{"id":9444,"date":"2015-03-05T09:15:34","date_gmt":"2015-03-05T12:15:34","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=9444"},"modified":"2016-10-10T08:47:47","modified_gmt":"2016-10-10T11:47:47","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-33","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-33\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com quais arroubos se faz um poeta? Por mais que tentemos mensurar, a resposta \u00e9 imprecisa. E \u00e9 bom perceber que supostas defini\u00e7\u00f5es para tal indaga\u00e7\u00e3o n\u00e3o seguem uma orienta\u00e7\u00e3o cartesiana das coisas. Mais ainda, \u00e9 preciso que nos alimentemos da falta de explica\u00e7\u00e3o. Noves fora nada, o saldo da d\u00favida \u00e9 muito mais atraente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem escreve poesia n\u00e3o intenta clarificar verdades absolutas. Pelo contr\u00e1rio, semeia interroga\u00e7\u00f5es e alguns desassossegos. N\u00e3o \u00e9 um ser divino. Apenas olha o mundo com a sensa\u00e7\u00e3o de que se n\u00e3o flutua em torno dele, mergulha fundo no oceano dos mist\u00e9rios para depois constatar que \u00e9 t\u00e3o comum quanto qualquer mortal. Se o resultado dessa experi\u00eancia implica em estranhamento ou encantamento, talvez consigamos ler tais marcas travestidas em versos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ler a obra de um autor n\u00e3o \u00e9 suficiente. O ato da leitura demanda uma boa dose de envolvimento, qui\u00e7\u00e1 cumplicidade. Quando se opera o despertar de um reconhecimento ou identifica\u00e7\u00e3o, os ind\u00edcios da aposta nos levam adiante. Ao percorrermos as veredas po\u00e9ticas de <strong>Geraldo Lavigne de Lemos<\/strong>, uma miscel\u00e2nea de sentimentos nos vem fazer companhia. Nada ali \u00e9 gratuito. Cada verso adv\u00e9m de vertentes emblem\u00e1ticas na trajet\u00f3ria do seu criador. Nesse \u00ednterim, agigantam-se olhares especiais em torno da mem\u00f3ria, duma vis\u00e3o cr\u00edtica de mundo e, tamb\u00e9m, do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido em Itabuna, na Bahia, mas radicado na vizinha Ilh\u00e9us, Geraldo canta seu solo e sua gente como quem redimensiona la\u00e7os de pertencimento. Com o passar do tempo, soube apurar sua percep\u00e7\u00e3o diante das complexidades da vida, tendo em vista que sua obra encerra um marcante componente filos\u00f3fico. Publicou em jornais e revistas e integrou a colet\u00e2nea <em>Di\u00e1logos \u2013 Novo Panorama da Poesia Grapi\u00fana <\/em>(Ed. Via Litterarum\/Editus \u2013 2010 \u2013 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o). O livro <em>\u00c0 Espera do Ver\u00e3o<\/em> (Ed. Mondrongo \u2013 2011) marcou sua estreia solo. Recentemente, dois novos rebentos sedimentaram seus arremates criativos: <em>Alguma Sinceridade<\/em> e <em>Amenidades<\/em>, ambos lan\u00e7ados pela Editora Mondrongo em 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda sob o efeito de suas novas investidas liter\u00e1rias, Geraldo nos revela um pouco de si. Hoje, sua obra denota um algu\u00e9m comprometido com a maturidade da escrita diante de temas nada simples de confrontarmos. Tudo isso, somado \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es presentes nessa entrevista, faz com que consideremos a import\u00e2ncia das escutas em torno desse talentoso poeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_12688\" aria-describedby=\"caption-attachment-12688\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Geraldo-I.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12688 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Geraldo-I.jpg\" alt=\"geraldo-i\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Geraldo-I.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Geraldo-I-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-12688\" class=\"wp-caption-text\">Geraldo Lavigne \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; &#8220;Alguma Sinceridade&#8221; \u00e9 um livro no qual vislumbramos os efeitos da lucidez.\u00a0 Nele, as indaga\u00e7\u00f5es s\u00e3o maiores do que as certezas, todas elas flutuando sobre um oceano de constata\u00e7\u00f5es. Quais marcas assinalam esse trajeto po\u00e9tico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE &#8211; <\/strong>Estou sempre tentando acertar e, por isso, sempre pensando na coisa certa a fazer. N\u00e3o quero que confunda esta postura com qualquer sentimento que se alinhe ao egocentrismo. Trata-se apenas de depurar as atitudes, fazer o bem. Acredito que s\u00e3o estas reflex\u00f5es que ensejam os meus pensamentos expostos em &#8220;alguma sinceridade&#8221;. A tentativa de amadurecer e ampliar a compreens\u00e3o. A tentativa de dialogar isto com o leitor; n\u00e3o para ensin\u00e1-lo, mas para refletir. L\u00f3gico que os mais variados sentimentos v\u00eam \u00e0 tona no itiner\u00e1rio da cria\u00e7\u00e3o (que antecede o da escrita), desde os af\u00e1veis aos censur\u00e1veis. Exponho-os e exponho-me. Deste modo, as constata\u00e7\u00f5es que voc\u00ea aponta na pergunta s\u00e3o as certezas que acredito ter angariado, mesmo sabendo que maiores s\u00e3o as d\u00favidas. Os poemas apresentam a minha vis\u00e3o sobre o mundo e o homem, bem como sobre mim e minha cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Na medida de sua exposi\u00e7\u00e3o, um poeta se revela. &#8220;Alguma sinceridade&#8221; parece trazer um Geraldo muito conectado com uma esp\u00e9cie de sentimento do mundo. O saldo dessa percep\u00e7\u00e3o lhe apresenta mais espantos ou contempla\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE &#8211; <\/strong>Cada conjuntura pode ter um saldo avaliado. \u00c0s vezes os dissabores s\u00e3o maiores, \u00e0s vezes n\u00e3o. Cada dia que vivo, novas experi\u00eancias renovam a minha percep\u00e7\u00e3o sobre o mundo e sobre o homem, modificam a minha vis\u00e3o ou confirmam os meus pensamentos. Quando comecei a escrever rotineiramente, h\u00e1 mais ou menos 10 anos, sem d\u00favida o saldo era de espanto. Hoje busco converter este saldo para contempla\u00e7\u00e3o. Isto tem acontecido de fato nos \u00faltimos tempos. 2014, por exemplo, foi um ano decisivo para aprender que h\u00e1 abrigo em qualquer tempestade. Dele sobreveio um extremo sentimento de gratid\u00e3o. No mais, permane\u00e7o antenado para captar as informa\u00e7\u00f5es que vagam em cada experi\u00eancia que temos. Continuar\u00e3o a surgir espantos e contempla\u00e7\u00f5es e eu espero poder continuar a transcrev\u00ea-los para o papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; No terreno do &#8220;Amenidades&#8221;, seus versos se voltam fundamentalmente para a mem\u00f3ria afetiva. Esse, digamos assim, encontro consigo mesmo, serve como uma esp\u00e9cie de renova\u00e7\u00e3o do olhar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE &#8211; <\/strong>Sim. Em &#8220;amenidades&#8221; eu perenizei temas diletos. Reuni neste livro as pessoas que me iluminam, apresentei a ternura da minha inf\u00e2ncia, resgatei a mem\u00f3ria de minha fam\u00edlia e discorri sobre meu querido solo, Ilh\u00e9us, entre outros lugares. Os poemas de &#8220;amenidades&#8221; trazem o meu lado afetivo, at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o publicado. Da\u00ed, posso dizer com certeza que h\u00e1 nele minhas boas lembran\u00e7as e o agraciado presente. Nele tamb\u00e9m h\u00e1 um certo descanso sobre as demais quest\u00f5es. Sabe aquele momento, deitado na rede da varanda, ao lado de quem ama? \u00c9 assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Em que medida as lembran\u00e7as desse &#8220;Olimpo do afeto&#8221; s\u00e3o capazes de fazer frente \u00e0s inquietudes do presente? Um poeta pode afugentar suas dores?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE &#8211; <\/strong>O sopesamento de o que prevalecer\u00e1 entre lembran\u00e7as e inquietudes depende da valora\u00e7\u00e3o que atribu\u00edmos a elas em dado momento. Acredito que as boas lembran\u00e7as sempre oportunizar\u00e3o felicidade na ang\u00fastia, seja durante a pr\u00f3pria recorda\u00e7\u00e3o, seja na esperan\u00e7a do que vir\u00e1. Destarte, e levando em considera\u00e7\u00e3o que recordar \u00e9 viver, n\u00e3o s\u00f3 um poeta, mas toda e qualquer pessoa pode afugentar as suas dores se permitir que as boas lembran\u00e7as nutram a felicidade em seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; &#8220;Alguma Sinceridade&#8221; e &#8220;Amenidades&#8221; est\u00e3o agregados num mesmo volume. Enquanto o primeiro livro observa o mundo com olhos desnudos e certa intranquilidade, o segundo exalta um percurso sereno diante da vida. Equilibrar tais distintos hemisf\u00e9rios pressup\u00f5e algum significado especial para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE &#8211; <\/strong>Sim. Hoje os livros impressos em um mesmo caderno representam para mim a dualidade: saber que as alegrias n\u00e3o s\u00e3o irrestritas e que as tristezas n\u00e3o s\u00e3o eternas. Saber ainda que a alegria convive com a tristeza quando levamos em considera\u00e7\u00e3o a vida.\u00a0Para al\u00e9m destas quest\u00f5es, saber que convivemos com erros e acertos e com um mundo benevolente e cruel. Compreender esta din\u00e2mica me parece o caminho para estar bem consigo e com os outros. Ela tamb\u00e9m nos auxilia a fazer e a respeitar escolhas, a entender o mundo\u00a0\u2013\u00a0mesmo com irresigna\u00e7\u00e3o. Quando levei os originais para o editor, Gustavo Felic\u00edssimo, eles estavam, como ainda est\u00e3o, separados, e eu disse para ele que eram livros distintos. A conforma\u00e7\u00e3o conjunta surgiu ao longo do processo editorial. J\u00e1 a revela\u00e7\u00e3o deste sentido mais apurado sobre a dualidade me ocorreu quando ele j\u00e1 estava impresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Voc\u00ea faz parte de uma gera\u00e7\u00e3o que exercita com mais habitualidade o desengavetar dos escritos, seja em sites, blogs, revistas liter\u00e1rias ou em livros. Com que olhos voc\u00ea observa esse cen\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE &#8211; <\/strong>Eu enxergo a literatura como express\u00e3o e di\u00e1logo. N\u00e3o expor os escritos \u00e9 como calar frases pensadas em t\u00edpicos casos que nos arrependemos de nada ter falado. Esta gera\u00e7\u00e3o que voc\u00ea diz e da qual participo est\u00e1 mais \u00e0 vontade com a divulga\u00e7\u00e3o. E, a partir da\u00ed, penso que a literatura parece poss\u00edvel para pessoas comuns como eu, e n\u00e3o apenas para os extraordin\u00e1rios. Al\u00e9m disso, a divulga\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais acess\u00edvel: a internet \u00e9 uma porta constantemente aberta; novas editoras t\u00eam surgido no mercado e oportunizado a publica\u00e7\u00e3o de autores in\u00e9ditos; revistas digitais, blogs e sites criaram espa\u00e7os qualificados voltados para a literatura. Assim, entendo que o cen\u00e1rio atual de desengavetamento de originais resulta da conflu\u00eancia entre a maior liberdade pessoal dos autores e a disponibilidade de meios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_9449\" aria-describedby=\"caption-attachment-9449\" style=\"width: 281px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/INTERNA-III.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9449 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/INTERNA-III.jpg\" alt=\"Geraldo Lavigne\" width=\"281\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/INTERNA-III.jpg 281w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/INTERNA-III-169x300.jpg 169w\" sizes=\"auto, (max-width: 281px) 100vw, 281px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9449\" class=\"wp-caption-text\">Geraldo Lavigne \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Um autor deve estar comprometido com sua verdade pessoal ou com as expectativas dos leitores?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE &#8211; <\/strong>Ambos s\u00e3o importantes, por\u00e9m deve estar antes comprometido com a verdade pessoal. A verdade pessoal traduz a identidade do autor. J\u00e1 as expectativas dos leitores representam o que ele tem provocado nas pessoas. Parece-me que a partir dos reflexos da obra recente de determinado autor surgem tais expectativas. Elas podem servir como guias para trabalhos futuros. No entanto, o autor jamais deve negar o seu esp\u00edrito, sob pena de se ver descaracterizado e possivelmente infeliz com a pr\u00f3pria obra. Isto, claro, levando em considera\u00e7\u00e3o que literatura \u00e9 forma de express\u00e3o. Se o autor omitir a verdade pessoal, ele ser\u00e1 mero ve\u00edculo, n\u00e3o voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O poeta est\u00e1 preparado para compreender as complexidades mundanas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE &#8211; <\/strong>A complexidade do mundo tem aumentado dia a dia. A qualidade intersist\u00eamica dos conhecimentos tem avan\u00e7ado em todas as \u00e1reas. Compreender tecnicamente algo demanda cada vez mais informa\u00e7\u00e3o. Elas est\u00e3o a\u00ed para quem quiser. Por outro lado, as rela\u00e7\u00f5es humanas dependem muito da sensibilidade. E de sensibilidade, todos n\u00f3s somos dotados. \u00c9 poss\u00edvel compreender as quest\u00f5es mundanas, basta se permitir. Estar preparado \u00e9 um quesito dif\u00edcil para todos. Por isso digo que o importante \u00e9 manter a mente aberta e o cora\u00e7\u00e3o limpo, ser prudente, estar atento para as experi\u00eancias, aprender o que for poss\u00edvel e guardar o que for verdadeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O que voc\u00ea n\u00e3o endossa nesse estado de coisas chamado p\u00f3s-modernidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE &#8211; <\/strong>A falta de realidade. Contarei isso em algumas frases. As pessoas convivem menos. As crian\u00e7as brincam em ambientes virtuais, muitas vezes sem sair de casa. Elas tamb\u00e9m n\u00e3o conhecem os alimentos naturais ou as coisas simples da natureza. A fic\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente no cotidiano. A pessoa \u00e9 frustrada por n\u00e3o possuir caracter\u00edsticas de personagens ou se decepciona quando o outro n\u00e3o as tem.\u00a0H\u00e1 um culto exacerbado da perfei\u00e7\u00e3o. A pressa \u00e9 implac\u00e1vel. O futuro \u00e9 uma sombra que as pessoas dizem se preocupar. Posso relatar aqui ainda um longo conjunto de exemplos, mas tudo se resumir\u00e1 \u00e0 falta de realidade. Precisamos reencontrar o ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Qual a diferen\u00e7a do Geraldo de hoje para aquele de &#8220;\u00c0 espera do ver\u00e3o&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE &#8211; <\/strong>Muitos fatos sobrevieram neste interregno. Tentei aproveitar as li\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia. Delas eu consegui alguma maturidade, pude me conhecer melhor e aprendi os valores da gratid\u00e3o e do amor.\u00a0Hoje consigo exercitar melhor os meus pensamentos e princ\u00edpios.\u00a0Sobre a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, acredito que tenha acompanhado este amadurecimento. Os poemas est\u00e3o mais fluidos e r\u00edtmicos. A linguagem melhorou. A mensagem est\u00e1 mais apurada com o que pretendo. Tamb\u00e9m houve uma participa\u00e7\u00e3o acentuada de temas afetivos, sem dispensar a continuidade da tem\u00e1tica existencialista e metaf\u00edsica, nem tirar os olhos do homem e do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Afinal, por que escrever?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO LAVIGNE &#8211; <\/strong>Literatura \u00e9 linguagem e arte. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 a finalidade prec\u00edpua da linguagem, enquanto a liberta\u00e7\u00e3o, a da arte. Existem v\u00e1rios porqu\u00eas nestes dois universos interseccionados. H\u00e1 neles substrato em abund\u00e2ncia, inclusive para os casos aqu\u00e9m das quest\u00f5es essenciais. O meu primeiro foi a necessidade premente de express\u00e3o. O seguinte foi a busca da compreens\u00e3o. Vieram mais; uns eu abandonei, outros n\u00e3o. O imp\u00e9rio do pensamento l\u00f3gico incentiva a procura pela verdade mediante o cotejamento da causa com a consequ\u00eancia. Por isso nos deparamos com d\u00favidas como a da presente interpela\u00e7\u00e3o. Afinal, \u00e9 mesmo preciso algum porqu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre palavras e mem\u00f3rias, uma entrevista com o poeta Geraldo Lavigne de Lemos <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9445,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2422,16,2539],"tags":[1111,410,63,2437,364,8,127],"class_list":["post-9444","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-99a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-bahia","tag-editora-mondrongo","tag-entrevista","tag-geraldo-lavigne-de-lemos","tag-ilheus","tag-pequena-sabatina-ao-artista","tag-poeta"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9444"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9444\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12689,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9444\/revisions\/12689"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9445"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}