (cf. Bally), estranhamento (do russo <em>ostranenie<\/em>, cf. Formalismo Russo). A l\u00edngua apresenta, nesta episteme, pois, outras fun\u00e7\u00f5es para al\u00e9m da meramente referencial, como fun\u00e7\u00f5es de \u201cmanifesta\u00e7\u00e3o ps\u00edquica\u201d, \u201capelo\u201d (cf. B\u00fchler)<sup>iv<\/sup>, que foram depois renomeadas como, respectivamente, \u201cfun\u00e7\u00e3o emotiva\u201d e \u201capelativa ou conativa\u201d, e mais as fun\u00e7\u00f5es \u201cpo\u00e9tica\u201d, \u201cf\u00e1tica\u201d e \u201cmetalingu\u00edstica\u201d (cf. Jakobson), com expoentes do C\u00edrculo de Praga, da Escola de Genebra, Martinet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, a terceira e \u00faltima episteme que parece subjazer de modo sucinto \u00e0 obra \u00e9 a que adv\u00e9m do movimento mais incisivo e revolucion\u00e1rio na l\u00edngua, um corte te\u00f3rico, metodol\u00f3gico e epistemol\u00f3gico em que se observa l\u00edngua\/linguagem como \u201cforma de vida\u201d, proveniente do Wittgenstein 2, autor das <em>Investiga\u00e7\u00f5es Filos\u00f3ficas<\/em>, ou de Benveniste, quando afirma, por exemplo, que a l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o humana, um instrumento, como a roda, que auxilia nas tarefas da natureza, mas \u00e9 a pr\u00f3pria natureza humana<sup>v<\/sup>. Ademais, essa concep\u00e7\u00e3o de l\u00edngua em que objeto, discurso e sujeito est\u00e3o intrinsecamente ligados, aponta, tamb\u00e9m, para a import\u00e2ncia t\u00e3o proeminente na fala quanto na escrita, com \u00eanfase no fazer po\u00e9tico-liter\u00e1rio, focalizando, ainda mais de perto, a emerg\u00eancia e preemin\u00eancia de significantes que, por exemplo, Derrida lhes atribui ao valoriz\u00e1-los como os elementos por onde se deve iniciar a an\u00e1lise da l\u00edngua ou <em>langue. <\/em>Aqui, destacam-se nomes como o Wittgenstein 2, Nietzsche, Kristeva, o \u00faltimo Barthes, autor de <em>Elementos de Semiologia<\/em>, Benveniste, Foucault, Deleuze, Auroux, Todorov, Silviano Santiago, Sartre, al\u00e9m dos te\u00f3ricos da psican\u00e1lise ou da psicologia anal\u00edtica, como Freud, Lacan e Jung.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Em Oleg Almeida, a longa narrativa \u00e9pica com laivos po\u00e9ticos, ou o longo poema narrativo com laivos \u00e9picos, como salientou Affonso Romano de Sant\u00b4Anna ao sop\u00e9 da obra, de fato se mescla, em sua liberdade libertina, ao ourives meticuloso e obcecado em seu sacrossanto espartilho de a\u00e7o e seda. Assim \u00e9 que, mais uma vez, na <em>Balada de uma casa antiga<\/em>, vai-se-nos deparar o proverbial \u201cvaso chin\u00eas\u201d e o mesmo of\u00edcio parnasiano que requer e solicita \u201ccaneta, tinta e papel!\u201d. Em seu irm\u00e3o, \u00e0 moda de Esa\u00fa e Jac\u00f3, a <em>Balada de minha inf\u00e2ncia<\/em>, no entanto, h\u00e1 um sujeito po\u00e9tico municiado de cr\u00edtica e agudeza, em cuja alma n\u00e3o reside o batel de ing\u00eanuos art\u00edfices da palavra e do remate d\u00b4ouro, mas sim a cent\u00faria dos c\u00ednicos \u00e0 maneira de Maquiavel e Di\u00f3genes, ressentindo n\u00e3o a perda do sonhador e ledo P\u00fachkin, mas a perda da leviandade capaz de digerir o esc\u00e1rnio alheio, talvez&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, os vinte e um poemas (desdobrados em outros tantos) que constituem a obra n\u00e3o se atrelam ao compromisso com um lugar fixo, nem no que tange ao tema, nem no que tange \u00e0 t\u00e9cnica, nem no que tange ao papel epist\u00eamico da linguagem. H\u00e1 em comum entre eles apenas a paternidade de Oleg e a maternidade da palavra escrita.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><sup>i <\/sup>&#8230; qual \u00e9, a teu ver, a diferen\u00e7a entre C\u00edcero e Publ\u00edlio? A meu ver, um deles \u00e9 mais eloquente, o outro mais honesto. Pode-se dizer algo melhor que isso? (Petr\u00f4nio, <em>Sat\u00edricon<\/em>, LV).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6><sup>ii <\/sup>\u201cAssim, a vontade de clareza perseguida pela comunica\u00e7\u00e3o humana a exigir que \u2018a um signo dado n\u00e3o correspondesse mais que uma significa\u00e7\u00e3o e que, inversamente, uma ideia n\u00e3o se traduzisse mais que com um signo\u2019\u201d (Charles Bally <em>apud <\/em>Costa Lima).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><sup>iii <\/sup>O fato de se fazer a men\u00e7\u00e3o, no corpo desta resenha, dos t\u00edtulos de obras somente de alguns autores se d\u00e1 pelo fato de que s\u00e3o autores que mudaram radicalmente as concep\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas em suas obras, verdadeiros Arquitextos, como diriam Charaudeau e Maingueneau. Assim, por exemplo, \u00e9 comum falar-se em Wittgenstein 1, o autor do <em>Tractatus Logico-Philosophicus<\/em>, que via a l\u00edngua como Arist\u00f3teles, Frege, Santo Agostinho, i.e., logoc\u00eantrica, nomeadora. J\u00e1 o Wittgenstein 2 \u00e9 o autor das <em>Investiga\u00e7\u00f5es Filos\u00f3ficas,<\/em> em que a l\u00edngua aparece como causa e consequ\u00eancia, a um s\u00f3 tempo, do que o autor chama de \u201cjogos de linguagem\u201d, numa acep\u00e7\u00e3o muito mais pr\u00f3xima da perspectiva liter\u00e1ria, pragm\u00e1tica, observadora da linguagem, pois, como forma de vida, intr\u00ednseca \u00e0 natureza humana e de nenhuma forma dissociada desta como no par sujeito (homem) <em>versus<\/em> objeto (l\u00edngua), o que ser\u00e1 apresentado com mais detalhes neste projeto.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><sup>iv <\/sup>O austr\u00edaco B\u00fchler foi al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o nomeadora ou de representa\u00e7\u00e3o ou referencial da l\u00edngua (Al. <em>Darstellung),<\/em> chegando \u00e0s fun\u00e7\u00f5es de apelo (al. <em>Appel<\/em>) e manifesta\u00e7\u00e3o ps\u00edquica (al. <em>Kundgabe<\/em>), a que foram acrescidas, pelo C\u00edrculo de Praga e os semanticistas das escolas de Estil\u00edstica (a partir, por exemplo, da Escola de Genebra, fundada por Charles Bally, aluno de Saussure e um dos compiladores do <em>Curso de Lingu\u00edstica Geral<\/em>, e outros), as fun\u00e7\u00f5es f\u00e1tica, po\u00e9tica e metalingu\u00edstica.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">v Segundo Benveniste, coube a Freud o m\u00e9rito de unir sujeito, objeto e meio numa s\u00f3 fonte: o paciente. Assim, o objeto do analista \u00e9 o sujeito, e a an\u00e1lise \u00e9 feita por interm\u00e9dio do discurso, que \u00e9 o meio pelo qual sujeito\/objeto se apresenta. Essa concomit\u00e2ncia de sujeito, objeto e meio (discurso) \u00e9, para Benveniste, uma das provas de que a l\u00edngua \u00e9 a pr\u00f3pria vida do ser humano, e que n\u00e3o h\u00e1 nada que n\u00e3o seja subjetivo no objeto homem-l\u00edngua, e que, portanto, j\u00e1 n\u00e3o se podem distinguir tr\u00eas categorias distintas no ato discursivo, sen\u00e3o uma \u00fanica, que \u00e9 a pr\u00f3pria vida.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Marcelo Moraes Caetano<\/em><\/strong><em> \u00e9 escritor, cientista e m\u00fasico profissional, premiado no Brasil e no exterior. Doutor em L\u00edngua Portuguesa, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e <\/em><em>da rede universit\u00e1ria transnacional IBMR Laureate International Universities. Autor de 21 livros publicados: A clara de ovo (2003), Romances de entressafra (2005), Gram\u00e1tica <\/em><em>normativa da l\u00edngua portuguesa (2007), Cemit\u00e9rio de centauros (2007), Gram\u00e1tica reflexiva da l\u00edngua portuguesa (2009), Caminhos do texto: produ\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o textual (2010), entre outros. Titular da Comenda e Medalha de Vermeil (2011), atribu\u00eddas pela Academia das Ci\u00eancias, Artes e Letras de Paris. <\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Moraes Caetano mergulha fundo no novo livro de Oleg Almeida<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8493,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2113,2533],"tags":[2156,11,2154,2155,1309,159,189],"class_list":["post-8444","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-94a-leva","category-aperitivo-da-palavra","tag-antologia-cosmopolita","tag-aperitivo-da-palavra","tag-critica","tag-marcelo-moraes-caetano","tag-oleg-almeida","tag-poemas","tag-resenha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8444"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8444\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8526,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8444\/revisions\/8526"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8493"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}