{"id":929,"date":"2012-04-02T00:42:09","date_gmt":"2012-04-02T03:42:09","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=929"},"modified":"2012-05-03T22:35:55","modified_gmt":"2012-05-04T01:35:55","slug":"aperitivo-da-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivo-da-palavra\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00c1ngel Gonz\u00e1lez<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Palabra sobre palabra \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Por Jorge Elias Neto<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_933\" aria-describedby=\"caption-attachment-933\" style=\"width: 453px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/corpo-do-texto1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-933   \" title=\"corpo do texto1\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/corpo-do-texto1.jpg\" alt=\"\" width=\"453\" height=\"183\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/corpo-do-texto1.jpg 601w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/corpo-do-texto1-300x121.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 453px) 100vw, 453px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-933\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1ngel Gonz\u00e1lez - Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para vivir un a\u00f1o es necesario morirse muchas veces mucho.<br \/>\n\u00c1ngel Gonzalez<\/em><\/h6>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Algunas palabras<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns poetas s\u00e3o atletas do abismo. Espreitam, com seu olhar irrequieto e sens\u00edvel, o entardecer por detr\u00e1s da Hist\u00f3ria. Debulham o seu passado \u2013 o nosso passado \u2013 e nos ofertam um ladrilho de palavras. Esses mesmos poetas se especializam, tornam-se alpinistas do nada e penduram-se no portal do tempo. Sabem-se clandestinos, insignificantes e fadados ao esquecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Angel Gonz\u00e1lez (1925-2008), not\u00e1vel poeta espanhol, faz parte desse seleto grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos principais poetas espanh\u00f3is da Gera\u00e7\u00e3o dos 50, por muitos considerado o maior poeta espanhol do s\u00e9culo XX, Gonz\u00e1lez \u00e9 pouco conhecido em nosso meio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre seus livros mais importantes figuram <em>\u00c1spero mundo<\/em>, <em>Sin esperanza<\/em><strong>,<\/strong><strong> <\/strong><em>con convencimiento <\/em><em>e<\/em><em> Grado Elemental.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejamos o que Luis Isquierdo escreveu na introdu\u00e7\u00e3o da \u00faltima antologia publicada por Gonz\u00e1lez:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O dom do poeta \u00e9 a den\u00fancia do negativo que perpassa a vida: a belicosidade que n\u00e3o cessa, a depend\u00eancia de imposi\u00e7\u00f5es, o medo disseminado das condutas. Sem renunciar \u00e0 beleza, os versos t\u00eam que tratar tamb\u00e9m de nossos erros e fracassos. A beleza resiste, e tem seus momentos. Entretanto tem-se que ter conhecimento de sua raridade.<sup>1<\/sup><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 leitura inocente para uma po\u00e9tica desmascaradora do que se pretende f\u00e1cil e espont\u00e2neo na vida. No orbe po\u00e9tico de Angel Gonz\u00e1lez, a presen\u00e7a da beleza se afirma pela aten\u00e7\u00e3o precisa do autor a tudo o que a dificulta. E a exig\u00eancia de n\u00e3o renunciar a ela, que \u00e9 record\u00e1-la, implica no dom de faz\u00ea-la t\u00e3o viva quanto excepcional <sup>1<\/sup>. O que se manifesta, em rigor, \u00e9 uma consci\u00eancia desenganada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entendermos um pouco de sua obra, \u00e9 imprescind\u00edvel reconhecer a profunda influ\u00eancia da Guerra Civil Espanhola sobre sua inf\u00e2ncia. Observa\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m se aplica aos principais poetas da Gera\u00e7\u00e3o dos 50. Ao contr\u00e1rio da gera\u00e7\u00e3o que os antecedeu, esses poetas realizaram uma poesia dita social, mais combativa, amb\u00edgua, rica em ironia, desilus\u00e3o e cr\u00edtica ao entorno pol\u00edtico-social. Essa caracter\u00edstica \u00e9 bem evidente em seu livro de estreia <em>Aspero Mundo<\/em> (1956).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posteriormente, Gonz\u00e1lez se distanciou da poesia social, passando inclusive a critic\u00e1-la em alguns de seus aspectos fundamentais. \u00a0De qualquer forma, reconheceu que um certo <em>mundo perdido<\/em> existente em sua poesia, era, no fundo, a Guerra Civil e a perda da causa que representava a Rep\u00fablica Espanhola <sup>2<\/sup>. Como disse o autor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Sin salir de la infancia, en muy pocos a\u00f1os, me convert\u00ed, de s\u00fabdito de un rey, un ciudadano de una rep\u00fablica y, finalmente, un objeto de una tiran\u00eda.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro epis\u00f3dio que marcou a escrita de Gonz\u00e1lez foi ter adquirido tuberculose. O tratamento desta patologia obrigou-o a um longo retiro em P\u00e1ramo Del Sil, onde teve oportunidade de se aproximar mais da poesia e iniciar, de forma mais sistem\u00e1tica, sua produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suas primeiras experi\u00eancias po\u00e9ticas foram como autodidata. Segundo o poeta, a ditadura espanhola impossibilitava o livre acesso \u00e0 literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juan Ramon Gimenez, grande poeta espanhol do come\u00e7o do s\u00e9culo XX, ganhador do pr\u00eamio Nobel de literatura, foi a primeira e fundamental refer\u00eancia para o jovem poeta. Tamb\u00e9m os existencialistas, sobretudo Sartre e Camus, povoavam, desde cedo, o inconsciente de Gonz\u00e1lez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tardiamente se interessou pela obra de Antonio Machado, considerado por ele o poeta do inef\u00e1vel, e pela poesia vanguardista do peruano C\u00e9sar Vallejo. Refere-se a Vallejo como sendo o respons\u00e1vel por um de seus maiores deslumbramentos que ocasionaram mudan\u00e7as definitivas em sua obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, \u00c1ngel Gonz\u00e1lez tornou-se uma refer\u00eancia indiscut\u00edvel \u00a0para os poetas que, no final da d\u00e9cada de oitenta, iniciaram uma pol\u00eamica e definitiva mudan\u00e7a na poesia espanhola denominada <em>Poes\u00eda<\/em> de l<em>a experiencia. <\/em>Declarou o poeta: <em>chega um momento que, inevitavelmente, o poema h\u00e1 de ser necess\u00e1rio para quem o escreve, se se deseja que depois seja leg\u00edtimo para quem o l\u00ea.<\/em> <sup>4<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Graduado em direito e jornalismo, fugiu da ditadura franquista em 1972 e passou a lecionar literatura espanhola contempor\u00e2nea em v\u00e1rias Universidades Norte-americanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Sabias palabras<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[&#8230;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Falo tamb\u00e9m como escritor, j\u00e1 que na qualidade de tal estou aqui. Gostaria de falar como poeta, por\u00e9m n\u00e3o poderia faz\u00ea-lo sem contradizer-me gravemente, pois sempre sustentei que os poetas n\u00e3o existem, salvo na leitura. Se falasse como poeta os falaria, em minha opini\u00e3o, a partir do nada. O poeta \u00c1ngel Gonz\u00e1lez, estar\u00e1 nos livros como uma possibilidade, como uma proposta ao leitor que ser\u00e1 quem, em \u00faltima an\u00e1lise, decidir\u00e1 sobre sua exist\u00eancia ou sua inanidade. Aqui est\u00e1, t\u00e3o somente, o homem que h\u00e1 tramado as palavras que d\u00e3o vida ao poeta, palavras insuficientes em si mesmas, que n\u00e3o teriam sentido sem o concurso dos outros. E essa \u00e9 uma das grandes li\u00e7\u00f5es que, em meu modo de ver, se desprendem da poesia. Porque nossa forma de ser, o que efetivamente somos, depende dos outros mais do que habitualmente pensamos. Ningu\u00e9m, e isso \u00e9 muito evidente no caso dos poetas, pode existir sem os demais.<br \/>\nN\u00e3o se esque\u00e7am nunca.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c9 certo que o poeta, o grande poeta l\u00edrico, mobiliza impulsos que o homem encontra no centro de sua intimidade ou de sua experi\u00eancia. Por\u00e9m, essas rea\u00e7\u00f5es an\u00edmicas e sentimentais, por mais pessoais que pare\u00e7am, n\u00e3o podem ser \u00fanicas e intransfer\u00edveis. Se n\u00e3o faz vibrar por simpatia o cora\u00e7\u00e3o dos outros, se n\u00e3o ressoam e se atualizam em sensibilidades alheias, o poeta haver\u00e1 nascido morto.\u00a0 N\u00e3o para o que ele diz, mas pelo que ele realmente faz, o ato po\u00e9tico \u00e9, em ess\u00eancia, eminentemente solid\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Fragmento do discurso de agradecimento pelo importante Pr\u00eamio Pr\u00edncipe de Ast\u00farias de Letras<sup>5<\/sup><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_936\" aria-describedby=\"caption-attachment-936\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/corpo-do-texto-2.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-936\" title=\"corpo do texto 2\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/corpo-do-texto-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/corpo-do-texto-2.jpeg 400w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/corpo-do-texto-2-300x211.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-936\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1ngel Gonz\u00e1lez - Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Palavra sobre palabras\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Para que yo me llame \u00c1ngel Gonz\u00e1lez<\/strong><\/p>\n<p>Para que yo me llame Angel Gonz\u00e1lez,<br \/>\npara que mi ser pese sobre el suelo,<br \/>\nfue necesario um ancho espacio<br \/>\ny um largo tiempo:<br \/>\nhombres de todo mar y toda tierra,<br \/>\nf\u00e9rtiles vientres de mujer, y cuerpos<br \/>\ny m\u00e1s cuerpos, fundi\u00e9ndose incesantes<br \/>\nem outro cuerpo nuevo.<br \/>\nSolst\u00edcios y equinoccios alumbraron<br \/>\ncom su cambiante luz, su vario cielo,<br \/>\nel viaje milenario de mi carne<br \/>\ntrepando por los siglos y los huesos.<br \/>\nDe su pasaje lento y doloroso<br \/>\nde su huida hasta el fin, sobreviviendo<br \/>\nnaufr\u00e1gios, aferr\u00e1ndose<br \/>\nal \u00faltimo suspiro de los muertos,<br \/>\nyo no soy m\u00e1s que el resultado, el fruto,<br \/>\nLo que queda, podrido, entre los restos;<br \/>\nesto que veis aqui,<br \/>\ntan s\u00f3lo esto:<br \/>\num escombro tenaz, que se resiste<br \/>\na su ru\u00edna, que lucha contra el viento,<br \/>\nque avanza por caminos que no llevan<br \/>\na ning\u00fan s\u00edtio. El \u00eaxito<br \/>\nde todos los fracasos. La enloquecida<br \/>\nfuerza del desaliento &#8230;<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para que eu me chame \u00c1ngel Gonz\u00e1lez<\/strong><\/p>\n<p>Para que eu me chame Angel Gonz\u00e1lez,<br \/>\npara que meu ser pese sobre o solo,<br \/>\nfoi necess\u00e1rio um amplo espa\u00e7o<br \/>\ne um largo tempo:<br \/>\nhomens de todo o mar e toda terra,<br \/>\nf\u00e9rteis ventres de mulheres, e corpos<br \/>\ne mais corpos, fundindo-se incessantes<br \/>\nem um novo corpo.<br \/>\nSolst\u00edcios e equin\u00f3cios deslumbraram<br \/>\ncom sua luz oscilante, seus m\u00faltiplos c\u00e9us,<br \/>\na viagem milenar de minha carne<br \/>\nvencendo os s\u00e9culos e os ossos.<br \/>\nDe sua passagem lenta e dolorosa<br \/>\nde sua fuga at\u00e9 o fim, sobrevivendo<br \/>\nnaufr\u00e1gios, agarrando-se<br \/>\nao \u00faltimo suspiro dos mortos,<br \/>\neu n\u00e3o sou mais que o resultado, o fruto,<br \/>\no que tombou, podre, entre os restos;<br \/>\neste que v\u00eas aqui,<br \/>\nt\u00e3o somente este:<br \/>\num escombro tenaz, que resiste<br \/>\na sua ru\u00edna, que luta contra o vento,<br \/>\nque avan\u00e7a por caminhos que n\u00e3o levam<br \/>\na nenhum lugar. O \u00eaxito<br \/>\nde todos fracassos. A enlouquecida<br \/>\nfor\u00e7a do desalento &#8230;<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Eso no es nada<\/strong><\/p>\n<p>Si tuvi\u00e9semos la fuerza suficiente<br \/>\npara apretar como es debido um trozo de madera,<br \/>\ns\u00f3lo nos quedaria entre las manos<br \/>\num poco de tierra.<br \/>\nY si tuvi\u00e9semos m\u00e1s fuerza todav\u00eda<br \/>\npara presionar com toda la dureza<br \/>\nesa tierra, s\u00f3lo nos quedar\u00eda<br \/>\nentre l\u00e3s manos um poco de agua.<br \/>\nY si fuese posible a\u00fan<br \/>\noprimir el agua,<br \/>\nya no nos quedar\u00eda entre las manos<br \/>\nnada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Isso n\u00e3o \u00e9 nada<\/strong><\/p>\n<p>Se tiv\u00e9ssemos a for\u00e7a suficiente<br \/>\npara se comprimir como se deve um tronco de madeira,<br \/>\nsomente nos restaria entre as m\u00e3os<br \/>\num pouco de terra.<br \/>\nE se tiv\u00e9ssemos ainda mais for\u00e7a<\/p>\n<p>para pressionar com toda intensidade<br \/>\nessa terra, somente nos restaria<br \/>\nentre as m\u00e3os um pouco de \u00e1gua.<br \/>\nE se fosse poss\u00edvel algu\u00e9m<br \/>\ncomprimir a \u00e1gua,<br \/>\nj\u00e1 n\u00e3o nos restaria entre as m\u00e3os<br \/>\nnada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cumplea\u00f1os<\/strong><\/p>\n<p>Yo lo noto: c\u00f3mo me voy volviendo<br \/>\nmenos cierto, confuso,<br \/>\ndisolvi\u00e9ndome en el aire<br \/>\ncotidiano, burdo<br \/>\njir\u00f3n de m\u00ed, deshilachado<br \/>\ny roto por los pu\u00f1os<br \/>\nyo comprendo: he vivido<br \/>\nun a\u00f1o m\u00e1s, y eso es muy duro.<br \/>\n\u00a1mover el coraz\u00f3n todos los d\u00edas<br \/>\ncasi cien veces por minuto!<\/p>\n<p>Para vivir un a\u00f1o es necesario<br \/>\nmorirse muchas veces mucho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Anivers\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Eu observo: como vou me tornando<\/p>\n<p>incerto, confuso,<br \/>\ndissolvendo-me no ar<br \/>\ncotidiano, grosseiros<br \/>\nretalhos de mim, desleixado<br \/>\ne maltrapilho.<br \/>\nEu compreendo: vivi<br \/>\num ano mais e isso \u00e9 muito duro.<br \/>\nO cora\u00e7\u00e3o pulsa todos os dias<br \/>\nquase cem vezes por minuto!<br \/>\nPara viver um ano \u00e9 necess\u00e1rio<\/p>\n<p>morrer-se muitas vezes.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>El derrotado<\/strong><\/p>\n<p>Atr\u00e1s quedaron los escombros:<br \/>\nhumeantes pedazos de tu casa,<br \/>\nveranos incendiados, sangre seca<br \/>\nsobre la que se ceba -\u00faltimo buitre-<br \/>\nel viento.<\/p>\n<p>T\u00fa emprendes viaje hacia adelante, hacia<br \/>\nel tiempo bien llamado porvenir.<br \/>\nPorque ninguna tierra<br \/>\nposees,<br \/>\nporque ninguna patria<br \/>\nes ni ser\u00e1 jam\u00e1s la tuya,<br \/>\nporque en ning\u00fan pa\u00eds<br \/>\npuede arraigar tu coraz\u00f3n deshabitado.<\/p>\n<p>Nunca -y es tan sencillo-<br \/>\npodr\u00e1s abrir una cancela<br \/>\ny decir, nada m\u00e1s: \u00abbuen d\u00eda,<br \/>\nmadre\u00bb.<br \/>\nAunque efectivamente el d\u00eda sea bueno,<br \/>\nhaya trigo en las eras<br \/>\ny los \u00e1rboles<br \/>\nextiendan hacia ti sus fatigadas<br \/>\nramas, ofreci\u00e9ndote<br \/>\nfrutos o sombra para que descanses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O derrotado<\/strong><\/p>\n<p>Atr\u00e1s tombaram os escombros:<br \/>\nfumegantes peda\u00e7os de tua casa,<br \/>\nver\u00f5es incendiados, sangue seco<br \/>\npara que engorde \u2013 o \u00faltimo abutre &#8211;<br \/>\no vento.<\/p>\n<p>Tu segues adiante na viagem, at\u00e9<br \/>\no tempo chamado porvir.<\/p>\n<p>Porque nenhuma terra<br \/>\nte pertence<br \/>\nporque nenhuma p\u00e1tria<\/p>\n<p>\u00e9 e nem ser\u00e1 tua,<br \/>\nporque em nenhum pa\u00eds<br \/>\nPode acolher teu cora\u00e7\u00e3o vazio.<br \/>\nNunca \u2013 e isso \u00e9 t\u00e3o claro &#8211;<br \/>\npoder\u00e1s abrir uma porta<br \/>\ne dizer, simplesmente: \u00ab bom dia,<br \/>\nm\u00e3e \u00bb.<br \/>\nEmbora efetivamente o dia seja bom,<br \/>\nhaja trigo nos campos<br \/>\ne as \u00e1rvores<br \/>\nextendam at\u00e9 ti suas fadigadas<br \/>\nramagens, oferecendo-te<br \/>\nfrutos e sombra para que descanses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Otro tiempo vendr\u00e1 distinto a \u00e9ste&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Otro tiempo vendr\u00e1 distinto a \u00e9ste.<br \/>\nY alguien dir\u00e1:<br \/>\n\u00abHablaste mal. Debiste haber contado<br \/>\notras historias:<br \/>\nviolines estir\u00e1ndose indolentes<br \/>\nen una noche densa de perfumes,<br \/>\nbellas palabras calificativas<br \/>\npara expresar amor ilimitado,<br \/>\namor al fin sobre las cosas<br \/>\ntodas.\u00bb<br \/>\nPero hoy,<br \/>\ncuando es la luz del alba<br \/>\ncomo la espuma sucia<br \/>\nde un d\u00eda anticipadamente in\u00fatil,<br \/>\nestoy aqu\u00ed,<br \/>\ninsomne, fatigado, velando<br \/>\nmis armas derrotadas,<br \/>\ny canto<br \/>\ntodo lo que perd\u00ed: por lo que muero.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Outro tempo vir\u00e1 distinto deste &#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Outro tempo vir\u00e1 distinto deste.<br \/>\nE algu\u00e9m dir\u00e1:<br \/>\n\u00abFalas-te mal. Devias ter contado<br \/>\noutras hist\u00f3rias:<br \/>\nviolinos esticando-se indolentes<br \/>\nem uma noite densa de perfumes,<br \/>\nbelas palavras qualificativas<br \/>\npara expressar o amor sem limite,<br \/>\namor acima de todas<br \/>\nas coisas.\u00bb<br \/>\nPor\u00e9m hoje,<br \/>\nquando a luz do Amanhecer<br \/>\n\u00e9 como a espuma suja<br \/>\nde um dia antecipadamente in\u00fatil,<br \/>\nestou aqui,<br \/>\ninsone, fadigado, velando<br \/>\nminhas armas derrotadas,<br \/>\ne canto<br \/>\ntudo que perdi: pelo que morro.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Son las gaviotas, amor<\/strong><\/p>\n<p>Son las gaviotas, amor.<br \/>\nLas lentas, altas gaviotas.<br \/>\nMar de invierno. El agua gris<br \/>\nmancha de fr\u00edo las rocas.<br \/>\nTus piernas, tus dulces piernas,<br \/>\nenternecen a las olas.<br \/>\nUn cielo sucio se vuelca<br \/>\nsobre el mar. El viento borra<br \/>\nel perfil de las colinas<br \/>\nde arena. Las tediosas<br \/>\ncharcas de sal y de fr\u00edo<br \/>\ncopian tu luz y tu sombra.<br \/>\nAlgo gritan, en lo alto,<br \/>\nque t\u00fa no escuchas, absorta.<br \/>\nSon las gaviotas, amor.<br \/>\nLas lentas, altas gaviotas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o as gaivotas, amor<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o as gaivotas, amor.<br \/>\nAs lentas, distantes gaivotas.<br \/>\nMar de inverno. A \u00e1gua cinza<br \/>\nmancha de frio as rochas.<br \/>\nTuas pernas, tuas doces pernas,<br \/>\nenternecem as ondas.<br \/>\nO c\u00e9u sujo tomba<br \/>\nsobre o mar. O vento borra<br \/>\no perfil das colinas<br \/>\nde areia. As tediosas<br \/>\nlagoas de sal e frio<br \/>\nimitam tua luz e tua sombra.<br \/>\nGritos, l\u00e1 do alto,<br \/>\nque tu n\u00e3o escutas, absorta.<br \/>\nS\u00e3o as gaivotas, amor.<br \/>\nAs lentas, distantes gaivotas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h6><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>1- Gonz\u00e1lez \u00c0.<\/strong> Antologia po\u00e9tica; \u2013 Madrid: Alianza Editorial, terceira reimpress\u00e3o, 2008.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>2- Entrevista ao poeta Harold Alvarado Ten\u00f3rio<\/strong><strong>:\u00a0 <\/strong><strong><a href=\"http:\/\/www.arquitrave.com\/entrevistas\/arquientrevista_Agonzalez.html\">http:\/\/www.arquitrave.com\/entrevistas\/arquientrevista_Agonzalez.html<\/a><\/strong><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>3- Entrevista ao poeta Armando G. Tejeda:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.babab.com\/no09\/angel_gonzalez.htm\">http:\/\/www.babab.com\/no09\/angel_gonzalez.htm<\/a><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>4- Iravedra A. <\/strong><strong>Poesia de La experi\u00eancia; &#8211; Madrid: Visor libros, primeira edi\u00e7\u00e3o, 2007.<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>5- Fundaci\u00f3n Pr\u00edncipe de Ast\u00farias: <\/strong><strong>http:\/\/www.fpa.es\/premios\/1985\/ngel-gonzalez\/<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>(<\/em><\/span><strong><em><a href=\"http:\/\/jeliasneto.blogspot.com \"><span style=\"color: #0000ff;\">Jorge Elias Neto<\/span><\/a><\/em><\/strong><span style=\"color: #000000;\"><em> \u00e9 m\u00e9dico, pesquisador e poeta. Capixaba, reside em Vit\u00f3ria \u2013 ES. S\u00e3o de sua autoria os livros: Verdes Versos (Flor&amp;cultura ed. &#8211; 2007), Rascunhos do absurdo (Flor&amp;cultura ed. &#8211; 2010), Os ossos da baleia e Brevi\u00e1rio dos olhos (in\u00e9ditos). Integrou as publica\u00e7\u00f5es Antologia po\u00e9tica Virtualismo (2005), Antologia liter\u00e1ria cidade (L&amp;A Editora \u2013 2010), Antologia Cidade de Vit\u00f3ria (Academia Espiritossantense de letras \u2013 2010 e 2011) e Antologia Encontro Pontual (Editora Scortecci \u2013 2010))<\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escritor Jorge Elias Neto traduz alguns poemas do autor espanhol \u00c1ngel Gonz\u00e1lez<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":930,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42,2533],"tags":[155,154,159,156,157,158],"class_list":["post-929","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-66a-leva","category-aperitivo-da-palavra","tag-angel-gonzalez","tag-jorge-elias-neto","tag-poemas","tag-poeta-espanhol","tag-traducao","tag-versos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/929","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=929"}],"version-history":[{"count":26,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/929\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1497,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/929\/revisions\/1497"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}