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	<title>112ª Leva &#8211; 06/2016 &#8211; Diversos Afins</title>
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	<description>entre caminhos e palavras</description>
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	<title>112ª Leva &#8211; 06/2016 &#8211; Diversos Afins</title>
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		<title>Ciceroneando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2016 18:07:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[112ª Leva - 06/2016]]></category>
		<category><![CDATA[10 anos]]></category>
		<category><![CDATA[112ª Leva]]></category>
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					<description><![CDATA[Editorial da 112ª leva - 10 anos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/congado-06.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="500" height="334" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/congado-06.jpg" alt="Patrick Arley" class="wp-image-12456" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/congado-06.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/congado-06-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Patrick Arley</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dividimos em etapas a celebração dos 10 anos da revista. A Leva 112 que agora surge contempla um segundo passo nesse sentido de comemoração. A intenção é mesclar tanto autores que nos ajudaram a construir essa história quanto os que debutam em nossas paragens editoriais. Hoje, compreendemos melhor o teor real da palavra encontro, esse somatório de expressões a tecer um rico painel no qual verbos e imagens se encaixam. Cada colaborador expõe parte de seu mundo entre nós, tornando possível um descortinar de outras percepções. Seja no contexto da arte visual ou da construção da palavra, os signos transmitidos comunicam além das aparências. Diga-se de passagem, o mundo é em si um grande livro aberto a interpretações. E tal viés ganha corpo amplo quando notamos que o conjunto das expressões particulares de cada autor nos ajuda a compreender o que nos cerca. Saímos de nossa própria aldeia na medida em que mergulhamos na obra do outro. A figura da alteridade é também um curioso ponto de aproximação entre distantes visões de mundo. Sendo assim, talvez demoremos a perceber que é nas diferenças que o produto da arte surge e vai se moldando. A não conformidade do pensamento é, então, a protagonista de tudo. É justamente esse tipo de constatação que sempre fez parte das ações da Diversos Afins. Uma conclusão obtida através do contato direto com pessoas e suas mais peculiares vertentes criativas. Sem dúvida alguma, essa percepção real impulsiona a concepção de uma edição futura à qual pretendemos sempre nos lançar. Assim, o canto que agora entoamos exalta a existência do instante, pois se materializa na produção de poetas do quilate de <strong>Maria da Conceição Paranhos</strong>, <strong>Líria Porto</strong>, <strong>Romério Rômulo</strong>, <strong>Lívia Natália </strong>e <strong>Márcio Leitão</strong>. Por toda a leva, atravessados estamos pelo olhar antropológico dos registros fotográficos de <strong>Patrick Arley. &nbsp;</strong>É <strong>Larissa Mendes</strong> quem nos chama atenção para o novo disco do inventivo cantor e compositor <strong>Wado</strong>. Convidando-nos à leitura de “A Loucura dos Outros”, livro de contos de <strong>Nara Vidal</strong>, a escritora <strong>Neuzamaria Kerner </strong>aborda caminhos sugeridos pela obra. Cabe a dimensão de um encantamento diante das palavras do ator <strong>Rafael Morais</strong>, idealizador do Grupo Teatro Griô, numa entrevista que evoca a arte como missão de vida. <strong>Guilherme Preger</strong>, com seu habitual e preciso olhar cinéfilo, destaca a produção espanhola “A Academia das Musas”, filme do diretor <strong>José Luis Guerin</strong>. Nossos cadernos de prosa são tomados pelos contos de <strong>Carla Diacov</strong>, <strong>Lizziane Azevedo </strong>e <strong>Isabela Rodrigues</strong>. “A Eternidade da Maçã”, novo livro de contos de <strong>Marcus Vinícius Rodrigues</strong>, recebe a acolhida das linhas de <strong>Fabrício Brandão</strong>. Com novas leituras e apreciações, celebramos o caminho. Sejam bem-vindos, estimados leitores!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Os Leveiros</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-ii-42/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2016 18:02:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[112ª Leva - 06/2016]]></category>
		<category><![CDATA[Cama Vazia]]></category>
		<category><![CDATA[Catecismo]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Lizziane Azevedo]]></category>
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					<description><![CDATA[Densas marcas nos breves contos de Lizziane Azevedo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Lizziane Azevedo</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/patrickA-int.jpg"><img decoding="async" width="400" height="400" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/patrickA-int.jpg" alt="Patrick Arley" class="wp-image-12420" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/patrickA-int.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/patrickA-int-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/patrickA-int-300x300.jpg 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Patrick Arley</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cama vazia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acordei assustada ao sentir que ele me tocava. A mão dele estava fria, chamei a enfermeira. Ela veio, checou tudo o que podia e saiu. Pus-me em vigília novamente. Não havia outros acompanhantes. Para meus irmãos, nosso pai já havia morrido há muitos anos. Dormir era impossível naquele quarto de hospital. Um breve cochilo e os pesadelos me sacudiam o corpo. A presença dele me incomodava, sentia-me observada o tempo inteiro. Naquele lugar apertado e abafado eu podia apalpar o cheiro denso do suor azedo que sempre me nauseou. Ele acordou agitado, não dizia nada com nada. Segurava o peito com força, devia ser outro infarto. Demorei um pouco para chamar a enfermeira. No íntimo era bom vê-lo estrebuchar. Até sorri, vendo-o em agonia. Mal me virei para pedir socorro, senti a força da sua mão segurando-me o braço. A mesma força que me dominava quando criança para roubar de mim o meu sexo. Tremi. Sufoquei. Meu coração batia acelerado. Pensei em gritar, chorar. Respirei fundo e busquei me acalmar, quando percebi que ele queria dizer algo. Tive receio de baixar minha cabeça até ele; mesmo assim o fiz, reunindo minhas últimas forças. Ouvi um “perdoe-me” abafado que parecia mais uma de suas alucinações. Mas uma lágrima parecia confirmar a veracidade do pedido, que foi repetido: <em>Perdoe-me, por favor. Perdoe-me.</em> Paralisei com o que ouvia e via. Esqueci da enfermeira, da urgência&#8230; Pensei em dizer algo. Confusa, sem saber o que dizer, corri para fora do hospital. Chorei, chorei muito. Quando voltei, a cama já estava vazia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Catecismo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele subia o morro todas as tardes. A batina preta fazia-o suar bicas. Apesar dos desconfortos, não deixava um só dia de cumprir sua missão. Uma bíblia enorme deixava-o com apenas uma mão livre, que estava sempre agarrada a um lenço branco. Todos os moradores do morro conheciam-no e saudavam-no ao passar. Com um sorriso gentil, ele acenava para todos; vez por outra parava para tomar um arzinho e conversar um pouco com Tuco, dono do bar da ladeira. Inteirado das novidades, bebia um copo d’água e continuava sua romaria até a casa que ele usava como capela, onde dava aulas de catecismo. Só crianças cercavam-no por lá. Os meninos predominavam no meio de duas ou três meninas. Aula encerrada, os alunos começavam a sair, um após o outro, mas não sem antes beijar a mão do mestre, que sempre se arrepiava com o gesto, invisível às crianças. Ele permanecia no local por horas com três meninos do grupo. Seriam coroinhas na sede da igreja, dizia o padre. Alguns achavam que era por essa razão que eles eram privilegiados, ganhavam presentes, roupas, sapatos. Era nítida a diferença deles para os demais, que andavam com suas havaianas furadas e shortinhos e camisetas enodoadas e rasgadas, mas ninguém parecia desconfiar do padre, até que uma batida policial desmascarou-o. De santo ele não tinha nada. Falso! Nunca foi padre. Voava pelo morro nos aviõezinhos dos meninos que aliciava.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Sou <strong>Lizziane Azevedo</strong>, uma advogada ávida por literatura, razão pela qual nunca dispenso a companhia de um bom livro, hábito que compartilho com meu esposo, leitor, revisor e primeiro crítico dos meus textos: André Sérgio. Moro em Monteiro, interior da Paraíba, onde fui criada e onde aprendi sobre poesia. Já publiquei diversos contos na Câmara Brasileira do Jovem Escritor; no suplemento literário Correio das Artes, do jornal A União; na Revista de Literatura e Arte Boca Escancarada e no site Diversos Afins.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética III</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iii-47/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2016 17:38:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[112ª Leva - 06/2016]]></category>
		<category><![CDATA[bené para flauta & Murilo]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[matéria bruta]]></category>
		<category><![CDATA[per augusto & machina]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Romério Rômulo]]></category>
		<category><![CDATA[tempo quando]]></category>
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					<description><![CDATA[As labutas da palavra viva nos poemas de Romério Rômulo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Romério Rômulo</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/lavras-novas-111.jpg"><img decoding="async" width="500" height="334" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/lavras-novas-111.jpg" alt="Patrick Arley" class="wp-image-12409" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/lavras-novas-111.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/lavras-novas-111-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Patrick Arley</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong> sinto, marília, dizer</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">se eu caminho, marília<br />
nas estradas de ouro preto<br />
sinto teu olho rasgar<br />
o lacre da minha carne</p>



<p class="wp-block-paragraph">sinto o duro e permanente<br />
viés com que interrogas<br />
meus estratos seminais<br />
que só pulsam do teu lado</p>



<p class="wp-block-paragraph">sinto, marília, dizer<br />
que no teu olho apagado<br />
acabo de anoitecer</p>



<p class="wp-block-paragraph">num mundo vitrificado<br />
na morte mais indizível<br />
de que alguém quer morrer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>fragmento de desarmar a morte</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">se todos morremos na estrada<br />
o que fazer dos caminhos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">vou desarmá-los, amada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>tão bêbados de tudo, estes poetas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">poetas são malditos e no espanto<br />
de revelar limites se martelam<br />
há um poeta assim em cada canto<br />
no redemunho do espanto que revelam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">poetas são em pétalas, cruéis<br />
com tintas destiladas pela mão<br />
seus dedos se arrebentam em pincéis<br />
drogados pela cor da solidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">tão bêbados de tudo, estes poetas<br />
de ansiedade e insônia vão tomados<br />
ao percorrer a noite pelas frestas<br />
poetas são destroços renegados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>equação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">eu sigo puto.<br />
reajo em fogo:</p>



<p class="wp-block-paragraph">viver é bruto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fragmentos, 12</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">1.<br />
trago comigo<br />
uma batalha solta<br />
uma revolta puta<br />
uma babel envolta.<br />
2.<br />
um anjo me parece pouco e lento<br />
pra todas as batalhas que sustento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>chame qualquer coisa que me caiba</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">se eu brotar do silêncio<br />
chame a vida<br />
chame qualquer coisa<br />
que me caiba</p>



<p class="wp-block-paragraph">seja poesia, mulher ou desavença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>quando as tripas da noite me inventam</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">quando as tripas da noite me envolvem<br />
sou um homem retinto de pavores:<br />
30 colunas perdidas me comovem</p>



<p class="wp-block-paragraph">quando as tripas da noite me arrematam<br />
e sou um peso morto das palavras<br />
30 colunas tortas me chibatam</p>



<p class="wp-block-paragraph">e se as tripas da noite me embriagam<br />
30 vozes me ardem o sossego<br />
pelas 30 colunas que me vagam</p>



<p class="wp-block-paragraph">quando as tripas da noite me arrebentam<br />
e 30 corvos me roem a carcaça<br />
são as tripas da noite que me inventam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Romério Rômulo</em></strong><em> é professor de economia política da Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP, MG.</em><em> Poeta e editor, publicou vários livros de poesia, entre eles &#8220;bené para flauta &amp; murilo&#8221; (1990), a caixa &#8220;tempo quando&#8221; (4 livros em 2 volumes, 1996), &#8220;matéria&nbsp;bruta&#8221; (2006),&#8221;per augusto &amp; machina&#8221;, 2009, &#8220;i&nbsp;ah, si yo fuera maradona!&#8221; (bilíngue português/espanhol, 2015).Escreve semanalmente uma coluna de poesias no <a href="http://jornalggn.com.br/"><strong>Jornal GGN</strong></a>, editado pelos jornalistas Lourdes e Luis Nassif. É um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar, com sede no Rio de Janeiro.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Drops da Sétima Arte</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dropssetimaarte-11/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2016 14:00:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[112ª Leva - 06/2016]]></category>
		<category><![CDATA[A Academia das Musas]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Drops da Sétima Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Preger]]></category>
		<category><![CDATA[José Luis Guerin]]></category>
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					<description><![CDATA[O olhar de Guilherme Preger para o filme espanhol “A Academia das Musas”

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Guilherme Preger</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Academia das Musas. Espanha. 2015. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/MUSAS_cartaz-m.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="338" height="450" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/MUSAS_cartaz-m.jpg" alt="MUSAS_cartaz " class="wp-image-12403" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/MUSAS_cartaz-m.jpg 338w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/MUSAS_cartaz-m-225x300.jpg 225w" sizes="auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Academia das Musas é a última obra do cineasta espanhol-catalão José Luis Guerin, a primeira que chega a nosso circuito comercial. Surpreendente que tenha permanecido várias semanas em cartaz, pois se trata de uma obra complexa e rara.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como nos filmes de Eric Rohmer, uma das principais referências de seu diretor, todo o filme é composto por diálogos e conversas, com pouca ou nenhuma ação. Uma parte considerável das cenas se passa numa sala de aula de literatura e filologia da Universidade de Barcelona.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O professor universitário, vivido por Raffaele Pinto, ministra a uma turma majoritariamente composta por mulheres, um curso sobre o papel da musa na literatura, a partir da leitura da Divina Comédia de Dante Alighieri. Beatriz, amada do poeta italiano, representa uma virada no conceito de musa, antes dedicado a seres mitológicos ou a deusas inspiradoras. Beatriz seria a primeira musa como mulher histórica e reedita o papel mitológico de Eurídice, guiando o poeta florentino pelo inferno ou pelo reino dos mortos. A poesia seria assim um “diálogo com os mortos”, e as musas são mediadoras desse diálogo. A partir daí o professor provoca suas alunas para que pensem sobre o significado das musas na vida contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">À primeira vista, o filme é todo rodado de forma documental, com câmeras digitais amadoras, perspectivas oscilantes e oblíquas e som direto. O professor é realmente um homem erudito, seu tom é didático como de qualquer bom mestre, e seus alunos estão de fato interessados no assunto, com perguntas extremamente pertinentes. As indagações dos alunos, sobretudo das alunas, questionam o saber do professor e politizam o assunto. Seriam as musas apenas o fruto do imaginário patriarcal? Ser musa é um papel atribuído às mulheres pelo desejo fálico de dominação masculina? Ou seriam as musas ativas, capazes de produzir o desejo e o amor? Discute-se uma passagem da Divina Comédia, com o casal Francesca e Paolo, condenados ao inferno como adúlteros. Paolo apenas lamenta, mas Francesca reafirma a força transbordante de sua paixão. O desejo é aquilo que nos tira de um lugar definido na vida social, uma força transformadora. Mas haveria desejo, amor ou paixão sem relações de poder, indagam as alunas?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até então o espectador no cinema assiste a uma aula de literatura numa universidade europeia. Mas logo surgem diálogos entre o professor e suas alunas em seu carro, com a cena captada do lado de fora com a janela fechada e através do vidro translúcido. Ou conversas entre as alunas no pátio ou em lanchonetes. Ou do professor com sua mulher em alguma sala, talvez de sua própria casa, com o testemunho visual acompanhando a partir do lado de fora da janela, discutindo ambos sobre questões pedagógicas, a mulher sempre questionando as certezas estéticas de seu marido. O ponto de vista oblíquo da câmera passa uma ideia de focalização indireta, discreta e voyeurística, como se espionássemos essas conversas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Cena-de-A-Academia-das-Musas-Foto-divulgação-m.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="281" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Cena-de-A-Academia-das-Musas-Foto-divulgação-m.jpg" alt="Cena de A Academia das Musas" class="wp-image-12404" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Cena-de-A-Academia-das-Musas-Foto-divulgação-m.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Cena-de-A-Academia-das-Musas-Foto-divulgação-m-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Cena de A Academia das Musas / Foto: divulgação</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas dúvidas surgem em relação aos pontos de vista pretensamente documentais. As câmeras não são de fato espiãs. Em outras tomadas parte-se para o tradicional campo e contracampo. Os personagens sabem que estão sendo filmados e a discrição é, então, desnecessária. Ou não se quer perturbar o fluxo das ideias com a presença intrusiva da lente?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo pode ser válido ou verídico.&nbsp; O professor parte com uma de suas alunas para uma viagem para a Sicília. Ela talvez seja sua amante, mas não sabemos. Sozinha, a aluna entrevista um camponês que lhe relembra canções sicilianas antigas. Ambos não parecem se importar com a presença da câmera que, no entanto, está lá, registrando a conversa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais tarde, o mesmo professor está numa outra viagem com mais uma aluna diferente e conversa com ela num quarto de hotel. Ela acaba de sair do banho e seminua se seca com a toalha. Aqui a câmera, amadora, não seria mais tolerada em sua indiscrição testemunhando a infidelidade do professor. Estaremos no terreno do documentário ou da ficção?</p>



<p class="wp-block-paragraph">E sabemos afinal que esse mesmo personagem protagonista é realmente um renomado professor de literatura, especializado na obra de Dante. A viagem com a aluna e seus casos de infidelidade com suas discípulas darão origem a um conflito matrimonial também acompanhado pelas lentes do cineasta. As alunas aparecem como suas musas. Mas aí se borram as fronteiras entre conteúdo e forma. O professor não discute a problemática das musas com suas alunas a partir de um prisma literário. Professor e alunas entram num jogo de sedução entre amante literário e suas musas inspiradoras. A forma literária penetra a forma cinematográfica. Mas o jogo de sedução tem a contraparte na discussão do conflito matrimonial, na relação entre jogo e o não jogo realista.&nbsp; O que era um documentário sobre um seminário de literatura converte-se na ficção de um jogo e na discussão ética realista cujo enredo é uma crise conjugal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ensinar é seduzir, diz o professor a sua mulher. Trata-se de uma conversa bastante íntima. O espectador é também seduzido por essa intimidade da câmera e entra no jogo ficcional com certo espanto e hesitação. Os pontos de vista oblíquos da câmera também oscilam na discrição ou na intrusão de sua presença. Em outra ocasião, o mesmo personagem diz que seu trabalho é semear dúvidas. Nesse filme de José Luis Guerin estão borradas as fronteiras entre documento e ficção, entre ensino e sedução, entre papéis passivos e ativos, e entre o jogo da fantasia e a ética do compromisso. A atenção do espectador vagueia duvidosa entre esses espaços de indeterminação e de perspectiva, trazendo ao espaço da projeção um campo de intimidade para seu próprio devaneio. Intimidade que significa o deslizar de fronteiras entre a fantasia e a realidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/NUsI_74b5bY" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Guilherme Preger</em></strong><em>, carioca, é engenheiro e escritor. É autor de Capoeiragem (7Letras/2003) e Extrema Lírica (Ed. Oito e Meio/2014), e um dos organizadores do coletivo literário Clube da Leitura no Rio de Janeiro, tendo participado como autor e editor das três coletâneas lançadas pelo grupo. Atualmente, é doutorando em Teoria Literária da UERJ, onde realiza pesquisa sobre a aproximação entre Literatura e Ciência. Escreve sobre cinema desde 1995, quando recebeu um prêmio de crítica literária do Grupo Estação e do Jornal do Brasil num ensaio sobre o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética IV</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iv-49/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Aug 2016 20:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[112ª Leva - 06/2016]]></category>
		<category><![CDATA[avesso]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Márcio leitão]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Zonadapalavra]]></category>
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					<description><![CDATA[O sopro do cotidiano cruzando os versos de Márcio Leitão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Márcio Leitão</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/OM_023.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="334" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/OM_023.jpg" alt="Patrick Arley" class="wp-image-12394" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/OM_023.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/OM_023-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Patrick Arley</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Avesso</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na luta feita de pó<br />
Todos os dias<br />
Prometo cura<br />
Por sobre meus ombros</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo dia contagio<br />
A liga delicada<br />
Dos sonhos e dos dentes<br />
Mas a tontura do corpo<br />
O sol se franzindo<br />
Devagar<br />
Os ossos roendo<br />
A carne<br />
As carnes<br />
Cavando<br />
Os ossos<br />
E o zumbido<br />
Vívido<br />
De marte<br />
Não silenciam nunca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adoecer<br />
É como rasgar o ventre<br />
No meio<br />
Da vida<br />
Tentando escorrer<br />
Por sobre a falta<br />
Cotidiana<br />
Dos sentidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Coro</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perfilados<br />
Artífices<br />
De notas<br />
Que roem<br />
Cada caule<br />
Nosso<br />
Que cospe<br />
No céu</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embriagados<br />
De perfeição<br />
Cantam<br />
As pétalas<br />
Anoitecidas<br />
Sem nenhum<br />
Gole<br />
De um tempo<br />
Gordo<br />
E moído.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só líquidos<br />
Inundam o ar<br />
E os estômagos<br />
Pás se levantam<br />
E cobrem<br />
Os cortes<br />
Sem capuz<br />
Que só lambem<br />
O Canto do mármore<br />
E das costelas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Se duas toalhas…</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se duas toalhas<br />
se entrelaçam<br />
Molhadas com o prazer<br />
das sombras que enxugaram<br />
Nelas há algo de carne e espuma<br />
De resto e de rosto.<br />
Nelas convergem-se olhares<br />
Perdidos de seus olhos,<br />
Caídos de seus ventres.<br />
As toalhas completam o balé<br />
Das formas<br />
Assim como um talho humano<br />
Completa as almas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Como?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como prever a medida das distâncias<br />
sem que ande por algum caminho?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como perceber as luzes que brilham pouco<br />
se a nova lua que não se faz redonda,<br />
se faz presente no mistério?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como chorar procurando um desabafo de cores<br />
se todos os choros são vestígios<br />
que reconstroem o triste arco-íris?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como encontrar a direção<br />
se todas as direções são ilusões,<br />
miragens de caminhos solitários?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como perder as amarras<br />
se todos os passos tocam o chão<br />
e sentem o perfume das correntes?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como envolver os pássaros<br />
que ainda pousam<br />
se pensam eles ser livres?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como contar os degraus<br />
se os desníveis estão nos olhares?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como desperdiçar os segundos<br />
se cada segundo que contas<br />
perdes, apenas, seu tempo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como responder essas perguntas<br />
se perguntam para dizer<br />
e não para perguntar?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Silêncio na Boca</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Palavra torta<br />
embaixo da língua<br />
contorce o dorso do céu<br />
palato perdido e surdo<br />
pedido de arranhão velar<br />
pedido de toque ligeiro<br />
de língua sem sapatilhas<br />
dançando no véu inquieto, no céu duro<br />
e no macio dos alvéolos<br />
fazendo chão<br />
o som da minha carne.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Márcio Leitão</strong> é professor de Linguística, pesquisador em Psicolinguística (UFPB); tenta entender os processos mentais relacionados à linguagem. Poeta e escritor de livros infantis, escreve pra poder imaginar como é ter liberdade, respirar sem amarras. Escreve também pra se divertir com as palavras e com o que pode construir com elas. É editor da <strong><a href="http://zonadapalavra.wordpress.com">zonadapalavra</a></strong>, onde também publica, geralmente, aos sábados.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aperitivo da Palavra II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/aperitivopalavraii-10/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Aug 2016 20:12:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[112ª Leva - 06/2016]]></category>
		<category><![CDATA[A Eternidade da Maçã]]></category>
		<category><![CDATA[Aperitivo da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[Fabrício Brandão]]></category>
		<category><![CDATA[Marcus Vinícius Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
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					<description><![CDATA[O novo livro de contos de Marcus Vinícius Rodrigues por Fabrício Brandão

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uma indelével e tortuosa via chamada memória</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Fabrício Brandão</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Capa-de-A-Eternidade-da-Maçã-int.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="299" height="450" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Capa-de-A-Eternidade-da-Maçã-int.jpg" alt="Capa de A Eternidade da Maçã " class="wp-image-12430" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Capa-de-A-Eternidade-da-Maçã-int.jpg 299w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Capa-de-A-Eternidade-da-Maçã-int-199x300.jpg 199w" sizes="auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem coisas que deixam nossa mente impregnada de perspectivas. Quando elas nos sugerem imagens e sensações as mais variadas possíveis, é porque algo efetivamente aconteceu dentro de nós a ponto de estimular vontades criativas. Estas tais coisas vão maquinando outras tantas e logo nos percebemos diante de um produto materializado sob a forma de um livro, espaço de projeções, arremates e de livres invenções, sejam elas labirínticas ou não.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo quando não desejamos, somos acometidos pelo mundo que se anuncia em torno de nós. A partir daí, decidimos se avançamos ou recuamos, mas deixar de perceber as externalidades é graça um tanto improvável de nos ser concedida. Talvez por isso tamanhos conflitos se operem no pulsar desritmado da dimensão mais íntima que guardamos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A razão para as linhas iniciais deste texto serem assim construídas está diretamente ligada à experiência de leitura proporcionada por “A Eternidade da Maçã” (Ed. 7 Letras), livro de contos do escritor baiano Marcus Vinícius Rodrigues. Nele, irrompe bem vivo um paralelismo de sensações narrativas que demarcam uma válida opção por relacionar aquilo que está fora e dentro dos domínios humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendo como fagulhas marcantes de inspiração canções de Caetano Veloso, “A Eternidade da Maçã” apresenta todo um território de ficções contidas num dos períodos mais assombrosos da história do Brasil – a ditadura militar. E possuir como contexto o forte cenário de tensão sugerido pela repressão ditatorial acaba sendo uma espécie de armadilha quando um autor não sabe se livrar dos apelos fáceis do tema. Para a recompensadora constatação do leitor mais atento, Marcus Vinícius foge desses ardis criativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fato é que estamos diante de sete contos marcados por uma menção temporal explícita a histórias compreendidas entre os idos dos anos 60 e 70 do século passado. Ainda assim, isso é apenas um recorte do tempo para situar quem se debruça sobre suas linhas. O destaque maior está em perceber que se trata de narrativas que seguem uma cronologia interna, desvinculada, portanto, de uma sequência ordenada de acontecimentos. Nesse contexto, importa ressaltar o viés notadamente psicológico dos personagens, cujas existências são alvejadas pela ambiência plúmbea dos anos em curso. O tempo psicológico é como um grande personagem central que abraça todos os demais personagens, fazendo-os desfilar suas dores, anseios, hesitações, contradições e desejos contidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marcus Vinícius é hábil em posicionar num mesmo front da consciência de seus personagens tanto as dores de um coletivo (e aqui ressaltemos a mão obscura do regime militar por sobre toda uma sociedade) quanto aquelas individualizadas. Nesse contraponto entre o externo e o interno, as narrativas ganham uma conformação especial na medida em que intercalam cenários difusos de vida. O autor manipula a dinâmica entre passado e presente, utilizando acertadamente recursos de&nbsp;<em>flashback&nbsp;</em>como uma estratégica ferramenta de posicionamento de seus personagens diante da percepção da realidade na qual estão densamente mergulhados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>She has given her soul to the Devil/but the Devil gave his soul to God</em>, canta Caetano numa de suas mais vigorosas composições do período em que amargou seu exílio em paragens londrinas. Esse trecho da música Maria Bethânia, utilizado por Marcus Vinícius como epígrafe de “A Alma do Diabo”, conto que abre o livro, por si só é emblemático e sugere um caminho através do qual o contista segue a seu modo, tornando-nos intrigados observadores. Diante disso, cabe uma pergunta: quais os humanos resultados do encontro, num hospital, entre um doente major e sua enfermeira cujo irmão foi torturado por aquele mesmo militar?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em “Barco vazio”, as noções de integridade física e moral são postas em xeque ante a extrema necessidade de sobrevivência a qual está submetido seu protagonista. A escolha narrativa aponta que num estado de exceção lógicas tradicionais se invertem a tal ponto que também é permitido ao oprimido utilizar-se dos mesmos expedientes do seu algoz. De modo intermitente, na cabeça do personagem central ecoa a frase: “Às vezes é preciso fazer alguma coisa errada para fazer o que é certo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É interessante perceber como o contista foge de lugares comuns, subvertendo expectativas óbvias em alguns de seus personagens. É, por exemplo, o que ocorre em “A flor e a estrela”, trama que tem por curioso arremate a ingênua visão de mundo do seu protagonista, até então alheio a tudo o que representava viver num país subtraído em liberdade. O jovem enamorado que atravessa a cidade sitiada para levar uma rosa a sua amada é a demonstração de como uma suposta alienação política deu margem a algum tempo de delicadeza e poesia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais à frente, no conto &#8220;Longe daqui&#8221;, subsiste um espaço para o desejo, que em meio a toda sombra circular da traição, encontra algum mínimo abrigo diante da ausência de liberdade plena. O beijo entre amigos do mesmo sexo, parceiros de experiência de vida desde a infância, carrega em si toda uma simbologia, algo que transcende qualquer noção de sexualidade e que se norteia pela consciência de que o corpo é também um receptáculo de gratidão e lealdade.&nbsp; Estamos diante de uma amizade posta à prova por vias nada usuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aos poucos, vamos percebendo que os personagens são pessoas normais que, mesmo diante dum amplo cenário de repressão, cultivam uma espécie de felicidade clandestina. Esta fugidia, é claro, mas o suficiente para recriar cenários da memória, através dos quais passam vívidos flashes de saudade ou de alguma distante tentativa de reparação. Quando encarcerados ou torturados, os protagonistas das histórias recorrem a lembranças que tanto significam uma válvula de escape para a dor presente como também uma tentativa de vislumbrarem o que seria deles se tudo fosse diferente, ou seja, se suas escolhas fossem outras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vencedora do Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia 2016, “A Eternidade da Maçã” é uma obra que prima pela riqueza de suas narrativas. Seu criador lança mão de bem elaborados recursos descritivos, tecendo um painel que agrega o físico e o imaterial. Assim, não entrega respostas prontas ao leitor. É como se as histórias ficassem em suspensão, sem um arremate derradeiro e prontas para continuar sob a dinâmica de outros olhares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Terminada a leitura do livro, fica a sensação de que Marcus Vinícius Rodrigues não quer que esqueçamos uma das páginas mais cruéis de nossa história. Na medida em que um autor como ele concretiza isso sem nos impor desgastadas formulações ideológicas, o saldo é por demais positivo. Quiçá a luz ideal posta sobre as coisas seja aquela realmente capaz de proteger a memória, e não usurpá-la repetindo frases perdidas ao vento num desatino sem propósito.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Fabrício Brandão</em></strong><em> edita a Revista Diversos Afins, além de buscar abrigo em livros, discos e filmes. &nbsp;&nbsp;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa III</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-iii-46/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Aug 2016 20:03:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[112ª Leva - 06/2016]]></category>
		<category><![CDATA[A maquiadora]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Isabela Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[O pedido]]></category>
		<category><![CDATA[Se nasce só e se morre só]]></category>
		<category><![CDATA[Tempo de Alice]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=12381</guid>

					<description><![CDATA[Marcos da delicadeza nos textos de Isabela Rodrigues]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Isabela Rodrigues</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/07-um.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="400" height="405" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/07-um.jpg" alt="Patrick Arley" class="wp-image-12383" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/07-um.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/07-um-296x300.jpg 296w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Foto: Patrick Arley</strong></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O pedido</strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Adoro quando ela chega assim de manhã.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma morenice lavada de cara e de corpo. Um cheiro de banho, os cabelos molhados de uma água fria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adoro quando ela chega assim, com roupa de casa, ainda de chinelas. O cabelo meio sem jeito, a cara meio de sono.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Chega, aperta os olhos, às vezes torce a boca como que fazendo movimentos pra lembrar o pedido que me faz todos os dias, igual:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; três pães, por favor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A maquiadora</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A maquiadora, enquanto eu piscava muito no momento em que ela tentava pintar meus olhos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; se você sentir vontade de chorar&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; o tempo todo, amiga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos abraçamos e choramos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Se nasce só e se morre só</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A saída do útero é completamente solitária, embora, por vezes, haja o amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vida segue de forma a te fazer esquecer que, na verdade, é só você.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estamos todos sozinhos nessa massa que se ajeita no vagão do metrô, nos bares em noite quente, no supermercado Mundial às 18h, nos elevadores ou nos velórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A verdade é que a solidão é a sombra contínua que nos segue por toda a vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro, há o cerco da família, e depois é preciso uma porção de amigos, e depois menos amigos, mas bons, e depois vêm os filhos os netos os bisnetos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas é nesse meio de tempo, na gritaria de quem compra ouro na Siqueira Campos, no esbarrar de quem atravessa a Presidente Vargas quando o sinal fecha, ou no Carnaval em Salvador, cedo ou tarde, que chega o momento em que nos damos conta do inevitável: estamos todos sozinhos. Somos um e único a saber das próprias e verdadeiras dores, que vai sentir sozinho que no mundo é só você contra você mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há quem tenha, nessas horas, suas pequenas epifanias. Há quem entre em desespero, há quem se mate, há quem se deprima, há quem se sinta verdadeiramente liberto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fato é que o ser humano nasceu de viver junto, de se aglomerar nos grandes centros, de querer morar um em cima do outro, de ter carro pra mais de um, de fazer filho, de ter gente. Por isso é que essa descoberta assim, tão de repente, pode acabar com um coração.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tempo de Alice</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Alice aos três já mostra espírito aventureiro quando<br />
solta da minha mão para descer as escadas<br />
sozinha.<br />
Alice tem o cabelo amarelo e os olhos pretos de cílios<br />
gigantes parecendo um bicho,<br />
mas em Alice fica lindo.<br />
Alice fala paia, porque não fala r ainda,<br />
mas fala em alemão quando nervosa.<br />
Ela tem um peixe laranja e escolheu dar de presente ao padrinho<br />
um carro ou um interruptor.<br />
Quando apertada, faz xixi de cadeirinha no meio da rua<br />
e depois me pergunta por que é que o menino que dorme na rua está sem chinelos.<br />
Eu e Alice sentadas tomamos picolé no sol.<br />
Alice disse:<br />
&#8211; É tão bom que até dá vontade de sorrir, né, tia Isabela?</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://isadevirgulas.blogspot.com.br"><strong><em>Isabela Rodrigues</em></strong></a><em> é natural de Barra Mansa, interior do Rio, e reside atualmente na capital do estado, onde se formou como advogada pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Seus textos também podem ser encontrados no blog “Com licença, poética!”</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética V</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-v-44/</link>
					<comments>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-v-44/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Aug 2016 14:35:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[112ª Leva - 06/2016]]></category>
		<category><![CDATA[desvios]]></category>
		<category><![CDATA[espantos]]></category>
		<category><![CDATA[frappé]]></category>
		<category><![CDATA[herege]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Líria Porto]]></category>
		<category><![CDATA[maríntimo]]></category>
		<category><![CDATA[monstros]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[suburbano]]></category>
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					<description><![CDATA[A elaboração de síntese nos poemas de Líria Porto

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Líria Porto</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Um-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="334" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Um-1.jpg" alt="Patrick Arley" class="wp-image-12368" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Um-1.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Um-1-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Patrick Arley</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>espantos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">muitas caras<br />
uma da infância outras da juventude<br />
inúmeras caras maduras e agora<br />
a da velhice<br />
todo dia a cara muda<br />
:<br />
e cega<br />
e surda</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>maríntimo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">desde ontem<br />
uma onda rebenta em meu peito<br />
traz à tona o que vem lá de dentro<br />
e me tinge de urgências</p>



<p class="wp-block-paragraph">desde sempre</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>suburbano</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">meio sábio<br />
meio cético<br />
meio cínico<br />
meio sóbrio<br />
:<br />
e cheio<br />
de empáfia</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>herege</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">não caio nas malhas de deus<br />
mais fácil me prenda o demônio<br />
o céu não é lugar para gente<br />
como eu<br />
anjo não é santo<br />
e nem faz milagre</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>frappé</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">nem nas horas tristes<br />
foi infeliz<br />
nem na mais alegre<br />
sentiu felicidade</p>



<p class="wp-block-paragraph">(viver é corriqueiro<br />
um rato a roer queijo<br />
um gato a perseguir passarinho<br />
um cão a rosnar no portão<br />
a levar pedrada de moleque)</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>desvios</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">primeiro enfiou-lhe um prego<br />
depois um fósforo aceso<br />
e ao final um saca-rolhas<br />
(torceu e puxou)</p>



<p class="wp-block-paragraph">seus olhos brilharam<br />
sempre gostou de<br />
ver-me-lho</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>monstros</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">a lagartixa me olha<br />
a lagartixa me fita<br />
eu na cama fico rija<br />
lá no teto ela se move<br />
e faz isso lentamente<br />
como a medir o perigo</p>



<p class="wp-block-paragraph">eu temo que ela despenque<br />
mas não sei o que ela pensa<br />
eu sou tão inofensiva<br />
:<br />
nós assim passamos horas<br />
a temer a morte<br />
a vida</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Líria Porto</strong>, mineira de Araguari, professora, poeta, dois livros editados em Portugal (Borboleta desfolhada e De lua) e dois no Brasil (Asa de passarinho e Garimpo &#8211; finalista do Prêmio Jabuti 2015), autora do blogue tanto mar, participa de vários sites, jornais e revistas na internet, entre eles Escritoras&nbsp;Suicidas, Germina Literatura, Zunái, Blocos Online, Considerações do Poema, Poesia Perfeita, Mallarmargens. Reside em Araxá, interior de Minas Gerais.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Gramofone</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-47/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Aug 2016 13:19:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[112ª Leva - 06/2016]]></category>
		<category><![CDATA[Gramofone]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa Mendes]]></category>
		<category><![CDATA[Wado-Ivete]]></category>
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					<description><![CDATA[Larissa Mendes comenta "Ivete", novo álbum de Wado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Larissa Mendes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>WADO &#8211; IVETE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/capa-ivete.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="350" height="350" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/capa-ivete.jpg" alt="capa ivete" class="wp-image-12362" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/capa-ivete.jpg 350w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/capa-ivete-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/capa-ivete-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Oswaldo Schlikmann Filho – vulgo Wado – leva mesmo a sério sua bússola errante do não se repetir. Depois de transitar recentemente pelo rock <strong><em>(<a href="https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-35">1977</a>)</em></strong>, pela MPB <strong>(<em><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-16/">Vazio Tropical</a></em>)</strong> e até mesmo pelo <em>funk</em> carioca (<em>Samba 808</em>), chegou a vez de dissecar um dos gêneros mais controversos e alvo de preconceito no país: o axé. Lançado em julho, o nono trabalho de Wado – intitulado <em>Ivete</em> – se propõe a “esmiuçar o ritmo e vasculhar os guetos” baianos. Porém, nem tudo são abadás e vogais. O álbum faz <em>link</em> com sua obra <em>Atlântico Negro</em> (2009), o título brinca de maneira simpática com a “musa intocada da empreitada” e tem como referência sonora os primeiros discos de Moraes Moreira e Luiz Caldas, nas origens do gênero, o “axé de raiz”, com letras de cunho político e social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Alabama (sangue nas folhas, sangue da raiz/flutua em pleno ar, em tudo nada diz), </em>primeiro <em>single</em> do álbum é uma parceria com Thiago Silva (<em>Sorriso Maroto</em>) e tem como inspiração <em>Strange Fruit</em>, gravada por Billie Holiday – e por tantas outras divas – e aborda a situação dos negros enforcados em plantações norte-americanas. A força de <em>Alabama</em> contrasta com a doçura quase didática de<em> Terra Antiga/Jesus é Palestino, </em>com a inserção de <em>Ralé, </em>da <em>Timbalada, </em>e figuraria tranquilamente nos projetos de Adriana Partimpim. Já em <em>Um Passo à Frente, </em>talvez a faixa mais alegórica do álbum – releitura da canção de Moreno Veloso –, até se pode imaginar Wado participando do trio elétrico de Ivete Sangalo, arrastando o bloco da cantora no circuito Barra-Ondina. As guitarras à lá <em>Asa de Águia</em> de<em> Sexo (atira teu corpo sobre o meu/mais de cem, mais de mil vezes), </em>também em companhia de Thiago Silva e de <em>Você Não Vem</em> (<em>leva todo o teu desejo/a dor de sempre ser saudade/leva tudo, teu desprezo/as coisas são e parte as partes</em>), ao lado de Momo e Marcelo Camelo – e suas levadas de bilhetes amorosos incompletos – garantem os melhores momentos do álbum.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/wado.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="333" height="500" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/wado.jpg" alt="wado" class="wp-image-12363" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/wado.jpg 333w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/wado-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 333px) 100vw, 333px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Wado / Foto: Alzir Lima</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Samba de Amor</em>, como o próprio nome sugere, é mais um típico e agradável sambinha composto com Alvinho Lancellotti e Momo. Os batuques e os orixás de <em>Mistério (não sei se é dor/dói de apartar/sinto de um jeito/não sei contar), </em>parceria com Zeca Baleiro<em>, </em>desembocam na regravação de<em> Filhos de Gandhi, </em>composição de Gilberto Gil, de 1975. As incertezas de<em> Amanheceu, “como um rifle em celibato, como um louco em desacato” </em>traz nos <em>samples</em> alusão ao massacre escolar de Columbine, de 1999, tão bem retratado no cinema por Michael Moore e Gus Van Sant, respectivamente em <em>Tiros em Columbine </em>(2002) e <em>Elephant</em> (2003). <em>Nós (você, norte da existência/você, o amor dos dias) </em>– que bem poderia compor <em>Vazio Tropical </em>–, e seus belíssimos versos quase à capela, também co-autoria de Baleiro, encerram o álbum arrematando todas as declarações de amor suspensas em outros carnavais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais uma vez o mutante radicado em Maceió, Wado, [re]visita um ritmo e imprime sua marca. No caso do polêmico axé, jamais ele soou jocoso. Ao contrário, resgatou a essência do ritmo e sua verve percussiva. Produzido (ou feito, como prefere dizer) pelo próprio artista e lançado de forma independente, <em>Ivete</em> está disponível para <em>download </em>em seu<a href="http://wado.com.br/"> <strong><em>site</em></strong></a> e em todas as plataformas de <em>streaming</em>. Aliás, sua obra completa (9 álbuns) encontra-se acessível para <em>download</em>. Para meados de setembro, o músico planeja a gravação de seu primeiro DVD, em comemoração aos 15 anos de carreira. A micareta poética de Wado está pronta para tirar o pé do chão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/UrkVThuR08s" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Em terra de Ivete, <strong>Larissa Mendes</strong> faz uma colheita [in]feliz.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética I</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-47/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Aug 2016 12:48:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[112ª Leva - 06/2016]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Aposta à deriva]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Maria da Conceição Paranhos]]></category>
		<category><![CDATA[O novo torso de apolo]]></category>
		<category><![CDATA[Orfeu quântico]]></category>
		<category><![CDATA[Quinta-feira]]></category>
		<category><![CDATA[Soneto da premonição]]></category>
		<category><![CDATA[Soneto de coita de amor]]></category>
		<category><![CDATA[versos]]></category>
		<category><![CDATA[visita]]></category>
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					<description><![CDATA[A grandiloquência lírica dos versos de Maria da Conceição Paranhos

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Maria da Conceição Paranhos</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Patrick-A-Int.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="334" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Patrick-A-Int.jpg" alt="Patrick Arley" class="wp-image-12352" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Patrick-A-Int.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/08/Patrick-A-Int-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Patrick Arley</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SONETO DE COITA DE AMOR</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">(Ditado por um cavaleiro à sua amada distraída em despetalar uma rosa)</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A rosa, palpitando em meus dentes, ornasse<br />
a cortina mais densa de brasa em meus beijos!<br />
Mas, escrínio e mudez, tu te envolves em seda,<br />
enquanto, com a cravelha, procuro o cadeado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagino em minha boca o sabor mais desperto,<br />
engrossando minha febre, num alcance de enlevo<br />
– melhor é deslembrar esse enlace gozoso,<br />
e bebê-lo no dia, a pascer horizontes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Te imagino no leito, sonho ou devaneio,<br />
eu, besta grave e lenta, libando teu peito,<br />
para te oferecer cascatas de deleite.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas que importa! Rasguei, em incalculáveis horas,<br />
com o desejo em fervor de adentrar a tua cona,<br />
a concha de tua mão, roçando a língua morna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O NOVO TORSO DE APOLO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu só vi tua cabeça e a percebi inteira.<br />
Quando as pupilas amadureciam, eu vi<br />
teu torso a brilhar mais do que uma tocha acesa,<br />
na qual o teu olhar, de si mesmo saído</p>



<p class="wp-block-paragraph">detém-se e reverbera. Ou então não poderia<br />
teu mamilo cegar-me, e nem a doce curva<br />
dos rins teria mãos de abrir o meu sorriso<br />
até este teu centro, donde o sexo uiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversa vejo a carne densa e inaugurada<br />
sob a curva de seda – nos ombros, a imagem.<br />
Meu ser não fremiria, na pele selvagem,</p>



<p class="wp-block-paragraph">e nem te deixarias além de suas raias<br />
qual astro que se mira – nele não há quina<br />
que não me toque, lenta, e diga: dá-me a vida!</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SONETO DA PREMONIÇÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ciência de saber que a vida segue<br />
não diminui a dor de te perder.<br />
Foste tu que bateste à minha porta,<br />
abri-a par a par, e sem temer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entraste deslumbrado, eu, generosa &#8211;<br />
vivera mais que tu, sempre a me ter,<br />
doesse a corda louca e uivasse a rosa,<br />
eu me esmerava em ser como mais ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sei que um dia essa febre vai passar,<br />
e vou lavar meu corpo com cuidado,<br />
apagando o roteiro do desejo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Espera e agora escuta: há um alarme no ar.<br />
Em nossa porta, foi estilhaçado<br />
o cadeado azul de nosso beijo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>APOSTA À DERIVA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perdi. Perdi o jogo. Esvai-se a vida,<br />
em si, presa paixão de intenso gesto.<br />
Jamais pensara ser, cada partida,<br />
aposta já perdida, sem ciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não pressentira, então, o desabrigo<br />
de cada dia, luto tão absorto,<br />
rude bocejo a esfumaçar o rito<br />
de prosseguir, sem pátria no alvoroço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estanca a desistência da miragem –<br />
que se faz e refaz, futura imagem<br />
do desarrimo, embora tão presente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tarja de luz, suspensa a esmo, aclara<br />
espectro de aura torva, que deambula<br />
ao susto vesgo de carta marcada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ORFEU QUÂNTICO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fragmentos de corpo destroçado<br />
espalham-se pelo tempo.<br />
a história infinita,<br />
ali inscrita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O difícil é escrever essa história,<br />
com o corpo bípede profanador<br />
em sua vaidade assassina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>QUINTA-FEIRA</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Corpo meu tão gentil, minha alma ardia,<br />
viajando em teu mastro – n’ alma o vejo,<br />
e mantenho minha flama: é meu desejo,<br />
conservar a tua luz lume em meus dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mirar o teu sono, se esbraseiam,<br />
o meu corpo e a minh’ alma, e é tão sobeja<br />
a impaciência a singrar por teu beijo<br />
em naves de paixão – que se encandeia,</p>



<p class="wp-block-paragraph">presa, minha vida – em uma só cadeia!<br />
Ditosa aquela sina, que se atreve<br />
a apagar ardentias e tormentos</p>



<p class="wp-block-paragraph">em momentos que a tinta não transcreve!<br />
Possuem-me, Senhor, teus elementos,<br />
enquanto gelo em fogo e fuljo em neve.</p>



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***</p>



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<strong>VISITA</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Apenas isto: andar, buscando a vida.<br />
Sem carregar consigo nenhum tempo.<br />
No céu, é tarde. A voz não pressentida<br />
emite um grito vão, irmão do vento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Andar assim, o corpo numa lágrima,<br />
indagando um destino de demência,<br />
a contemplar estrelas: só, em pânico,<br />
e este silêncio frio, e esse silêncio&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viste a louca mudez da estátua fria?<br />
Já o dia se cumpria, e o abismo abria-se,<br />
nos meus olhos vendados e vazios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez a ida seja breve e pura<br />
ao suspiro letal em hora túrbida,<br />
mas visito a paisagem cada dia.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Maria da Conceição Paranhos </em></strong><em>nasceu em Salvador e escreve desde os 4 anos de idade. Formou-se em Letras pela Universidade Federal da Bahia, onde também fez mestrado. Concluiu seu doutorado na Universidade da Califórnia, Berkeley, em Literatura Comparada, e seu Pós-doc. Na Universidade de Viena, em Estudos de tradução. Tem vários livros publicados, entre os quais “Dr. Augusto chegou” (contos, relatos e sonhos), “Chão circular”, “Os eternos tormentos, “As esporas do tempo”, “Minha terra e outros poemas”, “Delírio do ver” (poesia). Recentemente, lançou “Poemas da Rosa” (Ed. Mondrongo).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>
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