{"id":9279,"date":"2015-01-31T22:14:10","date_gmt":"2015-02-01T00:14:10","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=9279"},"modified":"2015-02-01T14:22:29","modified_gmt":"2015-02-01T16:22:29","slug":"aperitivo-da-palavra-ii-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivo-da-palavra-ii-5\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE \u2013 Ameno e sincero<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Jorge Elias Neto<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Alguma-Sinceridade-M.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9282\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Alguma-Sinceridade-M.jpg\" alt=\"Alguma Sinceridade \" width=\"300\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Alguma-Sinceridade-M.jpg 300w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Alguma-Sinceridade-M-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">ALGUMA SINCERIDADE<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual a idade do poeta Geraldo Lavigne? Pergunta que fiz a Gustavo Felic\u00edssimo ao receber esses dois livros que se embrincam.\u00a0 Pergunto-me por qu\u00ea? Talvez por achar necess\u00e1rio alguma intimidade com o autor para quem se aventura a escrever uma orelha de livro. Talvez pela surpresa da promessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poesia atual, em sua vertente mais celebrada pelas m\u00eddias do eixo Rio-S\u00e3o Paulo, se embriaga com o concretismo paulistano. Uma po\u00e9tica que brinca com as palavras, po\u00e9tica da forma, poesia da desilus\u00e3o, do nada, ego\u00edsta, despida do deslumbramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a poesia de Lavigne \u2015&#8230; \u2015, ele mesmo a define \u201ccom alguma sinceridade\u201d ao nos dizer suas meias verdades, j\u00e1 n\u00e3o escondidas atr\u00e1s de uma m\u00e1scara. E vai dizendo que \u201c\u00e9 no \u00e2mago que reside a centelha\u201d, na \u201cseiva que corre o motivo do visgo\u201d. Lembra-nos que vivificamos o mito de S\u00edsifo e nos avisa sobre a fal\u00e1cia de quem joga o bilboqu\u00ea de pedra neste \u201cmito de democracia\u201d. E \u00e9 enorme a generosidade do poeta ao nos alertar da \u201ctirania maior\u201d \u2013 o que nos faz recordar de Montaigne quando disse do medo dos homens que leem sempre um \u00fanico livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o \u201ceu l\u00edrico\u201d se percebe diferente, pois ser afeito ao sil\u00eancio e a contempla\u00e7\u00e3o \u00e9 ser um transgressor, ser anacr\u00f4nico, neste Mundo multimidi\u00e1tico. O homem n\u00e3o se irmana na globaliza\u00e7\u00e3o e sim no reconhecimento de que o \u201cnormal \u00e9 diferente\u201d. Compreende leitor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E que bela imagem, a do cora\u00e7\u00e3o, palimpsesto de pedra, onde \u00e9 preciso \u201cmuita \u00e1gua da rara fonte dos olhos\u201d para apagar o j\u00e1 escrito. Vejam a seriedade de um poeta jovem que se prop\u00f5e buscar a s\u00edntese, o esmero t\u00e9cnico, sem que para isso necessite prescindir do cora\u00e7\u00e3o. Um \u201ceu l\u00edrico\u201d que mant\u00e9m a esperan\u00e7a de na busca ilus\u00f3ria do poema definitivo, perpetuar um cora\u00e7\u00e3o min\u00fasculo onde seja poss\u00edvel se escrever \u201ccom diminutas palavras\u201d. Que bela imagem po\u00e9tica!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o que dizer da ironia em Lavigne \u2015 algo raro e necess\u00e1rio no enfrentamento das verdades \u2015 quando no poema \u201caturdido\u201d nos diz que \u201cquando a \u00e1gua do chuveiro afaga meu corpo, posso ver, atrav\u00e9s da densa cortina, a minha vida com voc\u00ea \u00e9 um filme de Hitchcock\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, a vida tamb\u00e9m \u00e9 feita de perdas, e como emociona \u2013 e este \u00e9 o maior objetivo da poesia \u2013 o poeta ao nos dizer da dor, no poema \u201cmeu velho\u201d: \u201cFaltam poucos dias para quatro anos nesse tempo dos homens que meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o reconhece\u201d. E, consciente diante do absurdo do nada \u2015 \u201ca morte te espreita vereda por vereda\u201d \u2015, ensaia o renascimento, um retorno mal sucedido ao ventre da inoc\u00eancia, pois j\u00e1 se impregnou com a verdade e se encontra \u201ccheio de dentes e fantasmas\u201d. Ressurge mais forte dessa viagem pela introspec\u00e7\u00e3o por ter \u201co g\u00e9rmen do verde que brota quando o c\u00e9u desaba\u201d. Ap\u00f3s o processo necess\u00e1rio de desconstru\u00e7\u00e3o, entende o sil\u00eancio, ergue os bra\u00e7os, toca as nuvens e \u201cconversa com os anjos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no l\u00fadico poema \u201cOcaso\u201d Lavigne se questiona: \u201cser\u00e1 que cupins alados pousar\u00e3o sobre o lastro que me sustenta?\u201d. Mas rebate, agudo, \u201c talvez seja mais um poente, talvez o ocaso seja o acaso em mim\u201d. E acaba por definir ser o poeta o \u201ctutor das plumas sol\u00faveis, que pousou altivo no patronato das aves domesticadas\u201d e atinge a perfei\u00e7\u00e3o ao reconhecer que \u201ca gota d\u00b4\u00e1gua n\u00e3o se sustenta nas asas do p\u00e1ssaro silvestre\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, o poeta desafia os \u201cborbot\u00f5es de vento\u201d que nos desfolham e nos tombam, ensaiando a transcend\u00eancia \u201cdesafiando a longevidade dos ciprestes milenares\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, s\u00f3 nos resta tratar das amenidades &#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Amenidades-M.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9283\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Amenidades-M.jpg\" alt=\"Amenidades \" width=\"300\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Amenidades-M.jpg 300w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Amenidades-M-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">AMENIDADES<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O poeta do ameno deixa aqui seus fragmentos luminosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda singularidade do olhar lan\u00e7ado sobre o cotidiano pessoal traduz seu povo e sua terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poemas imag\u00e9ticos, sem d\u00favida; poemas de uma lentid\u00e3o contemplativa, de saber de sua insignific\u00e2ncia relativa e da import\u00e2ncia de prosseguir no sem sentido, pois, \u201cperfei\u00e7\u00e3o na terra \u2013 n\u00e3o h\u00e1 exceto o amor\u201d. Para o ser imperfeito e portador do \u201cfardo da consci\u00eancia\u201d o amor \u00e9 \u201csemidivino porque tem um qu\u00ea de pecado\u201d no lado debaixo do Equador&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cchegar e partir, s\u00e3o dois lados da mesma viagem\u201d nos diz Bituca, e tamb\u00e9m o fez Lavigne, aut\u00eantico poeta Grapi\u00fana (confesso aqui minha admira\u00e7\u00e3o por esse nome e seus poetas) ao apreciar o entardecer neste \u201cpara\u00edso dos anjos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como disse Ild\u00e1sio Tavares: \u201cNada penso. Estendo os bra\u00e7os e curvo no meu joelho minha linha do horizonte\u201d. N\u00e3o ser\u00e1 tamb\u00e9m esta atitude de Geraldo Lavigne nessa Ilh\u00e9us onde o c\u00e9u se abre imenso, id\u00edlico, onde o \u201ccarv\u00e3o abra\u00e7ava a lua. A lua fogo abrasava o c\u00e9u\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e1 vontade, poeta, de apreciar esta \u201cprimeira claridade da manh\u00e3, com sabor de fruta madura, caf\u00e9 coado em pano e tapioca\u201d. Ver \u201cas gotas ca\u00edrem qual sais de banho\u201d e, por saber-se nada, caminhar descal\u00e7o sobre os seixos na ilha da Pedra Furada. Pois Cipango fica logo ali, onde aportou o sonho, que persiste e \u201ccresce ao redor\u201d e, apesar \u201cdo Mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabe, Lavigne, j\u00e1 \u201cbebi menino as \u00e1guas frias da mata\u201d e meu mundo \u201cera t\u00e3o curto e t\u00e3o vasto\u201d&#8230; \u201cmas o tempo dissipa as palavras como a aura dissipa a fuma\u00e7a da lenha\u201d. E por isso, tamb\u00e9m, sinto saudades de Sen\u00f4, pois desejo a ben\u00e7\u00e3o com \u00e1gua de coco, para quem sabe, tamb\u00e9m tornar-me doce&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso, leitor, j\u00e1 que me foi dado o privil\u00e9gio de receb\u00ea-lo, o convido a entrar. O poeta \u00e9 generoso, lhe oferece duas portas \u2013 dois livros: um que diz do homem como objeto refletido e repisado; outro mais ameno e buc\u00f3lico, impregnado de mem\u00f3rias e imagens da bela regi\u00e3o grapi\u00fana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"http:\/\/jeliasneto.blogspot.com.br\/\"><strong>Jorge Elias Neto<\/strong><\/a> \u00e9 poeta, m\u00e9dico, ensa\u00edsta e membro da Academia Capixaba de Letras. S\u00e3o de sua autoria os livros: Verdes Versos (Flor&amp;cultura ed. \u2013 2007), Rascunhos do absurdo (Flor&amp;cultura ed. \u2013 2010), Os ossos da baleia (Secult &#8211; 2013). Recentemente, lan\u00e7ou seu mais novo rebento po\u00e9tico, Glacial (Editora Patu\u00e1 &#8211; 2014).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Elias Neto escreve sobre os novos versos de Geraldo Lavigne<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9280,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2359,2533],"tags":[2390,2391,2393,11,1111,2389,2392,364,154,2199,159],"class_list":["post-9279","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-98a-leva","category-aperitivo-da-palavra","tag-alguma-sinceridade","tag-amenidades","tag-ameno-e-sincero","tag-aperitivo-da-palavra","tag-bahia","tag-geraldo-lavigne","tag-grapiuna","tag-ilheus","tag-jorge-elias-neto","tag-mondrongo-livros","tag-poemas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9279"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9363,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9279\/revisions\/9363"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9280"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}