Ciceroneando

 

Ilustração: Drika Prates

 

Caminhos longevos são aqueles que, mais do que meros índices de contagem do tempo, servem como constatação de que algo de fato foi construído. Dar sequência a um projeto como a Diversos Afins é sentir que aos poucos as coisas vão acontecendo, os cenários vão se modificando, algo fica pela estrada, antigas parcerias se reafirmam e novos encontros se manifestam. Viver as trilhas da cultura é também respirar ares de impermanência, pois os ventos da mudança sempre teimam em bater à nossa porta. E mudar é gesto de abertura para o novo, momento em que outros saberes e sabores podem se tornar reais diante da lei natural dos encontros. Acima de tudo, são pessoas que movem a nossa revista, não somente a figura de seus editores, mas todos aqueles que se sentem atraídos pelas veredas aqui ofertadas. De colaboradores, entusiastas, amigos, parceiros e chegando até nossos leitores, uma dinâmica cheia de vida toma corpo e impulsiona ideias e toda sorte de ímpetos pela Arte. Somos tantas mentes afinadas no coro possível da palavra, das imagens e dos sentidos múltiplos que emanam do mais íntimo que há no laço humano. Não estamos sozinhos: eis a constatação mais recompensadora que há. Os caminhos travestidos de literatura, cinema, música, artes plásticas, teatro, fotografia e outras artes são representações do que vai por dentro de tantas e tamanhas existências que percebem na revista um porto onde podem fazer ecoar suas vozes. Não temer o que está por vir pode ser a chave para qualquer iniciativa que se pretenda continuada no tempo das possibilidades. A crença que nos mobiliza é a de que outros olhares sobre o mundo são a razão de ser das nossas investidas. Ao mesmo tempo, é desejo de reconhecer o quanto um imenso painel de singularidades surge ante nossos olhos, cada uma delas imprimindo um tom vigoroso às criações de autores e artistas dos mais diversos matizes. Por tudo isso, a aproximação de poetas como Geraldo Lavigne de Lemos, Cristina de Souza, Letícia Carvalho, Marcelo Benini e Leonardo Bachiega adentra com novos sentidos as nossas janelas poéticas de agora. Em cada canto da nova edição, as ilustrações de Drika Prates dialogam com as porções interna e externa de nossas humanidades. No Gramofone de Gustavo Rios, gira o novo disco de André Lissonger. Numa entrevista concedida a Larissa Mendes, o músico Leonardo Passovi, vocalista da banda Flerte Flamingo, desfila algumas reflexões sobre seu trabalho e a cena musical brasileira contemporânea. Nas linhas de Lorraine Ramos Assis, impressões para “Ainda ancora o infinito”, livro de poemas de Roberta Tostes Daniel. Pelos contos de Lorena Grisi, Catharina Azevedo e Marciel Cordeiro, espraiam-se peculiares e instigantes cenários da vida. O filme russo “A Febre de Petrov” ganha olhares especiais na análise de Guilherme Preger. Os atentos olhares de Sandro Ornellas sondam as alamedas de “Danny”, livro de Maria Elvira Brito Campos. Todas essas vozes aqui reunidas, queridos leitores, são para celebrar 16 anos de estrada editorial. Eis a 149ª Leva!

Os Leveiros

 

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