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	<title>150ª Leva &#8211; 05/2022 &#8211; Diversos Afins</title>
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	<description>entre caminhos e palavras</description>
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	<title>150ª Leva &#8211; 05/2022 &#8211; Diversos Afins</title>
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		<title>Ciceroneando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Dec 2022 13:26:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[150ª Leva - 05/2022]]></category>
		<category><![CDATA[150ª Leva]]></category>
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		<category><![CDATA[editorial]]></category>
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					<description><![CDATA[Editorial da 150ª Leva]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-7.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="400" height="500" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-7.jpg" alt="" class="wp-image-19981" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-7.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-7-240x300.jpg 240w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Yuri Bittar</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais um ano se finda. Com suas tantas epifanias, 2022 inaugurou ciclos e fechou outros tantos. É da dinâmica da vida tais fluxos de vivências e, no caso da Diversos Afins, os cenários foram mobilizados pela descoberta de novos autores e artistas com suas vozes peculiares de expressão. E não há um mundo fechado em si quando o propósito é pensar um projeto editorial desta monta. Mesmo com edições mais espaçadas, o ano foi marcado pela persistência, que faz com que nossa jornada pelo encantador universo das palavras e imagens se mantenha firme. Conduzir uma revista significa, acima de tudo, deixar se guiar pelas surpresas movidas através dos mais diferentes encontros. Assim, poetas, contistas, músicos, artistas plásticos, fotógrafos e outros tantos colaboradores renovam os ares de nossas investidas. Estar no caminho da Arte é a todo tempo aprender com tamanhas e tantas mentes cujo ímpeto criativo é verdadeira chama da vida. É quase impossível enumerar a quantidade de pessoas que estiveram conosco nos 16 anos de trajetória da revista, principalmente os entusiastas permanentes de nossas ações, sejam eles autores ou não. O mais importante é que tudo até aqui valeu muito a pena, cada esforço ou dificuldade enfrentados. E não há nem nunca houve tempo para pensar em retrocessos ou desânimos, pois os caminhos acabam sendo curiosamente autorrenováveis, dada a quantidade de possibilidades, temas e pessoas que somam sempre aos nossos movimentos. Ao falar nesse dinamismo, é que vemos surgir uma nova leva, como novos atores e suas potências narrativas. Senão, vejamos quem adentra agora as nossas janelas poéticas: as presenças instigantes de <strong>Marília Rossi</strong>, <strong>Rita Isadora Pessoa</strong>, <strong>Rani Ghazzaoui</strong>, <strong>Julia Bac </strong>e <strong>Paulo Silva</strong>. No campo musical, <strong>Larissa Mendes </strong>é quem nos apresenta “Um Belo Dia Nesse Inferno”, mais novo disco de <strong>Juvenil Silva</strong>. O livro de poemas “Ruído nos Dentes”, de <strong>Vivian Pizzinga</strong>, é tema da resenha de <strong>Helena Terra</strong>. Por nossas alamedas, também adentram os contos de <strong>Adriano Espíndola Santos </strong>e <strong>Rodolfo Guimarães Neves</strong>. Nosso entrevistado da vez é o fotógrafo <strong>Edgard Oliva</strong> que, numa conversa conduzida por <strong>Marcelo Frazão</strong>, opinou sobre questões importantes do universo da imagem. De forma sempre aprofundada, <strong>Guilherme Preger </strong>comenta sobre o filme espanhol “Alcarràs”. Nosso caderno de teatro volta à cena com um texto de <strong>Vivian Pizzinga </strong>sobre o espetáculo “Realpolitik”, peça que tematiza nossa emblemática atualidade. Na análise de <strong>Gustavo Rios</strong>, atenções para “Emoções em Trânsito”, o mais novo livro do poeta <strong>Ricardo Mainieri</strong>. Por todos os recantos de nossa nova edição, as fotografias de <strong>Yuri Bittar </strong>revelam as marcas especiais da contemplação. Nas vias da Arte, eis a nossa 150ª Leva, queridos leitores!</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Os Leveiros</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aperitivo da Palavra I</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/aperitivodapalavrai-4/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Dec 2022 13:25:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[150ª Leva - 05/2022]]></category>
		<category><![CDATA[Aperitivo da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Helena Terra]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[ruído nos dentes]]></category>
		<category><![CDATA[Vivian Pizzinga]]></category>
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					<description><![CDATA[Os olhos de Helena Terra para o novo livro de Vivian Pizzinga]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Outros campos de visão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Helena Terra</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/CAPA-JPG.jpg"><img decoding="async" width="278" height="450" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/CAPA-JPG.jpg" alt="" class="wp-image-19953" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/CAPA-JPG.jpg 278w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/CAPA-JPG-185x300.jpg 185w" sizes="(max-width: 278px) 100vw, 278px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong> </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Ruído nos dentes</em>. Embora, no título, a provocação seja à minha arcada dentária e ao meu maxilar que, volta e meia, expressam minha pulsão de vida e, volta e meia, meus picos de raiva e desconforto, quem, de verdade, se exalta diante dos versos e da prosa deste livro, estranhíssimo no melhor sentido, da Vivian Pizzinga, são os meus olhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o que leem os meus olhos que embaralham os meus pensamentos como se eu estivesse sem óculos ou dentro da dissonância de um sonho permeado pelos poemas e histórias que leio e que, então, recrio e reescrevo enquanto durmo? Sim. Reescrevo o que me absorve, quase sempre com as mesmas palavras que suas autoras e autores, nas horas que eram para ser de repouso. Horas destinadas a regeneração do meu corpo que acabo por usar em favor da minha imaginação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imaginação. Eis algo que se multiplica e transborda em grande escala e ressonância no <em>Ruído nos dentes</em>. Imaginação construída em cima da linguagem, dos versos em ruptura com sua própria natureza e em conluio com a prosa, híbridos e livres além do conceito de versos livres. Insubordinados. Desobedientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E imaginação construída também em cima da vida no que ela tem de trivial, com suas repetições quase necessárias, no ato de se tomar um café e de pegar o metrô e de tirar a remela dos olhos porque a rotina tem encanto. “A rotina tem seu encanto”. Adoro essa frase. É o título de um filme do Ozu. E falo sobre um filme aqui porque o <em>Ruído nos dentes</em> é muito visual e entrou em cartaz no meu cérebro faz semanas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Faz semanas que escuto e vejo os seus poemas. Todos em movimento. Em várias sessões. Os meus favoritos são aqueles à beira da crueldade, um tanto malignos, que se movem rasteiros pelo lado mais de dentro de tudo que há de mais inquietante no meu lado de dentro. E que aí me machucam enquanto transformam as minhas percepções em memórias e em elaboração e resistência estéticas. O <em>Ruído nos dentes</em> é um livro sobre resistir. Resistir de verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A verdade raramente é compreendida por pessoas sem imaginação”, uma personagem de um outro filme, <em>Os inocentes</em>, dirigido pelo Jack Clayton, diz. Livros também raramente são compreendidos por pessoas sem imaginação, eu digo cá com o meu teclado testemunha das tempestades que atingem os meus neurônios. O livro da Vivian Pizzinga é uma. O <em>Ruído nos dentes</em> é uma rota elétrica, de energia. Quanto mais a gente o lê, mais forte ele se torna e indecifrável e inalcançável como devem ser as obras de arte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Helena Terra</em></strong><em> é de Porto Alegre. É jornalista, criadora e coordenadora do Grupo de leitura e escrita A palavra tem nome de mulher, dentro do presídio feminino Madre Pelletier, com as mulheres privadas de liberdade. Faz leitura crítica de originais e mentoria de escrita com escritores iniciantes. Cursou a Oficina de Criação Literária, do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil, na PUC/RS, e frequentou os grupos de produção e de leitura crítica da professora Lea Masina. Em 2013, publicou o seu primeiro romance: “A condição indestrutível de ter sido”. De lá para cá, participou de antologias e organizou, com o escritor Luiz Ruffato, a antologia “Uns e outros”. É coautora na novela “Bem que eu gostaria de saber o que é o amor”, publicada em 2020, com o ator e escritor Heitor Schmidt. E lançou o seu segundo romance “Bonequinha de Lixo”, em 2021.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética III</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iii-82/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Dec 2022 13:18:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[150ª Leva - 05/2022]]></category>
		<category><![CDATA[Aorta]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Rani Ghazzaoui]]></category>
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					<description><![CDATA[A temática amorosa explicitada nos poemas de Rani Ghazaoui ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Rani Ghazzaoui</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/inerna.jpg"><img decoding="async" width="348" height="500" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/inerna.jpg" alt="" class="wp-image-19947" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/inerna.jpg 348w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/inerna-209x300.jpg 209w" sizes="(max-width: 348px) 100vw, 348px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Ilustração: Drika Prates</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aorta</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">entendo pouco de anatomia<br />
sei da distância dos meus dedos<br />
da densidade dos meus pelos<br />
de quando em quando vêm os meus respiros<br />
em todos os meus apelos<br />
observo meus músculos<br />
ora robustos, ora murchos<br />
o músculo rubro<br />
que bombeia até todas as minhas veias<br />
cada uma das minhas linhas<br />
absolutamente todas<br />
as minhas histórias<br />
não entendo de biologia<br />
mas sei o gosto das minhas lágrimas<br />
a espessura da minha saliva<br />
(ainda mais quando misturada noutra)<br />
sei da minha matéria<br />
sei conversar o amor<br />
por culpa dessa artéria<br />
que me inunda<br />
que me transborda<br />
não me interessam as outras partes<br />
(preciso delas, mas não me são essenciais)<br />
o que me importa é uma saudável aorta<br />
robusta, potente, pulsante<br />
esse túnel que leva a tudo<br />
essa latejante porta<br />
que me deixa sobreviver<br />
que me previne de escrever<br />
morta</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Pêndulo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">se eu vier balançando<br />
me fazendo de pluma<br />
ou de pêndulo<br />
por cima da crosta<br />
deslizando<br />
um tiro no escuro<br />
gemendo<br />
te peço que não me segure<br />
que não abafe em mim<br />
qualquer sentimento<br />
não cerre meus punhos<br />
nem imobilize meus membros<br />
preciso de espaço<br />
para ouvir a vida dizendo<br />
deitar num abraço<br />
(ainda que eu gostasse)<br />
não funciona para quem vive<br />
tremendo</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Só Sei Saber De Mim&nbsp;</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">não sou uma especialista<br />
em coisa alguma<br />
que não seja<br />
relacionada aos meus próprios sentimentos<br />
não sei construir prédios<br />
as plantas da minha casa sempre morrem<br />
coleciono desamores ao redor do mundo<br />
os amigos que sobraram cabem nos dedos<br />
não sou uma sommelier<br />
de qualquer gosto<br />
que seja assim<br />
tão refinado<br />
me finco nas certezas do meu ofício<br />
de conhecedora das travessas de mim mesma<br />
sei de cor a cor de todos os abismos<br />
que moram dentro do meu peito<br />
não tenho ambições além dos muros<br />
pra fora da minha mente desvairada<br />
jamais quis saber de outros edifícios<br />
menos ainda de qualquer outra fachada<br />
há muitos que usam a vida<br />
pra juntar conhecimento<br />
e saber de um tudo o que há<br />
além das fronteiras do sujeito<br />
eu que não sou mestre em nada<br />
sento na frente do espelho<br />
e num plano de vida traçada<br />
vou decifrando a minha esfinge<br />
do meu jeito</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amor E Literatura</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Derrama em mim teus medos<br />
Conta pra mim teus segredos<br />
Ensopa-me com tuas lembranças<br />
Penetra-me as tuas esperanças<br />
Aloja em meu ventre teus sonhos<br />
Permite-me gerar teus inconhos<br />
Afaga aos meus problemas<br />
Me deixa te escrever em poemas</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desastrosa Queda</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">se estamos nos matando<br />
acontece a quatro mãos<br />
em velocidade cronometrada<br />
com capacidade mútua<br />
de execução</p>



<p class="wp-block-paragraph">sua boca presa à minha<br />
não há registros de ar algum entrando<br />
veias não bombeiam<br />
nem oxigênio<br />
nem sangue</p>



<p class="wp-block-paragraph">se estamos no buraco<br />
caímos aqui de empurrão duplo<br />
tua mão na minha nuca<br />
o meu pé na tua bunda<br />
um tombo assim cinematográfico</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Absorta, Semimorta</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">olho<br />
para baixo<br />
vejo meus pés<br />
ensanguentados<br />
já não sei<br />
de quem é esse sangue<br />
se vem de dentro de mim<br />
ou se saiu de vasos seus</p>



<p class="wp-block-paragraph">o azulejo branco parece pulsar<br />
estamos à deriva<br />
vivendo nesse mar de amar<br />
desço minha mão com delicadeza<br />
coloco o dedo no coágulo<br />
e, antes mesmo de pensar,<br />
levo meu dedo à boca</p>



<p class="wp-block-paragraph">sugo<br />
chupo<br />
devoro</p>



<p class="wp-block-paragraph">esse sangue que não sei se é meu<br />
esse sangue que eu sei que é nosso</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Nascida em São Paulo e naturalizada australiana, <strong>Rani Ghazzaoui</strong> é escritora, comunicadora, atriz e poeta. Começou a escrever muito jovem — “desde que conseguiu segurar corretamente a caneta” — como ela mesma diz. “Aorta” (Lyra das Artes), seu livro de estreia publicado em março de 2022, é uma antologia de poemas escritos num espaço de quatorze anos, entre 2007 e 2021.</em><em>”Aorta” está à venda nas maiores livrarias do Brasil, em todos os e-commerces de livros e no formato Kindle através </em><a href="http://linktree.com/ranighazzaoui"><em><strong>deste link</strong></em></a><em>.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Drops da Sétima Arte</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dropsdasetimaarte-9/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Dec 2022 13:03:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[150ª Leva - 05/2022]]></category>
		<category><![CDATA[Alcarràs]]></category>
		<category><![CDATA[Catalunha]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cinema espanhol]]></category>
		<category><![CDATA[Drops da Sétima Arte]]></category>
		<category><![CDATA[energia solar]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[filme]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Preger]]></category>
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					<description><![CDATA[Guilherme Preger descortina alamedas do filme “Alcarràs”  ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em><em>Por Guilherme Preger</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Alcarràs. Espanha. 2022.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Alcarras-interna.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="304" height="450" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Alcarras-interna.jpg" alt="" class="wp-image-19940" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Alcarras-interna.jpg 304w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Alcarras-interna-203x300.jpg 203w" sizes="auto, (max-width: 304px) 100vw, 304px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Alcarràs</em> é um filme de 2022, da cineasta Carla Simon. Venceu o grande prêmio do Urso de Ouro da Berlinale, um dos festivais mais importantes do mundo. A produção é a primeira representante em língua catalã a ganhar este prêmio. A jovem diretora, Carla Simon, também é catalã. Ela viveu a circunstância dramática de ter perdido ambos os pais pela doença da AIDS. Suas primeiras obras abordam o contexto dessa doença, porém Alcarràs não trata desse assunto, embora se debruce sobre os dramas familiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alcarràs é o nome de uma vila no interior rural da Catalunha. O filme aborda a vida de uma grande família – avós, pais, filhos, tios, sobrinhos e agregados – todos dedicados à agricultura familiar ao redor de uma casa. Uma das preciosidades desse filme é a ilustração da exuberante riqueza frutífera do entorno: maçãs, pêssegos, figos, tangerinas, etc. A família historicamente se dedica à agricultura orgânica, sem uso de agrotóxicos. Por isso, os principais inimigos são as lebres que como pragas invadem o plantio e precisam ser mortas a tiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, outro inimigo mais insidioso ameaça o cotidiano da família: o futuro. Mais especificamente: a energia solar e as placas fotovoltaicas. A Catalunha é uma região da Europa banhada exuberantemente pela luz do sol. O terreno lembra em parte nossa região do agreste brasileiro. A família mora numa casa em terras outrora comunais. Descobrem que a casa foi adquirida por acordo verbal e que não possuem um documento oficial de registro. Por isso, as terras em volta da casa são cobiçadas para sediar enormes placas fotovoltaicas para captar a luz solar e fornecer energia elétrica. As placas ameaçam assim as plantações que são o sustento histórico da família.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-divulgacao.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-divulgacao.jpg" alt="" class="wp-image-19941" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-divulgacao.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-divulgacao-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Cena do filme Alcarrás / Foto: divulgação</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Três personagens se destacam: o avô e patriarca, quase sempre calado e angustiado pelo seu “erro” de não ter registrado a casa. Ele é cobrado pelo seu filho Quimet que é o verdadeiro motor tanto da produção agrícola, como da narrativa. Quimet quer apenas continuar o trabalho de sua vida que corresponde a plantar e a vender a produção a um preço justo. Toda a família está envolvida nessa atividade agrícola. Mas a possibilidade de receber renda alugando espaço para as placas fotovoltaicas parece seduzir seu cunhado e sua irmã, com quem Quimet acaba brigando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E há também os filhos de Quimet e de seu irmão. Há os filhos pequenos, crianças, que se divertem brincando e correndo pelo campo agrícola, sob o sol. Essas crianças são incansáveis e felizes em sua liberdade rural impensável para os habitantes das cidades. Há o filho mais velho Roger, que é o que mais ajuda o pai; Roger gosta da vida de trabalho do campo, e contra o desejo dos pais se recusa a estudar para poder procurar mais tarde uma profissão diferente daquela. E há, finalmente, Mariona, a menina-moça, que é o verdadeiro foco narrativo da trama. De fato, o filme se passa filtrado pela perspectiva de Mariona que observa o conflito entre o pai e os tios, e que ainda possui uma sensibilidade especial para a chegada do tempo e as ameaças que derivam dele. Mariona gosta de dançar músicas contemporâneas ao estilo <em>Tiktok</em>. Ela encarna em seu corpo adolescente o ponto de encontro entre o passado e o futuro. Num certo sentido, <em>Alcarràs</em> é um filme clássico de <em>coming at age</em>, sobre a passagem da infância para a vida adulta, ao acompanhar os passos e os olhos de Mariona.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do destaque dado a esses protagonistas, um dos trunfos do filme de Carla Simon é o equilíbrio da atenção dada a todos os diversos personagens, pois embora sejam muitos, todos têm sua importância na trama narrativa e a tornam mais realista. A diretora escolheu a fórmula estética da obra semi-ficcional: atores contracenam com não-atores. O ganho em realismo é grande, com a câmera digital acompanhando de perto a movimentação vívida dos personagens, com suas hesitações, angústias e alegrias. Mas aqui é preciso cautela na observação: o apelo mimético dos filmes contemporâneos tem a ver diretamente com a complexidade dos arranjos afetivos e a indeterminação dos problemas abordados e não com uma suposta fidelidade aos esquemas sociais tradicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-divulgacao.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="300" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-divulgacao.jpg" alt="" class="wp-image-19942" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-divulgacao.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-divulgacao-300x180.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Cena do filme Alcarrás/ Foto: divulgação</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em <em>Alcarràs, </em>temos como pano de fundo histórico a relação entre a agricultura familiar orgânica e as necessidades energéticas, em particular do contexto europeu. Normalmente, temos visto a demanda pela chamada transição energética, com o apoio dos governos à adoção das energias renováveis, em particular as de fonte solar. Esta transição energética é colocada como imperativa para que a humanidade consiga se livrar da dependência dos combustíveis fósseis, os maiores vilões do aquecimento global. A energia solar, com suas onipresentes placas voltaicas, é a “menina dos olhos” dos governos preocupados com o desenvolvimento “sustentável”. Mas o filme de Carla Simon traz complexidade a essa questão ao mostrar que o avanço das placas invade as terras dedicadas à agricultura orgânica. Trata-se, sobretudo, de uma disputa pela luz do sol, que é também a luz da vida. Ao misturar essa questão macroeconômica com a história íntima de uma família, a diretora catalã focaliza com sua câmera a imagem de um dilema planetário, conectando magistralmente o local e o global. &nbsp;<em>Alcarràs </em>não é, portanto, um filme sobre o antagonismo entre tradição e modernidade. A família de Quimet não é a defensora tenaz das tradições locais catalãs; ela é ao mesmo tempo tradicional e moderna, a começar pelo fascínio pelas danças <em>Tiktok</em>, ou a defesa da autoprodução de maconha.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Alcarràs</em> é então uma obra cinematográfica que se coloca no cerne de um grande problema planetário. Pois não se trata de um filme, como tantos outros, que mostra como as transformações tecnológicas impactam os modos de existência mais tradicionais, pois tanto a energia solar como a agricultura orgânica fazem parte de possíveis soluções para o enfrentamento contemporâneo do aquecimento global. É o próprio antagonismo entre tradição e modernidade que é questionado. A família de Quimet não é “tradicionalista”, no sentido de defensora dos velhos costumes. Ela é uma família contemporânea que deseja seguir adiante em seu modo de existência, que é maior do que apenas mais um modo de subsistência. O que o filme de Carla Simon aborda é justamente a beleza e a intensidade desse complexo desafio que atinge a todos os viventes e com o qual temos todos de lidar com nossos próprios meios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/EhBSsPvxdco" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Guilherme Preger</em></strong><em>, carioca, é engenheiro e escritor, doutor em Teoria Literária pela UERJ (2020). É autor de Capoeiragem (7Letras, 2013) e Extrema Lírica (Oito e Meio, 2014). É organizador do <a href="http://clubedaleiturarj.blogspot.com/"><strong>Clube da Leitura</strong></a>, coletivo de prosa literária do Rio de Janeiro, atuante desde 2007 e foi editor das quatro coletâneas do Coletivo. É autor do blog <a href="https://gfpreger.medium.com/"><strong>Fabulação Especulativa</strong></a> e seus trabalhos acadêmicos podem ser visitados <a href="https://uerj.academia.edu/GuilhermePreger"><strong>aqui</strong></a>.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Jogo de Cena</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/jogo-de-cena-31/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Dec 2022 22:42:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[150ª Leva - 05/2022]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jogo de Cena]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[peça]]></category>
		<category><![CDATA[Realpolitik]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
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					<description><![CDATA[A peça “Realpolitik” nas percepções de Vivian Pizzinga ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mostra a tua cara: o acerto de contas na peça Realpolitik </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong><em>Por Vivian Pizzinga</em></p>



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<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/WhatsApp-Image-2022-09-23-at-04.24.32.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/WhatsApp-Image-2022-09-23-at-04.24.32.jpg" alt="" class="wp-image-19935" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/WhatsApp-Image-2022-09-23-at-04.24.32.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/WhatsApp-Image-2022-09-23-at-04.24.32-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Cena de Realpolitik / Foto: divulgação</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pedro Osório e Oscar Calixto estrearam, em 9 de setembro de 2022, o espetáculo “Realpolitik”. O texto inédito é da premiada autora Daniela Pereira de Carvalho. A acertada direção é assinada por Marcello Gonçalves. A peça, apresentada em lugar inusitado, ficou em cartaz até 30 de outubro, e 30 de outubro de 2022 é 30 de outubro de 2022, mais autoexplicativa essa frase não pode ser. Assisti à peça nas vésperas do primeiro turno das eleições, é disso que se trata. Havia uma grande confusão nos gps dos táxis da cidade, pelo menos 4 deles, segundo informações colhidas, indicavam o endereço errado. Isso ocorreu não só comigo, na ida e na volta, como também com outras pessoas que, ao final, comentaram esses contratempos, na calçada em frente ao prédio da peça, na Presidente Vargas. Parece besteira, mas tudo isso faz parte daquilo que chamei de “rolê da peça”. Mas calma. Vamos aos poucos pra que a gente possa entender a importância do espetáculo, algumas de suas peculiares características e o excelente programa, pra quem gosta de dramaturgia, que Realpolitik certamente é.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apontando o básico do enredo, sem dar spoiler, a trama diz respeito a um acerto de contas. Há um CEO que é o responsável pelo rompimento de uma barragem e pelas consequentes mortes de 150 pessoas (aquelas de que se tem notícia, pois em um acidente, qualquer acidente, nunca podemos afirmar o número de mortes com certeza, haja vista Chernobyl), sem contar todos os outros problemas que um tal acidente acarreta: problemas de ecossistema, de economia local, problemas sociais, enumerar é cansativo e gera tristeza. O jornalista que vai atrás do CEO adentra o escritório do ricaço, num prédio enorme de um centro comercial, e aí já começamos por uma característica interessante da peça: a produção se dá, ela também, em um prédio comercial que fica na esquina da avenida Presidente Vargas com a avenida Rio Branco, o principal entroncamento comercial do Rio, um ponto de muvuca, barulhos e fumaça que todo carioca depois de certa idade teve de enfrentar. Reproduz-se no real espaço onde se dá o espetáculo aquilo que é contexto e cenário do enredo. Fugindo, portanto, aos espaços cênicos tradicionais, assistimos à peça no 14º andar desse prédio, após subirmos elevadores espaçosos como não é tão costumeiro ver, mesmo em prédios como esse no centro do Rio. Lá de cima, enquanto aguardamos, podemos ver uma parte da confusão do centro se nos aproximarmos da janela: lá embaixo, desenrola-se um naco da confusa Rua Miguel Couto. Há também a exposição do artista plástico Victoriano Resende, por outro lado, que ocupa o espaço com uma exposição aberta ao público e que resultou numa intervenção no cenário da própria peça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra curiosidade é que a peça, segundo Pedro Osório, foi escrita no decorrer da pandemia de Covid-19, essa que ainda não acabou de todo, e a ideia, segundo o ator, foi pensar “em como, após as grandes tragédias, os responsáveis pelas empresas tinham que lidar com as questões humanas, éticas, morais e financeiras”. Desse modo, é disso que se trata o acerto de contos em torno do qual o enredo gira, isto é, a peça que é um thriller, com seus momentos de tensão, de surpresa, de susto, com seus outros momentos de virada e de humor. Sempre algum humor é possível, nem que seja o escárnio comedido de si mesmo, no meio da dureza da vida e das histórias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas as características mencionadas são uma maneira que reúne a oportunidade de que o público possa ter uma experiência além do teatro. Mas, em termos de teatro, naquilo que concerne ao tratamento dramatúrgico conferido à trama, estamos muito bem: Oscar Calixto e Pedro Osório estão ótimos, em preciosa direção de Marcello Gonçalves. Se eu pudesse fazer um adendo, como alguém que entende mais de texto (bem mais, muito mais, imensamente mais) do que de teatro, talvez a fala de Pedro Osório possa contar com palavras menos caracterizadas por sua forma escrita e mais próximas do oral e do coloquial. Mas isso seria o mais simples de ajustar, se fizer sentido ajustar alguma coisa. Pois, naquilo que me parece mais difícil, ou seja, no que tange aos ritmos e aos silêncios, algo que acho às vezes mais raro de encontrar nas peças que tive a chance de assistir, Pedro e Oscar estão perfeitos. Não ficamos com a incômoda sensação (que pode gerar uma falta de fôlego quando estamos assistindo) de que há um desespero para falar todo o texto antes que ele seja esquecido (a sensação pode não corresponder à intenção da velocidade na fala, nem mesmo à realidade, mas é essa a sensação que às vezes tenho quando estou ouvindo os atores e as atrizes em suas verborragias textuais, não só no teatro como também em séries, em especial as estadunidenses). Todos nós falamos de forma atropelada e pausada, a depender da circunstância, todos nós intercalamos ritmos e convicções, a prosódia é movida a algum cadência e raras vezes se assemelha a uma metralhadora giratória; todos nós falhamos na dicção, cometemos lapsos, isso é vida e é sujeito e é inconsciente e é afetação. Que possa ser reproduzido nos diálogos dos personagens, é fundamental, e isso acontece muito bem entre Henrique e Rafael, a dupla que duela no 14º andar de um edifício comercial. Porque uma das coisas que às vezes cansa esta espectadora que vos escreve (falo por mim) é a fala cuspida duma só vez em várias ocasiões de um espetáculo de teatro. Outra coisa que acrescento é que, quando houver erros de fala, erros reais, de fala do texto, que isso possa ser manejado de maneira que nós, da plateia, percebamos bem pouco, coisa frequente entre músicos. O improviso é também o do erro, do que fazer com ele. Se é que há uma coisa chamada erro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalmente, para falar da importância da peça, basta remontar ao enredo sem spoiler que dei no começo. O fato de falarmos de um CEO que pouco se importa com as mortes causadas e com os problemas de bioma que uma barragem e sua ruptura ocasionam, o fato de mencionarmos capitalismo, exploração da força de trabalho, de populações inteiras maltratadas, de responsabilização, o fato de tudo isso ser debatido, tematizado, explicitado, já nos acena para a importância da peça e do acerto de seu contexto, temporal e geográfico. Estivemos às vésperas de escolher o rumo do Brasil, estivemos no entreato. Ora bolas, Realpolitik fala disso, e o esforço, a luta, o embate visam a muito além de momentos eleitorais. O fascismo está em vias de capturar o Brasil como tem capturado a Itália. O que todas e todos nós, dentro de nossos interesses, capacidades, talentos e oportunidades, temos a fazer para impedir esse avanço? Realpolitik faz sua parte. Daniela Pereira de Carvalho, Oscar Calixto, Pedro Osório, e Marcello Gonçalves têm feito, no Rio de Janeiro, sua parte. E a têm feito lindamente, diga-se de passagem. E nós?</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Vivian Pizzinga</em></strong><em> é escritora e psicanalista. Lançou “Ruído nos Dentes” (Urutau, 2022, poemas), “A primavera entra pelos pés” e “Dias roucos e vontades absurdas” (Oito e meio, 2015, 2013, contos), além do romance epistolar “Extravios” (Oito e meio, 2018) em co-autoria com Igor Dias. Tem doutorado em Saúde Coletiva, gosta de gatos e prefere o outono.&nbsp;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética IV</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iv-86/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Dec 2022 22:34:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[150ª Leva - 05/2022]]></category>
		<category><![CDATA[duas mortes]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Julia Bac]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[O movimento versátil da escrita peculiar de Julia Bac

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Julia Bac</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="400" height="500" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-5.jpg" alt="" class="wp-image-19927" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-5.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-5-240x300.jpg 240w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Yuri Bittar</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">este poema é sobre uma mala. na verdade, este poema é sobre uma mala que cansei de carregar. talvez este poema seja sobre o peso da mala talvez este poema seja sobre a falta de espaço pra guardar esta mala talvez este poema seja sobre o dono da mala talvez este poema seja sobre as coisas de dentro da mala talvez este poema seja sobre as lembranças que tenho ao ver os objetos de dentro da mala talvez este poema seja sobre as rodinhas da mala que não funcionam talvez este poema seja sobre a minha vontade de não ter mais esta mala. te entrego a mala agora. acabou o poema.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">como é que eu não vi o espelho quebrado eu não vi o sofá rasgado eu não vi não vi o queixo que se deslocava sem controle eu não vi a euforia não vi as compras exageradas eu não vi não vi a pupila dilatada eu não vi a água do chuveiro que não parava de cair mais um banho eu não vi não vi a nota de dez enrolada eu não vi como é que eu não vi quando esvaziei um papelete cheio na privada eu não vi as ligações fora de hora a voz molhada eu não vi o dinheiro que sumiu alguém me roubou eu não vi a insônia eu não vi como é que eu não vi eu não vi eu não vi eu não vi não sei eu não vi.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">como Klein<br />
cada poema<br />
é um salto no vazio,<br />
mãe.<br />
cada ano<br />
mais alguns<br />
“o que acharia disso”,<br />
mãe.<br />
há 5 anos<br />
a cada enjambement<br />
celebro o silêncio<br />
como Klein<br />
no seu salto no vazio,<br />
mãe.<br />
continuo sendo aquele<br />
bicho híbrido<br />
meio pato meio pássaro,<br />
mãe.<br />
é isso<br />
por enquanto<br />
é isso,<br />
mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph">a imagem é<br />
de um touro<br />
imenso<br />
nem seu peso<br />
seu porte<br />
ou força<br />
são maiores<br />
que a agilidade<br />
da alcateia<br />
queria ser um<br />
dos lobos<br />
hoje tô mais<br />
pra um touro<br />
sozinho<br />
imenso e frágil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">apesar de gostar<br />
de saber o peso<br />
dos alimentos<br />
aqui já não se<br />
compra nada a granel<br />
não vale a pena<br />
também não se<br />
pede porções grandes<br />
nem nada que<br />
dure muito tempo<br />
não levo promoção<br />
2 a preço de 1<br />
aqui é só<br />
pra 1 mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">corto um tomate<br />
ao meio fazendo<br />
uma incisão perpendicular<br />
abro a fruta<br />
e vejo que parece<br />
um pulmão<br />
e o que me diferencia<br />
dos tomates<br />
entre outras coisas<br />
é que respiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Julia Bac</em></strong><em> (1982) nasceu em São Paulo. É formada em História (PUC/SP, 2004), em Artes Visuais (Centro Universitário Belas Artes/SP, 2009), e mestre em Arte e Patrimônio (Maastricht University, Holanda, 2011). Na área literária, se formou no núcleo de ficção do Curso de Formação de Escritores do Instituto Vera Cruz (SP/2018) e no CLIPE/Poesia da Casa das Rosas (SP/2017). Publicou o livro “duas mortes” pela editora 7letras (2021).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-ii-78/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Dec 2022 15:08:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[150ª Leva - 05/2022]]></category>
		<category><![CDATA[concílio]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Rodolfo Guimarães Neves]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=19920</guid>

					<description><![CDATA[Sensíveis provocações no conto de Rodolfo Guimarães Neves 

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Rodolfo Guimarães Neves</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="334" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-4.jpg" alt="" class="wp-image-19921" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-4.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-4-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Yuri Bittar</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O CONCÍLIO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Telepaticamente, um filho se dirigiu a um dos pais, ambos diante de um grande visor, pelo qual se observava o esplendoroso planeta Terra em sua contínua rotação. Há milênios os Ankers aboliram a fala.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Pai, as chances são de 0,3366%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Estatística e a Probabilidade dessa civilização eram infinitamente mais avançadas que a dos humanos, aos quais mais pareceriam pura precognição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Em quanto tempo? — retrucou o pai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Menos de um século, na contagem de tempo deles. Eles estão no ano 2126 D.C.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma lágrima rolou do olho esquerdo do Pai, que continuou:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Sabemos quem viemos resgatar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O filho fez uma súplica:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Nossa facção acredita neles, Pai. Dê-nos uma chance. Convoque o concílio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Pai olhou para seu filho. Ainda tinha muito que aprender. A compaixão, entretanto, era algo caro demais à sua civilização e devia ser respeitada. Entendia a imaturidade dele e de todos de sua facção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No coração da gigantesca nave à órbita da Terra, cuja civilização humana sequer suspeitava de sua presença, apesar de todo o seu avanço tecnológico, com seus satélites e estações espaciais, um concílio que decidiria a sorte da Humanidade foi aberto em uma grande assembleia. Ao centro, os pais, à esquerda destes, os filhos da facção humanista e, à direita, os filhos da facção legalista, a grande maioria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na abertura dos trabalhos, os pais telepaticamente lembraram a todos os filhos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Vocês sabem de nosso propósito neste sistema solar. Não precisamos lembrar que o tempo é escasso e nossa energia, ao momento, também.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A viagem tinha sido muito longa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao centro da assembleia, imagens mentais compartilhadas eram geradas pelo poder das mentes de todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O advogado, representante de toda a facção humanista<strong>,</strong> tomou a frente:</p>



<p class="wp-block-paragraph">—&nbsp; Pais e irmãos, a epopeia humana na Terra corre o risco de chegar ao fim em pouco tempo. É algo precioso demais para ser ignorado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagens em sequência de todos os fatos humanos mais notórios foram projetadas ao centro do grande anfiteatro. O líder da facção legalista deu um passo à frente e respondeu:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Pois a culpa é toda dessa civilização. Eles causaram as mudanças climáticas, ofendendo nossa grande Mãe Natureza, impuseram a si próprios o risco nuclear iminente, perderam gradativamente seus valores e se tornaram vis e malignos. Como disseram nossos pais, aqui presentes, não nos esqueçamos de nosso propósito. Catalogaremos suas conquistas em nossa enciclopédia, assim como fizemos com outros seres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pais assistiam ao debate com olhares serenos e muita atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Mas eles têm chances de sobreviver e reflorescer! — disse o advogado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Ínfimas, nada que possa justificar nosso colossal empreendimento, que tanto demanda tempo e energia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As imagens ao centro converteram-se em cenas de destruição e guerra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Tenham compaixão, meus irmãos legalistas&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Ora, meus irmãos humanistas, a nossa lei é justamente o Amor. Há diversas espécies mais empáticas que os humanos. Não há como salvar todas do mal que essa espécie que vocês defendem causou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As imagens ao centro do anfiteatro alternavam-se em representações de cavalos, elefantes, cachorros, pinguins, baleias e outras mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O advogado humanista disse:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Eles são mais inteligentes, têm engenharia, sabem coisas da matemática, colonizaram seu planeta vizinho&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Não nos faça rir, meu irmão — disse o líder legalista — suas construções, para nós, que estamos a milhões de anos à frente, não se diferenciam muito de uma casa de um pássaro joão-de-barro. A questão aqui é moral, e vocês, humanistas, sabem disso!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pais intervieram em uníssono em sua telepatia:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Lembramos que precisamos de todo o amor possível para vencermos as forças entrópicas do Grande Nada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O líder legalista lançou um olhar compreensivo aos pais e, logo após, desafiador ao irmão<strong>,</strong> advogado daquela causa perdida. Este, com lágrimas nos olhos, implorou por compaixão:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— As artes, não nos esqueçamos de sua bela arte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cenas de arquiteturas, pinturas, filmes, peças de teatro, esculturas e todas as formas de artes humanas, em sua maior expressão, surgiram no centro da grande assembleia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Já está em nossa enciclopédia, irmão, não será esquecida. Além disso, todas as formas de arte humanas estão em declínio há décadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— As grandes personalidades dessa civilização e seus grandes mestres benfeitores, seus ensinamentos&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagens de Shakespeare, Buda, Gandhi, Jesus, Madre Tereza de Calcutá, Gilberto Gil, Martin Luther King, Mandela, Leonardo da Vinci, Michelangelo e muitos outros grandes nomes da Humanidade foram se desenhando alternadamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O líder legalista, com olhar de certa indignação, respondeu em tom grave:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— E o que fizeram com o seu maior mestre? Crucificaram-no!</p>



<p class="wp-block-paragraph">O advogado humanista retrucou de imediato:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Eles podem aprender, nós podemos ensiná-los!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os pais, ao centro, voltaram seus olhares reprovadores ao advogado e disseram telepaticamente em tom elevado:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Não podemos violar a Lei!</p>



<p class="wp-block-paragraph">O líder legalista engrossou o coro:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— A Lei e nosso empreendimento! Viemos atrás da espécie mais amorosa para salvá-la do perigo iminente. Precisamos de todo o amor no Universo para completarmos nossa missão. Não há necessidade em lembrar que a questão não é inteligência e, sim, empatia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Pais, imploramos, eles podem evoluir&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O líder legalista interveio de imediato:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Assim?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo, as imagens ao centro se converteram em perversões, guerras, assassinatos, crimes de todas as espécies, corrupções, vilanias etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pais, em bloco, abaixaram as cabeças e fecharam os olhos, recusando-se a verem coisas tão baixas, há milhões de anos esquecidas em sua própria civilização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma última cartada, o advogado converteu as imagens em demonstrações, de afeto, atos de honra, atos heroicos, cenas de nobreza de espírito, cenas de amor familiar, com os dizeres telepáticos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Para nós, humanistas, essas pessoas que mostramos agora têm um valor inestimável de amor que supera o conjunto de todas as demais espécies. Deem-lhes uma oportunidade! — disse em retumbante apelo sentido por todos em seus corações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O líder legalista se voltou aos pais e finalizou seu discurso:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Estamos aqui pela espécie e não por indivíduos. Lembramos: 0,3366%. Não merecem tamanho risco e consideração. Não podemos encher nossa nave de monstros. Não temos tempo e energia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O advogado apenas se restou a falar:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Pais, esperança e compaixão!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pais, encerrando o debate em ordem telepática, após breve meditação, obtiveram o consentimento de todos, que restaram em silêncio mental. E deram a ordem final:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Mapeiem o DNA de todas as espécies amorosas e façam o resgate da espécie mais nobre deste planeta. Não temos muito tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E assim foi feito. Um grande arrebatamento foi efetuado e a nave partiu para outro sistema solar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um representante dos pais foi receber, em um imenso salão, os membros da espécie escolhida. Sentiu em seus corações o amor familiar, a caridade, a compaixão, o senso de proteção mútua. Toda aquela boa energia que captou, retribuiu gentilmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com seus passinhos desengonçados, um dos pinguins se desgarrou do grupo e caminhou para mais próximo daquele pai. Nunca tinha sentido tanto amor. Girou a cabecinha para o lado, num misto de curiosidade e alegria, e o olhou com gratidão. O pai retribuiu aquele olhar feliz, que era a própria felicidade da Mãe Natureza, e sorriu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a href="rodolfogn@hotmail.com"><strong><em>Rodolfo Guimarães Neves</em></strong></a><em>. Nascido em 01/11/1979, em Olinda, Pernambuco. Teve poemas e contos selecionados em diversas antologias. Seu conto “O Mal Iluminado” compõe a antologia de contos “23 Formas de Morrer”, da Editora Amélie. É autor da ficção científica “A Dinâmica Orgânica”, da Editora Paradoxo, e roteirista da HQ homônima, nela baseada, juntamente com o quadrinista Pedro Ponzo. É também autor da antologia de contos e poemas intitulada “Eles, Outros Contos e Poemas” e da peça teatral “Ressentimento”, estas últimas da editora IGP.</em><em>&nbsp;</em><em>Foi selecionado no concurso de contos “KosmoKontos” da Editora Ventura com seu conto “A Invocação” (2022). Por fim, é autor do frevo de bloco “Cidades Irmãs” e do frevo canção “Aurora das Festa”, cujos arranjos foram elaborados pelo Maestro Parrô Mello e encontram-se devidamente registrados na Biblioteca Nacional.&nbsp;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética V</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-v-83/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Dec 2022 14:20:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[150ª Leva - 05/2022]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Silva]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Um lampejo de melancolia atravessa os versos de Paulo Silva

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Paulo Silva</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="450" height="450" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-3.jpg" alt="" class="wp-image-19917" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-3.jpg 450w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-3-300x300.jpg 300w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-3-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Yuri Bittar</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Clau</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Despeje no beiral do mundo suas crises<br />
Não ouça do espelho nada, pois nada diz<br />
Sobre seu coração e seus olhos ou sua alma<br />
Então, se os quer preencher<br />
Se dê ao luxo de viagens inesperadas<br />
Tome sua nave e explore o que há atrás<br />
Das montanhas que se tornaram sua dor<br />
Para que veja<br />
Que viver é pleno, só requer um tanto de vontade<br />
A SUA vontade<br />
Então, nem a chuva e nem os deuses lhe privarão<br />
De chegar até onde<br />
Os sonhos residem.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Doce e triste sonata</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Passo os dedos levemente<br />
Sobre as sérias cicatrizes em meu peito,<br />
É como se um acorde fosse feito<br />
Em músicas pessoais<br />
Ouvidas dentro da caixa torácica<br />
Em ritmo e compasso<br />
Com o coração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na canção há seu nome,<br />
Nela, a cada verso,<br />
Eu a chamo e choro<br />
Sem que termine ainda<br />
A nossa estória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Na esquina do meu coração</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Na esquina no meu coração<br />
E nas bordas do meu cérebro<br />
Nasce uma flor sem perfume<br />
Lúgubre e espinhosa<br />
Suas pétalas somem em teu perigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu coração enraizado na flor<br />
Trancado entre cerca-viva farpada<br />
Machucando toda vez que bate<br />
Sangrando manchando a Rosa<br />
Em um vermelho tão brilhante<br />
Que se ascende ao céu nublado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Guiando as estrelas para que vejam<br />
Minha tragédia mais bela em vida<br />
Que é nascer quando se nasce o sol<br />
E me recolher quando acaba o dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu estava vencido como um preso<br />
Que se entregou sem crime ainda<br />
E na esquina do meu coração e nas bordas do meu cérebro<br />
Um milagre sem nome acontece<br />
Eu não o vejo, mas o sinto<br />
Então<br />
Ainda na dor<br />
Ainda na tragédia<br />
Vivendo de risos ainda<br />
Eu quero o ritmo e me vou<br />
Cantando na rua<br />
Em meu Carnaval particular<br />
Uma triste marcha<br />
Que se converte em um hino,<br />
Um hino para a alegria!</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Carta para a minha morte</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seja breve e audaz!<br />
Feroz, sem frivolidades;<br />
Selvagem, poética e autêntica<br />
Impassível<br />
Irreversível<br />
Constante<br />
E mordaz:<br />
Traga mais e dê menos:<br />
Saudades. Choro. Piedade.<br />
Sentido.<br />
Para<br />
A carta<br />
A poesia<br />
Minha vida<br />
E mais nada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Liese</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Grave meu nome no vitral<br />
E<br />
<span style="color: #ffffff;">..</span>Na<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;.</span>Pedra<br />
Para que o tempo<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;</span>Jamais<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;..</span>Me leve<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;</span>De teu umbral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E em fonte entregue minha nascente<br />
Em praça pública<br />
Teu coração<br />
Para banhar o jovem, rir o infante;<br />
Ser fluente para tua gente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Me forme belo<br />
Tua Palavra<br />
Quente e áspera trova<br />
Para transpor minhas vivências<br />
Como cotidianas coisas novas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mais<br />
Peço calma pra alma<br />
Flerte aos olhos<br />
Paixão ao tocar<br />
Pois em ti,<br />
Pequena Liese,<br />
O belo em jardim<br />
Florescerá<br />
E de virtude erguerá<br />
Morada<br />
Para que Paraíso<br />
Eu a chame.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para teu nome<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</span>Descobrir<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;</span>Para teu nome<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;</span>Navegar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Me chamo <strong>Paulo Silva</strong>, 26 anos, nascido e criado em São Paulo-SP. Apaixonado por poesia, crônicas e peças teatrais busco, através de estudos, um maior entendimento sobre essa arte tão bela que é a escrita.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aperitivo da Palavra II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/aperitivo-da-palavra-ii-11/</link>
					<comments>https://diversosafins.com.br/diversos/aperitivo-da-palavra-ii-11/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Dec 2022 13:50:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[150ª Leva - 05/2022]]></category>
		<category><![CDATA[Aperitivo da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Gustavo Rios]]></category>
		<category><![CDATA[Patuá]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Mainieri]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande do Sul]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=19912</guid>

					<description><![CDATA[Gustavo Rios comenta o mais novo livro do poeta Ricardo Mainieri

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Do mimeógrafo ao Arnaldo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong><em>Por Gustavo Rios </em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/CAPA-EMOCOES-EM-TRANSITO-interna.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="267" height="403" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/CAPA-EMOCOES-EM-TRANSITO-interna.jpg" alt="" class="wp-image-19970" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/CAPA-EMOCOES-EM-TRANSITO-interna.jpg 267w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/CAPA-EMOCOES-EM-TRANSITO-interna-199x300.jpg 199w" sizes="auto, (max-width: 267px) 100vw, 267px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Emoções em trânsito</em> é o mais recente trabalho do escritor gaúcho Ricardo Mainieri, publicado pela Patuá. Ricardo, que além de poeta nascido nos “loucos e áridos anos sessenta”, é publicitário, aparenta prestar um genuíno tributo justamente aos tais-e-loucos anos sessenta, que cresceu muito bem nos setenta e desembocou com moral e pompa nos oitenta (ajudando a criar a geração oitentista, chamada “Geração Mimeógrafo”). Ao buscar referências desses períodos para o seu trabalho, do ritmo rápido e dos trechos curtos, tipo um Leminsky ou um Torquato, às temáticas, Mainieiri consegue nos trazer um bom livro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dividido em partes, situação que agradará o leitor, no sentido de que serve como guia para o conjunto de textos que seguem (dentro da proposta), <em>Emoções em Trânsito</em> se apresenta de forma coerente. A concepção de se fazer uma poesia leve, simples, direta e sem barroquismos ou classicismos, mas com alguma profundidade, deu o tom da obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos começar pela primeira parte: “Poiesis”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já no primeiro poema, percebemos a forma e a intenção do autor para seguir em frente. O texto, chamado “Minor poet” pode ser definido como uma boa apresentação:<em> “sou poeta / de palavras escassas / imagens esparsas / meios-tons / não me imponham /&nbsp; a audácia da lâmina / nem o incêndio dos versos / prefiro o reverso / lado alvo da lua / melodia de sílabas / com cadência e refrão / sou poeta menor / confesso / mínimo e lírico animal / a ode e o épico / ficam bem para Homero / sou mero homem comum.”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos ver de cara que a escrita do Mainieri possui, sim, qualidades. Na aparente busca por um tom, tendendo mesmo para a musicalidade (como um bom letrista de <em>rock and roll</em>, por exemplo), a gente consegue também fisgar, aqui e acolá, preciosidades que acabam por validar o conjunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vejamos a seguinte frase: <em>“não me imponham / a audácia da lâmina / nem o incêndio dos versos”</em>. Agora, vamos prestar atenção à carga poética contida aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como uma boa escrita sempre sugere, ao se esquivar do que ele chama <em>“audácia da lâmina”</em> ou de um <em>“incêndio dos versos”</em>, podemos nos perguntar (foi o que ocorreu comigo) o que o poeta deseja: fugir de um lirismo tacanho e/ou escrever sem amarras, evitando o corte (lâmina)? A recusa de “ser” um Homero para ser <em>“mero homem comum”</em> talvez nos dê algumas pistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desse modo, posso dizer que todos os seus poemas seguem essa estrutura, digamos. Mesmo as que pertencem aos outros blocos temáticos (“Menoridade”, “Viagens atemporais”, “Biodiversidade”, “Eros tropical”, “Inventário das horas”, “Urbanagonia” e “Paisagem dilacerada”), carregam essa mesma musicalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, ainda que enxergue um fio condutor ao longo das páginas, não seria correto afirmar que ele se repete infinitamente. Conforme já dito acima, a divisão por temas foi de grande ajuda na leitura que fiz. Para cada parte, o escritor buscou uma forma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em “Menoridade”, por exemplo, o segundo bloco, Ricardo nos confronta com perguntas mais profundas e pessoais. A diferença é que os questionamentos parecem surgir do ponto de vista de uma criança. Como alguém (uma criança, no sentido metafórico da coisa, <em>por supuesto</em>) que se pergunta (e pergunta ao próximo) sobre o sentido da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vejamos o exemplo a seguir: <em>“tarde / de domingo / depois do almoço / do futebol / e do programa televisivo / o menino / se pergunta / sobre a vida / é só isso?”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Notem que a linguagem se converte em fala. Fala de uma criança, de alguém que perscruta o mundo ao redor com passos iniciais. Ideia que pode muito bem se justificar pelo título: “Precoce Filosofia”. Essa mesma voz, suposta e docemente infantil, representa a busca por respostas. Ou talvez a busca por mundo menos ordinário (o mundo que <em>“podia ser / &#8211; quem sabe – / um recanto ideal”</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em “Viagens atemporais” é o tempo que lhe dá guarida e mote (elementar, meu caro Watson!). E aqui mais uma vez o poeta consegue um resultado interessante, com destaques (trechos) louváveis em alguns poemas: <em>“relâmpago que corta / a moldura da face / num sorriso”; “alguns projetos / viraram frutos / outros inútil / semeadura”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A noção de que quanto mais lemos, mais profundo o texto fica pode ser defendida com alguma moral. Porém, a profundidade no caso não seria necessariamente uma viagem “para dentro”, aquela introspecção chatinha e ininteligível. Mainieri amplia o escopo de seus temas. Como no bloco seguinte, chamado “Biodiversidade”, um das mais interessantes se não pelo tema (necessário, mas amplamente conhecido), pela forma (Ricardo aqui arrisca “tipo uns haicai”; e podemos dizer que ele acerta): <em>“noite compacta: / é de néon cintilante / o trajeto que a lesma traça”</em> (“Natureza”); <em>“flores lilases / no espelho do dia / apaziguam o olhar” </em>(“Ipês”); <em>“em teu verdeazul / ancoro meus olhos / ainda preservados” </em>(“Mata Atlântica”).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eros Tropical”, de cunho fundamentalmente sensual (alguma dúvida, meu caro <em>Watson</em>?), talvez seja o bloco que menos instiga o leitor, apesar da tentativa louvável do autor em trazer à tona imagens com tal pegada. Nos textos que compõem essa parte, o que percebi foi uma certa repetição de clichês. Algo que poderia ter sido subvertido (a-subversão-da-subversão, se considerarmos o tema “sexo” como um tabu) na tentativa de se descolar da comum abordagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em “Inventário das horas”, o seguinte, com certeza o que mais exigiria de qualquer artista pela importância do assunto, encontramos um escritor bem tranquilo e seguro de seu labor. E aqui, mais uma vez, fisgamos trechos que merecem destaque pela carga poética contida: vide “Tempo Atroz”, “A Face do Espanto”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Urbanagonia” e “Paisagem Dilacerada”, ambos com alguma semelhança entre si, só ratificam o talento do Ricardo Mainieiri. Sob um olhar francamente crítico diante das mazelas do mundo (incluindo o caso da Boate Kiss), o escritor mantém o prumo. &nbsp;Abordando desde o consumo que norteia boa parte de nossas relações à política (“Mais-valia”). Desse modo, Mainieiri nos coloca frente a frente com questões urgentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, ainda que a gente possa enxergar o uso recorrente da forma e da estrutura (mas não <em>ad infinitum</em>, bom frisar), como se os poemas servissem apenas de justificativa para um suposto <em>gran finale</em> (a frase de impacto; a derradeira), creio que o <em>Emoções em Trânsito</em> irá agradar bastante aos que, assim como eu, gostam de poesia. Ainda mais sendo daquela de certa forma vinculada à moçada da chamada “Geração Mimeógrafo”. Ou mesmo semelhante ao experimentalismo bacana e benquisto de um Arnaldo Antunes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De minha parte, posso dizer que gostei do cara. E que venham mais coisas desse interessante poeta porto-alegrense.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Gustavo Rios</strong></em><em>&nbsp;é baiano e autor do livro Rapsódia Bruta (Mariposa Cartonera, 2016), dentre outros.</em></p>
</blockquote>



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		<title>Gramofone</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-84/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Dec 2022 22:29:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[150ª Leva - 05/2022]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[disco]]></category>
		<category><![CDATA[Gramofone]]></category>
		<category><![CDATA[Juvenil Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa Mendes]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
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					<description><![CDATA[De ouvidos abertos, Larissa Mendes visita o novo disco de Juvenil Silva]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Larissa Mendes</em></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>JUVENIL SILVA – UM BELO DIA NESSE INFERNO</strong></p>



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<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/capa.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="400" height="400" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/capa.jpg" alt="" class="wp-image-19898" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/capa.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/capa-300x300.jpg 300w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/capa-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Em meio a esse turbilhão de energias caóticas que vive(u) o país, o músico pernambucano Juvenil Silva lançou na primeira quinzena de outubro <em>Um Belo Dia Nesse Inferno</em> (2022), quarto álbum de sua carreira. Um disco que, em sua serenidade, faz contraponto ao olho do furacão dos dias atuais. Diferentemente dos discos anteriores, as 10 faixas de <em>Um Belo Dia</em>… se esquivam do rock e das guitarras distorcidas, recorrentes no trabalho do músico. Aliás, trata-se de um álbum quase ausente de guitarras, onde prevalecem violões de aço, nylon, 12 cordas e um lendário instrumento: o tricórdio (instrumento de três cordas, também chamado de pandora) de Lula Côrtes (1949–2011), o mesmo que gravou discos clássicos como <em>Paêbirú</em> (1975), <em>Molhado de Suor</em> (1974), <em>Flaviola e O Bando do Sol </em>(1976), entre tantos outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O disco abre com o folk psicodélico <em>Sem Relógios</em>, single lançado em janeiro. Na sequência a ótima canção que nomeia a obra <em>Um Belo Dia Nesse Inferno</em> <em>(bem, andei pensando e já faz tempo/que eu nem parava pra pensar/que a gente não é o que quer na vida/tão pouco se é aquilo que o outro acredita)</em> filosofa sobre o nosso eu, “o amor e outras drogas mais pesadas”. <em>Objeto Afetivo</em> (<em>tínhamos teto, tato, tava tudo tão bonito/e agora quanto tempo nem se sabe onde estamos/por ora estamos sendo ou por vezes tentando</em>), tem parceria de Guilherme Cobelo e evoca Raul Seixas, enquanto a bela (ao contrário do que diz sua letra) <em>Noites Sem Futuro (não teve como fazer uma canção bonita para nós/nós somos dois, somos bois/ruminando migalhas de momentos bons) </em>tem a colaboração de Evandro Negro Bento. A apocalíptica <em>Música de Repúdio </em>tem as gaitas de Rodrigo CM e a queixa de que “o mundo já acabou tantas vezes que eu perdi a conta”. A segunda metade do disco apresenta ainda a balada <em>Pra Gente Passear na Cidade</em> (<em>saber que a vida é boa/mas não é sopa/que o doce na boca/custa os olhos da cara</em>), a instrumental <em>meso</em> lenta, <em>meso </em>punk <em>Desoriente e o </em>single solar, apresentado em junho, <em>Estamos Numa Encruzilhada </em>– canção pessimista que tem videoclipe em P&amp;B disponível em seu canal do YouTube. Completam o disco a balada de amor livre <em>Deixe-se </em>e <em>Para Que Se Perca Antes.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-m.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="333" height="500" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-m.jpg" alt="" class="wp-image-19899" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-m.jpg 333w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2022/12/interna-m-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 333px) 100vw, 333px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Juvenil Silva/Foto: Marco Bonachela</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sucessor de <em>Desapego</em> (2013), <em>Super Qualquer No Meio de Lugar Nenhum</em> (2014) <em>Suspenso </em>(2018) e do EP<a href="https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-79"><strong> <em>Lonjura</em> (2021)</strong></a> &nbsp;traz a atmosfera do folk psicodélico e da canção, soando ora mais popular, com ares de Zé Ramalho, Bob Dylan, Belchior, ora mais psicodélico, como Lula Côrtes, Syd Barret, e até mesmo melancólico, como Flaviola e Nick Drake. Todos esses artistas, assim como outros do mesmo nicho, fazem parte das referências e influências &#8220;juvenis&#8221; desde o início de sua trajetória, acentuadas, finalmente, nessa obra mais recente. Lançado por seu selo <em>Plurivox</em>, após mais de dois anos de &#8220;gestação&#8221;, um detalhe curioso é que <em>Um Belo Dia Nesse Inferno</em> seria o título do primeiro disco de Juvenil, que acabou se chamando <em>Desapego</em>. Mas não é apenas sobre o título. O próprio conceito mais intimista contrasta com o caminho mais agitado escolhido pelo artista no início de sua carreira. O álbum tem participações especiais de Régis Damasceno (<em>Cidadão Instigado</em>), Lucas Gonçalves (<em>Maglore</em>), Pedro Huff, Bonifrate (Ex-<em>Supercordas</em>), e vários outros músicos pernambucanos. A exemplo de <em>Depois da Curva</em> (2022), primeiro álbum que Juvenil lançou ao lado do coletivo Avoada em setembro, as 10 faixas de <em>Um Belo Dia Nesse Inferno</em> – que somam quase meia hora de música – são composições autorais inspiradas e pautadas na turbulência cotidiana. Vale o giro e a reflexão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/7U8UwWXHbgk" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Larissa Mendes</em></strong><em> viveu belos dias e outros nem tanto nessa encruzilhada chamada 2022. </em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
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