{"id":853,"date":"2012-04-01T22:06:51","date_gmt":"2012-04-02T01:06:51","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=853"},"modified":"2018-10-17T11:10:57","modified_gmt":"2018-10-17T14:10:57","slug":"jogo-de-cena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/jogo-de-cena\/","title":{"rendered":"Jogo de Cena"},"content":{"rendered":"<p><strong>UM OLHAR SOBRE O JOGO DE SER EF\u00caMERO<\/strong><\/p>\n<p><em>Por Rafael Morais<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_15152\" aria-describedby=\"caption-attachment-15152\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/imagem-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15152 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/imagem-1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/imagem-1.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/imagem-1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15152\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Kenia Vartan<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 muito interessante a rela\u00e7\u00e3o entre o nome deste caderno, \u201cJogo de Cena\u201d, com o tema que abordaremos em sua estreia: a Improvisa\u00e7\u00e3o Teatral. Antes de tudo, pensei em um tema que estivesse presente em tudo que realizamos no teatro, assim como o pr\u00f3prio jogo, inerente \u00e0 atividade teatral. A improvisa\u00e7\u00e3o tem papel relevante em todos os meus processos criativos e de forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Interage tanto com o of\u00edcio do ator, quanto com o do contador de hist\u00f3rias, palha\u00e7o e o teatro de rua, destaques est\u00e9ticos do Teatro Gri\u00f4, grupo do qual sou um dos fundadores e coordenador art\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A improvisa\u00e7\u00e3o existe como elemento impl\u00edcito em qualquer ato teatral, mesmo num teatro que pretende formalizar o seu resultado como uma cria\u00e7\u00e3o acabada e previamente elaborada, que objetiva uma forma final (produto acabado) fechada ao improviso. Nestes casos, a improvisa\u00e7\u00e3o deixa de existir apenas aparentemente, permanecendo submersa, pois a arte teatral por si s\u00f3 \u00e9 improvisacional. O ato de improvisar no teatro, entretanto, n\u00e3o deve ser confundido com a atitude de realiza\u00e7\u00e3o com pouco ou nenhum preparo pr\u00e9vio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Julgo importante frisar que a improvisa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ser inerente ao teatro, ela, justamente, origina o pr\u00f3prio teatro e tem se desenvolvido desde os prim\u00f3rdios do fazer teatral. Mas, em muitos momentos do percurso do teatro atrav\u00e9s dos tempos, a improvisa\u00e7\u00e3o descreve um percurso din\u00e2mico que vai desde a condi\u00e7\u00e3o de primeiro e \u00fanico recurso, tornando-se posteriormente a se constituir uma atividade subliminar, at\u00e9 chegar a ser um elemento aut\u00f4nomo de express\u00e3o, de forte relevo em determinadas manifesta\u00e7\u00f5es teatrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A improvisa\u00e7\u00e3o teatral, segundo Sandra Chacra, importante estudiosa do tema, n\u00e3o encontra um espa\u00e7o privilegiado nos registros escritos do chamado teatro tradicional, sobretudo o de base liter\u00e1ria, n\u00e3o sendo, portanto, as fontes hist\u00f3ricas sobre a improvisa\u00e7\u00e3o teatral, refer\u00eancias sustentadas em fundamento textual mais amplo. As formas e os meios de improvisar no teatro foram se desenvolvendo de forma subterr\u00e2nea, juntamente com um fazer mais ligado ao teatro popular, desde as \u00e9pocas primitivas, perdurando como manifesta\u00e7\u00e3o at\u00e9 o presente. Desde as representa\u00e7\u00f5es dionis\u00edacas, precursoras da cena formal, al\u00e9m da estrutura ritual, comportavam uma s\u00e9rie de express\u00f5es mimo-dram\u00e1ticas improvisadas. \u201cA Improvisa\u00e7\u00e3o \u00e9 a raiz, n\u00e3o somente da trag\u00e9dia, como tamb\u00e9m da com\u00e9dia\u201d. (CHACRA, 1983, p. 24-25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a antiguidade, a improvisa\u00e7\u00e3o existe como uma forma de transmiss\u00e3o a partir de aspectos ligados \u00e0 oralidade, como elemento de destaque de determinadas formas de espet\u00e1culo muitas vezes originadas de experi\u00eancias ligadas ao teatro mais popular. N\u00e3o d\u00e1 para realizar, neste artigo, um estudo panor\u00e2mico da improvisa\u00e7\u00e3o teatral ao longo da hist\u00f3ria*, no entanto, gostaria de chamar aten\u00e7\u00e3o aqui para esse fio que segue subterraneamente atrav\u00e9s dos tempos, o que a aproxima muito de uma forma de sobreviv\u00eancia e dissemina\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o oral, como foi o caso de sua presen\u00e7a tanto nos prim\u00f3rdios das farsas atelanas, que improvisavam com tipos determinados em que se pode reconhecer os progenitores das futuras m\u00e1scaras italianas da <em>commedia dell\u2019arte<\/em>, passando pelos saltimbancos, buf\u00f5es, acrobatas, prestidigitadores, charlat\u00e3es e outros, que representavam <em>all\u2019 improviso<\/em> nas pra\u00e7as e feiras desde os prim\u00f3rdios da Idade M\u00e9dia. \u201cDa mesma forma, a improvisa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 presente nas festas medievais, como a \u2018Festa dos Reis\u2019, o \u2018Carnaval\u2019, a \u2018Festa dos Loucos\u2019 e outras.\u201d (CHACRA, 1983, p. 29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o desaparecimento da <em>commedia dell\u00b4arte<\/em>, a improvisa\u00e7\u00e3o continua a manter-se no decorrer do s\u00e9culo XIX em espet\u00e1culos marcadamente populares como a pantomima, o circo, o teatro de variedades (<em>music-hall, cabar\u00e9s<\/em>). O pr\u00f3prio Stanislavski, preocupado com uma representa\u00e7\u00e3o mais sincera e verdadeira, prop\u00f5e ao ator uma prepara\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da improvisa\u00e7\u00e3o. Meyerhold, por sua vez, integra o improviso no pr\u00f3prio espet\u00e1culo, seja para estabelecer tra\u00e7os estil\u00edsticos, seja para comunicar aspectos s\u00f3cio pol\u00edticos. Artaud, dentre seus objetivos, tem o de tornar o teatro uma \u201clinguagem da improvisa\u00e7\u00e3o\u201d e chega a pensar num teatro cuja pe\u00e7a seja composta diretamente em cena. Gordon Craig e Jaques Copeau, entre outros, valorizam o espet\u00e1culo, a atua\u00e7\u00e3o, o jogo c\u00eanico, o gesto, a express\u00e3o corporal e v\u00e3o <em>beber<\/em> na mesma fonte em que nasce o esp\u00edrito da improvisa\u00e7\u00e3o teatral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um modo geral, todos os encenadores do teatro moderno se valem da improvisa\u00e7\u00e3o num grau maior ou menor, seja na prepara\u00e7\u00e3o ou durante os espet\u00e1culos, como o chamado \u201cTeatro Participa\u00e7\u00e3o\u201d **, e grupos como o Living Theater, Open Theater, Bread and Puppet, dentre outros, sem esquecer os brasileiros que recorrem \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o como linguagem de destaque, tais como Augusto Boal, com o \u201cTeatro do Oprimido\u201d, e Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa, com o \u201cTe-ato\u201d, os quais consideram que o fen\u00f4meno teatral nasce e se concentra quase exclusivamente na co-autoria ator-p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pr\u00e1tica por n\u00f3s desenvolvida no Teatro Gri\u00f4, por exemplo, a improvisa\u00e7\u00e3o teatral integra tanto os ensaios quanto o momento da apresenta\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de estrat\u00e9gias diversas. A arte do improviso auxilia e d\u00e1 suporte \u00e0 cria\u00e7\u00e3o c\u00eanica, apresentando possibilidades de intera\u00e7\u00e3o com a plateia. Os elementos criados em meus processos criativos a partir da improvisa\u00e7\u00e3o est\u00e3o apoiados na pr\u00f3pria pr\u00e1tica de ator, professor de teatro e preparador de elenco, utilizando ainda experi\u00eancia como especialista nas t\u00e9cnicas de palha\u00e7o e contador de hist\u00f3rias. Parte de inspira\u00e7\u00f5es diversas, como palavras, imagens, manipula\u00e7\u00e3o de objetos, jogos e estrat\u00e9gias de improvisa\u00e7\u00e3o tanto para a cria\u00e7\u00e3o do texto quanto da encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arte de narrar hist\u00f3rias, elemento-chave de nosso fazer teatral, tem, tamb\u00e9m, forte marca de improvisa\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com a oralidade confere \u00e0 arte do cronista oral muita aproxima\u00e7\u00e3o com elementos ligados \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o teatral. N\u00e3o tenho como objetivo, no processo criativo de encena\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, \u201cdecorar\u201d a narrativa de maneira convencional, numa forma fechada, mas trabalh\u00e1-la como uma trama, um fio narrativo entrela\u00e7ado com fatos fundamentais, imagens, emo\u00e7\u00f5es, atmosferas, conflitos, desenlaces que se organizam de maneira a estabelecer o percurso narrativo desejado. De modo alusivo, o <em>griot <\/em>tradicional do contexto africano tamb\u00e9m assume a improvisa\u00e7\u00e3o no tratamento dado a uma trama narrativa tradicional:<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em>Uma narrativa tradicional possui sempre uma trama ou base imut\u00e1vel que n\u00e3o deve jamais ser modificada, mas, a partir da qual, pode-se acrescentar desenvolvimentos ou embelezamentos, segundo a inspira\u00e7\u00e3o ou a aten\u00e7\u00e3o dos ouvintes. (HAMP\u00c2T\u00c9 B\u00c2, 1982, p. 192).<\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao visualizar esta trama, com as muitas imagens que ela implica, o <em>ator-griot<\/em>*** improvisa o seu texto apoiado na cena da oralidade. Isso n\u00e3o quer dizer que ele ir\u00e1 inventar tudo na hora, ou que n\u00e3o tenha preparo pr\u00e9vio, mas, muito pelo contr\u00e1rio, o preparo para este tipo de desempenho \u00e9 imprescind\u00edvel. A improvisa\u00e7\u00e3o, neste caso, al\u00e9m de ser elemento chave na concep\u00e7\u00e3o da cena, \u00e9 tamb\u00e9m destaque no momento da encena\u00e7\u00e3o, uma vez que este ator estabelecer\u00e1 um contato mais direto com a plateia, a qual em determinados momentos poder\u00e1 at\u00e9 participar como co-criadora da cena, resultando, por conseguinte, em uma maior abertura para a realiza\u00e7\u00e3o de uma atua\u00e7\u00e3o improvisada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta experi\u00eancia em que o ator contracena diretamente com a plateia, ele vai naturalmente ajustando sua atua\u00e7\u00e3o (texto, estrat\u00e9gias, ritmo etc.) em resposta aos espectadores e ao momento. Tem a liberdade de, no andamento da cena, caso ele mesmo julgue pertinente, simplesmente fazer como tinha planejado nos ensaios, ou adapt\u00e1-la, suprimir alguma parte, acrescentar outra, interromper em determinado ponto a narrativa e realizar um jogo de anima\u00e7\u00e3o da plateia, para logo a seguir retomar a narrativa de onde havia parado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tramas, no contexto de meus processos criativos junto ao Teatro Gri\u00f4, diferentemente das hist\u00f3rias simplesmente narradas, estimulam a cria\u00e7\u00e3o de diversas estrat\u00e9gias de transposi\u00e7\u00e3o da narrativa para a cena e cria\u00e7\u00e3o de personagens, inclusive do pr\u00f3prio personagem narrador. Tamb\u00e9m permite ao <em>ator-griot<\/em> interagir diretamente com o p\u00fablico num ato de desvendamento de sua pr\u00f3pria personalidade de forma po\u00e9tica, a partir da encena\u00e7\u00e3o dos mitos e contos populares e das narrativas criadas da sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria, bem como dos jogos de intera\u00e7\u00e3o com a plateia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A improvisa\u00e7\u00e3o acaba por alinhavar um tecido que sustenta o pr\u00f3prio jogo teatral, principalmente numa metodologia como a do Teatro Gri\u00f4, que privilegia a cena do ator em comunh\u00e3o com elementos t\u00e9cnicos e est\u00e9ticos do palha\u00e7o, contador de hist\u00f3rias e teatro de rua, dentre os quais a improvisa\u00e7\u00e3o \u00e9 elemento-chave na composi\u00e7\u00e3o c\u00eanica em todas as etapas do processo criativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel vivenciar o transit\u00f3rio jogo da cena teatral sem praticar a arte de improvisar. O ator sabe que \u00e9 preciso re-viver a cada espet\u00e1culo, a cada encontro com o p\u00fablico, o jogo ef\u00eamero do teatro, onde, apesar da busca da repeti\u00e7\u00e3o, daquilo que foi perseguido nos ensaios, \u00e9 imposs\u00edvel se fechar ao novo. E, caso esta experi\u00eancia se cristalizasse, numa forma fria e acabada, tornar-se-ia sem vida. Morreria o jogo. Deixaria de ser teatro.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Notas:<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">* <em>Al\u00e9m de Chacra (1983), \u201cNatureza e Sentido da Improvisa\u00e7\u00e3o Teatral\u201d, e da obra de Viola Spolin (1979), destacando-se o t\u00edtulo \u201cImprovisa\u00e7\u00e3o Para o Teatro\u201d, uma vis\u00e3o panor\u00e2mica do percurso da improvisa\u00e7\u00e3o no teatro, pode ser vislumbrada, de forma impl\u00edcita, ao analisar muitas obras sobre o teatro, como por exemplo, \u201cO Parto de Godot\u201d de Luis Fernando Ramos (1999), no cap\u00edtulo 1, que aborda a hist\u00f3ria da rubrica, e o hist\u00f3rico sobre o non sense na hist\u00f3ria do teatro composto por Martin Esslin (1968), no seu \u201cO Teatro do Absurdo\u201d, cap\u00edtulo 1: o absurdo do absurdo. Claro que, ao contr\u00e1rio de Chacra, os outros dois trabalhos dos autores citados n\u00e3o tratam explicitamente de improvisa\u00e7\u00e3o teatral, mas, ao tratar da hist\u00f3ria da rubrica, ou do percurso do non sense, eles acabam permitindo agregar dados, de forma panor\u00e2mica num mesmo cap\u00edtulo, a essa poss\u00edvel reconstitui\u00e7\u00e3o de um fio imagin\u00e1rio de um percurso da tradi\u00e7\u00e3o oral da improvisa\u00e7\u00e3o teatral. Isso sem contar com a an\u00e1lise de obras espec\u00edficas da Hist\u00f3ria do Teatro.<\/em><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">** <em>Notadamente o dos anos sessenta, realizado nos Estados Unidos, tamb\u00e9m conhecido, al\u00e9m de \u201cTeatro Participa\u00e7\u00e3o\u201d, com os nomes de \u201cteatro experimental\u201d, \u201cteatro em processo\u201d, \u201cteatro de contesta\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cteatro improvisado\u201d. Tratam-se na verdade de diferentes tipos de \u201cparticipa\u00e7\u00e3o\u201d, na qual podem ser englobados, por terem todos, em comum, alguma participa\u00e7\u00e3o \u201cativa\u201d do espectador e ser a improvisa\u00e7\u00e3o a base de seus trabalhos.<\/em><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">*** <em>Utilizo o termo ator-griot, para designar o ator que cria um personagem narrador, inspirado poeticamente em narradores tradicionais do noroeste da \u00c1frica, denominados griots, que t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de alinhavar as narrativas encenadas, inclusive as narrativas criadas a partir da experi\u00eancia de vida do pr\u00f3prio ator. A utiliza\u00e7\u00e3o do termo ator-griot foi de grande valia para facilitar a compreens\u00e3o da especificidade de atitude deste ator, como concebido na pesquisa realizada por mim no \u00e2mbito do PPGAC \u2013 Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Artes Cenicas \u2013 UFBA, e, para auxiliar no entendimento do que foi exposto no cotejamento com os procedimentos assumidos por tradicionais encenadores do teatro. Caso haja interesse numa maior compreens\u00e3o do termo e, consequentemente, do processo criativo integrante da pesquisa, no qual se constituiu da cria\u00e7\u00e3o e encena\u00e7\u00e3o de uma trama de narrativas inspiradas nos griots, pode-se consultar a Disserta\u00e7\u00e3o (citada nas refer\u00eancias ao fim deste artigo), onde foram tecidas determinadas especificidades a respeito do desempenho deste ator-griot. <\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>CHACRA, Sandra. <strong>Natureza e Sentido da Improvisa\u00e7\u00e3o Teatral.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1983.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>ESSLIN, Martin. <strong>O Teatro do Absurdo.<\/strong> Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1968.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>HAMP\u00c2T\u00c9 B\u00c2, Amadou<strong>. <\/strong><strong>A Tradi\u00e7\u00e3o Viva<\/strong>. In: KI-ZERBO, J. (org.). Hist\u00f3ria Geral da \u00c1frica Vol. I. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica\/Unesco, 1982.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>RAMOS, Luiz Fernando. <strong>O parto de Godot e outras encena\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias: a rubrica como po\u00e9tica da cena<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 1999.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>SOUZA, Rafael Morais de. <strong>Na Teia de Ananse: um griot no teatro e sua trama de narrativas de matriz africana. <\/strong>Orientadora: Prof\u00aa. Dr\u00aa. Hebe Alves da Silva. Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado) &#8211; Universidade Federal da Bahia, Escola de Teatro, 2011.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>SPOLIN, Viola. <strong>Improvisa\u00e7\u00e3o para o teatro.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1979.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>(<strong>Rafael Morais<\/strong> \u00e9 ator, diretor e professor de Teatro. Mestre em Artes C\u00eanicas \u2013 UFBA, \u00e9 tamb\u00e9m Coordenador Art\u00edstico do<\/em><\/span><strong><em> <a href=\"http:\/\/www.teatrogrio.com.br\"><span style=\"color: #0000ff;\">Teatro Gri\u00f4<\/span><\/a>. <\/em><\/strong><em><span style=\"color: #000000;\">Dirige <\/span><span style=\"color: #000000;\">os grupos art\u00edsticos residentes do Teatro Gri\u00f4: \u201cAkpal\u00f4s \u2013 Fazedores de hist\u00f3rias\u201d e \u201cCia de Teatro Baob\u00e1\u201d) <\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em><span style=\"color: #000000;\">Contato<\/span>: <a href=\"mailto:rafael@teatrogrio.com.br\"><span style=\"color: #0000ff;\">rafael@teatrogrio.com.br<\/span><\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inaugurando o caderno de teatro, o ator e diretor baiano Rafael Morais exp\u00f5e algumas reflex\u00f5es sobre a improvisa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42,16,2537],"tags":[94,97,95,100,101,12,98,102,93,96,99,103],"class_list":["post-853","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-66a-leva","category-destaques","category-jogo-de-cena","tag-baiano","tag-efemero","tag-improvisacao","tag-improvisacao-teatral","tag-improviso","tag-jogo-de-cena","tag-olhar","tag-oralidade","tag-rafael-morais","tag-teatro","tag-teatro-grio","tag-theatre"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=853"}],"version-history":[{"count":47,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/853\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15153,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/853\/revisions\/15153"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}